{"id":236,"date":"2010-08-19T18:21:41","date_gmt":"2010-08-19T21:21:41","guid":{"rendered":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=236"},"modified":"2019-02-25T23:19:16","modified_gmt":"2019-02-26T02:19:16","slug":"a-udn-no-shopping-e-nas-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=236","title":{"rendered":"A UDN no shopping e nas elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<div class=\"tamanho_2\"><\/div>\n<div><\/div>\n<div id=\"pag\" class=\"img_editorial_detalhe\">\n<div id=\"pag_1\">\n<p id=\"texto_detalhe\" class=\"texto_detalhe\">H\u00e1 muito tempo a \u201cvelha UDN\u201d trocou os orat\u00f3rios de madeira, que faziam parte do mobili\u00e1rio das salas das resid\u00eancias, por aparelhos de televis\u00e3o. As ora\u00e7\u00f5es da boca da noite deram lugar \u00e0s telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser refer\u00eancias t\u00e3o fortes que s\u00e3o vis\u00edveis as mudan\u00e7as de comportamento provocadas nas fam\u00edlias. Como diz o compositor Jorge Mautner, em uma de suas m\u00fasicas: \u201ca telenovela \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o sentimental da classe m\u00e9dia nacional\u201d.<\/p>\n<p>A \u201cvelha UDN\u201d, em tempos idos, era uma matriarca cat\u00f3lica, dessas de penugem nos cantos da boca, se vestia de preto, andava de bord\u00e3o de jacarand\u00e1 com bras\u00e3o da fam\u00edlia, cravejado em lat\u00e3o. Ainda hoje, fotos amareladas, emolduradas, de fam\u00edlias aristocr\u00e1ticas, cobrem paredes de casas e apartamentos ou ocupam lugar de destaque sobre os m\u00f3veis das salas, nas modernas cidades brasileiras.<\/p>\n<p>Uma parte da \u201cvelha UDN\u201d e seus descendentes migraram do campo para as cidades muito antes de se tornar uma sigla, uma agremia\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, muito antes do PSD se enraizar no cora\u00e7\u00e3o e na mente dos fazendeiros. Construiu fortuna e se tornou a matrona do sistema financeiro. Quis desfrutar dos produtos do ciclo de industrializa\u00e7\u00e3o do Brasil, andar de autom\u00f3vel, beber coca-cola, ir ao cinema, entregar seu cora\u00e7\u00e3o a Hollywood, ler Sele\u00e7\u00f5es Reader&#8217;s Digest, revista O Cruzeiro, Veja, Caras, O Globo, Folha, Estad\u00e3o, dar revistas em quadrinhos da Disney aos filhos e incentiv\u00e1-los a cultivar valores aristocr\u00e1ticos.<\/p>\n<p>A UDN se encastelou na pol\u00edtica, se apoderou do Estado e dos meios de comunica\u00e7\u00e3o como se fossem propriedades suas. Rotulou o governo de Get\u00falio Vargas de \u201cmar de lama\u201d, levou-o ao suic\u00eddio. Tentou impedir a posse de Juscelino Kubitschek, organizou a famosa \u201cMarcha da fam\u00edlia com Deus pela liberdade\u201d, em 1964, na capital paulista, para derrubar Jo\u00e3o Goulart e apoiou o golpe militar que levou o Brasil a um dos mais obscuros per\u00edodos de nossa hist\u00f3ria. Impediu a reforma agr\u00e1ria, ajudou a organizar o latif\u00fandio, mecanizou a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola com cr\u00e9dito subsidiado pelo Banco do Brasil e com as tecnologias desenvolvidas pela Embrapa. Conseguiu banir das fazendas para as periferias das grandes cidades, onde vivem em condi\u00e7\u00f5es sub-humanas, um contingente populacional gigantesco de remanescentes da escravid\u00e3o.<\/p>\n<p><b>A cara da &#8220;nova UDN&#8221;<\/b><br \/>\nNo campo ou nas cidades, hoje a \u201cvelha UDN\u201d ainda disp\u00f5e de uma cultura pol\u00edtica e ideol\u00f3gica poderos\u00edssima. A UDN urbanizada, que poderia ser chamada de \u201cnova UDN\u201d tem casas e apartamentos com todos os eletrodom\u00e9sticos dispon\u00edveis. Carros de luxo nas garagens, viaja de f\u00e9rias todo ano, tem celular e computador plugados na Internet. Busca a paz em templos de consumo (shopping-centers) e em igrejas. Uma parte se \u201cmodernizou\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9. Trocou a igreja cat\u00f3lica por igrejas evang\u00e9licas. A \u201cnova UDN\u201d, quando n\u00e3o est\u00e1 diante da tv ou na internet, alimentando a alma com programa\u00e7\u00e3o de entretenimento, tamb\u00e9m vaga pelos shoppings ou por feiras de produtos de contrabando, comprando um pirata qualquer. A \u201cvelha UDN\u201d est\u00e1 por a\u00ed, fraudulenta, travestia, clandestina.<\/p>\n<p>Nas pra\u00e7as de alimenta\u00e7\u00e3o dos shoppings se empanturra nos fast-foods com sanduiches, pizzas e refrigerantes. A balan\u00e7a, a academia, as revistas de boa forma e o colesterol s\u00e3o seu inferno. Um \u201csofrimento doce\u201d &#8211; coisa do \u201cstatus quo\u201d &#8211; assuntos para longas conversas nas tardes tediosas e nos finais de semana, nos encontros de fam\u00edlia. A \u201cnova UDN\u201d \u00e9 \u201cchique\u201d. \u201cChique\u201d \u00e9 diferente de elegante. A \u201cnova UDN\u201d \u00e9 rastaquera.<\/p>\n<p>Nas casas e apartamentos \u201cmodernos\u201d, a arquitetura mant\u00eam a senzala, a \u201cdepend\u00eancia de empregados\u201d. Um cub\u00edculo onde enfiam os novos escravos que cozinham, lavam, passam e cuidam dos filhos. A \u201cama-seca\u201d virou \u201cbab\u00e1\u201d, baby-sitter.<\/p>\n<p>Livro, revista e jornal, em casa? \u00c0s vezes. Ler d\u00e1 sono. Prefere uma espiada no Jornal Nacional depois da novela. \u00c9 o melhor hor\u00e1rio para ver os an\u00fancios de carros novos, telefones celulares e bancos. Aqueles filmes publicit\u00e1rios que embalam os sonhos de tornar-se uma daquelas personagens chiques e bem sucedidas na vida. A maior aspira\u00e7\u00e3o da \u201cnova UDN\u201d \u00e9 ser rica, manter o \u201cstatus\u201d, entranhado nas profundezas de sua alma, ter o controle moral da sociedade e recuperar o poder pol\u00edtico perdido com a democratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Para a \u201cnova UDN\u201d a democracia a leva \u00e0 ru\u00edna pol\u00edtica. Na democracia ela perde sempre.<\/p>\n<p><b>O mesmo \u00f3dio de classe persiste<\/b><br \/>\nMant\u00e9m latente o mesmo \u00f3dio de classe que levou o ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, seu \u00eddolo maior, ao esc\u00e2ndalo da \u201copera\u00e7\u00e3o mata-mendigo\u201d, realizada pelo Servi\u00e7o de Recupera\u00e7\u00e3o de Mendigos. Os agentes desse servi\u00e7o foram flagrados jogando mendigos no rio da Guarda, na Baixada Fluminense, depois de den\u00fancias de desaparecimento de grande n\u00famero deles. Esse servi\u00e7o foi o embri\u00e3o da ideologia do \u201cEsquadr\u00e3o da Morte\u201d. Outro esc\u00e2ndalo foi a queima de favelas como a do Pasmado, no Rio, para expulsar os moradores, coordenada pela Secret\u00e1ria de Assuntos Sociais, Sandra Cavalcanti, ex-deputada constituinte, em 1987, pelo PFL.<\/p>\n<p>Uma parte da \u201cnova UDN\u201d passou pela universidade, ficou \u201cilustrada\u201d. Participou, tempos atr\u00e1s, da campanha Diretas J\u00e1, com novo verniz, mas preferiu juntar-se aos de cima na defesa do projeto neoliberal, do sucesso profissional, da escalada do enriquecimento e na redu\u00e7\u00e3o dos sonhos da juventude ao fetiche de um autom\u00f3vel. Luta para manter privil\u00e9gios de classe e nada mais, fecha o vidro do carro quando mendigos se aproximam.<\/p>\n<p>Para ela os de baixo s\u00e3o invis\u00edveis. N\u00e3o v\u00ea lixeiros, gar\u00e7ons, frentistas, taxistas, mant\u00e9m disd\u00e2ncia das pessoas que andam de transporte coletivo. Sabe que essas pessoas existem quando necessitam de seus servi\u00e7os. V\u00ea o notici\u00e1rio policial nos telejornais, viaja de avi\u00e3o e olha l\u00e1 de cima o amontoado de barracos das periferias das grandes cidades como se as favelas fizessem, naturalmente, parte da paisagem. No parlamento ou na imprensa, como jornalista e comentarista preferidos dos imp\u00e9rios de comunica\u00e7\u00e3o, ladram como c\u00e3es amestrados com o mesmo \u00f3dio que movia Carlos Lacerda.<\/p>\n<p><b>Os candidatos da nova UDN<\/b><br \/>\nNas elei\u00e7\u00f5es, a \u201cnova UDN\u201d costuma optar por candidatos que representam o ide\u00e1rio aristocr\u00e1tico, meritocr\u00e1tico, condizente com sua escala de valores, de matriz religiosa. Muitos, em 2002, fizeram uma concess\u00e3o, votaram em Lula para presidente, depois dele penar sob a viol\u00eancia da discrimina\u00e7\u00e3o de classe. Um dos mais fortes fatores que o levou \u00e0 derrota em tr\u00eas elei\u00e7\u00f5es. O preconceito foi rompido momentaneamente. Certamente pelo fato de votar num \u201cvencedor\u201d, num homem de m\u00e9rito, que saiu de Garanhuns, em Pernambuco, enfrentou a pobreza em S\u00e3o Paulo e se tornou um l\u00edder respeitado n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas reconhecido nos f\u00f3runs internacionais como um l\u00edder mundial. Logo depois que ele tomou posse, n\u00e3o demorou, foi chacoteado como um estrangeiro de classe.<\/p>\n<p>Diziam que ele n\u00e3o tinha qualifica\u00e7\u00e3o para governar. N\u00e3o falava ingl\u00eas. Diziam que ele era nordestino, cachaceiro e analfabeto. Quem n\u00e3o se lembra da zombaria da imprensa do \u201caeroLula\u201d? Como se ele n\u00e3o tivesse o direito de usar o avi\u00e3o presidencial. FHC licitou o avi\u00e3o, mas Lula foi quem sofreu as cr\u00edticas.<\/p>\n<p>Outro fator que deve ser considerado, quando analisamos a elei\u00e7\u00e3o de Lula, \u00e9 que em 2002 a \u201cnova UDN\u201d estava inconformada com o governo do soci\u00f3logo Fernando Henrique Cardoso. O governo que, na \u00e9poca da paridade do Real com o D\u00f3lar, levou-a ao para\u00edso do consumo de produtos importados, a viagens internacionais &#8211; estava acabando em grave crise econ\u00f4mica e financeira &#8211; sob den\u00fancias graves de corrup\u00e7\u00e3o, sem permitir investiga\u00e7\u00f5es, principalmente den\u00fancias sobre o processo de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais. Aquele para\u00edso de ilus\u00f5es ruiu. Em resumo, em 2002, era \u201cchique\u201d votar em Lula. Afinal, o vencedor tem seu lugar na escala de valores da \u201cnova UDN\u201d como competidor.<\/p>\n<p><b>A descoberta de um novo partido<\/b><br \/>\nLogo depois da democratiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do pa\u00eds, na d\u00e9cada de 80, ap\u00f3s a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, a \u201cnova UDN\u201d ganhou um presente de certa elite intelectual paulistana: um partido pol\u00edtico pensado para ela. O PSDB. Um partido para a chamada \u201cclasse dos formadores de opini\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O PFL, neto da velha Arena, que deu sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura militar, andava em dificuldades para se tornar um partido que atendesse \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es da \u201cnova UDN\u201d. O PMDB avan\u00e7ava no controle institucional do pa\u00eds e os partidos de esquerda, liderados pelo rec\u00e9m-criado PT, avan\u00e7avam na organiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria urbana e no movimento dos trabalhares rurais sem terra. Foi nesse contexto que surgiu o PSDB, vendido \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica como um partido moderno.<\/p>\n<p>O PSDB vestiu como uma luva o ide\u00e1rio da \u201cnova UDN\u201d. Em 1989, liderado por M\u00e1rio Covas, que parecia um p\u00e1ssaro fora do ninho, por ter posi\u00e7\u00f5es \u00e0 esquerda do partido, o PSDB foi \u00e0s urnas e no segundo turno at\u00e9 subiu no palanque de Lula, candidato do PT, quando este disputou com Collor. No segundo turno, a grande maioria dos votos do PSDB foi para Collor.<\/p>\n<p>Collor teve o apoio majorit\u00e1rio da \u201cnova UDN\u201d, que se referenciava no PFL, no PL e no PSDB, em verdadeiro revival da era lacerdista. Era o voto anti-Lula. Aquela parte que se engajou na elei\u00e7\u00e3o do \u201cca\u00e7ador de maraj\u00e1s\u201d queria ver \u201cFrei Dami\u00e3o andando de jet-ski\u201d, como disse Mercadante, quem sabe, exportar Padre C\u00edcero robotizado. Ou seja, a \u201cvelha UDN\u201d, que veio do interior para os grandes centros urbanos, em tempos idos, deixou aflorar seu desejo de ser norteamericana, enfim, pertencer ao primeiro mundo e, quem sabe at\u00e9 dar a m\u00e3o a um astronauta e sair por a\u00ed, a passeio, pelo espa\u00e7o sideral. Queria se desgarrar definitivamente do outro Brasil, aquele da heran\u00e7a colonial, das pessoas invis\u00edveis. Esse parece um desejo latente da \u201cnova UDN\u201d.<\/p>\n<p>Nos anos 90, quem defendia interesses nacionais era chamado de dinossauro, xen\u00f3fobo e outros adjetivos n\u00e3o menos pejorativos. A ordem era globalizar, seguindo orienta\u00e7\u00f5es das ag\u00eancias internacionais que pregavam o chamado \u201cConsenso de Washington\u201d. Collor foi afastado sob acusa\u00e7\u00e3o de corrup\u00e7\u00e3o, sobretudo, por falta de confian\u00e7a das grandes corpora\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, que tinham projetos prontos para compra das estatais brasileiras e realiza\u00e7\u00e3o de outros neg\u00f3cios no pa\u00eds. O PSDB tratou de articular a heran\u00e7a do legado pol\u00edtico do governo Collor. Come\u00e7ou um namoro firme com o PFL. Noivou, casou-se em 1994, e do casamento nasceram dois mandatos para Fernando Henrique Cardoso. Casamento perfeito. A \u201cnova UDN\u201d urbana, representante do capitalismo financeiro, foi ao altar, sob as b\u00ean\u00e7\u00e3os do imp\u00e9rio.<\/p>\n<p>O PFL re\u00fane desde o setor financeiro, passando pelas corpora\u00e7\u00f5es dos meios de comunica\u00e7\u00e3o at\u00e9 o agroneg\u00f3cio. O PSDB entrou com a tecnocracia formada em famosas escolas internacionais como a escola de Chicago e de Harvard, com apoio do sistema financeiro nacional e internacional, que tinham seus interesses, evidentemente, na moeda e no livre mercado comercial (ALCA), desde que a meca fosse os EUA.<\/p>\n<p><b>Um modelito estadunidense<\/b><br \/>\nEsse casamento \u00e9 a cara da \u201cnova UDN\u201d, cuja est\u00e9tica pode ser percebida nas grandes cidades litor\u00e2neas do pa\u00eds, que se transformaram em caricaturas de Miami. J\u00e1 as cidades do interior, andam com a cara do Texas. Os rodeios d\u00e3o o tom da m\u00fasica, da vestimenta e do comportamento. Essa est\u00e9tica pode ser vista tamb\u00e9m em coisas simples como num ma\u00e7o de cigarros de palha fabricado em Minas Gerais. O ma\u00e7o \u00e9 ilustrado, na parte frontal, com desenho de um cowboy de chap\u00e9u texano, \u00f3culos Ray Ban, cal\u00e7a e jaqueta jeans. Um modelito estadunidense. Por que n\u00e3o um mineiro pescando num rio, fumando seu cigarrinho de palha? Outro exemplo \u00e9 a Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, uma caricatura de Miami. L\u00e1 tem at\u00e9 est\u00e1tua da liberdade.<\/p>\n<p>Esse pequeno exemplo parece suficiente para imaginar o ide\u00e1rio da \u201cnova UDN\u201d em ebuli\u00e7\u00e3o no Brasil. No parlamento e na grande imprensa \u00e9 f\u00e1cil ver Carlos Lacerdas inconformados com o novo Brasil, espalhando preconceitos, principalmente o preconceito de classe, numa rede de comunica\u00e7\u00e3o conservadora, autista, fora do contexto, presa num discurso dos anos 90, atrasado, superado pelos fatos que culminaram na crise financeira internacional atual.<\/p>\n<p>A imprensa conservadora, num verdadeiro ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o com a \u201cnova UDN\u201d constr\u00f3i um outro Brasil s\u00f3 para eles. Tanto que atacaram o presidente Lula e o seu governo durante os dois mandatos e ele est\u00e1 com 80% de aprova\u00e7\u00e3o. Entretanto, nunca se debateu tanto os problemas do pa\u00eds como hoje. Foram realizadas mais de 90 confer\u00eancias setoriais, na maioria das vezes ignoradas ou atacadas pela imprensa. Educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, meio ambiente, cultura, comunica\u00e7\u00e3o, defesa civil, enfim, as confer\u00eancias mobilizaram milh\u00f5es de brasileiros desde os munic\u00edpios, passando pelos estados at\u00e9 as confer\u00eancias nacionais de cada setor. Existem outras redes de comunica\u00e7\u00e3o constru\u00eddas pelos movimentos que debatem as pol\u00edticas p\u00fablicas do governo e dinamizam a informa\u00e7\u00e3o. Existe outro Brasil emergindo e rompendo com as cercas que o isolaram por tantos s\u00e9culos. \u00c9 esse Brasil que causa tanto inc\u00f4modo \u00e0 \u201cnova UDN\u201d e a faz t\u00e3o raivosa.<\/p>\n<p>Na elei\u00e7\u00e3o de 2006, causou perplexidade a declara\u00e7\u00e3o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o Brasil estaria precisando de um novo Carlos Lacerda. Essa declara\u00e7\u00e3o escapou num \u00edmpeto de intoler\u00e2ncia, quando se confirmava a for\u00e7a da lideran\u00e7a de Lula ao resistir os ataques da \u201cnova UDN\u201d e revelar seu favoritismo nas urnas. O Brasil n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo. Esse caminho n\u00e3o tem mais volta. Resta saber se a \u201cnova UDN\u201d sobreviver\u00e1.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 muito tempo a \u201cvelha UDN\u201d trocou os orat\u00f3rios de madeira, que faziam parte do mobili\u00e1rio das salas das resid\u00eancias, por aparelhos de televis\u00e3o. As ora\u00e7\u00f5es da boca da noite deram lugar \u00e0s telenovelas e aos telejornais. As telenovelas passaram a ser refer\u00eancias t\u00e3o fortes que s\u00e3o vis\u00edveis as mudan\u00e7as de comportamento provocadas nas fam\u00edlias. 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