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  • O semblante sereno de Lula e o ódio de classe de Moro e Dallangnol

     

     

    O juiz Sérgio Moro arruma as malas, vai morar nos Estados Unidos, depois da notícia da indicação do ex-presidente Lula para o Prêmio Nobel da Paz, até agora com apoio quase unânime da academia sueca.

    Nas últimas pesquisas, Moro viu desabar o apoio popular que tinha e Lula disparar na preferência do povo para a Presidência da República.

    A inocência de Lula está estampada no semblante sereno e no sorriso que ele mantém na face, apesar do infernal massacre de seus algozes no judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal e na mídia.

    O ódio de classe de Moro e Dallangnol parece estar sendo vencido pela inocência de Lula.

    Eles estão saindo da Lava-Jato do tamanho de insetos e Lula um gigante.

  • “Faça amor, não faça guerra!”

    Uma amiga, estudiosa da psicologia, costuma dizer que os homens que gostam de armas, principalmente os mais machistas, teriam o pinto pequeno.
    A arma seria o complemento. Assim como a ostentação de outros símbolos fálicos. Um tanto difícil confirmar esta afirmação, mas faz sentido.

    Nos anos 1960 e 1970, artistas do mundo inteiro se mobilizaram contra a guerra do Vietnam. Foi um sucesso.

    Hoje os Estados Unidos, com a maior máquina de guerra e propaganda do mundo, subordinam países indefesos ao seu poderio militar e financeiro, tramam golpes de estado, massacram populações civis, assaltam recursos naturais como o petróleo e outras matérias primas, com exércitos de militares contratados por empresas de segurança, ou seja, braços armados privados das petroleiras.

    É assim no Iraque, no Líbano, na Síria, estão tentando assaltar a Venezuela, enfim. No Brasil, derrubaram a presidenta Dilma, uma mulher honrada, legitimamente eleita, para no lugar colocar uma quadrilha, fácil de ser corrompida. Com isso,  levaram o petróleo do Pré-sal e estão levando outras riquezas do país, e anexando institucionalmente o país aos Estados Unidos

     

    Onde seus magnatas montam negócios, suas dragas capitalistas, deixam para trás terras arrasadas, a destruição do meio ambiente, o aumento da pobreza, da desigualdade, e o fascismo semeado na militarização cultural com farta produção audiovisual e influência sobre as novas gerações.

    A luta contra o fascismo e o capitalismo é uma luta mundial. Os artistas, se mobilizados, são uma poderosa força política.

    Bem que aquela dose “faça amor, não faça guerra” devia ser repetida nesse final da segunda década dos anos 2000.

    O fascismo não resiste à arte.

  • A escravidão sempre foi um assunto indigesto nos salões iluminados

     

     

    A decisão de decretar a intervenção militar no Rio de Janeiro aconteceu imediatamente depois do forte impacto, na opinião pública, do desfile da escola de samba Paraíso do Tuiuti, e da faixa afixada na entrada da comunidade da Rocinha com um aviso ao Supremo Tribunal Federal que se Lula for preso o morro vai descer.

     

    Não só a Rocinha pode descer, mas todas as comunidades do país podem ocupar as ruas, desarmadas. Basta pararem os carros nas ruas e avenidas, nas estradas, num trancaço nacional, ocuparem aeroportos, fazerem uma greve de transportes, e muitas outras ações de protesto contra as injustiças e a opressão.

     

    O povo não aceita mais ser escravo de ninguém.

     

    Na semana retrasada Jair Bolsonaro, diante de uma plateia de banqueiros nacionais e estrangeiros, num seminário, disse, como um cão de guarda dos milionários, eivado de ódio de classe, que se eleito metralharia, de helicóptero, a comunidade da Rocinha.

     

    Até quando as forças armadas e policiais vão ser adestradas em cursos de formação, nas tais academias, e usadas pelos de cima para manter a ordem estabelecida por banqueiros, grandes corporações empresariais nacionais e estrangeiras, para proteger a rapinagem, seus negócios, seus patrimônios, e reprimir, atacar os de baixo, as comunidades pobres, excluídas, os trabalhadores explorados pelo patronato de um sistema capitalista corrupto? Até quando?

     

     

     

     

    Quando as denúncias do golpe de Estado e da escravidão despontaram dos bastidores da escola de samba Paraíso do Tuiuti e explodiram em sete cores na avenida, iluminando os quatro cantos do Brasil, como sol do meio dia, romperam-se as trevas.

     

    O senhorio ficou em pânico. As redes de mídia construídas por magnatas parasitas da corte, desde os tempos coloniais, para dar sustentação à história oficial, contada pelos seus narradores de plantão nos meios de comunicação, não resistiram ao desfile da escola de samba.

     

    A dramática situação do povo brasileiro, as mazelas históricas foram estampadas nas telas do mundo.

     

    Em fevereiro tem carnaval, mas o Brasil, bonito por natureza, parece não ser mais abençoado por Deus. Talvez Deus nem seja mais brasileiro.

     

    O “Vampirão”, representante de outros vampiros que sugam as riquezas, a força de trabalho e a renda dos brasileiros, foi mostrado como usurpador do poder. Gente das trevas, de rabo e chifre, exposta na avenida com estética apropriada.

     

    A escravidão sempre foi escamoteada, um assunto difícil de ser tratado nos salões iluminados. Imagine na avenida, diante das câmeras das TVs das grandes redes internacionais e dos celulares. A hipocrisia foi despida, clareou a formação econômica, social, cultural e política do Brasil, que o senhorio não suporta ver.

     

    Misturado ao turbilhão de notícias que desaparecem todos os dias no túnel do tempo, uma nota escapou das páginas dos jornais informando que terça-feira, dia 06, funcionários do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e agentes do FBI realizaram na Câmara de Comércio Internacional, em São Paulo, um evento fechado à imprensa, para discutir a Operação Lava-Jato e os próximos passos. Há suspeita de que a reunião foi para passar instruções.

     

    A intervenção militar no Rio parece ter sido apoiada por um grupo restrito de oficiais ligados ao chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Sérgio Etchegoyen, simpático à candidatura de Bolsonaro. Para os demais oficiais, talvez seja constrangedor ser comandado por Michel Temer, acusado de ser membro de uma “organização criminosa”, pela Polícia Federal, no relatório para o Supremo Tribunal Federal.

     

    Uma organização criminosa que deu um golpe de Estado, se instalou no Palácio do Planalto, no Senado, na Câmara, nos ministérios, sob proteção do STF, que engavetou o pedido de anulação do criminoso impeachment da Presidenta Dilma.

     

    Participaram da reunião que decretou a intervenção: Michel Temer, comandante supremo das forças armadas, que está um pote até aqui de mágoa com a escola de samba Paraíso do Tuiuti, por expor na avenida o “Vampirão” e o golpe, sob luzes tão fortes, para o Brasil e o mundo verem; Temer, Moreira Franco, Eliseu Padilha, que juntos com os deputados Aloísio Alves, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima e suas malas de dinheiro, são acusados, no relatório da Polícia Federal, serem membros de uma organização criminosa denominada pelos investigadores “longa manus”; o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também acusados e investigados por corrupção; e o Ministro da Defesa, deputado Raul Jugmann, que está na lista da Oderbretch, e não apita nada nas forças armadas.

     

    O senador Romero Jucá, também acusado de integrar a organização, mandou recado para Temer, propôs a criação do Ministério da Segurança, talvez para esvaziar os órgãos existentes, e ajudar a estancar as investigações dos esquemas de corrupção deles.

     

    Ou seja, depois de impor o drástico corte de recursos com o congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, levar estados e municípios à falência e o país a uma dramática crise econômico-financeira, Temer e sua organização determinaram intervenção militar no Rio de Janeiro e quer transformar a ocupação num grande espetáculo para as câmeras de TV, e tentar conquistar apoio para as candidaturas deles nas eleições deste ano.

     

    O ano avança rumo às urnas, o golpe afunda sem candidato, sem projeto, e a percepção da sociedade se amplia para as camadas mais pobres, segundo pesquisas.

     

    Esse drama tira o sono dos conspiradores do golpe, de banqueiros, do empresariado do grande capital.

     

    Com que cara e discurso o candidato irá às eleições? Vai defender o governo Temer, a reforma trabalhista, a lei da terceirização, a reforma da previdência, a subtração de direitos dos trabalhadores, as privatizações de empresas de energia, dos bancos públicos, da educação e da saúde públicas, a retirada do controle da produção do petróleo e gás do Pré-sal, da Petrobras, e a entrega para grandes corporações estrangeiras, a lei da venda de extensões ilimitadas de terras a estrangeiros, a reforma das leis ambientais, a liberação de agrotóxicos banidos, o aumento da gasolina e do gás?

     

    Por isso estão sem candidato e querem se manter no poder a qualquer custo, para continuarem com seus negócios. Com Supremo, com tudo, e se necessário com as forças armadas e policiais como sempre foi, na história do Brasil.

    Mas o povo percebe o jogo e quer Lula presidente

     

  • Lufada de ética na corte

     

     

     

     

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    Certa vez presenciei uma divertida conversa entre o senador Darcy Ribeiro, recém-chegado ao Senado, e o então deputado constituinte Florestan Fernandes.

     

    Darcy dizia em tom de brincadeira a Florestan que na eleição seguinte ele devia deixar a câmara baixa (Câmara dos Deputados) e se candidatar à câmara alta (Senado Federal).

     

    “Venha pra cá, Florestan! Isso aqui é um pedaço da corte! No Brasil, o lugar mais próximo do céu é o Senado da República. Aqui a gente tem tudo que quer. Basta desejar alguma coisa que aparece um funcionário para lhe servir. Os dois estavam impressionados com os ares monárquicos da Praça dos Três Poderes.

     

    O professor Florestan dizia que, apesar de tudo, um dos pontos mais interessantes para se observar o Brasil era o Congresso Nacional e que no Plenário chegavam fragmentos políticos, sociais e culturais do país trazidos por cada parlamentar.

     

    Disciplinado, cumpria rigorosamente os horários das sessões. Sentava-se na mesma cadeira e prestava atenção nos discursos de cada um com o devido respeito, apesar da grande maioria das intervenções serem de baixíssimo nível. Às vezes pedia aparte e debatia os assuntos com a erudição do cientista social que era, cumprindo sua função parlamentar. O burburinho do Plenário abrandava para ouvir o mestre.

     

    Ao mesmo tempo era um homem despojado, almoçava todos os dias no restaurante dos funcionários. Não costumava ir ao mais frequentado pelos parlamentares.

     

    Ele era tão cuidadoso com a própria conduta que certo dia, em São Paulo, passou mal em casa à noite, chamou um táxi e foi para o hospital do servidor. Dona Myriam, mulher dele, preocupada, ligou para Florestan Fernandes Júnior, que estava na TV e pediu para que ele fosse ao hospital acompanhar o pai.

     

    Quando o filho chegou, o professor Florestan estava numa fila enorme para ser atendido. Ele sofria de hepatite C, doença que havia se agravado e lhe causava crises muito fortes.

     

    Florestan Júnior perguntou por que ele, como deputado, não procurou o hospital Albert Einstein, o Sírio Libanês, ou outro que pudesse atendê-lo com rapidez e em melhores condições. Ele respondeu que era servidor público e que aquele era o hospital que teria que cuidar dele.

     

    Perguntou também por que ele estava na fila, em vez de procurar diretamente o atendimento de emergência. Ele disse que estava na fila porque tinha fila e que todas as pessoas estavam ali em situação semelhante à dele, com algum problema de saúde, e que ele não tinha direito de ser atendido na frente de ninguém.

     

    Percebendo a gravidade da situação, o filho foi ao plantonista. O professor Florestan só saiu da fila depois que o médico insistiu para que ele entrasse, deitasse numa maca e fosse medicado.

     

    Na parede onde a maca estava encostada havia um quadro de avisos. Enquanto tomava soro na veia, olhando ao redor, viu afixado no canto do quadro um recorte de jornal amarelado pelo tempo. Apontou o dedo e disse ao filho:

     

    – Olha, é um artigo meu, publicado no jornal Folha de S. Paulo. Nesse eu defendo a saúde pública.

     

    Como nos meses seguintes as crises tornaram-se cada vez mais fortes e frequentes, os médicos que cuidavam dele decidiram fazer transplante do fígado.

     

    Na época, Fernando Henrique Cardoso, seu ex-aluno na USP e amigo pessoal de muitos anos, era presidente da República e ficou sabendo que o professor Florestan faria a cirurgia.

     

    Imediatamente ligou para ele, ofereceu traslado e a realização do transplante no melhor hospital de Cleveland, nos Estados Unidos. Florestan tinha alta comenda do país, a Ordem de Rio Branco, que lhe facultava certas prerrogativas.

     

    Florestan agradeceu a gentileza de Fernando Henrique e disse que não poderia aceitar o privilégio. Que aceitaria se ele fizesse o mesmo com todos os brasileiros em situação mais grave do que a dele.

     

    Em seguida ele fez o transplante em São Paulo e morreu no hospital por complicações pós-operatórias provocadas por erro humano.

     

  • O tombo das bolsas e a volta do realinhamento subalterno do Brasil aos Estados Unidos

     

     

     

    O tombo de 4,6%, das bolsas dos Estados Unidos, considerado pelo jornal Valor o maior da história da Dow Jones, parece está sendo amenizado pelo noticiário de economia.

    Repercutiu em toda a Europa e  na Ásia causando baixas. Até agora nenhum diagnóstico confiável.

    Fala-se no aumento da inflação e da possível alta dos juros, nos Estados Unidos,  para conter a forte demanda. Mas parece pouco para tamanha queda dos índices.

    O dólar vem caindo desde o final do ano passado. Comenta-se pouco  sobre isso. Ainda não há uma explicação também confiável sobre as causas. Há muita especulação.

    Uma ameaça ao Petrodólar paira no ar, mas não se toca nesse assunto. A China, no final do ano passado, passou a comprar petróleo e gás da Rússia em Yuan, avança sobre os países árabes e de outras regiões em negociações com o mesmo propósito.

    Os Estados Unidos, que abandonaram o ouro e mantém o lastro do dólar em petróleo desde 1971, estão tendo calafrios com a movimentação da China e seus fortes sinais de recuperação econômica, que irão demandar petróleo, gás, aço, cobre, proteínas e outras matérias primas.

    O golpe de Estado no Brasil teve como um dos principais objetivos retirar o Brasil do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e voltar ao realinhamento subalterno com Estados Unidos.

    Se a desarrumação econômica dos Estados Unidos voltar a acontecer com as bolhas especulativas, o Brasil pode sofrer duras consequências e afundar ainda mais na crise econômica e social.

    Deve voltar a viver os tempos dos governos Fernando Henrique. Naquela época, qualquer espirro da economia dos Estados Unidos o Brasil tinha febre terçã. A economia sofria com a extrema vulnerabilidade externa. O país quebrava.

  • Deus não é mais brasileiro


     

     

     

    Deus, que era brasileiro, foi embora do Brasil logo depois daquele sete a um da Alemanha, na Copa do Mundo, em 2014. Jogou a toalha!

     

    Viu que o Diabo conseguira colocar camisas da CBF, uma das organizações mais corruptas do futebol, numa massa gigantesca de pessoas para xingar a Presidenta Dilma Rousseff, com os mais baixos impropérios já ditos nos estádios, diante de uma das maiores delegações de chefes de Estado reunidas no mundo. Deus deve ter desaparecido de vergonha e pedido nacionalidade a outro país. Não se sabe até hoje qual.

     

    Desde então, o “Encardido” transferiu o gabinete do inferno para Brasília Montou uma oficina de falsificação de processos em Curitiba, com um gerente, uma equipe de auxiliares e um escritório para breves despachos em Porto Alegre, com office boys obedientes, para alegria da legião da gente de rabo e chifres, que o venera.

     

    Espalhou “Encardidos” e “Sete Peles” por toda mídia infernal, judiciário, Ministério Público, Congresso Nacional e nas redes sociais.

     

    Botou uniformes de guerra na Polícia Federal, para impressionar, prender pessoas, em cenas terroristas, tudo combinado com as TVs, igualzinho acontece nos filmes enlatados dos Estados Unidos.

     

    Entrou na mente da gente mais vulnerável, a que se veste com camisas da CBF, mandou para as ruas berrar contra o governo, eivada de ódio, até escorrer um líquido verde e amarelo nos cantos da boca. Isso para derrubar a presidenta Dilma e levar o Brasil às trevas, ao desastre político, econômico e social.

     

    Uma das cenas que mais orgulhou Lúcifer foi ver aquela gente de camisa amarela carregando faixas e gritando ” Somos todos Cunha!” “Somos todos Cunha!”. Na época, o deputado Eduardo Cunha era presidente da Câmara dos Deputados e havia acatado o pedido de impeachment da presidenta Dilma. Ele passou a ser o bandido preferido da gente de camisas amarelas e de Lúcifer, por ser um dos corruptos mais ardilosos, aliado de outros corruptos, como o vice-presidente Michel Temer, e do candidato derrotado Aécio Neves, articuladores do golpe de Estado.

     

    E depois, mandou o comando do movimento, liderado pelo MBL (Movimento Brasil Livre), Vem pra Rua, Revoltados Online, a cúpula do PSDB com Aécio Neves à frente, do PMDB, de Michel Temer, se reunir com Eduardo Cunha, posar para fotos e gritar para as câmeras e microfones da imprensa: “Fora Dilma!”,  “Fora Dilma!”.  Lúcifer guarda esse momento como um dos mais preciosos do trabalho que ele vem fazendo no Brasil.

     

    Tudo indica que Deus, depois do sete a um, no Mineirão, em Belo Horizonte, entrou para a clandestinidade. Como última missão, comandou a campanha de 2014 e ajudou o povo a eleger a presidenta Dilma.

     

    Apesar da imensa legião de demônios contra ela, tramando o que havia de mais sórdido na campanha eleitoral, Aécio Neves foi derrotado.

     

    Lúcifer virou o diabo. Aécio, também. Chamou Aécio num canto e disse:

     

    – Correligionário, isso não pode ficar assim. Chame nossos mais graduados da legião de demônios, Eduardo Cunha e Michel Temer, para uma conversa. Precisamos conspirar. Vou instalar uma sucursal do inferno na Praça dos Três Poderes.

     

    Depois vá, Aécio, diga logo, antes que esfrie o clima das eleições, que o resultado foi uma fraude eleitoral. Peça recontagem dos votos, mesmo que os votos sejam eletrônicos.  Mantenha o fogo aceso. Enquanto isso, a gente tabela com nossa oficina de Curitiba, com Sérgio Moro, com Deltran Dallagnol, meus demônios preferidos, no Ministério Público, na Polícia Federal, com o Supremo Tribunal Federal, com tudo, com as TVs, principalmente com a Rede Globo, nossa porta-voz  oficial do inferno.

     

    Sabe o Augusto Nardes, aquele que vocês indicaram para ministro do Tribunal de Contas da União (TCU)? Ele agora é Presidente do Tribunal. Está muito fácil tirar esse pessoal da divindade do Palácio do Planalto e da Esplanada dos Ministérios. Ele e mais outros seis ministros, dos onze, do TCU, são investigados por corrupção. São todos nossos, gente como a gente.

     

    De uma hora para outra, uma trama diabólica enredou o Palácio do Jaburu, morada de Temer, Congresso Nacional, Tribunal de Contas da União, Supremo Tribunal Federal, Procuradoria-Geral da República, Justiça Federal de Curitiba, com  nosso talentoso Demônio, juiz Sérgio Moro, todos passaram a produzir espetáculos diários com prisões, acusações, enchendo dia e noite as telas das TVs, do celular, rádios, jornais, revistas, tudo muito bem novelizado como nunca se viu. A novelização da notícia e dos espetáculos das prisões, com requinte infernal, entraram na mente do povo como Lúcifer queria.

     

    Os “sete peles” do TCU, com Augusto Nardes no comando, combinados com os “encardidos do Congresso”, Aécio Neves, Eduardo Cunha, mais o vice-presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, com a diabólica assessoria do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, bolaram as tais “pedaladas fiscais”. Inflaram as mentiras como balões e amarraram no céu azul do Brasil, do Norte ao Sul, do Leste a Oeste. Em qualquer balcão que se encostava para tomar um café, uma cerveja, lá vinha um “especialista” em “pedaladas fiscais” repetir tudo que a mídia lhe havia dito.  E formou-se um consenso de que a presidenta Dilma era uma criminosa e que devia ser derrubada.

     

    Os repórteres de plantão, da mídia senhorial, juntamente com os comentaristas das TVs e das redes sociais criadas para o golpe, se encarregaram de tornar crime uma medida corriqueira de manejo de recursos do tesouro, do orçamento. Acusaram a presidenta Dilma de praticar Crime de Responsabilidade – uma coisa inventada do nada – levaram ela ao Senado da República e forjaram o impeachment. Obra-prima de demônios altamente graduados, aprovada com louvor, por Lúcifer.

     

    Lúcifer, no trono da sucursal do inferno, em Brasília, às gargalhadas, comandou Temer, Cunha, Aécio, Gilmar, Janot, Moro, seus mais confiáveis encardidos.

     

    Deus percebeu que Lúcifer não estava sozinho. Havia demônios mais graduados do que os brasileiros por trás daquilo tudo. Os Estados Unidos haviam montado uma base de operação bastante sofisticada lá e aqui, que operava sincronizada, afinada com os comandos de Lúcifer.

     

    Conseguiram penetrar na mente da maioria da população e instalar o ódio na grande maioria da classe média, até na dos pobres beneficiados pelas políticas públicas dos governos Lula e Dilma. Fez com que uma imensa parte da população passasse a odiar o Partido dos Trabalhadores, como fizeram com os judeus na Alemanha de Hitler.

     

    Diante de tamanha ingratidão e manipulação, Deus deve ter se cansado de defender os pobres do país, da exploração dos cruéis patrões, e da classe média, que vive o dilema de querer ser rica e ao mesmo tempo morre de medo de cair na vala dos miseráveis.

     

    Deus não é mais brasileiro. Agora Lúcifer é brasileiro. Comanda Moro, Dallagnol, as castas de servidores públicos, com exceções, claro, como a do judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e outros policiais, do Legislativo, das Forças Armadas, enfim, gente que trabalha para defender a ordem capitalista de exploração dos trabalhadores – que é quem gera a riqueza – o patrimônio, os privilégios dos ricos, perseguem e reprimem os de baixo.

     

    Protegem Temer, Aécio, José Serra, Eliseu Padilha, Moreira Franco, e muitos outros corruptos. Aécio Neves é o representante de todos os corruptos golpistas, o mais querido de Lúcifer, por ser o malandro agulha, ungido pelo judiciário, pelo Ministério Público, pela Polícia Federal. Nada acontece com ele. Ele é protegido por Lúcifer.

     

    Temer conseguiu na Câmara que os “encardidos” não permitissem que ele fosse processado; nomeou a procuradora Raquel Dodge para chefiar a Procuradoria-Geral da República, por sugestão do Ministro do STF, Gilmar Mendes, e trocou o diretor da Polícia Federal, nomeou o delegado Fernando Segóvia, emplacado pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, investigado por corrupção.

     

    Lúcifer mandou o “encardido” Romero Jucá avisar a todo mundo que todos os golpistasestavam salvos, com o Supremo, com tudo.

     

    Depois de derrubar a presidenta Dilma e proteger os seus comandados – Michel Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves, Renan Calheiros, deputados e senadores, Carmem Lúcia, Gilmar Mendes, Rodrigo Janot, Sérgio Moro, procuradores, policiais, juízes, repórteres, comentaristas, editores, diabinhos das redes sociais – Lúcifer partiu para cima do ex-Presidente Lula. Infernizou a vida dele orientando os seus nas sentenças do judiciário e conseguiu prendê-lo com um processo forjado, acusado de corrupção sem nenhuma prova, para que ele não fosse candidato à presidência da República, em 2018.

     

    O Sete Peles tem predileção pelo juiz Sérgio Moro e pelo procurador Deltan Dallagnol, um evangélico em plena contradição com a justiça pregada por Jesus Cristo. Ele gosta mais do procurador do que de Moro, por ele estar conseguindo enfiar no direito brasileiro a “teoria do domínio do fato”, uma invenção para justificar a prisão do ex-presidente Lula, uma das injustiças mais cruéis da doutrina diabólica, que não existe em nenhum país do mundo. Uma pérola dos perversos cânones do inferno.

     

    Às vezes, Moro demonstra certo ciúme de Dallagnol, mas Lúcifer sabe lidar com os sentimentos dos seus e compensa o juiz lhe dando inspiração como, por exemplo, a determinação da condução coercitiva do ex-presidente Lula pela Polícia Federal; a sentença de nove anos e seis meses de prisão; e a “luz” (Lúcifer vem de luz) para os desembargadores Paulsen, Laus e Gebran, três novas revelações do inferno, colocadas por Lúcifer no Tribunal Federal de Recursos da Quarta Região (TFR-4), em Porto Alegre, para referendarem a sentença do Juiz Sérgio Moro e ainda aumentar a pena de prisão do ex-presidente Lula. Eles são as injustiças em pessoas. Por isso a consideração e o respeito de Lúcifer por eles.

     

    Terminado o trabalho em Brasília, ou seja, a ex-presidenta Dilma derrubada, Lúcifer pediu para transferir a sucursal do inferno em Curitiba. Queria comandar a Operação Lava-Jato de perto. Passou a comandar a oficina do diabo em Curitiba, o escritório de breves despachos, em Porto Alegre, e manter lenha na fogueira para tentar incinerar a biografia do ex-presidente Lula e tentar impedir a candidatura dele à Presidência da República.

     

    Enquanto isso, nos bastidores de Brasília os lobbies de bancos, petroleiras estrangeiras, mineradoras, agrobusiness, fazem a festa.

     

    Com as ações de sua legião, Lúcifer vai ao delírio.

     

    Para ele, Lula é a última herança de Deus na política brasileira, que deve ser banida. Ele e seus comandados estão com todas as forças do inferno para destruir o ex-presidente Lula. Junto com Sérgio Moro, ligaram a máquina de lawfare e partiram para o massacre, combinados, claro, com os Sete Peles da imprensa formados para o golpe. Não se contentaram com a prisão de Lula, era preciso liquidá-lo de vez. Nesse calvário diário, Lula ainda teve que suportar a dor das perdas de Dona Marisa, o irmão Vavá e o neto Arthur e a perversidade de Sérgio Moro.

     

     

    Mas eis que surge na planície política uma situação que Lúcifer desconfiou ser uma ação de Deus: mesmo preso, Lula lidera as pesquisas para sucessão presidencial, ao lado de Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e um desconhecido Jair Bolsonaro.  Lúcifer rangeu os dentes a noite inteira, mas, aquele novato que fazia gestos imitando armas, um tenente expulso do exército por tentar explodir com bombas o gasoduto do Rio de Janeiro, encheu seus olhos raio X. Bolsonaro ostentava não só o jeito de demônio que tem obsessão com a morte, mas de um ser ungido pelas trevas.

     

    Lúcifer não teve mais dúvida, encontrara o anti-cristo,  do apocalipse, previsto na Bíblia.

     

    Imediatamente montou uma operação para barrar a candidatura de Lula à presidência da República com o Supremo com tudo. E conseguiu. Transferiu novamente a sucursal do inferno para Brasília e passou a comandar a candidatura de Bolsonaro. Não lhe faltou criatividade diabólica. Morte, armas, ódio, foram o combustível da campanha. O eleitorado berrava isso com líquido verde e amarelo escorrendo pelos cantos da boca. Eleito, instalou-se o desastre no país. O governo, a cara do inferno. Todo tipo de perversidade foi exposta.

     

     

    E, para a alegria de toda a legião de Sete Peles, chega a pandemia de Coronavírus. Era o que faltava para o gozo de todos os demônios. Bolsonaro e Lúcifer vão ao delírio, vivem às gargalhadas com a falta de UTI’s, as pessoas morrendo sem respiradores, sem remédios, agora com falta de médicos, de profissionais de saúde e de vacinas. As imagens de sepulturas abertas nos cemitérios enchem os olhos vermelhos de Lúcifer e Bolsonaro. Nesse momento, eles se entreolham.

     

     

    Lúcifer está encantado com a capacidade que tem Bolsonaro de sabotar todas as iniciativas da ciência, dos médicos e outros profissionais de saúde, que estão na linha de frente para salvar vidas. Para completar, a crise econômica se agrava. Filas imensas tomam ruas inteiras nas grandes cidades do país, de pessoas a espera de uma marmita de comida doada por  grupos de ajuda humanitária.

     

     

    Mas enquanto vivem o reino da tragédia, Deus começa a dar sinais de que voltou e está clandestinamente por aqui.  O STF, que fez parte do golpe, deu sustentação a Temer, bloqueou a candidatura de Lula, deu respaldo à candidatura de Bolsonaro,  e protege corruptos golpistas como Aécio Neves, recentemente pegou demônios de surpresa. Anulou todos os processos forjados no escritório do inferno de Curitiba. Lúcifer e Bolsonaro levaram um susto que quase caíram dos tronos. Não foi um sinal da presença de Deus, mas um terremoto na planície política.

     

    O pânico tomou conta da Esplanada. Deus pode surgir de repente num raio de luz e abrir um clarão nas trevas de Brasília.

     

    Ele pode estar com toda sua legião de anjos, com suas espadas da justiça em punho, com todas suas forças do bem, descer do céu azul de Brasília e dizer.

     

    – Aqui estou!

     

    Sou brasileiro!

     

    Fora Lúcifer!

     

    Fora Bolsonaro!

     

     

     

     

     

  • Moro, Dallangnol, os três do TFR-4, Temer Aécio e Cunha, vão para a mesma vala histórica

     

     

     

     

     

     

     

    Precisamos despertar a consciência de que vivemos no tempo histórico e que devemos ter a paciência revolucionária.

    Estamos vivendo, no Brasil, a hegemonia da “mediocridade ativa”, como dizia o mestre Oscar Niemeyer.

    Os provincianos magistrados, juiz Sérgio Moro, o procurador Dallangnol, e os três desembargadores do TFR-4, junto com Michel Temer, Aécio Neves, Eduardo Cunha, vão para a mesma vala histórica onde estão Carlos Lacerda, Castelo Branco, Médice e os outros ditadores militares, o delegado Fleury, Cabo Anselmo, os carrascos de Tiradentes, e inúmeros outros da mesma laia.

    O processo civilizatório é impiedoso com essas pessoas.

    O país vai se desenvolver, vai tornar-se uma grande nação democrática, construída por nós, com os nossos valores, queiram ou não.

    No vai e vem da história, o atraso tem soluços, mas sempre é vencido.

    Parece ingenuidade, mas não é. Estão pipocando coletivos de norte a sul do país, discutindo uma imensa diversidade de temas e problemas colocados pela conjuntura.

    É o momento de hibernação, de tecer o movimento nacional. Isso vai desaguar nas eleições deste ano, vai ganhar força e mobilizar a sociedade para um grande jornada de reconquistas e novas conquistas.

    Nossos antepassados, que lutaram pela democracia e por uma sociedade cidadã, justa e livre, nos passaram o bastão, e honramos o compromisso de construir um país melhor.

    Derrotamos uma ditadura, fizemos uma Constituição moderna, tivemos dois governos com avanços econômicos e sociais, interrompidos por outro golpe de Estado, desta vez, tendo o judiciário como ponto de lança para o retrocesso.

    Lembrem-se de Florestan Fernandes, Anísio Teixeira, Raimundo Faoro, Paulo Freire, Milton Santos, Brizola, Arraes, Darcy Ribeiro, Carlos Prestes, Mariguella, Chico Mendes, é tanta gente que no los puedo contar.

    Eles enfrentaram barras tão pesadas quanto nós e abriram um enorme clarão democrático.

    Nossos netos e bisnetos vão visitar este tempo histórico que vivemos e vão ver os juízes de Curitiba, Porto Alegre, os Ministros do Supremo Tribunal Federal, deputados e senadores golpistas, Michel Temer, como figuras injustas, atrasadas, desprezíveis, como nós os vemos hoje.

    Esse é o preço que essa gente pagará no futuro.

    A vala histórica dos estúpidos os espera.

  • Judiciário assume rédeas do golpe e age como ponta de lança do regime de exceção


    Foto: Lula Marques / AGPT

     

     

     

    Com o fracasso moral e econômico de Michel Temer e Henrique Meirelles, à frente do governo, mais a decadência institucional do Congresso Nacional, a banda política do judiciário e do Ministério Público age fora dos marcos  da lei e da Constituição, e assume as rédeas do golpe de Estado como ponta de lança do regime de exceção, com perseguições e prisões arbitrárias.

     

     

    Escolheram o ex-Presidente Lula como alvo definido politicamente e construíram a narrativa em parceria com setores da mídia, a fim de impedi-lo de disputar as eleições para a Presidência da República. Isso ficou claro desde a invasão de sua residência e condução coercitiva para depor à condenação sem  provas.

     

     

    A tal “teoria do domínio do fato”, em moda entre alguns procuradores e magistrados, é uma invenção rasa para justificar o alvo político.

     

     

    No início, atores da Operação Lava-jato estrearam vestidos de Os Intocáveis.

     

     

    Posaram para fotos patéticas em revistas, como pop stars, dizendo serem comandados por Eliot Ness, o lendário agente do Tesouro dos Estados Unidos, que atuou com base na “Lei Seca”, no combate ao contrabando de bebidas e à sonegação fiscal da máfia.

     

     

    Aliás, Moro chegou a se comparar a Eliot Ness, numa declaração à imprensa. Talvez sem saber que Ness morrera aos 54 anos, pobre e em desgraça pública, com sua reputação de integridade moral mergulhada na lama.

     

     

    Entre outros episódios lamentáveis, em 1942, dirigindo bêbado, Ness provocou um grave acidente e abandonou o local sem prestar socorro às vítimas.

     

     

    Agiu em outras ocasiões com atitudes e comportamentos indignos, que escondia sob a capa moral que ostentava nas operações policiais sob seu comando.

     

     

    Os atores da Lava-jato protagonizaram espetáculos grotescos de violação de direitos e das leis do país, para impressionar o público que tem sede de justiça.

     

     

    Prenderam e soltaram magnatas corruptos. Hoje vivendo em suas mansões, fumando seus charutos, tilintando taças, passeando em seus iates e aviões, como se a Lava-jato tivesse sido apenas um breve acidente de percurso em suas vidas.

     

     

    Não deram conta de sustentar a farsa. A Operação Lava-jato tornou-se o principal motor do golpe de Estado que derrubou a Presidenta Dilma, acusada de um crime que não cometeu, por deputados e senadores criminosos.

     

     

    Os principais atores da operação, no conluio que se estabeleceu com a imprensa oligárquica, foram premiados por donos de redes de TV, jornais, revistas, em cenas cinematográficas, por incrível que pareça, abraçados, rindo, com perigosas personas como Aécio Neves, Michel Temer, Geraldo Alkmin, João Roberto Marinho, e outros da mesma laia, sob aplausos de plateias ensandecidas.

     

     

    Moro, por exemplo, não cabia dentro do prazer mórbido que sentia nas homenagens da Globo, da revista Istoé, chamada no meio jornalístico de “Quanto é” ao lado de memoráveis bandidos como Aécio Neves e outros.

     

     

    Fizeram até um filme, com recursos de fontes misteriosas. Um fracasso de público. Foram publicados livros sobre o personagem principal da operação, o juiz Sérgio Moro, que encalharam nas livrarias, causando um enorme prejuízo para as editoras que apostaram no espetáculo.

     

     

    Diziam ser de mãos limpas, mas, com o andar da carruagem, descobriu-se que sob o manto da “justiça” escondiam personagens travestidos de juízes, de procuradores, de policiais, agindo fora dos marcos da lei e da Constituição do país, como grupos políticos articulados.

     

     

    Criaram códigos próprios, com a embalagem da “teoria do domínio do fato”, para fazerem o serviço sujo da política: perseguir e prender quem eles escolhiam.

     

     

    Isso, enquanto Michel Temer agia como gerente de interesses externos, em tenebrosas transações, na corretagem da venda do patrimônio público, na entrega do petróleo do pré-sal, na aprovação da lei da terceirização, da reforma trabalhista,  da previdência, no bloqueio dos investimentos públicos por 20 anos, afundava a economia e subtraia direitos dos trabalhadores, entre outros retrocessos civilizatórios.

     

     

    Uma grande fatia da população apostou alto no golpe, mas se deu conta do engodo a tempo. O tripé do golpe apodreceu. Com rejeição de mais de 90% da população, na opinião pública, Michel Temer e seu governo, acabaram no deserto de descrédito que os próprios atores do golpe criaram.

     

     

    Além disso, estão sem candidatos para disputar as eleições, sem propostas para tirar o país do caos e sem saber o que dizer no debate eleitoral .

     

     

    A mídia aliada, ancorada em vultosas verbas de publicidade do governo e de  anunciantes de grandes corporações empresariais, tornou-se o último reduto de defesa do golpe.

     

     

    É vergonhoso ver comentaristas, âncoras, repórteres, mentirem de cara limpa, como porta-vozes do conluio que se formou para dar sustentação à farsa.

     

     

    Ao mesmo tempo, vê escorrer pelo ralo a credibilidade e queda de níveis de audiência como nunca se viu.

     

     

    As demissões nas redes de TV, revistas e jornais não param.

     

     

    A última cena da operação acontece em Porto Alegre, no julgamento do ex-presidente Lula, o principal alvo da operação.

     

     

    Juristas nacionais e internacionais atestam que magistrados e procuradores agem fora da lei, da Constituição, do devido processo legal, e do estado democrático de direito.

     

     

    Construíram o processo a partir de “convicções pessoais”, sem levar em conta os fatos concretos que provam a inocência do ex-presidente Lula.

     

     

    Sendo o mais flagrante, a penhora do apartamento triplex, de Guarujá, objeto central do processo, pela juíza Luciana Correa Torres, do Distrito Federal, como bem da empresa OAS e não do ex-Presidente Lula, como acusa o juiz Sérgio Moro.

     

     

    A absoluta falta de prova  mostra que ex-Presidente Lula está sendo humilhado, açoitado num pelourinho, por carrascos encarnados em juízes, procuradores, policiais, jornalistas, de almas brancas, coloniais. Gente que sempre prestou serviços ao senhorio nacional e internacional.

     

     

     

    Não consideram que ninguém no Brasil, exceto o educador Paulo Freire, foi agraciado com tantos títulos de Doutor Honoris Causa, das mais importantes universidades do mundo, quanto o ex-Presidente Lula, como reconhecimento internacional por tudo que ele fez pela melhoria da vida de dezenas de milhões de pessoas, pela democracia, pela cidadania, pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento do país e pela paz entre os povos.

     

     

     

    No entanto, talvez nenhum ex-presidente da República Federativa do Brasil tenha sido tão desrespeitado, humilhado, achincalhado e injustiçado quanto ele, por juízes, procuradores, policiais e pela mídia senhorial.

     

     

    As razões de tudo isso vêm de raízes profundas, varando séculos, desde a colonização.

     

     

    É impossível olhar o Brasil e não ver na paisagem política os conflitos ancestrais crepitando na história. Uma história vermelha de sangue.

     

     

    Aqui se dizimou nações indígenas inteiras, escravizaram homens e mulheres negros, humilharam, violentaram, açoitaram, e os abandonaram à própria sorte, segregados.

     

     

    Torturaram, mataram, cortaram cabeças e salgaram corpos,  para aterrorizar quem ousasse se rebelar contra a dominação patronal e governamental.

     

     

    Felipe dos Santos foi uma das primeiras vítimas dos bárbaros, por lutar pela liberdade, pela independência do Brasil.

     

     

    Com pernas e braços amarrados  numa junta de cavalos bravios, foi arrastado pelas ruas de Vila Rica até partir o corpo em pedaços.

     

     

    Teve a cabeça decepada, exposta no paço, as partes do corpo salgadas e penduradas em árvores da estrada principal que dava na cidade.

     

     

    Enforcaram, cortaram a cabeça e esquartejaram Tiradentes, também por lutar por liberdade e independência do Brasil, salgaram as partes do corpo e penduraram em postes nas ruas de Vila Rica.

     

     

    O mesmo fizeram com Zumbi dos Palmares, Antônio Conselheiro, Lampião, cortaram as cabeças e expuseram em praças públicas.

     

     

    Esses são apenas alguns exemplos da extrema violência e opressão latentes no Brasil, que movem magistrados, forças armadas e policiais, na manutenção da ordem patronal e governamental, e impões ritos de humilhação nos tribunais-pelourinhos e cárceres espalhados pelo país.

     

     

    As castas do judiciário e do Ministério Público não admitem que um líder dos trabalhadores e das camadas mais pobres da população presida a República. Isso ficou ainda mais claro com a condenação do ex-Presidente Lula.

     

     

    Não respeitam a soberania popular expressa nas eleições que o elegeram duas vezes presidente da República com esmagadora maioria de votos e querem impedir que ele seja candidato.

     

     

    Como se ele fosse o inimigo público número um da elite branca patronal, um estrangeiro de classe, um usurpador, um “marginal”, que precisaria ser escorraçado da vida pública e mandado para a senzala, de volta para o chão de uma fábrica, vestido de macacão.

     

     

     

     

  • É a percepção do povo, estúpido!

     

     

    Diálogo num posto de gasolina:

     

    – Ponha vinte contos.

     

    – Cartão ou dinheiro?

     

    – Dinheiro. Não tenho mais cartão.

     

    – A gasolina tá cara, né?

     

    – Rapá! E o gás?

     

    – Tiraram a Dilma dizendo que ia melhorar, mas piorou! …

    Aqui no posto é carteira assinada?

     

    – Era. O patrão demitiu todo mundo. Agora a gente trabalha por hora.

     

    – Na padaria, onde eu trabalho, também. Até eu, padeiro, trabalho por hora.

     

    – Todo mundo aqui está recebendo metade do que recebia com carteira assinada. E não tem mais tiket alimentação, transporte, férias, décimo terceiro, aquelas coisas que tinham, né?

     

    – Voltou a escravidão.

     

    – Eu sou solteiro, me viro, mas já pensou quem tem mulher e filhos?

     

    – Meu patrão é mau. Vive gritando com a gente como se nós fossemos escravos. Só falta o chicote.

     

    – O meu, nem aqui vem. Ele tem 12 postos de gasolina. Botou um gerente que anota até o tempo que a gente vai ao banheiro. Desconta tudo. Chega no fim do dia a gente recebe sem saber quantas horas trabalhou.

     

    – Rapá! Lá na padaria também está assim. E se reclamar vai demitido. Tem hora que eu fico tão nervoso, revoltado, que me passa umas coisas malucas na cabeça.

     

    – É muita humilhação! A gente virou escravo mesmo. Não temos mais direitos. Tive que vender meu Monza. Meu ganho aqui caiu muito. A gasolina e o gás diapararam, e eu não estava conseguindo pagar conta de celular e as prestações.

     

    – Escravidão? Mate o patrão!

     

    – Tá doido, véi!

     

    – Não estou doido não.

    Hoje mesmo o gerente me chamou pra conversar. Disse que eu estou muito lerdo, que tem muita gente querendo meu lugar.

     

    Eu me matando de trabalhar, chego em casa morto de cansado, no dia seguinte pego dois ônibus, venho pra cá e fico ouvindo essas coisas do gerente o dia inteiro, ganhando uma miséria. Tem hora que dá vontade mesmo, de fuzilar.

     

    – Eu, tenho que chegar na padaria quatro horas da manhã, e é a mesma coisa: o patrão gritando comigo e me ameaçando.

    Tem hora que dá vontade mesmo.

     

    (*) O gerente grita com o frentista, manda ele encerrar o atendimento e o chama para lavar carro, no Lava-Jato.

     

     

    A gangorra política está se invertendo. O manto da mentira, que cobria o golpe de estado, se esfarrapou.

     

    A reforma trabalhista, a terceirização, e a perseguição implacável da “operação Lava-Jato” ao ex-Presidente Lula, parecem ser os fatores causadores do maior desgaste do golpe, na opinião pública, por baterem na porta das casas dos trabalhadores brasileiros como anúncio de empobrecimento, de roubo da renda e de direitos, e pelo fato de juízes e procuradores mergulharem a justiça no pântano da descrença nas instituições.

     

    A divulgação da folha de pagamento mostrando a corrupção de juízes, desembargadores e procuradores recebendo muito acima do teto salarial determinado por lei tem causado revolta e indignação na sociedade, e, evidentemente, a perda de confiança e respeito pela justiça, um dos mais preciosos bens da democracia.

     

    A demissão em massa, em todo o país, de quem tinha carteira de trabalho assinada, para contratação em regime de trabalho intermitente (por hora), está reduzindo drasticamente o ganho dos trabalhadores e bloqueando a mobilidade social.

     

    Enquanto isso, a mídia mente, afunda também no descrédito, dizendo que a economia está crescendo e o Brasil saindo da crise.

     

    Os órgãos que cuidam das informações oficiais, por sua vez, desmentem o noticiário.

     

    A construção civil, por exemplo, setor que mais emprega, teve uma queda neste ano de 6%, com demissão de 105 mil empregados. O setor de serviços, até outubro já havia acumulado queda de 3,4%. Na comparação do acumulado no ano até setembro de 2017 e igual período de 2016, a queda da indústria chega a 3,4%.

     

    As mentiras do juiz Sérgio Moro e do procurador Deltan Dallangnol também estão na praça, à luz do dia. A injustiça deles está nua. Ficaram claras a perseguição ao ex-Presidente Lula e a proteção a Aécio Neves, um dos principais conspiradores do golpe, e dos tucanos envolvidos em corrupção, todos impunes.

     

    A credibilidade da “operação Lava-Jato” e de Sérgio Moro estão ruindo, segundo pesquisa do Instituto Ipsos, enquanto o ex-Presidente Lula dispara na preferência do eleitorado, em todos os institutos de pesquisa, podendo ser eleito no primeiro turno das próximas eleições.

     

    É sintomático o fato de os magistrados do Tribunal Federal de Recursos (TRF-4) apressarem o julgamento do recurso do ex-Presidente Lula contra a decisão do juiz Sérgio Moro de condená-lo, sem provas, e marcarem para o próximo dia 24 de janeiro. Eles perceberam o desmoronamento da credibilidade da Lava-Jato.

     

     

     

     

    Outro fato relevante foi a atitude do procurador Deltan Dallangnol, que, por não conseguir nenhuma prova, recusou os recibos originais e periciados apresentados pelos advogados de defesa, de pagamento do aluguel de um apartamento que prova não ser o ex-presidente proprietário do imóvel.

     

    Por outro lado, as redações da grande mídia se desesperam. Recorrem ao estoque de mentiras e crueldades de autoridades da Lava-Jato para disseminar, dia e noite, ódio contra o ex-Presidente Lula, a fim de legitimar as ações de Moro e Dallangnol.

     

    Âncoras e comentaristas, nas telas, não se conformam e não conseguem conter a aflição ao verem a gangorra virar contra eles.

     

    Se fosse apenas um ou outro instituto de pesquisa que tivesse revelado a opinião pública e a avaliação política dos brasileiros sobre o golpe, a operação Lava-Jato e a preferência eleitoral para a próxima eleição, poderia até ser questionado.

     

    Mas são todos os institutos de pesquisa que demonstram claramente uma mudança rápida e radical da percepção da população sobre o que está acontecendo no Brasil.

     

    Por mais dinheiro que Temer tenha injetado nas grandes corporações de mídia, para garantir apoio ao golpe, a realidade se impõe e o povo percebe o jogo político.

     

    Os grupos Abril e Globo, por exemplo, andam mal, beirando o precipício, tendo que reduzir custos, mais uma vez, e demitir empregados.

     

    A revista encalha nas bancas e os telejornais despencam os índices de audiência.

     

    Algo parecido acontece com os livros sobre o juiz Sérgio Moro e a operação Lava-Jato, e com o filme “Polícia Federal – A Lei é Para Todos”: um fracasso.

     

    É a percepção do povo, estúpido!

  • Estado minimo é o roubo maximo

     

     

     

     

    A Câmara e o Senado, no vai e vem dos corredores e gabinetes, mais parecem um formigueiro, tomados por lobistas de grandes corporações empresariais, nacionais e estrangeiras.

    Nos ministérios, nos tribunais, em Brasília, a mesma coisa. Lobistas participam de reuniões para tratar dos mais variados assuntos de interesses privados dando as cartas.

    Nas cercanias da Praça dos Três Poderes e da Esplanada dos Ministérios, nos edifícios dos setores de Autarquia Norte e Sul, multiplicam-se e ampliam-se os escritórios de lobbys empresariais.

    Parece uma “tomada de Brasília”. Sempre existiram lobbys na cidade, mas atualmente o aumento da presença ostensiva e a desenvoltura dos agentes de interesses privados em ação nos órgãos públicos são visíveis e comentados.

    A cena mais marcante das incursões dos lobistas em Brasilia deu-se recentemente no Congresso, no dia da votação da Medida Provisória 775/17, que resultou na isenção fiscal de mais de 1 trilhão de reais às empresas estrangeiras que exploram petróleo e gás no Brasil.

    Identificado como Tiago de Moraes Vicente, o lobista da multinacional Shell agiu nos bastidores e orientou o relator da Medida Provisória, deputado Aelton Freitas (PR/MG), de forma acintosa, diante dos parlamentares no plenário, à luz do dia, numa ação considerada um ato de corrupção explícita, que causou revolta e indignação em deputados e senadores da oposição.

    Descobriu-se depois que o lobista da Shell é filiado ao PMDB e goza da intimidade de Michel Temer.

    Nas buscas e apreensões da Polícia Federal, na residência do “homem da mala”, Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial da Presidência, preso na época, foi encontrada uma carta da Shell, endereçada a Michel Temer, datada do dia 22 de março e assinada pelo lobista da empresa, Tiago de Moraes Vicente.

    Também em março,  o ministro de Comércio Exterior da Inglaterra, Greg Hands, esteve no Brasil para tratar de negócios e interesses  das empresas do seu país nas áreas de petróleo,  gás, mineração,  água, e mudanças na legislação ambiental, e foi recebido por autoridades brasileiras.

    Reuniu – se com autoridades do governo para tratar diretamente dos interesses das petroleiras Shell,  British Petroleum e de empresas de mineração, como quem veio da metrópole em missão na colônia.

    Essa ofensiva de agentes do neoliberalismo foi tratada pelo filósofo Dany-Robert Dufour e os sociólogos Frédéric Vandenberghe e Carlos Gutierrez em artigo no jornal francês Libération, intitulado “Brasil, o novo laboratório neoliberal”.

    Trata – se de uma análise assustadora sobre o que estão fazendo com o Brasil depois do golpe de Estado.

    O economista e professor Bresser Pereira e outros intelectuais e acadêmicos, também têm a mesma avaliação.

    Ou seja, o Brasil está passando por uma experiência de governança estabelecida pelas maiores corporações transnacionais em atividade no país, que vêem o Estado como empecilho aos negócios.

    A exploração dos recursos naturais abundantes, do país, de matérias primas, dos setores de serviços, depois  do congelamento dos investimentos públicos por 20 anos, mais a mão de obra barata, agravada com a reforma trabalhista e a terceirização, estão sendo retomadas como em tempos idos, coloniais.

    No plano institucional, é como se o Brasil estivesse sendo anexado às instituições e leis dos Estados Unidos e de outras nações que têm interesses e negócios aqui.

    A interação de setores do judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e das Forças Armadas, com órgãos governamentais dos Estados Unidos é fato. Mais a atuação de agentes de interesses externos no Palácio do Planalto, no Senado e na Câmara completam a governança.

    A reforma do Estado, iniciada nos governos Fernando Henrique Cardoso, que está sendo requentada no caldeirão de maldades do Palácio do Planalto vai além do Estado mínimo. Soberania zero.

    Segundo vozes das sombras do governo, a tal reforma será temperada com uma porção cavalar de marketing.

    A previsão é de aplausos da população, tendo em vista o aproveitamento da insatisfação dos cidadãos com a prestação dos serviços públicos e a justificativa de que a corrupção se combate com a redução do Estado ao mínimo.

    As paredes da Esplanada dos Ministérios estão vazando conversas de que haverá demissões em massa de servidores públicos em todos os poderes da República.

    A ideia é condicionar a estabilidade, os planos de carreira e aposentadorias, ao orçamento, à necessidade e à “qualidade” dos serviços prestados pelo Estado.

    Isso valeria para todos os servidores de todas as carreiras, de todos os Poderes da República,  para União, Estados e municípios.

    Recentemente, a aprovação do projeto de lei, no Senado, relatado pelo senador da base de Michel Temer, Lasier Martins (PSD/RS), que põe fim à estabilidade do servidor público da União, dos Estados e municípios, deixou servidores de todo o país em estado de alerta.

    Caso isso se efetive, estarão fadados à perseguições,  demissões, ou substituição por apadrinhados de políticos e de corporações empresariais.

    O poder das corporações que se estabeleceu no país está emitindo sinais de que não precisa de servidores públicos.

    Estão mostrando que os lobbys fazem tudo nos escritórios privados, espalhados ao redor da Esplanada, da Praça dos Três Poderes e entregam prontinho para as autoridades apenas assinar.

    Projetos de Lei, Emendas Constitucionais, Medidas Provisórias, pareceres, estudos, trabalhos especializados, a cargo das consultorias legislativas no Congresso, de gestores públicos do Executivo, funcionários do Judiciário, já são feitos pelos escritórios de lobbys, por consultorias privadas e escritórios de advocacia mantidos pelas corporações.

    Os lobistas estão passando por cima dos servidores públicos concursados, altamente qualificados para o exercício da função pública, credenciados pelo Estado e pela sociedade.

    Certas autoridades, por sua vez, têm se comportado como gerentes de interesses privados, externos, subordinados à governança de grandes corporações multinacionais.

     

    Na Câmara já existe um projeto de lei que regulamenta o trabalho dos lobistas, pronto para ser levado a votação.

    Caso aprovado, deixariam de atuar na clandestinidade e assumiriam, explicita e definitivamente, negociatas e temerosas transações das mega corporações, enquanto a pátria anda assim tão distraída.