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  • Deixem a Dilma investigar!

    A Petrobras está sendo saneada para dar o maior passo de sua história desde quando foi criada nos anos 1950, – contra a vontade dos conservadores udenistas e da imprensa que servia a eles -, para explorar as jazidas do pré-sal, tornar-se uma das três maiores petrolíferas do mundo e, com parte dos recursos (royalties), ajudar a financiar a revolução educacional, a saúde e o desenvolvimento científico e tecnológico para conquistarmos nossa soberania.

    Imagina se Petrobras iniciasse a exploração do petróleo do pré-sal, uma das maiores jazidas do mundo, com essa máfia operando os negócios. O que seria do Brasil?

    Ficaria talvez como a Venezuela, no governo de Carlos Andrés Perez, e de outros anteriores a Hugo Chaves, que sugaram enquanto puderam a estatal de petróleo venezuelana e deixaram a população a míngua.

    Segundo o jornal Valor Econômico, já são mais de 2 mil funcionários da Petrobras investigados pela auditoria interna contratada pela empresa, por envolvimento em esquemas de corrupção.

    Envolvidos diretamente 150, que estão sendo investigados pela Polícia Federal. Entre eles, diretores, alguns presos. Funcionários com até 30 anos de empresa.

    Curiosamente, nenhum deles filiado ao PT. Mas, por incrível que pareça, a imprensa udenista conseguiu cravar em corações e mentes do povo que o PT é o responsável por todas as mazelas que ocorrem na Petrobras.

    Quem teve a oportunidade de ler o conteúdo das delações premiadas sabe quem é quem nessa história.

    Os que ficaram sabendo do escândalo por meio da imprensa udenista ou por certas pessoas em redes sociais, sinto muito dizer, estão desinformados.

    Vai sair um livro mostrando isso e não é de petista, mas de um profissional do jornalismo de reputação ilibada. Desculpe, mas não estou autorizado a revelar o nome do jornalista.

    O Brasil está vivendo um momento inédito quanto ao funcionamento dos órgãos de fiscalização e controle que atuam no combate à histórica corrupção.

    Desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula e agora, com a Presidenta Dilma, as instituições de fiscalização e controle e judiciárias atuam com absoluta independência, sem nenhuma interferência da Presidência da República ou de qualquer instância política governamental.

    Diferentemente de governos anteriores, que não investigavam. Procuradores do Ministério Público, diretores e delegados da Polícia Federal, da Receita Federal, do Banco Central, eram nomeados para os cargos, mas a fim de bloquear qualquer investigação. E quem ousasse investigar qualquer denúncia era transferido e/ou afastado de suas funções.

    Esses órgãos nunca tiveram leis tão eficazes e um corpo de funcionários tão preparado para o exercício da função pública como dispõem hoje.

    A partir de 2003, no âmbito da União, foi fortalecido o sistema institucional de defesa do Estado responsável pela prevenção e pelo combate à corrupção.

    No governo Lula foram instituídas leis e articulados os órgãos de fiscalização e controle para atuarem de forma coordenada, e garantida plena autonomia das instâncias públicas, sem nenhuma interferência da Presidência da República ou de qualquer instância governamental.

    Na mesma época, foi sancionada a lei que criou a Controladoria Geral da União (CGU).

    O então Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, promoveu a reestruturação da Polícia Federal, a Reforma do Judiciário, criou o Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro.

    Em 2004, foi criado o Portal da Transparência; em 2005, regulamentado o pregão eletrônico; e em 2008, criado o Cadastro de Empresas Inidôneas (CEIS).

    Em 2009, foi sancionada a Lei da Transparência, que determina a disponibilização, em tempo real, de todas as informações sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

    Em 2012 foi aprovada a Lei de Acesso à Informação.

    Todas essas normas jurídicas consolidam a transparência do exercício da função pública e o controle social da gestão dos recursos públicos e dos atos governamentais.

    Todos os órgãos de fiscalização e controle tiveram seu corpo funcional ampliado e qualificado por meio da realização de concursos, capacitação, dotação de recursos financeiros e tecnológicos modernos para dar suporte às atividades dos agentes públicos.

    O orçamento da Polícia Federal, por exemplo, teve um aumento de R$ 2,9 bilhões, mais do que duplicou o efetivo com a realização de concursos públicos, foram treinados e equipados os funcionários com o que há de mais moderno.

    O Ministério Público também teve o orçamento duplicado, assim como o Banco Central, Receita Federal e outros órgãos tiveram melhorias significativas.

    Em 2013, a Presidenta Dilma sancionou a lei que define a figura do corruptor e responsabiliza pessoas jurídicas por atos contra a administração pública.

    Essa lei está possibilitando ao Ministério Público, à Polícia Federal e ao Judiciário irem fundo nas investigações da “Operação Lava Jato”.

    Políticos e empresários estão apreensivos, incomodados com os novos tempos. A certeza da impunidade acabou.

    São sintomáticas as reações de Renan Calheiros, Eduardo Cunha, Sarney, Agripino Maia e outros caciques da política brasileira às investigações do escândalo da Petrobras.

    Eles ainda operam a política na velha lógica oligarca da impunidade, de quem está acima de tudo, de todos, da lei e das instituições: “Como assim, me investigar?”

    Se observarmos bem, há uma rebelião de poderosas forças políticas, que vão desde as que sempre governaram o país de forma fisiológica, a megaempresas de mídia, construção civil, sistema financeiro, indústria, agronegócio e tantos outros setores, que historicamente dominam o país desde a colonização usando o Estado a favor de seus interesses. Isso está ficando cada vez mais claro.

    Essas forças políticas querem impedir o combate à corrupção e o desmantelamento dos grupos que se estruturaram sugando o Estado. Afinal, sem as velhas tetas elas não resistirão.

    Curiosamente, são as mesmas forças que não querem a Reforma Política que ponha fim ao financiamento privado de campanhas eleitorais por empresas privadas

    São as mesmas forças políticas que se alinham ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, na sua decisão de segurar a ação declaratória de inconstitucionalidade que proíbe o financiamento empresarial de campanhas eleitorais.

    São as mesmas forças que aprovaram a Emenda Constitucional do Orçamento Impositivo, que reserva, no Orçamento da União, uma verba no valor de R$ 10 milhões para cada parlamentar destinar a projetos de sua região de origem.

    Com o conjunto de iniciativas e a determinação de enfrentar os grandes esquemas de desvios, os governos Lula e Dilma entram para a história como os que mais fizeram pelo combate à corrupção no Brasil.

    Deixem a Dilma investigar!

    Resta saber se nossa democracia aguenta.

  • A era da estupidez

    O medievalismo expresso no fanatismo religioso é a maior ameaça à democracia.

    Não é de hoje que a sociedade é regida por códigos empresariais e religiosos, verdadeiras prisões, mas nos últimos tempos isso ganhou força e está levado grupos ao extremismo e à intolerância.

    Tudo isso cresce no vácuo das deficiências da educação, que não consegue se firmar como esteio da democracia e da República.

    A faixa por onde transitam os libertários, os democratas e toda gente laica está cada vez mais estreita.

    A angústia existencial, turbinada na aceleração da crise do capitalismo, tem causado um aumento vertiginoso das doenças sociais. A busca por abrigo em religiões para amenizar o sofrimento avança e as religiões ganham poderes transnacionais.

    Sob forte moral, pessoas são dominadas, aniquiladas, manipuladas, extorquidas.

    Por outro lado, os laboratórios e a medicina, com seus manuais, medicam pessoas como nunca antes. A cada dia surgem novos rótulos de doenças psiquiátricas e novos remédios.

    O que mais cresce no mundo são as igrejas e as farmácias.

    A padronização do comportamento está sendo fixada também por medicamentos.

    Nos EUA, os laboratórios das forças armadas desenvolveram um medicamento que tira completamente o sono dos soldados, para uso em frentes de batalha, sem prejudicar em nada a atenção.

    Em breve esse medicamento estará no mercado para ser usado na escravização voluntária. Ou seja, as empresas vão querer pessoas que não dormem, para produzirem mais e com mais atenção.

    As maquinetas eletrônicas como computadores, celulares, transformam gente em peças dessas máquinas, assim como as máquinas das indústrias transformam os operários também em peças.

    Hiper-estimulam e imprimem um ritmo alucinante na população acelerando tudo. (Sou usuário e uso bem as maquinetas, mas com moderação).

    A hiperatividade tornou-se um valor no mercado. As empresas querem hiperativos, eles produzem mais. As igrejas oferecem o amparo no desespero.

    As redes sociais estão retribalizando as pessoas, criando nichos de verdades absolutas e grupos que se retroalimentam completamente separados uns dos outros, criando uma espécie de estratificação horizontal.

    Talvez Mac Luhan estivesse certo quando disse que a “Aldeia Global”, formada pela expansão dos meios de comunicação, distancia as pessoas, separa as pessoas.

    As religiões, por sua vez, separam mais ainda as pessoas porque cada uma prega suas verdades absolutas.

    Enquanto a concepção de Deus estiver ocupando todo o espaço do absoluto do ser humano haverá violência, intolerância.

    As religiões, na sua grande maioria, são as mães dos conflitos, das guerras, por serem construídas sobre pilares morais de dominação, de alienação, por princípios medievais, por culturas de intolerância que ameaçam a democracia e todos os valores libertários.

    Quem une a humanidade é a arte. Se o espaço do absoluto estivesse ocupado pela arte, pela criação, a humanidade certamente seria outra, como nos mostra o filósofo esloveno Slavoj Zizek. Mas a arte não pode também ser usada para insultar, para hostilizar, humilhar quem quer que seja. A arte é para libertar.

    Não podemos esquecer que a liberdade de expressão tem os contornos da democracia.

    Com a sociedade cada vez mais regida por códigos religiosos e empresariais, a violência pedala as estatísticas.

    O atentado em Paris tem esse componente. Um jornal que, para vender, ignora todos os limites, agride a crença alheia, ridiculariza, e uma religião intolerante, que é capaz de matar em nome de Deus. Os dois são frutos medievais.

    Precisamos aprofundar esse debate. Há muito mais coisa envolvida nessa barbárie. Enfim, democracia, liberdade e respeito ajudam a criar uma sociedade civilizada, que trabalhe menos, e laica.

  • Os conservadores e a inclusão social

    1-1Estive recentemente no Chile e vi de perto a Presidenta Michelle Bachelet ser massacrada dia e noite pela imprensa conservadora. E, quando puxei conversa com alguns chilenos, ouvi a mesma história que ouço aqui: “Está demais! O Chile está um caos, nunca vivemos algo parecido.”

    Estão fazendo com Bachelet o mesmo que fazem aqui com Dilma, com Lula e na Argentina com Cristina Kirchner: bloqueiam informações sobre o que o governo está fazendo e pau. Constroem a ideia de caos e fazem acusações de todo tipo. Instalam o ódio nas pessoas de forma subliminar e jogam o povo contra o governo.

    Isso acontece com todos os governos de caráter socialista que ousam mudar a ordem social em países capitalistas, principalmente de tradição colonial como a nossa, num regime democrático.

    Aconteceu o mesmo com Salvador Allende, presidente socialista do Chile, morto no Palácio de La Moneda, no golpe do general Augusto Pinochet, líder dos conservadores. Veja o filme-documentário “A Batalha do Chile”, de Patrício Gusmán. Está tudo lá igualzinho ao que está acontecendo lá e aqui.

    O Chile hoje é o maior produtor de cobre do mundo. O mundo depende do cobre do Chile. O Brasil tem o pré-sal, a maior jazida de petróleo do mundo . O mundo depende de petróleo.

    Veja o filme-documentário “The Corporation”, para ver como as mega corporações elegem e depõem governos. Veja o filme-documentário “Iraque à Venda” para ver como grandes petroleiras tomaram de assalto o petróleo do Iraque com um exército de mercenários contratados por empresas de segurança dos EUA (29 mil homens) e enforcaram Saddam Hussein. O mesmo fizeram com a Líbia, mataram Muammar al-Gaddafi, tentam fazer com a Venezuela e com outros países. As petroleiras dispõe de forças armadas privadas.

    No Brasil, a ascensão e inclusão social de dezenas de milhões de pessoas mexeram com toda a ordem social tradicional do País. Há uma reação dos conservadores contra essa mudança, algo que acontece com pessoas que poderiam estar a favor das mudanças que estão acontecendo no País. Os sintomas estão nos fatos.

    Lembra-se dos “Rolezinhos”? Os adolescentes que começaram a frequentar os shoppings em grupos para fazer fotos e postar no Facebook, num gesto de celebração de sua ascensão social, do seu poder de compra, foram tratados como ameaça, como horda de bandidos. Um juiz de São Paulo chegou a conceder uma autorização para o shopping impedir a entrada dos jovens.

    Lembra-se da “glamourosa” professora carioca que postou no Facebook seu inconformismo com um senhor que trajava camiseta regata, chinelo de dedo e saboreava um sanduíche no saguão do aeroporto do Rio, comparando o aeroporto com uma rodoviária?

    Lembra-se da senhora de um condomínio de luxo em Brasília que comprou uma briga num salão para expulsar a empregada doméstica de uma amiga que cuidava das unhas e dos cabelos no mesmo salão frequentado por ela?

    Pois é, os conservadores estão impactados com essa nova ordem, impactados com a insubordinação dos que ganharam poder, postura, e pleno emprego. O PT, ao longo de sua história, organizou, deu voz e ação para essa imensa parcela da população brasileira. Talvez por isso o PT sempre foi tratado como um intruso na política brasileira. Por mais que o partido tenha feito concessões, os conservadores nunca perdoaram o PT por ter organizado a base da pirâmide, chegado ao poder e aliviado os de baixo do peso da dominação de classesse. Assim como nunca perdoaram Getúlio Vargas por ele ter instituído o contrato de trabalho (CLT), e outros direitos sociais, e criado estatais estratégicas para o desenvolvimento como a Petrobras para avançar na independência do País.

    Os incluídos socialmente hoje têm celular, computador, geladeira, TV, conta bancária, viajam de avião, frequentam restaurantes, shoppings, a empregada usa o mesmo perfume da patroa, como bem lembrou Lula, outro dia, têm seu carrinho, constroem ou reformam suas casas, enfim, melhoraram de vida. Estão protegidos da grande crise internacional com a estratégia do emprego.

    As “dependências de empregados” das residências das classes média e média alta, melhor dizendo, a senzala, que a arquitetura “moderna” levou para dentro de casa, estão virando depósitos de qualquer coisa, porque os empregados domésticos tiveram seus direitos igualados com os demais trabalhadores, não querem mais morar na casa do patrão, nos cubículos antes destinados a eles. O patrão e a patroa não controlam mais o voto dos seus empregados, nem dos porteiros dos edifícios.

    Essa reação dos conservadores e esse incômodo de setores das classes média e média alta com a nova ordem foram muito bem aproveitados pela oposição, e pela imprensa que serve a ela, na construção subliminar da “necessidade de mudança”, pregada pela oposição em parceria com a grande mídia. Na campanha eleitoral virou slogan de Aécio e Marina. Aécio chegou a dizer que ele iria varrer o PT do poder, como se o Estado fosse uma propriedade dos ricos e a ocupação de cargos por pessoas do PT fosse uma anomalia da República e não um direito na democracia. Na democracia os conservadores perdem sempre.

    O Chile não tem desigualdade tão grande como a do Brasil, não tem uma herança colonial racista como a nossa, mas tem um conservadorismo tão impregnado de ódio de classe quanto o do Brasil. Lá os conservadores comemoraram o aniversário do golpe de Pinochet com três atentados a bomba.

    Tem também imensas jazidas de cobre, assim como o Brasil tem de petróleo, recursos estratégicos no mundo de hoje, cobiçados por mega corporações multinacionais e mega empresas de comunicação, aliadas para jogar o povo contra os governos de caráter socialista e viabilizar governos favoráveis aos seus negócios.

    Essa parceria das grandes corporações de mídia com os grandes negócios multinacionais, potencializada nas redes sociais, criou o “Brasil caos” completamente descolado da realidade. Hoje parece que somos dois brasis.

    As candidaturas da oposição (Aécio e Marina) apoiadas pelos conservadores, têm reforçado os códigos empresariais e religiosos predominantes e regentes da sociedade, ameaçado conquistas democráticas de redução da desigualdade e de afirmação de direitos humanos. Aqui os conservadores não admitem sequer a cidadania do povo, a afirmação de direitos.

    O desafio agora é fazer com que a cidadania possa superar as reações dos conservadores, a força dos grandes negócios, principalmente dos bancos que puseram um pé na candidatura de Aécio e outro na candidatura de Marina, na tentativa de subordinar o Estado ao mercado com a autonomia do Banco Central e a privatização de empresas públicas.

    Além disso, é necessário organizar a defesa do petróleo do pré-sal, recurso estratégico para o desenvolvimento do País e superação da desigualdade. Essa riqueza corre risco. Caso os conservadores eleja um de seus candidatos, certamente o Estado perderá o controle para os grandes grupos ligados aos negócios de petróleo.

    Aqui como no Chile e em outras partes do mundo, a política está sendo destruída, transformada na inimiga pública número um, no mal dos tempos. Querem que o povo baixe a cabeça, trabalhe, consuma e deixe o destino da nação nas mãos do “Senhor Mercado”.

     

  • A sociedade sob códigos empresariais e religiosos

    Os sintomas são cada vez mais evidentes. A sociedade brasileira está sendo regida fundamentalmente por códigos empresariais e religiosos.
    Valores que inspiraram a República e a Democracia estão se afogando na água turva que brota de fontes medievais. 

    A democracia e as instituições estão ameaçadas pela força dos grandes negócios e das organizações confessionais com suas ramificações ideológicas, que solapam o Estado laico e a cidadania de forma assustadora, levando o país a retroceder, a ver aviltados direitos conquistados na história recente, inscritos na Constituição de 1988.

    As igrejas se expandem no vácuo das deficiências da educação, da escola laica que não consegue se firmar como pilar da democracia, da cidadania e da República. O grande capital se impõe operando por meio dos imperativos ideológicos, econômicos e tecnológicos, monopolizando o tempo, a consciência, esterilizando vidas.

    Partidos políticos e instituições populares, que historicamente promoveram a cidadania e as lutas libertárias estão, na prática, perdendo espaço para as igrejas. Tornaram-se reféns dos poderes empresariais e religiosos.

    No Congresso Nacional essas forças atuam à luz do dia. Bloqueiam a aprovação de leis fundamentais para consolidação de direitos humanos, da laicidade do Estado, e de muitas outras iniciativas que teriam como finalidade ampliar as conquistas democráticas e a cidadania.

    Igrejas tentaram impedir a aprovação até do Plano Nacional de Educação (PNE) por não aceitarem que as escolas abordassem a questão de gênero em sala de aula e, entre outras ações, apoiaram aberrações como a aprovação do projeto da “cura gay” na Comissão de Direitos Humanos, na época presidida pelo pastor e deputado Marcos Feliciano.

    Bloqueiam a aprovação de todos os projetos de reforma política que põem fim ao financiamento empresarial de campanhas eleitorais porque o poder econômico e confessional não abrem mão do controle político do Congresso e dos governos. Aqui, vale ressalva à CNBB, que integra o conjunto de entidades que apóiam o projeto de lei da OAB, de reforma política.

    As forças políticas empresariais e religiosas têm projeto de poder e estratégia. Pelo andar da carruagem, o risco maior é, em breve, efetivarem uma aliança suficiente para promover ampla reforma na Constituição, suprimir direitos e garantias consagradas ou até mesmo convocar uma Assembleia Constituinte e fazer outra Constituição de caráter teocrático e plutocrático. A continuar os ataques aos setores democráticos, a tendência é de um perigoso retrocesso institucional.

    O poder das organizações empresariais e religiosas não são nenhuma novidade nas relações econômicas, sociais, culturais e políticas numa sociedade capitalista selvagem e de herança colonial como a nossa. Mas avança como nunca, turbinado com os oligopólios de mídia.

    Na história recente, os anos 1990 foram o período de maior investida do grande capital na apropriação indiscriminada, quando aqui a campanha contra o Estado como induto do desenvolvimento se estabeleceu já no governo de Fernando Collor e ganhou força no governo Fernando Henrique Cardoso.

    O Estado passou a ser o diabo e o mercado, Deus, senhor das soluções de todos os problemas do país.

    Evidente que o Estado não é panaceia para solução dos nossos problemas. Se fosse não teríamos chegado ao Século XXI com cerca de 50 milhões de pessoas ainda vivendo na pobreza e a riqueza concentrada nas mãos de uma minoria opulenta que vive no topo da pirâmide social.

    Até porque não há capitalismo sem Estado. Mas as investidas contra a “Constituição cidadã”, como a denominou o ex-presidente da Constituinte, deputado Ulysses Guimarães, para suprimir dela garantias econômicas e sociais, tornou-se uma obsessão do poder econômico e das igrejas desde o início dos anos 1990, com Fernando Collor.

    Ganhou uma dimensão inimaginável nos últimos tempos com a expansão de meios de comunicação, novas tecnologias, conglomerados empresariais de mídias, e a adesão voluntária de setores das classes média e média-alta a ideais neoliberais e religiosos.

    Empresas que monopolizam as concessões do Estado, de meios de comunicação, como, por exemplo, as organizações Globo, cujos proprietários se tornaram os mais ricos do país, segundo a revista Forbes, assumiram publicamente em recentes editoriais em tv e jornais, que apoiaram o golpe civil-militar em 1964, mas não disseram que apoiaram a ditadura durante 21 anos.

    Cinicamente pediram desculpa ao país e agora apostam todas as fichas na definição do pleito eleitoral deste ano apoiando desavergonhadamente, juntamente com os donos do grupo Abril, do grupo Folha, do grupo Estado, e outros, o candidato escolhido por setores do capital financeiro nacional e internacional para que possam retomar o projeto interrompido em 2002 com a eleição de Lula.

    Guardadas as devidas exceções, a grande mídia tornou-se uma espécie de “Feitor”, de chicote em punho, dos grande negócios, pregadora ideológica do projeto do grande capital e das religiões.

    Submete instituições ao açoitá-las com suas manchetes. Constrói versões de fatos com o jornalismo manipulativo e se estabelece como instrumento político dos grandes negócios na coação do poder republicano e democrático.

    Como fez com o Ministério Público e o STF no episódio do julgamento dos réus da AP-470 ao transformá-lo num espetáculo midiático.

    A maioria do STF, sob a presidência do ministro Joaquim Barbosa, se curvou ao “Feitor”. Se curvou à versão dos fatos. Imagina se o STF tivesse absolvido os réus por falta de provas. Estaria hoje na vala de esgoto da história.

    A manipulação da informação corre solta, opera no subliminar, instala nos confins dos corações e das mentes dos desavisados o ódio, preconceitos generalizados, a negação da política, como se a política fosse para a sociedade o mal dos novos tempos.

    A cidadania está sendo sorrateiramente esterilizada, o debate interrompido e a participação da sociedade nas decisões, na escolha do futuro, desmobilizada.

    As manifestações de junho parecem ter sido muito mais um fenômeno das redes sociais, principalmente do Facebook.

    Tanto que os manifestantes, passado o furor, não se organizaram, não se associaram para outras jornadas. Nada de novo aconteceu. O que se viu foi uma desconfiança generalizada de que os usuários foram vítimas de algo estranho. Esse sentimento foi manifestado em grande escala, logo depois, nas redes sociais.

    O que querem com a tentativa de destruição da política? Que todos baixem as cabeças, trabalhem, consumam, e deixem o futuro nas mãos do mercado, o “senhor dos destinos”? Como despertar a nova geração para a política se a política, como querem impingir os manipuladores, representa “o mal para a sociedade?”.

    A política é a mais perfeita invenção do ser humano para resolver os problemas da sociedade e do Estado, para fazer avançar no processo de civilização. Matar a política é matar a democracia, a cidadania e o desenvolvimento.

    As grandes redes de tv/rádio, os portais de internet, ganharam níveis de alcance e sofisticação inimagináveis com a expansão e os novos recursos tecnológicos.

    Os donos das grandes empresas de comunicação, na política, têm lado, usam e abusam das concessões a favor de suas ideologias, de seus negócios e de seus correligionários, sempre foi assim. Chega de hipocrisia. Isso é uma realidade.

    As concessões de canais de serviços de rádio e tv passam de pais para filhos como capitanias hereditárias. As empresas se agigantaram e se tornaram as mais poderosas armas para a manutenção do poder econômico e político no país.

    Nenhum governo, em 26 anos da nova Constituição, ousou regulamentar os artigos 221 e 222 da Carta Magna, que definem a prestação de serviços de comunicação.

    O monopólio dos meios de comunicação continua intacto. Esses veículos são, na sua grande maioria, das mesmas famílias que manipularam o povo e levaram Getúlio Vargas ao suicídio e multidões às ruas para derrubar o ex-presidente João Goulart, em 1964.

    São os mesmos grupos que hoje atuam, na política, em parceria com a oposição ao governo, e formam a opinião de gerações.

    O atraso organizado retoma posições semelhantes às de antes do golpe militar de 1964. Quem tiver curiosidade histórica pode ir aos arquivos dos jornais daquela época para ver a semelhança da forma pela qual a imprensa de hoje, que serve à oposição, trata o governo atual, com a imprensa que derrubou o ex-Presidente João Goulart.

    Em outras palavras, “a UDN saiu do armário”, mostra a cara com ranço conservador e ideológico inimaginável, numa clara reação pela manutenção do status quo a qualquer custo.

    A reação dos setores conservadores é visível no ódio de classe que permeia as relações sociais, trazendo à tona conflitos ancestrais da colonização, cristalizados na disputa política e no medo da perda de poder no atual ciclo de democracia. Na democracia eles perdem sempre.

    É perceptível, na histeria cotidiana, a gana pela ressubordinação dos trabalhadores, que estão se libertando do domínio da aristocracia senhorial. Querem recolocá-los nos lugares de antes, colocá-los para fora dos shoppings, como fizeram no episódio dos “rolezinhos” em São Paulo, com decisão judicial; para fora dos aeroportos, como desejou a “glamourosa” professora de letras da PUC-Rio ao ver um senhor saboreando um sanduíche na sala de embarque; para fora do salão de beleza, como tentou uma moradora de um condomínio de luxo em Brasília, ao ver a empregada doméstica de uma amiga cuidando das unhas e dos cabelos no mesmo salão frequentado por ela.

    A reconfiguração de classe está levando a arquitetura a mudar a ordem residencial colonial. O modelo sala, cozinha e dependência de empregados (senzala) não cabe mais na realidade brasileira.

    Estão tendo que retirar a senzala de dentro de casa, cubículo onde famílias senhoriais enfiam os empregados domésticos. Os empregados domésticos conquistaram igualdade de direitos com a “lei das domésticas”. Ou seja, tudo junto e misturado está causando um grande incômodo à elite.

    Essa obsessão da oposição, e da mídia que serve a ela, pela destruição do Partido dos Trabalhadores, por exemplo, não é de agora. O PT sempre foi tratado como um intruso na política brasileira desde quando nasceu, no final dos anos 1970.

    A elite não o perdoa, por ter sido capaz de organizar a base da pirâmide social e dar voz e ação aos trabalhadores.

    Garantiu um governo que aprofundou a cidadania, cria condições para libertação da população oprimida do domínio de aristocratas, exploradores e opressores de todo tipo; retira da pobreza extrema dezenas de milhões de pessoas, reduz a desigualdade em tempo recorde, como reconheceu a ONU, e promove a inclusão social com acesso aos serviços públicos. Sem desconsiderar os demais partidos de esquerda, PT é o que restou de maior força organizada da luta democrática do pais.

    Tristes trópicos, que tem uma elite branca que sequer admite a construção da cidadania. Ela continua desenraizada, com os olhos para além do Atlântico e para o hemisfério norte. De mentalidade ainda colonial, se interessa apenas pelos grandes negócios na colônia.

    A “velha UDN” está por aí, travestida, clandestina. Dispõe ainda de uma cultura política e ideológica poderosíssima. Hoje, nos salões, nos cafés, nas redações, ricaços, celebridades, artistas, jornalistas, âncoras de TV e de rádio, comentaristas, pessoas expressivas dessa tendência, diria, exemplares da nova versão da UDN, pessoas muito bem pagas, fazem a pregação conservadora.

    Têm microfones e câmeras à disposição para destilar preconceitos generalizados e ódio contra os agora empodeirados pela participação popular na política, nos movimentos das últimas décadas, e incluídos socialmente.

    Comentaristas de economia malham o governo dia e noite, nas grandes redes de TV, radio e jornais, com um discurso surrado, atrasado, da década de 1990, fora do contexto, na defesa cega de ideias derrotadas, superadas na crise internacional.

    Organizações empresariais multinacionais, principalmente do sistema financeiro, não admitem que nenhum pais de porte econômico como o Brasil esteja fora da malha e da estratégia de negócios delas.

    Por ter conseguido, em parte, certa autonomia, com um projeto de desenvolvimento sustentável, tendo o Estado como indutor, o Brasil sofre uma ofensiva virulenta dessas organizações, que tentam reconduzi-lo aos desígnios do sistema financeiro internacional com a ajuda de gente daqui, operadores do mercado financeiro, donos de grandes corretoras de fundos de grandes negócios dos maiores conglomerados internacionais.

    Para eles, o Estado é o inimigo número um. Têm um candidato à Presidência da República e prestam assessoria a ele. Vêem as imensas jazidas de petróleo, recém-descobertas na camada do pré-sal, como as maiores oportunidades de negócios do país e do mundo fora da malha do sistema financeiro internacional e a Petrobras como entrave por controlar a produção.

    O senador Aécio Neves bradou no dia do lançamento da sua candidatura à presidência da República que quer varrer o PT do poder com um tsunami. Diz ele que quer tirar o PT porque o PT ocupa órgãos do Estado. Disse isso deixando claro sua visão patrimonialista que considera o Estado uma propriedade da Elite.

    Ou seja, a “Casa Grande” mandou um recado à “Senzala”.

    Resta aos setores democráticos da sociedade brasileira defender intransigentemente a Constituição, a República, a Federação, articular um movimento capaz de deter o avanço das forças dos grandes negócios, das religiões e dos “feitores” da grande mídia, para que possamos avançar na consolidação da democracia, na superação da desigualdade e na inclusão social.

  • Laurez Cerqueira conta trabalho para manter pensamento de Florestan

    Laurez Cerqueira conta trabalho para manter pensamento de Florestan

  • Macunaíma é meu pastor, nada me faltará

    Curiosa essa perplexidade com a violência, quando  explode em ondas como a de agora. Ouve-se muito dizer que nunca antes na história deste país se viu coisa igual.

    O senhorio posa de vestal, com o manto do “homem cordial”, um tipo que escamoteia a violência em templos religiosos e de consumo, forjando a felicidade do país tropical, abençoado por deus e bonito por natureza.

    O povo brasileiro é violento e ponto. Chega de hipocrisia. Quando os brancos europeus desembarcaram nas praias brasileiras, como dizia o antropólogo Darcy Ribeiro, esfarrapados, desdentados, fedorentos, cheios de escorbuto, síflis, e sedentos por sexo, índios e índias viviam nus, em perfeita harmonia com mares, rios, florestas, em paz com sua divindade espalhada ao redor. Mas era um paraíso perigoso. Por aqui havia também algumas tribos de antropófagos, chegados a uma coxa humana suculenta. Comeram até o Bispo Sardinha.

    Os católicos trataram de arrancar-lhes as crenças pagãs  e substituí-las pelo deus único. Instalou neles o pecado e a culpa. Foram ocupando as terras, corrompendo os “gentios” com badulaques, exterminando nações inteiras. O sangue correu por campos e florestas. Como índio “não tinha alma”,  diziam, na visão dos brancos europeus, virou esporte sair aos domingos para caçar nativos. Atiravam neles só para ver o tombo.

    Tentaram, com os bandeirantes, escravizá-los à base do chicote. Como não conseguiram, partiram para a África, compraram os negros. Depois da vida de corsários, os ingleses se tornaram os maiores traficantes do mundo.

    As marcas da barbárie continuam vivas. Tanto que a arquitetura “moderna” reproduz o modelo colonial, de Casa Grande & Senzala, nas residências brasileiras: sala, cozinha e dependência de empregados, um cubículo onde enfiam os trabalhadores domésticos. Além disso, o tratamento de “nós e eles”. Tudo isso encarado como “normal”.

    Essa mesma violência, herança da escravidão, permanece nas relações sociais, principalmente no trabalho. Quem não conhece a exploração, o tratamento desumano, o assédio moral de patrões e chefes? Nas relações entre marido e mulher, entre pais e filhos? Quem não sabe de pessoas destruídas psicologicamente por assédio moral? Pessoas que vagam no dia a dia, no vai vem da casa para o trabalho, do trabalho para casa, tomadas por sofrimento pesaroso, provocado por humilhação e desqualificação.

    Aqui vale uma ressalva: em partidos de esquerda, sindicatos e outras entidades, o assédio moral ocorre até com requintes de crueldade. Justo as organizações que se propõem como instituições de pedagogia política libertária. Há relatos inimagináveis. O educador Paulo Freire denominava isso de “opressão do oprimido”. Ou seja, muitos dos que sofreram opressão tendem a tornar-se opressores ainda mais violentos.

    No Congresso Nacional tramitam projetos de lei para tipificar o assédio moral, mas grupos, sobretudo aqueles de apoio ao patronato, não permitem sua aprovação.

    Violência, aplausos e negócios

    Curioso também é que grande parte das pessoas que estão “assustadas” com a violência, por exemplo, não perdem uma luta de MMA, essa “rinha humana” que faz os espectadores vibrarem quando os lutadores são brutais. Quanto mais lambusados de sangue, mais a platéia vibra. As imagens fazem disparar a audiência nos meios de comunicação. Os donos de tv, portais, jornais, revistas e patrocinadores querem mais sangue, porque assim ganham muito mais dinheiro, movimentam seus negócios milionários

    Muitos dizem que essa rinha é um esporte, que “educa”, que tem regras, mas não dizem que as regras foram feitas pelos próprios empresários que exploram os negócios dos eventos violentos.

    O que se vê por aí são jovens adotando como referência os lutadores de MMA, cultuando o machismo e a violência como afirmação de virilidade. A referência de beleza agora é a aparência de mau, violento. Músculos e tatuagens alimentam o delírio narcísico, potencializado com a telinha dos celulares, que se tornaram espelhos hedonistas da modernidade.

    Com essa estética ressurge um conservadorismo ancestral, medieval. E o que tem a ver a luta de MMA com a violência? A violência sob aplausos de torcidas aguerridas, aos gritos de: mata!… mata!… mata!…

    Os mesmos assistem às missas e aos cultos aos domingos e às lutas de MMA, cada um com seu duplo. Nas torcidas de futebol, no trânsito, nos shows, nas festas, a violência explode, gera imagens chocantes para a felicidade dos donos dos meios de comunicação. Estes exploram os infortúnios e as lágrimas à exaustão, com posturas hipócritas, moralistas, de bom mocismo, para faturar ainda mais com a audiência. Uma retroalimentação que domina corações e mentes.

    Nos programas de TV, apresentadores falam diretamente com cerca de 40 a 70 milhões de pessoas todos os dias, em comentários e editoriais, como se fossem autoridades no assunto. Muitos instigam à barbárie, como fez recentemente a apresentadora Shehearazade, do SBT, ao incitar a população à violência. Nas redes sociais, jornalistas a defenderam com unhas e dentes, num corporativismo cego, a ponto de a considerer uma “grande profissional”. O que se pode esperar desse jornalismo?

    Enfim, a violência é latente, recrudesce em ondas coloridas de sangue, de tempos em tempos, e expõe a hipocrisia da sociedade.

    Como disse o modernista Oswald de Andrade, “ninguém escapou da vagina fraudulenta e do pênis opressor”.

    O mito do “homem cordial” , do grande historiador Sérgio Buarque de Holanda, se desfez. Por que não optamos por amarrar o jirau no firmamento, virado no (mais…)

  • Rinha humana

    ufc-luta-sangrenta

    Até agora a luta MMA  produziu lesões corporais graves, como a fratura da perna de Anderson Silva, em dezembro de 2013, e em outros lutadores mas, que se tem conhecimento,  nenhuma morte.

    O que farão as autoridades quando acontecer um assassinato decorrente de um golpe fatal, diante dos olhos da platéia e dos telespectadores? O assassino será preso em flagrante? O Código Penal é claro quanto a homicídios de qualquer natureza.

    Essa de que entra no ringue quem quer, que as pessoas são livres, não deixa de ser uma hipocrisia. O Estado não poderia legislar sobre o corpo e o livre arbítrio? Então esse mesmo princípio de liberdade vale para o uso de drogas, o aborto, a eutanásia e o suicídio?

    A tarefa está com o Ministério Público, que cuida do direito difuso e o Supremo Tribunal Federal, o guardião da Constituição, que precisam se pronunciar sobre a rinha humana.

    Tomando como base o princípio do livre arbítrio, os organizadores desse “esporte” podem entender que deve evoluir para o uso de facas ou sabres, como no tempo dos gladiadores. Creio que não faltará público.

    Guardadas as devidas exceções, quem assiste a essa modalidade de luta quer entrar em contato com os instintos mais bárbaros do ser humano, quer ver nocaute, sangue, como nos Coliseus?

    Classificaram essa luta sanguinária como esporte para regulamentar a rinha humana e com ela, obviamente, ganhar muito dinheiro. Rinhas de galo, de cães e de outros animais são proibidas por lei e a rinha humana não?

    A sociedade do espetáculo está indo longe demais, por caminhos cada vez mais sombrios, não bastasse as guerras, os genocídios. O culto à violência está naturalizando a barbárie. Na realidade virtual, jogos eletrônicos concorrem entre si para ver quem oferece mais violência, para um público cada vez mais insaciável. Na vida real, muita gente se identifica com personagens dos jogos e com lutadores de MMA – à imagem e semelhança – com músculos e tatuagens, nas performances de cenas urbanas.

    O que teria a dizer os estudiosos da Psicologia, da Sociologia, da Filosofia, da Antropologia? Não vão se pronunciar? Só depois do primeiro cadáver nas telas de TV?

    Pessoas que gostam de assistir a esse espetáculo muitas vezes se dizem ecologistas, protetoras dos animais, mas não perderia uma rinha de cães hottweilers ou de galos.

    Muitos rapazes,  desses musculosos e tatuados, com seus Poodles numa coleirinha, passeiam por aí, mas não perdem uma luta de MMA. Esquisito, não?

    Junto a esse movimento, algo de machismo, intolerância, violência extrema, é latente na sociedade. As notícias de crimes bárbaros crescem e desaparecem no túnel do tempo, deixando para traz a normalização da violência, que nada combina com a harmonia, a paz e a solidariedade desejada pela imensa maioria da população.

    Pessoas que atuam na busca da paz, do fim das guerras, da harmonia entre os povos, nos movimentos sociais, de proteção dos animais, não ignorem o que está acontecendo aqui. Um ser humano pode matar outro diante dos nossos olhos, nas telas de TV.

    O MMA é legalizado por que é movido por milhões em negócios. Não só as empresas patrocinadoras ganham, mas as empresas de comunicação também engordam seus caixas.

    Perguntar não ofende: será que alguma ONG pacifista, ambientalista recebe contribuição de alguma das empresas que patrocinam o MMA? Aos jornalistas “investigativos” de plantão vale conferir e informar quem ganha e quanto com a rinha humana.

    Caso as empresas patrocinadoras dessa barbárie sejam clientes da TV, do rádio, do jornal ou da revista, provavelmente ninguém ficará sabendo, por razões óbvias.

    O que diriam Mahatma Gandhi, Dalai Lama, John Lennon, Nelson Mandela, os Prêmios Nobel da Paz, enfim, todos os pacifistas do mundo, sobre as rinhas humanas?

    Com a espetacularização da barbárie fica difícil cultivar valores da democracia como paz, harmonia, solidariedade e felicidade para toda a humanidade. Rinha humana NÃO!