{"id":134,"date":"2012-11-02T00:00:33","date_gmt":"2012-11-02T02:00:33","guid":{"rendered":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134"},"modified":"2024-01-27T06:33:54","modified_gmt":"2024-01-27T09:33:54","slug":"o-role-do-cuscuz-pelo-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134","title":{"rendered":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-139 size-full\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg\" alt=\"Fogo\" width=\"286\" height=\"176\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cDa tradi\u00e7\u00e3o quero apenas o fogo, a cinza n\u00e3o me interessa\u201d. Li essa frase n\u00e3o sei onde. Perdoe-me autor e leitores, mas n\u00e3o poderia deixar de cit\u00e1-la. Afinal, a gente quer a chama, que ilumina.<\/p>\n<p>Antropof\u00e1gicos que somos, cultuamos os ancestrais reinventando a tradi\u00e7\u00e3o. Comemos de tudo, at\u00e9 Bispo Sardinha. Tamb\u00e9m, aqui, come-se iogurte com farinha. Cuscuz com uma cervejinha&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Aqui, em se plantando tudo d\u00e1&#8221;, est\u00e1 na carta de Caminha. Al\u00e9m das sementes, plantas e \u00e1rvores que haviam por aqui, foram chegando outras de diversos cantos do mundo.<\/p>\n<p>Carmem Miranda sambou Tico-Tico no Fub\u00e1, com todo esplendor, para o mundo ver, com a coroa de frutas na cabe\u00e7a, origin\u00e1rias de \u00c1frica e \u00c1sia, como nossa &#8220;Rainha Antropof\u00e1gica&#8221;.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\"><a href=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/carmem-Miranda.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-140 size-medium\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/carmem-Miranda-300x300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">N\u00e3o h\u00e1 como falar das coisas de nossos ancestrais sem desenrolar o novelo da hist\u00f3ria e visitar a \u00c1frica, onde o homo sapiens come\u00e7ou. \u201cMama \u00c1frica \u00e9 m\u00e3e solteira\u201d. Salve Chico Cesar! <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Visitar nossos ancestrais mais distantes no tempo \u00e9 ir \u00e0s ra\u00edzes das culturas dos mais antigos povos do mundo, \u00e9 mergulhar na heran\u00e7a africana, que povoa cora\u00e7\u00f5es e mentes.<\/span><\/p>\n<p>O cuscuz veio de l\u00e1, da \u00c1frica, da regi\u00e3o saariana, da Arg\u00e9lia, do Marrocos, cruzou o estreito de Gibraltar e entrou na pen\u00ednsula ib\u00e9rica. Era feito de s\u00eamola.<\/p>\n<p>Veio para a Am\u00e9rica, tempos depois, com os escravos origin\u00e1rios da Guin\u00e9 e de outras regi\u00f5es da \u00c1frica ocidental, que tamb\u00e9m tinha o cuscuz como alimento tradicional. Cruzou o Atl\u00e2ntico nas naus, no ciclo das grandes navega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Quem sabe poderia ter tomado outro rumo, n\u00e3o fosse a escola de Sagres, onde se aperfei\u00e7oou a b\u00fassola, o astrol\u00e1bio, o quadrante, se inventou a vela triangular, que possibilitou aos navegantes viajarem em zigue-zague at\u00e9 atracar na costa da Am\u00e9rica? Dizem alguns pesquisadores que o cuscuz serviu de alimento para as tripula\u00e7\u00f5es das naus.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-137 size-medium\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Marrocos-3-300x225.jpg\" alt=\"Marrocos 3\" width=\"300\" height=\"225\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-135 size-medium\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Cuscuz-paulista-300x167.jpg\" alt=\"Cuscuz paulista\" width=\"300\" height=\"167\" \/><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Nossos \u00edndios estavam aqui lagartixando nas praias de areias branquinhas e \u00e1guas cristalinas, em perfeita harmonia com a natureza. Quando surgiram no horizonte do mar azul, nas caravelas, os brancos europeus, barbudos, esfarrapados, desdentados, escalavrados, cheios de escorbuto, famintos,(como dizia Darcy Ribeiro). <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Al\u00e9m disso, tarados por sexo, com seu Deus \u00fanico, e, num estandarte, o filho Dele pregado na cruz. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Os brancos europeus violentaram corpos e esp\u00edritos dos nativos.<\/span><\/p>\n<p>Dominaram os \u00edndios com quinquilharias, principalmente com as ferramentas. Nossos \u00edndios n\u00e3o dominavam a forja.<\/p>\n<p>As ferramentas, deixadas com os homens brancos em pontos espalhados pelo litoral, do norte ao sul, foram utilizadas n\u00e3o s\u00f3 no corte do pau-brasil, para carregar os navios e zarpar para a Europa, mas na agricultura.<\/p>\n<p>Os caciques encantados com machados, enxadas e foices, eram chantageados pelos galegos. Exigiam as jovens \u00edndias em troca do uso das ferramentas. Com isso os cunhados, considerados membros da fam\u00edlias, eram escravizados, trabalhavam de gra\u00e7a para os brancos. Darcy Ribeiro dizia que a fam\u00edlia brasileira nasceu assim, com o \u201ccunhadismo.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-142 size-full\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/indio-pescando.jpg\" alt=\"indio-pescando\" width=\"320\" height=\"250\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Com as ferramentas, as culturas de milho e mandioca se espalharam. E o cuscuz passou a fazer parte das mesas de refei\u00e7\u00f5es das fam\u00edlias brasileiras pa\u00eds afora. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Al\u00e9m do litoral, subiu montanhas e rios. O cuscuz foi ganhando, pelo caminho, caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, de m\u00e3os de pessoas de cada lugar aonde chegou. H\u00e1 cuscuz carioca, baiano, mineiro, paulista, enfim, h\u00e1 cuscuz por toda parte.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m do Brasil, o cuscuz tamb\u00e9m \u00e9 saboreado em v\u00e1rios pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Na costa da \u00c1frica, nas ilhas de Cabo Verde, o cuscuz \u00e9 um bolo tradicional feito com farinha de milho, cozido no vapor, num recipiente de barro, l\u00e1 chamado binde, uma esp\u00e9cie de cuscuzeira de barro muito utilizada ainda nos rinc\u00f5es do Brasil.<\/p>\n<p>No Brasil, uma das hist\u00f3rias sobre a origem do cuscuz diz que tropeiros e boiadeiros, que viajavam longas dist\u00e2ncias a cavalo, costumavam carregar matulas feitas de farinha de milho ou de mandioca misturada com peda\u00e7os de frango ao molho ou carne de gado, em bolsas de couro, amarradas na parte traseira das selas dos animais.<\/p>\n<p>No contato com o corpo quente do cavalo, mais o chacoalhar do passo viageiro, a mistura dava liga e na hora do almo\u00e7o, nas sombras das \u00e1rvores, na beira de um rio, abria-se a matula e l\u00e1 estava o cuscuz pronto.<\/p>\n<p>Outra vers\u00e3o diz que o famoso \u201cCuscuz Paulista\u201d surgiu de m\u00e3os cai\u00e7aras. H\u00e1 quem diga que os italianos tamb\u00e9m participaram da inven\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p>Caa-i\u00e7ara \u00e9 uma palavra de origem tupi-guarani, que denomina os habitantes de origem miscigenada e que viviam inicialmente da pesca na regi\u00e3o costeira entre Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-141 size-full\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Cuzcuz.jpg\" alt=\"Cuzcuz\" width=\"292\" height=\"173\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">O povo cai\u00e7ara surgiu no s\u00e9culo XVI dos casamentos de europeus, \u00edndios e negros libertos, que se recusaram a viver nos centros urbanos. Os cai\u00e7aras formaram uma das primeiras culturas do Brasil p\u00f3s-descobrimento e tinham o costume de trabalhar em mutir\u00f5es, chamados de \u201cAdjut\u00f3rio\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Preparavam as ro\u00e7as para o plantio, as colheitas e as puxadas de canoa das florestas para os s\u00edtios. No final do dia o anfitri\u00e3o do s\u00edtio preparava \u00a0como compensa\u00e7\u00e3o uma festa. Os trabalhadores comiam e se divertiam com a dan\u00e7a do fandango. O cuscuz participava da festa.<\/span><\/p>\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o fandango \u00e9 uma dan\u00e7a origin\u00e1ria da Espanha. Possivelmente chegou a Portugal naquela promiscuidade da Igreja Cat\u00f3lica na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica &#8211; quando se juntaram na resist\u00eancia contra o dom\u00ednio dos Mouros \u2013 deve ter escapado dos dom\u00ednios morais, embarcado nas naus, no ciclo das grandes navega\u00e7\u00f5es, e se espalhado pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio, fandango significa \u201cAuto ou representa\u00e7\u00e3o popular em torno de uma embarca\u00e7\u00e3o a vela a porto.\u201d<\/p>\n<p>Como diz Arnaldo Antunes, numa de suas m\u00fasicas, \u201cA gente n\u00e3o quer s\u00f3 comida\/A gente quer comida, divers\u00e3o e arte&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>O milho, o principal componente do \u201cCuscuz Paulista\u201d, surgiu h\u00e1 milhares de anos, em solo centro-americano. Segundo pesquisadores, h\u00e1 pelo menos 7 mil anos.<\/p>\n<p>Era cultivado em tempos pr\u00e9-colombianos nos planaltos do M\u00e9xico e se espalhou rapidamente ao Norte at\u00e9 a barra de S\u00e3o Louren\u00e7o, uma regi\u00e3o olmeca, situada no oeste mexicano. Ao Sul at\u00e9 o Prata e a Oeste at\u00e9 o Amazonas.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00f3 era o mais importante alimento dos Astecas, Incas e Maias, como tamb\u00e9m fazia parte das celebra\u00e7\u00f5es de cunho religioso. At\u00e9 o descobrimento da Am\u00e9rica, em 1492, os europeus n\u00e3o sabiam da exist\u00eancia do milho.<\/p>\n<p>Quando Crist\u00f3v\u00e3o Colombo levou algumas sementes para a Europa, em 1493, os bot\u00e2nicos ficaram impressionados com a planta.<\/p>\n<p>Hoje o milho \u00e9 alimento em praticamente todas as partes do mundo. E n\u00e3o apenas alimento. Faz-se dele at\u00e9 combust\u00edvel para carros. Ainda mais nos dias de hoje, quando se tenta limpar a matriz energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-143 size-full\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Milharal.jpg\" alt=\"Milharal\" width=\"261\" height=\"193\" \/><\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Dada a import\u00e2ncia para a humanidade, em diferentes culturas surgiram muitas lendas sobre o milho. Uma delas, a dos nossos \u00edndios Guaranis, diz que, em tempos idos, quando os \u00edndios viviam muito afastados uns dos outros, cada fam\u00edlia devia buscar o sustento na ca\u00e7a ou na pesca. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Uma lenda Guarani diz que certa vez dois ca\u00e7adores, que viviam juntos e eram os \u00fanicos que ajudavam na ca\u00e7a, costumava repartir o que conseguiam entre si e suas fam\u00edlias. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">Certo dia, quando foram pescar, um deles disse: &#8211; \u201cSer\u00e1 que &#8220;Nhandeyara&#8221;, o Grande Esp\u00edrito que cuida das aves do c\u00e9u e dos animais da terra, para nos alimentar a n\u00f3s e a nossos filhos, semearia por sobre a terra outros tipos de alimentos mais f\u00e1ceis de colher?\u201d <\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5;\">(&#8230;) \u201cOs frutos silvestres t\u00eam curta esta\u00e7\u00e3o, a ca\u00e7a e a pesca costumam faltar. Muitas vezes nos sobram ra\u00edzes de plantas e grelos das palmeiras para nosso sustento.\u201d<\/span><\/p>\n<p>A conversa dos dois amigos durou um bom tempo. A pesca, naquela fase, n\u00e3o fora suficiente para alimentar a toda a gente das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dia seguinte, os dois ca\u00e7adores, armados com seus arcos e flechas, embrenharam na mata, andaram o dia inteiro e n\u00e3o conseguiram nenhuma ca\u00e7a naquela lua.<\/p>\n<p>Na boca da noite, desolados, assentados sobre um tronco perto da entrada da oca, os dois amigos viram, assustados, um guerreiro, surgido da escurid\u00e3o, todo envolvido em raios de luz.<\/p>\n<p>A apari\u00e7\u00e3o disse ser enviado de Nhandeyara, que tinha escutado a conversa deles e que estava ali para proporcionar-lhes o alimento que lhes faltava. Mas, com uma condi\u00e7\u00e3o: s\u00f3 conseguiria o alimento se lutassem com ele, um de cada vez, para ver qual deles era o mais forte.<\/p>\n<p>O que fosse derrotado teria que ser sacrificado e enterrado perto da cabana. E que da sepultura nasceria uma planta, que daria frutos suficientes para sustentar, todo o tempo, as duas fam\u00edlias e a quantos a cultivassem.<\/p>\n<p>Os dois amigos aceitaram o desafio e em seguida come\u00e7ou a luta no p\u00e1tio.<\/p>\n<p>O mais fraco, de nome Avaty, foi sacrificado, com o lamento do amigo sobrevivente, pela inevit\u00e1vel separa\u00e7\u00e3o, e o estranho guerreiro desapareceu na escurid\u00e3o da noite.<\/p>\n<p>O mais forte tinha que trabalhar de sol a sol nos campos para cultivar o alimento indispens\u00e1vel para a sua fam\u00edlia e a do amigo.<\/p>\n<p>Tempos depois, as fam\u00edlias foram surpreendidas quando viram brotar do t\u00famulo de Avaty uma planta de muitas folhas verdes e espigas amarelas.<\/p>\n<p>O ca\u00e7ador viu cumprida a promessa feita pelo guerreiro misterioso e compreendeu a sabedoria de Nhandeyara, que pode sacrificar um homem de bem para o bem de todas as outras criaturas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os Guaranis passaram a denominar aquela planta de &#8220;Avaty&#8221;, em homenagem ao \u00edndio sacrificado.<\/p>\n<p>Os nativos passaram a cultivar suas ro\u00e7as e, nos rituais da colheita, passavam as espigas de m\u00e3o em m\u00e3o, como s\u00edmbolo da uni\u00e3o e da amizade.<\/p>\n<p>Para eles, um bom \u00edndio n\u00e3o pode esquecer que a abund\u00e2ncia proporcionada pelo milho, que serve de alimento aos homens e animais, prov\u00e9m do sacrif\u00edcio de um amigo fiel.<\/p>\n<p>Assim como essa, h\u00e1 muitas outras lendas na Am\u00e9rica. O fato \u00e9 que os Guaranis, que depois vieram a ser Cai\u00e7aras, com o processo de miscigena\u00e7\u00e3o, est\u00e3o na raiz da hist\u00f3ria do Cuscuz Paulista, tido como alimenta\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias pobres, que circulava entre consumidores modestos.<\/p>\n<p>Por ser vendido em tabuleiros, por filhos e netos de cuscuzeiros an\u00f4nimos, o cuscuz demorou longo tempo at\u00e9 chegar \u00e0 mesa das classes sociais, m\u00e9dia e m\u00e9dia-alta.<\/p>\n<p>O que faz a diferen\u00e7a dos demais cuscuzes s\u00e3o os ingredientes.<\/p>\n<p>Os frutos do mar, como camar\u00e3o, peixe e outros recheios, foram introduzidos pelos pescadores cai\u00e7aras na receita do cuscuz, servido em mesas de fam\u00edlias simples ou em restaurantes sofisticados, como iguaria.<\/p>\n<p>Com uma rica hist\u00f3ria, repassada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, o cuscuz, com seu devido valor, faz parte do mosaico que comp\u00f5e o patrim\u00f4nio cultural do Brasil .<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cDa tradi\u00e7\u00e3o quero apenas o fogo, a cinza n\u00e3o me interessa\u201d. Li essa frase n\u00e3o sei onde. Perdoe-me autor e leitores, mas n\u00e3o poderia deixar de cit\u00e1-la. Afinal, a gente quer a chama, que ilumina. Antropof\u00e1gicos que somos, cultuamos os ancestrais reinventando a tradi\u00e7\u00e3o. Comemos de tudo, at\u00e9 Bispo Sardinha. Tamb\u00e9m, aqui, come-se iogurte com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-134","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"\u201cDa tradi\u00e7\u00e3o quero apenas o fogo, a cinza n\u00e3o me interessa\u201d. Li essa frase n\u00e3o sei onde. Perdoe-me autor e leitores, mas n\u00e3o poderia deixar de cit\u00e1-la. Afinal, a gente quer a chama, que ilumina. Antropof\u00e1gicos que somos, cultuamos os ancestrais reinventando a tradi\u00e7\u00e3o. Comemos de tudo, at\u00e9 Bispo Sardinha. Tamb\u00e9m, aqui, come-se iogurte com [&hellip;]\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Laurez Cerqueira\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2012-11-02T02:00:33+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2024-01-27T09:33:54+00:00\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. tempo de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"9 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134\"},\"author\":{\"name\":\"\",\"@id\":\"\"},\"headline\":\"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo\",\"datePublished\":\"2012-11-02T02:00:33+00:00\",\"dateModified\":\"2024-01-27T09:33:54+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134\"},\"wordCount\":1900,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/08\\\/Fogo.jpg\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134\",\"url\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134\",\"name\":\"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"http:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/08\\\/Fogo.jpg\",\"datePublished\":\"2012-11-02T02:00:33+00:00\",\"dateModified\":\"2024-01-27T09:33:54+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-BR\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#primaryimage\",\"url\":\"http:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/08\\\/Fogo.jpg\",\"contentUrl\":\"http:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2015\\\/08\\\/Fogo.jpg\"},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?p=134#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/\",\"name\":\"Laurez Cerqueira\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-BR\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"\",\"url\":\"https:\\\/\\\/laurezcerqueira.com.br\\\/?author=2\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira","og_description":"\u201cDa tradi\u00e7\u00e3o quero apenas o fogo, a cinza n\u00e3o me interessa\u201d. Li essa frase n\u00e3o sei onde. Perdoe-me autor e leitores, mas n\u00e3o poderia deixar de cit\u00e1-la. Afinal, a gente quer a chama, que ilumina. Antropof\u00e1gicos que somos, cultuamos os ancestrais reinventando a tradi\u00e7\u00e3o. Comemos de tudo, at\u00e9 Bispo Sardinha. Tamb\u00e9m, aqui, come-se iogurte com [&hellip;]","og_url":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134","og_site_name":"Laurez Cerqueira","article_published_time":"2012-11-02T02:00:33+00:00","article_modified_time":"2024-01-27T09:33:54+00:00","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Escrito por":"","Est. tempo de leitura":"9 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134"},"author":{"name":"","@id":""},"headline":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo","datePublished":"2012-11-02T02:00:33+00:00","dateModified":"2024-01-27T09:33:54+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134"},"wordCount":1900,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg","inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134","url":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134","name":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo - Laurez Cerqueira","isPartOf":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#primaryimage"},"thumbnailUrl":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg","datePublished":"2012-11-02T02:00:33+00:00","dateModified":"2024-01-27T09:33:54+00:00","author":{"@id":""},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#primaryimage","url":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg","contentUrl":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/Fogo.jpg"},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=134#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"O rol\u00ea do cuscuz pelo mundo"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/#website","url":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/","name":"Laurez Cerqueira","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"","url":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?author=2"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=134"}],"version-history":[{"count":19,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4844,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/134\/revisions\/4844"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}