{"id":519,"date":"2016-01-17T16:14:21","date_gmt":"2016-01-17T18:14:21","guid":{"rendered":"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=519"},"modified":"2016-01-17T16:27:17","modified_gmt":"2016-01-17T18:27:17","slug":"519","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/laurezcerqueira.com.br\/?p=519","title":{"rendered":"Rastros de \u00d3dio"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Foto-Rastros-de-\u00d3dio.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-520\" src=\"http:\/\/laurezcerqueira.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/Foto-Rastros-de-\u00d3dio.png\" alt=\"Foto Rastros de \u00d3dio\" width=\"424\" height=\"429\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>(*) Em mais um bel\u00edssimo artigo, meu amigo Luiz Clementino nos leva a um passeio pela produ\u00e7\u00e3o de RASTROS DE \u00d3DIO-\u00a0\u00a0 \u201cThe Searchers\u201d. Ao mesmo tempo em que faz uma an\u00e1lise refinada do que \u00a0esse filme representa para a hist\u00f3ria do cinema mundial e para a sociedade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sinopse:<\/strong><\/p>\n<p>Em 1868, o veterano ex-oficial confederado Ethan Edwards retorna da Guerra Civil e vai para o rancho de seu irm\u00e3o na zona rural do Texas. Pouco tempo depois de sua chegada, os Comanches matam seu irm\u00e3o e sua cunhada e raptam as duas filhas, uma delas ainda menina. Com a ajuda do filho adotivo de seu irm\u00e3o, Martin Pawley, mesti\u00e7o \u00edndio, Ethan, que odeia todos os amer\u00edndios, come\u00e7a a perseguir os Comanches para resgatar as sobrinhas. Para ele e tamb\u00e9m para os que o cercam (exceto Martin), \u00e9 melhor &#8220;certificar-se&#8221; de que elas est\u00e3o mesmo mortas e n\u00e3o vivas e abusadas pelos selvagens (um dos temas do filme \u00e9 a discuss\u00e3o do racismo).<\/p>\n<p>Ethan se mostra obcecado e pr\u00f3ximo de psic\u00f3tico em sua persegui\u00e7\u00e3o, havendo suspeitas de que seu amor pelas sobrinhas se deve ao fato de ter amado a m\u00e3e delas, a esposa de seu irm\u00e3o. Mais tarde, Ethan e Martin encontram o corpo assassinado da mais velha, Lucy. Recrudescem os esfor\u00e7os na busca da mais nova, Debbie. A procura tomar\u00e1 mais cinco longos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vi RASTROS de \u00d3DIO, na inf\u00e2ncia, e nos ficou marcado na mem\u00f3ria para sempre. Revi agora em se\u00e7\u00e3o <em>cult movie<\/em> numa programa\u00e7\u00e3o de filmes que marcaram \u00e9poca. A fita remasterizada em alta defini\u00e7\u00e3o, adequada para a fotografia no sistema VISTAVISION (tecnologia de ponta da \u00e9poca), funcionou maravilhosamente!!!!<\/p>\n<p>Realizado em 1956, em pleno embate entre o comunismo versus capitalismo e, considerando que a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica dos EUA n\u00e3o foi interrompida durante a segunda guerra, (o mesmo n\u00e3o aconteceu no velho continente), consequentemente os projetos em Hollywood al\u00e9m do ineg\u00e1vel aspecto art\u00edstico, tamb\u00e9m objetivavam o lucro consumista e a propaganda ideol\u00f3gica. Nesse caso, temos em RASTROS de \u00d3DIO o \u00edndio mau e perverso, contra o americano branco her\u00f3i, cheio de raz\u00e3o e carregado de bom senso.<\/p>\n<p>Dentro desses condicionamentos, e considerando os valores vigentes na d\u00e9cada de 50, o filme tem conota\u00e7\u00e3o racista e vis\u00e3o unilateral. Na Europa, que sofreu os horrores da segunda guerra, o cinema teve outras caracter\u00edsticas, apresentou ap\u00f3s conflito mundial, uma linguagem social realista, intimista e reflexiva.<\/p>\n<p>RASTROS DE \u00d3DIO, foi selecionado como o d\u00e9cimo segundo melhor filme de todos os tempos, na lista divulgada pela American Film Institute (AFI), em 2008.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CONSIDERA\u00c7\u00d5ES:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem conviveu com o cinema ao longo dos anos, vivenciou emocionalmente na tela, tipos e aspectos humanos que ficaram impregnados nos cora\u00e7\u00f5es e nas mentes de n\u00f3s cin\u00e9filos e que, de algum modo transpassaram a t\u00eanue fronteira do fict\u00edcio e do real.<\/p>\n<p>Personagens como o maravilhoso \u201ceterno vagabundo\u201d contemplados nos filmes de CHARLES CHAPLIN, ou o casal de artistas mambembe amargurados, interpretados por Giulieta Masina e Anthony Quinn em \u201cA Estrada da Vida\u201d do genial FELLINI numa vis\u00e3o neorrealista; em \u201cLadr\u00f5es de Bicicletas\u201d de\u00a0\u00a0 VITT\u00d3RIO DE SICA, pai e filho em situa\u00e7\u00e3o comovente, procuram a bicicleta roubada, necess\u00e1ria para utiliz\u00e1-la num dif\u00edcil emprego,e resolvem praticar um delito, em uma It\u00e1lia arrasada pela guerra. GRANDE OTELO, OSCARITO e a loirinha ELIANE, das chanchadas da Atl\u00e2ntica, fazem parte do nosso acervo cinematogr\u00e1fico sentimental. Como tamb\u00e9m, JEAN PAUL BELMOND como o irrespons\u00e1vel criminoso fugitivo em \u201cO Acossado\u201d de GODARD. Quem n\u00e3o se apavorou com o pirado Norman Bates de Anthony Perkins e HITCHCOCK em \u201cPsicose\u201d. Os miser\u00e1veis flagelados pela seca, andando a esmo no semi\u00e1rido nordestino, ao som do carro de boi, em \u201cVidas Secas\u201d de NELSON PEREIRA dos SANTOS, \u00e9 imposs\u00edvel esquecer. Nessa longa lista pode constar tamb\u00e9m \u201cAnt\u00f4nio das Mortes\u201d, matador de cangaceiros, jagun\u00e7o truculento, personagem comum de GLAUBER ROCHA. E por a\u00ed vai, a lista \u00e9 bem longa, e n\u00f3s, \u201cloucos por cinema\u201d, somos enfeiti\u00e7ados por essa magia, dando sust\u00e2ncia e personifica\u00e7\u00e3o a figuras que, de uma forma ou de outra, nos fascinam.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto cine-emocional, em \u201cRASTROS DE \u00d3DIO\u201d John Wayne \u00e9 o Tio ETHAN, veterano do ex\u00e9rcito confederado, \u201c<em>representando um dos mais pungentes retratos da solid\u00e3o humana e amargura do cinema.\u201d<\/em> Sujeito inescrupuloso, cavaleiro solit\u00e1rio, assassino de \u00edndios, um cara racista e atormentado, transa com a mulher do irm\u00e3o, em uma paix\u00e3o oculta. Este personagem impressionou n\u00e3o somente milh\u00f5es de pessoas que viram esse <em>western<\/em>, como tamb\u00e9m Jean Luc Godard (desafeto assumido do <em>cowboy<\/em> ultra direita) que, na \u00e9poca, declarou: \u201c<em>mist\u00e9rio e fasc\u00ednio deste cinema americano&#8230; como posso odiar John Wayne, e assim mesmo am\u00e1-lo t\u00e3o ternamente quando ele pega Natalie Wood em seus bra\u00e7os nos momentos finais de RASTROS DE \u00d3DIO.\u201d<\/em> Para o cineasta Martin Scorsese, EDWARD ETHAN representa a psique norte americana, e que ele n\u00e3o \u00e9 vil\u00e3o, mas as vezes \u00e9 desprez\u00edvel. Muitas outras opini\u00f5es a respeito do Tio ETHAN foram expressas no decorrer dos anos.<\/p>\n<p>=<\/p>\n<p>O filme tem in\u00edcio com a abertura de uma porta, e termina com o fechamento de outra. Nesse intervalo, nos \u00e9 mostrado o drama das fam\u00edlias que ocuparam as terras habitadas pelos nativos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6KFCwhBiejI\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6KFCwhBiejI<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O espantoso \u00e9 que \u201cThe Searchers\u201d n\u00e3o \u00e9 somente um filme tecnicamente perfeito, <em>\u201ctrata-se de uma evolu\u00e7\u00e3o e amadurecimento do g\u00eanero por excel\u00eancia norte-americano, o western,\u201d<\/em> e mesmo com a conota\u00e7\u00e3o injusta atribu\u00edda aos \u00edndios, a coisa funciona.<\/p>\n<p>O grande enigma \u00e9: como o irland\u00eas JOHN FORD conseguiu elaborar, atrav\u00e9s de uma hist\u00f3ria cruel e facciosa, em uma comovente e importante express\u00e3o art\u00edstica? O escritor cubano Guilhermo Cabrera diz uma coisa interessante a respeito: <em>\u201cUma obra-prima de um mestre. N\u00e3o deixem, por favor, que os politicamente corretos lhes digam que \u00e9 racista; essa n\u00e3o \u00e9 uma categoria para se julgar a arte, ou ter\u00edamos que revisar todo Shakespeare.\u201d <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Baseado em fato real, ocorrido em 1860 no oeste, quando o ex\u00e9rcito massacra todas mulheres de uma tribo, menos uma jovem de olhos azuis, que interrogada diz que foi raptada pelos \u00edndios aos nove anos, tornando mulher do cacique. Procurada pelos parentes durante 10 anos, recusou a voltar, alegando que o seu povo era os nativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>RASTROS DE \u00d3DIO foi filmado no habitat cenogr\u00e1fico do diretor, na bela regi\u00e3o do <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monument_Valley\">Monument Valley<\/a>, no estado de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Utah\">Utah<\/a>, com o sistema VISTAVISION e em tecnicolor. Uma produ\u00e7\u00e3o que envolveu 300 pessoas acampadas na regi\u00e3o durante quase todo ano de 1955, sendo que as cenas com nevascas foram filmadas no Canad\u00e1 com dubles de John Wayne e Jeffrey Hunter. E a dupla FORD\/WAYNE, em plena forma.<\/p>\n<p>O fot\u00f3grafo Winton Hoch (1905-1979) nos proporciona formid\u00e1veis <em>landscapes<\/em>, em cores contrastantes, com enquadramentos perfeitos e uma luz bel\u00edssima. Para se ter ideia da fotogenia, alguns planos surgem primeiro, mostrando a paisagem, para depois entrarem os personagens e vice-versa. O visual \u00e9 compar\u00e1vel ao trabalho dos cineastas David Lean e Akiro Kurosawa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O maestro Max Steiner (1888-1971), compositor de centenas de filmes (indicado para o oscar 36 vezes), realizou a bela trilha sonora. A can\u00e7\u00e3o tema \u201c The Seachers\u201d, de Stan Jones (1914-1963), com versos referente \u00e0 saga solit\u00e1ria de Tio ETHAN, \u00e9 interpretada por \u201c The Sons of the Pionneers\u201d.<\/p>\n<p>Alan Le May (1899-1964), escritor, contista e roteirista escreveu v\u00e1rios livros e contos passados no velho oeste americano. Dentre os que foram transpassadas para a tela, dois se destacam, \u201cOs Imperdo\u00e1veis\u201d, de John Houston, e \u201cRastros de \u00d3dio\u201d, de John Ford. Nesse \u00faltimo, o roteirista Frank S. Cooper mudou a vers\u00e3o original. No livro, o final \u00e9 tr\u00e1gico, o sobrinho mata sem alternativa, mata o tio ETHAN.<\/p>\n<p>O cr\u00edtico Muniz Vianna, quem primeiro levou o g\u00eanero a s\u00e9rio, escreveu na ocasi\u00e3o, que no elenco, n\u00e3o h\u00e1 nomes a destacar, pois todos cumprem muito bem a sua miss\u00e3o. Jeffrey Hunter, como MARTIN PAWLEY, o sobrinho mesti\u00e7o, temeroso com o temperamento violento do tio. Sarah Milles, como a solteirona casamenteira apaixonada e passional, que vive \u00e0 espera de MARTIN, sonhando com as n\u00fapcias, e tamb\u00e9m o folcl\u00f3rico e abestado MOSE, com sua intui\u00e7\u00e3o certeira e obstina\u00e7\u00e3o pela cadeira de balan\u00e7o, s\u00e3o personagens interessantes.<\/p>\n<p>ETHAN e MARTIN s\u00e3o chamados pelos comanches de \u201combros largos\u201d e \u201caquele que segue\u201d respectivamente. E a procura tensa e fren\u00e9tica pela sobrinha nas regi\u00f5es in\u00f3spitas, na nevasca ou em sol escaldante causa desaven\u00e7as e ressentimentos entre ambos. O expl\u00edcito preconceito do tio se contrap\u00f5e com uma preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 seguran\u00e7a e a prote\u00e7\u00e3o do sobrinho, demonstrando seu temperamento paradoxal. Em certo momento, ETHAN evita que MARTIN entre na casa mata, aplicando-lhe um soco, para que n\u00e3o e veja os corpos de sua fam\u00edlia destro\u00e7ada pelos \u00edndios. Mais tarde, na cantina em territ\u00f3rio do Novo M\u00e9xico, anteriormente pertencente ao M\u00e9xico (tomado pelos EUA), Tio ETHAN n\u00e3o permite que Martin tome um trago, resguardando-o. Quase no desfecho, quando ambos est\u00e3o acuados pelos \u00edndios, o tio escreve um testamento deixando seus bens para o jovem MARTIN. Outra sequ\u00eancia que chama a aten\u00e7\u00e3o, e s\u00e3o cenas desagrad\u00e1veis, \u00e9 o tratamento desrespeitoso dispensado pela dupla \u00e0 jovem \u00edndia que foi confundida como esposa. Por outro lado \u00e9 mostrado uma aldeia dizimada, logo ap\u00f3s o massacre realizado pela cavalaria, quando ambos comovidos v\u00eaem a jovem \u201cesposa\u201d \u00edndia assassinada.<\/p>\n<p>Ward Bond (1903-1960), \u00e9 o Rev. Cap. SAMUEL J. CLAYTON, espalhafatoso e desajeitado, por\u00e9m dotado de bom senso, l\u00edder da equipe dos volunt\u00e1rios Texas Rangers, refreia em algumas ocasi\u00f5es a f\u00faria extrapoladas do Tio ETHAN. E aten\u00e7\u00e3o, tem uma cena genial com a c\u00e2mera fixa, onde \u00e9 mostrado atrav\u00e9s dos olhos do o Rev. CLAYTON, que est\u00e1 em primeiro plano tomando caf\u00e9, a rela\u00e7\u00e3o ad\u00faltera entre Tio ETHAN e a cunhada. Ou durante o caf\u00e9 da manh\u00e3, tamb\u00e9m com a c\u00e2mera parada e lente grande-angular (sem deforma\u00e7\u00e3o), \u00e9 mostrado toda a movimenta\u00e7\u00e3o do aconchego familiar.<\/p>\n<p>O chefe comanche SCAR (Cicatriz) \u00e9 contracenado pelo ator alem\u00e3o Henry Brandon (1912-1990), representando o lado dark da hist\u00f3ria. Por\u00e9m, toda a sua crueldade est\u00e1 vinculada \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos homens brancos que tomaram suas terras, violentaram suas mulheres, mataram seus filhos e dizimaram os animais com a ca\u00e7a predat\u00f3ria. Isso \u00e9 mostrado no di\u00e1logo dentro da tenda no acampamento ind\u00edgena, quando SCAR mostra os escalpos, dizendo para ETHAN que para cada filho seu morto pelos brancos, \u201ceu arranco v\u00e1rios escalpos\u201d. O cacique talvez seja um homem violento com causa, se esse argumento for justific\u00e1vel, e o Tio ETHAN? Os peles vermelhas j\u00e1 haviam exterminado seus pais e agora o irm\u00e3o e a mulher que amou ardentemente. Ambos s\u00e3o movidos pela mesma horripilante energia, o \u00f3dio m\u00fatuo que cega e dilacera a alma de cada um. A incompreens\u00e3o, insensatez, a falta de ju\u00edzo e ira descabida entre as etnias \u00e9 a for\u00e7a motriz, que gera em solo f\u00e9rtil a semente da viol\u00eancia e da guerra.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria tem in\u00edcio em 1868, por\u00e9m hoje, tudo se repete. Infelizmente a mentalidade anti-humanit\u00e1ria de Tio ETHAN persiste, o ex\u00e9rcito dos EUA prossegue invadindo na\u00e7\u00f5es, bombardeando \u00e1reas civis, com artefatos de ponta, exterminando mulheres, crian\u00e7as e idosos, invadindo casas destruindo lares, estuprando mulheres e desrespeitando culturas milen\u00e1rias. E quando h\u00e1 revolta, como aconteceu com o cacique SKAR, o injusti\u00e7ado \u00e9 considerado terrorista de alta periculosidade e fatalmente \u00e9 cassado em todo o mundo. E resumindo a \u00f3pera: CICATRIZ versus OMBROS LARGOS \u00e9 um embate sangrento atual\u00edssimo. Haja vista o que diz o pensador Krishnarmurti em suas confer\u00eancias: <em>\u201capesar de toda a modernidade e da alta tecnologia contempor\u00e2nea, ainda vivemos em um regime tribal<\/em>\u201d. Vejam o nosso contexto pol\u00edtico atual!!!<\/p>\n<p>Em 1964, JOHN FORD voltou ao tema ind\u00edgena com CREP\u00daSCULO DE UMA RA\u00c7A (Cheyenne Autumn), mostrando o problema pela vis\u00e3o dos peles vermelha. A hist\u00f3ria se passa em 1878, quando o governo deixa de entregar os suprimentos necess\u00e1rios \u00e0 tribo ind\u00edgena Cheyenne, levando centenas de \u00edndios a sa\u00edrem da reserva para viverem livres no local de origem. Na ocasi\u00e3o, FORD declarou que devia esse filme aos \u00edndios, pois em sua carreira cinematogr\u00e1fica, exterminou mais \u00edndios do que a s\u00e9tima cavalaria do General Custer.<\/p>\n<p>Houve posteriormente no cinema norte-americano, realiza\u00e7\u00f5es conscientes no g\u00eanero, sem o contexto imbecil de que o \u00edndio \u00e9 um estranho em sua pr\u00f3pria terra e tamb\u00e9m desmistificando os her\u00f3is nacionais. Em 1960, Don Siegel realizou um interessante filme j\u00e1 mostrando o lado do \u00edndio. Trata-se de \u201cFlaming Star\u201d, versado aqui como \u201cEstrela de Fogo\u201d, com Elvis Presley e a estrela do cinema mudo Dolores Del Rio. Dentre outros diretores podemos citar em 1969, <a href=\"http:\/\/translate.googleusercontent.com\/translate_c?depth=1&amp;hl=pt-BR&amp;prev=\/search%3Fq%3Dwillie%2Bboy%2Bfilme%26biw%3D1252%26bih%3D585&amp;rurl=translate.google.com.br&amp;sl=en&amp;u=http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Abraham_Polonsky&amp;usg=ALkJrhivkjT6qnzc7xws8pp14Y8d7GhEUA\">Abraham Polonsky<\/a> diretor perseguido pelo Macartismo, escreveu e dirigiu o correto filme \u201cWillie Boy\u201d baseado na hist\u00f3ria ver\u00eddica de um \u00edndio chamado Willie Boy e seu confronto com a lei em 1909, em Banning, Calif\u00f3rnia. Ralph Nelson em 1970, com \u201cSoldier Blue\u201d (<em>Quando \u00e9 preciso ser homem<\/em>), tendo como base os fatos que levaram ao massacre de \u00edndios, ocorrido em 1864, o &#8220;Sand Creek Massacre&#8221;, no Territ\u00f3rio do <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Colorado\">Colorado<\/a>. O filme cont\u00e9m cenas &#8220;realistas&#8221; e &#8220;close up&#8221; de decapita\u00e7\u00f5es e fuzilamentos de mulheres e crian\u00e7as ind\u00edgenas. Tamb\u00e9m, no mesmo ano, Arthur Penn, elababorou o maravilhoso \u201cLittle Big Man\u201d (<em>Pequeno grande homem<\/em>). Narrado por um sobrevivente centen\u00e1rio dos massacres, e em tom de com\u00e9dia, mostra novas vers\u00f5es de personagens hist\u00f3ricos e notadamente um <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/George_Armstrong_Custer\">General Custer<\/a> como lun\u00e1tico, vaidoso e violento. Mais recentemente, Kelvin Koster em \u201cDances with Wolves\u201d (<em>Dan\u00e7ando com os lobos<\/em>) conta a hist\u00f3ria de um oficial de <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cavalaria\">cavalaria<\/a> que se destaca como her\u00f3i na <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Guerra_Civil_Americana\">Guerra Civil Americana<\/a> e, por isto, \u00e9 lhe dada a chance de escolher o lugar onde quer servir. Ele escolhe um posto long\u00ednquo e solit\u00e1rio na fronteira. Ali estabelece amizade com um grupo de \u00edndios <a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sioux\">Sioux<\/a>, que o recebe pacificamente e o adota.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, esses e outros trabalhos, mesmo com a compet\u00eancia e talento de seus autores, imbu\u00eddos de autenticidade, pesquisa jornal\u00edstica, realismo e den\u00fancia, n\u00e3o cont\u00eam a grandeza \u00e9pica e a beleza po\u00e9tica e nost\u00e1lgica de RASTROS de \u00d3DIO. Grande parte dos cr\u00edticos, consideram o melhor western de todos os tempos, \u00e9 um marco e refer\u00eancia na hist\u00f3ria do cinema. \u00c9 uma obra recomendada e estudada nas universidades, j\u00e1 foi dissecada por intelectuais, cr\u00edticos renomados e artistas, como tamb\u00e9m temas de teses para mestrado e doutorado. Existem v\u00e1rios coment\u00e1rios, cr\u00edticas especializadas, <em>traillers<\/em>, cenas e admira\u00e7\u00e3o na internet sobre esta obra.<\/p>\n<p>O cr\u00edtico Rodrigo Carreiro, do jornal digital Cine Rep\u00f3rter, escreve que <em>\u201cCineastas de prest\u00edgio, como <\/em><a href=\"http:\/\/www.cinereporter.com.br\/tag\/steven-spielberg\/\"><em>Steven Spielberg<\/em><\/a><em> e Martin Scorsese, colocam \u201cRastros de \u00d3dio\u201d no topo das obras-primas produzidas em Hollywood. A complexidade dos personagens \u00e9 t\u00e3o profunda que n\u00e3o cabe na tela: a rela\u00e7\u00e3o de amor e \u00f3dio que Ethan mant\u00e9m com Martin Pawley jamais \u00e9 explicada em palavras. John Ford n\u00e3o gostava de falar mais do que o necess\u00e1rio. Esses e outros detalhes inexplicados, no lugar de criarem um filme cheio de pontas soltas, comp\u00f5em uma obra de texto aberto, com entrelinhas que o pr\u00f3prio expectador pode preencher, de uma forma que jamais conspurca a linha mestra na narrativa. As atua\u00e7\u00f5es em geral parecem um tanto empostadas e artificiais, e o ritmo \u00e9 naturalmente lento, mas esses detalhes fazem parte do contexto de produ\u00e7\u00e3o dos filmes da \u00e9poca. As plat\u00e9ias de 1956 n\u00e3o tinham essas sensa\u00e7\u00f5es. Por isso, \u201cRastros de \u00d3dio\u201d cavou um espa\u00e7o na mitologia popular norte-americana e continua a ser reconhecido como obra-prima.\u201d<\/em><\/p>\n<p>O cin\u00e9filo Paulo Tib\u00farcio em artigo sobre RASTROS de \u00d3DIO afirma: \u201c <em>JOHN FORD conseguiu captar nas imagens de seus filmes, como nenhum outro diretor, a alma do povo norte-americano, em seus costumes, cren\u00e7as e lutas nos caminhos trilhados em seu desenvolvimento. Em todas as listagens dos dez melhores westerns dos primeiros cem anos do cinema americano (1896 a 1996), no m\u00ednimo tr\u00eas de seus filmes est\u00e3o presentes: NO TEMPO DAS DILIG\u00caNCIAS (Stagecoach-1939), RASTROS de \u00d3DIO (The Searchers-1956) e O HOMEM QUE MATOU O FAC\u00cdNOLA (The man who shot Liberty Valance-1962). Outros dois maravilhosos foram: PAIX\u00c3O de FORTES (My Darling Clementine-1946) e CREP\u00daSCULO de uma RA\u00c7A (Cheyenne Autumn-1964). De outros g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos que JOHN FORD dirigiu, cito a seguir, cinco outras obras primas: A MOCIDADE DE LINCOLN (Young Mr. Lincoln-1939), VINHAS DA IRA (The Grapes of Wrath-1940), A LONGA VIAGEM DE VOLTA (The Long Voyage Home-1940), COMO ERA VERDE O MEU VALE (How Green was my valley-1941) e DEPOIS DO VENDEVAL (The Quiet Man-1952).<\/em><\/p>\n<p>Mal recebido em sua estr\u00e9ia, o filme se imp\u00f4s atrav\u00e9s dos anos. De acordo com o produtor e cineasta CURTIS HANSON, o tempo al\u00e9m de estar do lado dos artistas, \u00e9 um \u00fanico crit\u00e9rio para avaliar uma obra de arte. O mesmo aconteceu com cinematografia de JEAN RENOIR que foi incompreendida e subestimada no seu tempo, e hoje \u00e9 considerada obra m\u00e1xima do cinema.<\/p>\n<p>As cenas finais \u201dThe Searchers\u201d s\u00e3o estarrecedoras e surpreendentes, quando Tio ETHAN, durante o massacre na aldeia, enfim consegue por as m\u00e3os na sobrinha, por\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o se trata de uma crian\u00e7a, e sim uma mulher pele vermelha, esposa do cacique SKAR, e em seu universo paran\u00f3ico, mais um animal desprez\u00edvel que n\u00e3o merece viver. O jovem MARTIN corre desesperado tentando alcan\u00e7\u00e1-lo para evitar pior. Surpreendentemente surge um lampejo de compaix\u00e3o, e Tio ETHAN toma uma decis\u00e3o inesperada, decis\u00e3o essa que evitar\u00e1 uma trag\u00e9dia maior.<\/p>\n<p>E finalmente, quando tudo est\u00e1 aparentemente resolvido do \u201clado branco\u201d, todos entram porta adentro satisfeitos e acomodados, menos uma pessoa, o tio ETHAN, que tudo observa. Sua mente est\u00e1 escalpelada psicologicamente, ele \u00e9 uma trag\u00e9dia humana. O que far\u00e1 de agora em diante? SCAR est\u00e1 morto e escalpelado por ele. Continuar\u00e1 furando os olhos dos \u00edndios abatidos para ficarem vagueando ao vento e n\u00e3o entram na terra dos mortos? Ou exterminando os bis\u00f5es, que s\u00e3o alimentos dos peles vermelhas? Permanecer\u00e1 o mesmo homicida racista? Ser\u00e1 ele tamb\u00e9m v\u00edtima da viol\u00eancia, que jamais conseguiu digerir? Um cara digno de pena? N\u00e3o sabemos, talvez nem JOHN FORD ou ALAN Le MAY saibam, o que se pode afirmar \u00e9 que Tio ETHAN jamais se integrar\u00e1 em um lar ou em uma fam\u00edlia ajustada e pac\u00edfica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o \u201cOMBROS LARGOS\u201d observando o conv\u00edvio familiar, se vira na poeirenta paisagem des\u00e9rtica, ao som da can\u00e7\u00e3o de Stan Jones<u>,<\/u> e caminha a ermo na estrada amargurada de sua vida.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ci3a4zc-40I\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ci3a4zc-40I<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A porta se fecha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>THE END<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PS &#8211; Sobre JOHN FORD<\/strong><\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da mostra John Ford, no CCBB em Bras\u00edlia, foi produzido um excelente livro-cat\u00e1logo, organizado pelo cr\u00edtico Ruy Gardnier, com publica\u00e7\u00e3o de boa parte dos principais artigos e cap\u00edtulos j\u00e1 escritos sobre a obra do diretor, todos eles in\u00e9ditos no Brasil. Contendo textos que v\u00e3o desde 1928 at\u00e9 os dias atuais, o livro discute, aprofunda e problematiza os maiores temas, conceitos e filmes da extensa obra de Ford, al\u00e9m de tentar compreender sua m\u00edtica personalidade<\/p>\n<p>Na se\u00e7\u00e3o de depoimentos, GLAUBER ROCHA escreve um artigo intitulado \u201cO CACIQUE DA IRLANDA\u201d, referente \u00e0 homenagem que o irland\u00eas recebeu, em 1968, no Festival de Montreal. Estavam reunidos no evento a nata do cinema mundial e, al\u00e9m de JOHN FORD, seus dois amigos pesos-pesados Jean Renoir e Fritz Lang, dentre outros. Na ocasi\u00e3o o diretor de RASTROS de \u00d3DIO foi apresentado ao realizador de DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s brincadeiras e abra\u00e7os deu-se a entrevista coletiva no quarto do hotel, em clima descontra\u00eddo, e com afirma\u00e7\u00f5es descompromissadas e hilariantes, demonstrando total desinteresse com qualquer engajamento. Para se ter id\u00e9ia, vejamos algumas afirma\u00e7\u00f5es, no m\u00ednimo interessantes:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>-Atualmente eu n\u00e3o escolho nem os atores. \u00c9 a mulher do banqueiro que d\u00e1 todos os palpites no filme que vou fazer. Somente quando tenho dinheiro nos meus filmes possuo liberdade. Mas que liberdade? Quem manda \u00e9 o p\u00fablico.<\/em><\/p>\n<p><em>\u2014 Quem \u00e9 Godard? Nunca ouvi falar dele. Quem \u00e9 Pasolini? Nunca ouvi falar. Ontem fui ver um filme comunista iugoslavo [tratava se de Une Affaire de C\u0153ur,2 de Dusan Makavejev, aplaudido pela cr\u00edtica] e sa\u00ed na metade. Isso \u00e9 l\u00e1 cinema? Os europeus pensam que filmar uma mulher nua \u00e9 cinema. O grande cinema \u00e9 o nosso, o meu, o de Hawks, o de Hitchcock! <\/em><\/p>\n<p>Um jornalista pergunta se Ford acompanhar\u00e1 Renoir naquela noite ao Pal\u00e1cio do festival, onde ser\u00e1 apresentado <em>La Marseillaise <\/em>(A Marselhesa, 1938).<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u2014 N\u00e3o. Este filme sobre a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa \u00e9 propaganda. N\u00e3o posso prestigiar um comunista em p\u00fablico, apesar de Renoir ser meu amigo. <\/em><\/p>\n<p>O filme <em>Young Mr. Lincoln <\/em>entusiasmou Eisenstein. Contamos isso para Ford e ele brinca:<\/p>\n<p>&#8211;<em>Quem? Eisenstein? O diretor comunista de Ivan, o Terr\u00edvel? Ivan \u00e9 um filme muito inteligente<\/em><\/p>\n<p>E GLAUBER ROCHA conclui:<\/p>\n<p><em>&#8211;<\/em><\/p>\n<p>Ford desconfia de sua poss\u00edvel genialidade. Inegavelmente militarista, Ford idealizou o Oeste como um para\u00edso perdido, esp\u00e9cie de Olimpo do novo mundo. Sua preocupa\u00e7\u00e3o sempre foi a de punir os maus e fazer triunfar os bons. Gosta de \u00edndios, mas s\u00e3o ing\u00eanuos os selvagens que devem ser catequizados e protegidos. Haver\u00e1 sempre um bom soldado branco capaz desta fa\u00e7anha, ainda que para tanto deva se rebelar contra seu superior. O ex\u00e9rcito \u00e9 a alma da na\u00e7\u00e3o, a cavalaria sempre surgir\u00e1 para salvar os pobres colonos das garras dos \u00edndios. Sobre racismo, Ford acha lament\u00e1vel a incompreens\u00e3o entre os homens.<\/p>\n<p>Seu cinema criou adeptos em todo o mundo. Na Fran\u00e7a Ford \u00e9 adorado, embora todos saibam que sua vis\u00e3o do mundo \u00e9 desatualizada, principalmente depois que os Estados Unidos come\u00e7aram a entrar em crise social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica revelando ao mundo que sua invencibilidade apregoada com veem\u00eancia pelo cinema \u00e9 um mito cinematogr\u00e1fico. Como Howard Hawks, como Alfred Hitchcock, como tantos outros, Ford pertence a uma gera\u00e7\u00e3o de gigantes que se revelam como Golias, vulner\u00e1veis na testa.<\/p>\n<p>Fritz Lang tinha raz\u00e3o quando afirmava que o cinema feito por esta gera\u00e7\u00e3o era um cinema primitivo. Inventaram cenas fabulosas de espet\u00e1culo, criaram g\u00eaneros e her\u00f3is, mas em nada contribu\u00edram para transformar a sociedade: apenas colaboraram na edifica\u00e7\u00e3o do mito imperialista. Este cinema de espet\u00e1culo, de aventura, de suspense, de emo\u00e7\u00e3o, entrou em colapso justamente porque o tempo da reflex\u00e3o, da d\u00favida, da cr\u00edtica, da perplexidade, come\u00e7ou. Hoje, diante de um filme do velho cinema americano, vemos apenas a reprodu\u00e7\u00e3o mentirosa do mundo. E a perfei\u00e7\u00e3o destas formas, a harmonia deste ritmo, terminam por cansar. \u00c9 um mundo fechado que d\u00e1 uma mensagem mastigada ao espectador, sem que ele tenha a menor chance de discutir ou recusar.<\/p>\n<p>John Ford \u00e9 o maior criador desta fase. Moralista, tel\u00farico, g\u00eanio de um velho estilo de espet\u00e1culo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JsM8vH04Vcs\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JsM8vH04Vcs<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ci3a4zc-40I\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=ci3a4zc-40I<\/a><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 lets go home<\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pi-zM9A5S0M\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=pi-zM9A5S0M<\/a><u>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 trailer<\/u><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7cj4smynTwc\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7cj4smynTwc<\/a> <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5uPPGltqXE8\">https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=5uPPGltqXE8<\/a><u> monument VALLEY<\/u><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em><\/p>\n<p><em>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Elenco:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/John_Wayne\">John Wayne<\/a>&#8230;Ethan Edwards<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jeffrey_Hunter\">Jeffrey Hunter<\/a>&#8230;Martin Pawley<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vera_Miles\">Vera Miles<\/a>&#8230;Laurie Jorgensen<\/li>\n<li>Ward Bond&#8230;Rev. Capt. Samuel Johnston Clayton<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Natalie_Wood\">Natalie Wood<\/a>&#8230;Debbie Edwards (crescida)<\/li>\n<li>John Qualen&#8230;Lars Jorgensen<\/li>\n<li>Olive Carey&#8230;Mrs. Jorgensen<\/li>\n<li>Henry Brandon&#8230;Chefe Cicatrice (Scar)<\/li>\n<li>Ken Curtis&#8230;Charlie McCorry<\/li>\n<li>Harry Carey, Jr&#8230;Brad Jorgensen.<\/li>\n<li>Antonio Moreno&#8230;Emilio Figueroa<\/li>\n<li>Hank Worden&#8230;Mose Harper<\/li>\n<li>Beulah Archuletta&#8230;Wild Goose Flying\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>(Searchers, The &#8211; <\/em><a href=\"http:\/\/www.cineplayers.com\/index_filmes.php?ano=1956\"><em>1956<\/em><\/a><em>)<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; (*) Em mais um bel\u00edssimo artigo, meu amigo Luiz Clementino nos leva a um passeio pela produ\u00e7\u00e3o de RASTROS DE \u00d3DIO-\u00a0\u00a0 \u201cThe Searchers\u201d. 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