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  • Sem perspectiva, PSDB se agarra em Temer

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    Luzes do Palácio do Jaburu varam noites, acesas. Temer parece não dormir, acuado e abatido por delatores, não apenas pelos da Odebrecht, mas por outros que ainda não se manifestaram.

    Eduardo Cunha, o mais temido, é um pote até aqui de mágoas, por ter sido abandonado no presídio de Curitiba, depois de tramar tantas com Temer à frente do PMDB e tê-lo conduzido ao Palácio do Planalto.

    Cunha pode fazer, a qualquer momento, a delação fatal. Ele não tem mais compromisso político com ninguém. A cela dissolve seus dias e a única possibilidade que lhe resta, para poder dormir em casa com uma tornozeleira, é fazer o acordo de delação.

    O “Centrão”, grupo criado por ele, na Câmara, com mais de 200 parlamentares, formado por maioria de gente do “baixo clero”, para dar sustentação a Temer e se defender da operação Lava-Jato está dando sinais de que abandonará o barco e apresentará candidato à presidência da Câmara, num outro arranjo político.

    Rodrigo Maia, que pelo Regimento Interno não poderia se reeleger, disse que vai recorrer à Mesa e à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara, para garantir politicamente sua candidatura à reeleição. A Câmara virou uma casa fora da lei.

    Por mais que os tucanos tentem segurar o governo, para cumprir a pauta privatista deles, tudo indica que o desgaste rebaixará ainda mais o partido na opinião pública, que anda muito mal nas pesquisas.

    Nos bastidores o clima é tenso. Na votação das dez medidas de combate à corrupção, na comissão, o PSDB roeu as cordas do acordo firmado para a aprovação do projeto. O relator, Onix Lorenzoni (DEM/RS), foi xingado de canalha aos berros por deputados tucanos.

    Por outro lado, Temer não representa ninguém, não tem governabilidade, e o PSDB está com seus candidatos (Aécio, Serra e Alkmin) liquidados por denúncias de corrupção, o que pode agravar ainda mais a situação do partido.

    A delação de Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, é a primeira. Faltam mais 75, mais do que o suficiente para botar abaixo a cúpula do governo.

    Mas o PSDB, o PMDB e outros partidos da base, contam com os passos de tartaruga do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal nas análises dos processos de prerrogativas de fórum privilegiado.

    Ligaram o “dane-se” e vão tocar o governo, como sinalizou Fernando Henrique Cardoso ao seu partido: que apoie Temer, mesmo com toda a carga de denúncias de corrupção, desmandos e rejeição da população a ele e ao golpe de Estado.

    Eles agora estão juntos no mesmo pântano e não estão nem aí. O PSDB não tem alternativa, na tempestade política, a não ser se agarrar em Temer. Os prováveis candidatos para 2018 estão liquidados.

    Apesar da dramática situação, delatados revelam que Temer não vai renunciar. Ele não abre mão do fórum privilegiado, conforma-se com a vida de interino decorativo, com o PSDB mandando e avançando na ocupação dos cargos estratégicos, enquanto tenta anular o acordo de delação da Odebrecht, por ter sido divulgado antes da assinatura.

    Rodrigo Janot suspendeu a delação de Leo Pinheiro, da OAS, recentemente, pelo mesmo motivo. Temer está apostando nisso. Janot andou dizendo que ia mandar investigar o vazamento.

    Mas ele e o Brasil sabem de muitos vazamentos divulgados pela imprensa antes da Presidenta Dilma ser afastada, mas não há notícia de investigação de nenhum deles. Seria por que foi útil para o golpe de Estado?

    A nomeação do deputado baiano Antônio Imbassay, para a Secretaria de Articulação Política da Presidência da República, também citado em delações na Lava-Jato, contrariando o “Centrão”, deve ter consequências danosas para a eleição dos sucessores de Renan Calheiros e Rodrigo Maia, no início do próximo ano.

    A nomeação é parte da estratégia de ocupação do governo pelos tucanos. Como não conseguem mais chegar ao poder por eleições diretas, eles estão aproveitando a oportunidade.

    A Casa Civil e o Ministério da Fazenda estão na mira dos tucanos. Mas, apesar de Elizeu Padilha estar liquidado pelas denúncias recentes, é possível que ele só saia junto com Temer, no caso de renúncia ou cassação no TSE, por serem velhos parceiros e por ser o que sobrou do núcleo duro do PMDB, dos conspiradores do golpe.

    Moreira Franco, além das graves denúncias do delator da Odebrecht, está na alça de mira de Cunha para ser abatido a qualquer momento.

     

    A reviravolta na opinião pública traduzida nas pesquisas divulgadas nos últimos dias, mostrou o índice de 51% de ruim e péssimo, 63% contra o golpe de Estado e 91% contra eleição indireta.

     

    A situação atual deve ser ainda mais negativa. A pesquisa não registrou o impacto das revelações da Odebrecht, por ter sido realizada antes da delação, e da tomada de consciência da população sobre a reforma da previdência.

     

    Eleições indiretas seriam outro golpe e o Brasil não suporta mais a decadência política e institucional combinadas com a depressão econômica.

     

    Temer, além de decorativo e subordinado ao PSDB e a grandes corporações nacionais e internacionais, deverá enfrentar processos por crime de corrupção no STF e provavelmente um processo por crime de responsabilidade no Congresso, que o “Centrão” pode segurar ou não nas comissões. Vai depender para onde vai o barco. Se para eleições diretas ou indiretas.

     

    As pesquisas de opinião revelam que a população quer definir a saída da crise e exige eleições diretas. Existe uma proposta de emenda constitucional, do deputado Miro Teixeira, que estabelece eleições diretas, caso Temer deixe o cargo. O governo está trabalhando para barrar a emenda no Congresso.

     

    Enquanto isso, o ex-presidente Lula dispara nas pesquisas e pode ser eleito no primeiro turno, em eleição direta. A cada pesquisa, os tucanos têm frios na barriga.

     

    Os altos índices de Lula parecem ser um sintoma de que a população finalmente está compreendendo o golpe de Estado e seus desdobramentos com alto índice de rejeição aos golpistas.

     

    O Ministério Público e o juiz Sérgio Moro correm para tornar Lula inelegível, forjando processos sem provas. Caso isso aconteça, será a desmoralização total das autoridades judiciárias, que entrará para a história.

     

    O início do próximo ano promete articulações para realização de uma grande campanha por eleições diretas que poderá isolar o governo.

     

    Uma campanha que agregue todos os setores e lideranças comprometidos com a democracia, algo parecido com a campanha das “Diretas já”, que envolveu sindicatos e outras entidades civis, governadores, prefeitos, vereadores, deputados, senadores, com uma pauta mínima de resgate da democracia e convocação da população à responsabilidade de participar da reconstrução nacional.

     

    Estão previstas grandes manifestações no início do ano com amplo debate e politização da sociedade.

     

    A tentativa dos golpistas de permanecerem no poder a qualquer custo agravando ainda mais a crise econômica e o desemprego, poderá desencadear um grande movimento cívico de renovação e resgate da política e da democracia.

     

    Só eleições diretas salva!

  • Cristo desceu silenciosamente na Praça dos Três Poderes em Brasília

     

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    Numa tarde lavada por chuva passageira, de sol brilhante e sombras compridas sobre os gramados de Brasília, surgiu ao longe, no céu azul entre torres de nuvens brancas, uma imagem incomum, se aproximou devagarinho, desceu silenciosamente na Praça dos Três Poderes até olhos revelarem ser Jesus Cristo, envolto numa aura de simplicidade, bondade e justiça.

    Ele continua lá, onipresente, observando tudo. Escolheu o Brasil como primeiro país do planeta para uma visita e Brasília para testemunhar a ruína institucional deixada pelo golpe de Estado.

    Cristo está inconformado com o desaparecimento, nessa praça, da palavra ÉTICA, não se fala mais nela, e com a ascensão da mediocridade aos píncaros dos poderes da República.

    E mais ainda com a cena recente protagonizada por Michel Temer, Renan Calheiros e Carmem Lúcia, presidentes dos três poderes, que segundo a imprensa, negociaram, por telefone, uma jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, de recusa de cumprimento de decisão judicial, em troca da aprovação de uma Emenda Constitucional (PEC/55), de Temer, que fecha as portas para a inclusão social dos mais pobres, por 20 anos e da retirada de pauta do polêmico projeto de lei que trata do abuso de autoridade.

    Comenta-se na praça que houve ação invisível do mercado, dos vendilhões do templo, que têm as autoridades da praça mais como gerentes de interesses inconfessáveis das grandes corporações empresariais e financeiras do que como defensores do interesse público.

    Ele ficou impressionado ao ver o PSDB usar e abusar do PMDB, para seus desígnios de forma tão vil, que vai da conspiração para o golpe de Estado à manutenção do decorativo Michel Temer, alçado à Presidência da República por um Congresso predominantemente de parlamentares corruptos.

    Entre os principais conspiradores, encontram-se Temer, que está no Palácio, mas com os dias contados, Cunha, no presídio, e Aécio, que continua dançando na desgraça do país, de rosto colado com o ‘justiceiro’ de Curitiba.

    Temer é tão fraco que sequer conseguiu se comportar como deveria diante da tragédia da Chapecoense.

    Anda deslumbrado com cerimônias palacianas ao lado da primeira dama Marcela, enquanto a economia passa da recessão à depressão e ele arca com o ônus da política dos tucanos.

    Por outro lado, o Judiciário tenta, politicamente, submeter os demais poderes da República e a sociedade ao Estado policial estabelecido, posando de vestal do combate à corrupção.

    Mas o país conhece muito bem o Judiciário. Sabe que é tão corrupto quanto os outros poderes. Venda de sentenças e abuso de autoridade fazem parte da história do judiciário.

    Cristo está horrorizado com a banda política do Ministério Público e da Justiça de olhos arregalados, seletiva, partidarizada, que utiliza argumentos falaciosos para condenações sem provas, como fizeram com ele há dois mil anos.

    Apesar do procurador Deltan Dallangnol ser um pregador do evangelho nas igrejas, Cristo não aprova a conduta dele nos trabalhos da Operação Lava-Jato.

    A “teoria do domínio do fato”, na qual o procurador se baseia para formular suas ações e o “uso de provas obtidas por meios ilícitos”, estão em desacordo com os princípios da justiça ensinados por ele aos seus discípulos e inscritos na bíblia sagrada.

    O que ele fez com o ex-Presidente Lula, com aquele famigerado PowePoint, sem nenhuma prova, está no caderno de anotações de Cristo.

    Com os artifícios utilizados pelo procurador, promove-se a injustiça. Há leis de sobra no Brasil para combater a corrupção, faltam procuradores e juízes de estatura ética à altura das missões, para investigar e fazer justiça de acordo com a Constituição e as leis do país.

    Cristo reprova também as paixões de Dallangnol, de ficar por aí em busca de palcos, câmeras e notoriedade. Um procurador da República, um magistrado, deve ser discreto, silencioso e justo. Procuradores e juízes foram escolhidos para servirem à sociedade com a promoção da justiça.

    Ele recomendou o mesmo ao juiz Sérgio Moro, que anda em relações políticas promíscuas com o PSDB, reveladas numa fotografia que vale mais que mil palavras, clicada numa cerimônia promovida pela revista Istoé.

    Na foto, Moro aparece ao lado de Aécio Neves, atrás de Temer, cochichando e rindo às gargalhadas, numa intimidade de quem conspira diariamente. A foto correu o mundo, nas mais importantes TVs, revistas e jornais.

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    Aécio Neves foi um dos articuladores do golpe de Estado e é o mais citado nas delações premiadas da Operação Lava-Jato, investigado no escândalo de Furnas. As imagens mostram que Moro não é um juiz, mas um militante político. Caiu a máscara.

    Mais constrangido Cristo ficou quando soube que juízes e procuradores que posam como vestais no combate à corrupção são beneficiários de mecanismos criados para subtrair dinheiro dos cofres públicos para agregar aos próprios vencimentos, formando ilegalmente supersalários acima do que determina o artigo 37 da Constituição.

    Alguns vencimentos chegam a R$ 200 mil, num país no qual o governo corta investimentos públicos em educação, saúde e outras áreas por 20 anos.

    Magistrados e procuradores reagiram contra o Senado por ter criado uma Comissão para estabelecer o teto salarial de acordo com a Constituição. A criação da Comissão se transformou num dos estopins da crise institucional.

    Cristo ficou perplexo também com a campanha desencadeada por procuradores liderados por Dallangnol contra o projeto de lei que visa conter o abuso de autoridade. O projeto afeta diretamente o Estado de exceção.

    Magistrados e procuradores querem imunidade absoluta a processos judiciais, mas todos são iguais perante a lei, é cláusula pétrea na Constituição, no céu e na terra.

    Ele sabe que a corrupção no Judiciário é uma velha conhecida. Da mesma forma, o abuso de autoridade. Juízes afastados da vida pública por corrupção, abuso de poder ou outros ilícitos, são premiados com gordas aposentadorias.

    Cristo destacou entre inúmeros casos de corrupção e abuso de autoridade, o mais recente e emblemático, do juiz Flávio Roberto de Souza, flagrado dirigindo um automóvel Ferrari, do empresário Eike Batista, apreendido por ordem do próprio juiz.

    A defesa alegou que um problema de saúde causado pela falta de irrigação adequada no cérebro do magistrado o impedia o magistrado de distinguir o que é certo e o que é errado.

    Mas, curiosamente, com a mesma falta de irrigação no cérebro, o juiz determinou a apreensão do veículo e o dirigia pelas ruas do Rio de Janeiro.

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    Cristo disse que o povo brasileiro está se mirando no espelho e que uma grande parte não está gostando do que vê, como se tudo que está acontecendo fosse novidade.

    O Congresso Nacional é um dos melhores espelhos do país. Foi se vendo nele que o Brasil entrou em delírio narcísico. Há identificação entre eleitor e representante parlamentar.

    Os votos são como pinceladas, ou pixels, se preferir, na formação da imagem da sociedade refletida.

    Os eleitores são responsáveis por seus votos e sabem que o Congresso Nacional sempre foi dominado pela corrupção do poder econômico e das oligarquias há séculos, mas fingem não saber.

    Cristo ficou impressionado com o ódio plantado no coração de manifestantes que apoiaram, nas ruas, a banda podre da política liderada por Eduardo Cunha, Michel Temer e Aécio Neves, para derrubar a Presidenta Dilma, uma mulher honesta, legitimamente eleita, que estava bancando as investigações contra a corrupção, para em seu lugar colocar os corruptos que usurparam o poder, que estão sendo investigados e que tentam estancar as investigações.

    Num patético teatro de rua, como se manipulados pelo “Sete Peles”, se voltam contra os mesmos parlamentares da banda podre do Congresso, que os próprios manifestantes aplaudiram e soltaram fogos, no dia do golpe de Estado, como se fossem verdadeiros heróis nacionais.

    Curiosamente, eles não bradam contra Temer, Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros políticos investigados na Lava-Jato, muito menos contra a PEC/55 e a reforma da previdência.

    Cristo não gostou de ver a política na vala de esgoto, atirada por gente do mal, aliada do “Encardido”, inimiga da democracia, que não admite a política como uma das maiores invenções da humanidade para evitar a violência, construir saídas de crises com diálogo e debate franco e honesto.

    Não há democracia sem política nem política sem democracia. São inseparáveis.

    Ao destruírem a política, para o golpe de Estado, desmoralizaram com as instituições, Presidência da República e Congresso Nacional, o poder mais soberano dos três, em razão dos vínculos estreitos com o povo pelo voto direto.

    Com isso abriram espaço para a tecnocracia judiciária, que tem poder de polícia, mas não tem voto, não representa a sociedade e, mesmo assim, tenta dar as cartas no jogo político.

    Cristo está observando a corrupção também no jornalismo da mídia oligárquica e nas mega redes sociais criadas para o golpe de Estado, que fazem a narrativa a partir dos interesses do poder econômico nacional e internacional, manipulando as informações e deformando a opinião de milhões de pessoas.

    As leva às ruas quando querem, com as palavras de ordem de um comando invisível.

    Cristo adverte que ele foi vítima dos ricos e poderosos, dos “Centuriões”, por defender os humildes, por condenar a ganância e expulsar os vendilhões do templo, por insurgir contra a dominação e a exploração dos desfavorecidos, por pregar a igualdade, a fraternidade, a liberdade e a justiça.

    Por isso foi preso, torturado e condenado à crucificação. Ele morreu pelos humildes, pelos ofendidos e humilhados.

    Defender a devolução da soberania ao povo para a responsabilidade pelas decisões do país, com realização de eleições diretas o mais urgente possível e a discussão de uma agenda política de curto para saída da crise política e econômica e aliviar os mais pobres do sofrimento, estão de  acordo com os ideais de Cristo.

    Ele disse que a única saída para a crise que levou o Brasil à ruína política e institucional em tão pouco tempo é pela democracia com um chamado à população para decidir qual destino quer dar para o país.

    Disse e se retirou apressadamente, com receio de que pudessem querer pegá-lo pra Cristo.

  • Depois da concessão do Parque da Água Mineral podem querer engarrafar e vender a água

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    O parque da Água Mineral, aquelas belas piscinas de águas cristalinas cercadas de matas galerias e animais, bastante conhecidas pelos habitantes de Brasília, muitos deles desde criança, está sendo entregue para exploração comercial.

    O ministro do Meio Ambiente, de Temer, Deputado Sarney Filho, divulgou edital de concessão do Parque Nacional de Brasília, nossa Água Mineral.

    Um bem público, uma reserva ambiental riquíssima a ser concedida a um empresário qualquer para exploração comercial pelo prazo de 20 anos. Outros parques nacionais também estão sendo entregues nas mesmas condições.

     

    O papo é o mesmo, a gramática, a mesma, “entregar porque o que é público não presta e porque a iniciativa privada é eficiente”.

     

    Por que não selecionam e treinam servidores públicos cidadãos para que sejam conscientes de que são servidores da sociedade cuidadores dos bens públicos?

     

    Porque querem explorar o mercado de serviços públicos com terceirizações e concessões. Querem ganhar dinheiro.

    A concessão do Parque Nacional de Brasília parte de uma premissa equivocada, a de que o Parque é uma mercadoria e por isso deve dar lucro para atender as pretensões empresariais.

    Não leva em consideração que a Água Mineral é um ambiente de lazer e de saúde preventiva de pessoas de todas as idades e classes sociais. A Água Mineral é democrática e faz muito bem ao povo de Brasília. A Água Mineral é nossa.

     

    O perigo da concessão é o próximo passo no processo de privatização. Daqui a 20 anos muita coisa pode acontecer. O Congresso pode aprovar uma lei de concessão da exploração da água, para que empresas possam engarrafar a água e vender, e aí, adeus Água Mineral. 

    Nossa Água Mineral é uma reserva com água limpíssima, potável, flora e fauna riquíssimas, com onças, lobos guará, antas, pacas, capivaras, mutuns, veados, tamanduás, saguis, macacos, queixadas, tatus canastra, papagaios, araras, e muitas outras espécies de animais e aves que se reproduzem em condições ambientais tranquilas.

    A exploração comercial deve ampliar as construções com novas lanchonetes, restaurantes, passeios ciclísticos pelas trilhas e outras atividades rentáveis com impactos ambientais imprevisíveis para a flora e a fauna.

    Tudo indica que a nossa Água Mineral será adaptada para atender ao turismo em Brasília e pessoas de classe média alta das proximidades do Parque, a chamada “gente diferenciada”, com a venda de ingressos a preços seletivos. Caso isso aconteça, as pessoas de rendas modestas terão dificuldade de acesso.

    Sarney Filho, quando foi ministro do Meio Ambiente do governo Fernando Henrique Cardoso, tentou fazer a concessão do Parque Nacional de Brasília, mas recuou diante da pressão dos frequentadores e dos movimentos ambientalistas.

     

    Na mesma época, o então deputado Luiz Estevão, presidente da Câmara Distrital, atualmente preso por corrupção, tentou passar o Parque para o Distrito Federal. Ele tinha outros interesses, que não interesse público.

     

    Fizemos um abraço na piscina, ganhamos a opinião pública, recuaram.

     

    Está na hora de mobilizarmos para fazer outro grande abraço na  piscina da Água Mineral em defesa do Parque Nacional de Brasília.

  • Temer ruiu, Aécio, Serra e Alckmin não servem mais para eleições

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    Aécio, Serra e Alckmin parecem ter se tornado fardos muito pesados para serem carregados, devido ao envolvimento deles em muitos escândalos, e por responderem a muitos processos na justiça. É possível que estejam sendo abandonados por não caberem mais na nova conjuntura política.

    Para refrescar a memória, no auge das manifestações do pessoal de camisas amarelas da CBF, convocadas com a ajuda de Aécio Neves, recém derrotado nas eleições de 2014, ele, José Serra, Aloysio Nunes Ferreira e Geraldo Alckmin, foram impedidos de subir em carros de som e enxotados da Avenida Paulista aos gritos de “fora corruptos!”.  São nomes que não inspiram mais segurança para disputar eleições presidenciais.

    A guerra entre eles está destruindo o PSDB e o governo de Michel Temer, que eles mesmos ajudaram a alçar ao poder com o golpe de Estado. Como a anistia ao “caixa dois”, que livraria tucanos e outros parlamentares dos processos está sendo descartada, tudo indica que eles também estão.

    A história pode estar tomando outro rumo, levando em consideração que as abstenções atingiram níveis inimagináveis nas eleições deste ano.

    Os editoriais do jornal Folha de S. Paulo, matérias da Rede Globo, da revista Veja, da Época e de outras empresas de imprensa, que sempre os apoiaram e tiveram, nos últimos dias, José Serra, Geraldo Alkmin e Aécio Neves estampados nas capas com denúncias gravíssimas de envolvimento deles em escândalos de corrupção, são sintomas de uma misteriosa mudança.

    É como se a mídia senhorial tivesse resolvido trabalhar na limpeza da área para colocar outros personagens no cenário político, da linha “gerentes e não políticos”, bordão em alta na opinião pública, a fim de tecer um novo arranjo de governo com mais presença do poder econômico-financeiro e tecnocrático no centro das grandes decisões do país.

    Temer também está sendo descartado por ter demonstrado, no curto período na Presidência da República, que não reúne as condições mínimas de governabilidade para construir a saída da crise política e econômica do país, agravadas ainda mais na gestão dele.

    O envolvimento direto de Temer no escândalo Geddel Vieira Lima e Eliseu Padilha, na prática criminosa de advocacia administrativa, denunciado pelo ex-ministro Marcelo Calero; a articulação da base do governo para aprovação da anistia ao “caixa dois” no Congresso Nacional; a desastrosa comunicação dele sobre os fatos relacionados à queda de Geddel, que se transformou em provas confessionais para o processo de imputação de crime de responsabilidade, em andamento no Ministério Público; o aparecimento recente de Eduardo Cunha com 41 perguntas devastadoras a Temer, nas investigações da Lava-Jato; são fatos que configuram um quadro fatal para o governo. Isso sem falar nas delações premiadas da Odebrecht que pode ser o apocalipse.

    Com a popularidade muito baixa e a perspectiva de que a rejeição a Temer se transforme em quase unanimidade nacional, principalmente com o agravamento da crise econômica e do desemprego, a base do governo, sustentada pelo “centrão”, pode migrar para outro arranjo político como sempre ocorreu no Congresso Nacional. Quem conhece a Casa sabe disso.

    Curiosamente, as gravações de Temer, Geddel e Padilha, envolveram dois ministros do PSDB: Marcelo Calero, da Cultura, e Alexandre de Moraes, da Justiça, a quem a Polícia Federal está subordinada.

    O Congresso não costuma dar sustentação a governos impopulares. Dilma foi a última vítima. Quando a destruição da imagem dela pela mídia golpista e pela oposição chegou a níveis perversos, aconteceu o efeito manada, abandono da base.

    Temer está diante de duas alternativas: renunciar ou ser destituído do governo. Ter o mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral no início do próximo ano, por crime eleitoral, ou, numa possível reviravolta no Congresso Nacional, ser cassado por crime de responsabilidade. O impeachment depende, evidentemente, das forças políticas organizadas para a transição a um suposto novo governo.

    Logo depois da queda de Geddel, Aécio correu para solidarizar-se com ele e pousou para fotos, deu declarações de apoio, sabendo que Geddel voltou para a Câmara e, como Romero Jucá, deve ser peça importante nas negociações com o “centrão”, essa ameba que pode se agarrar em qualquer ser vivo de plantão.

    Aécio está tentando dar os passos do avô, Tancredo Neves, que foi primeiro ministro, em direção à possível instituição do parlamentarismo no Brasil, já que não se elegeu por eleição direta. Mas, para eleição indireta, os nomes dos candidatos que estão na boca de parlamentares graduados no Congresso são Fernando Henrique Cardoso, Henrique Meireles e Tasso Jereissati. O dele não. É carta fora do baralho.

    A decisão se o Brasil terá regime parlamentarista ou não está nas mãos do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal.

    Surpreendentemente, o STF, em março deste ano, incluiu na pauta um mandado de segurança, que estava mofando no tribunal desde 1997. O mandado questiona a constitucionalidade de uma emenda constitucional, do ex-deputado Eduardo Jorge/PT, em tramitação no Congresso, que institui o regime parlamentarista.

    No entendimento do ex-deputado Jaques Wagner, líder da bancada do PT, na época, autor do mandado, depois de realizado o plebiscito previsto nas disposições transitórias, o regime de governo só poderá mudar com uma nova assembleia nacional constituinte, não poderá ser instituído por Emenda Constitucional. Para ele, as disposições transitórias cumpriram suas funções.

    Ou seja, a decisão se o Congresso pode ou não mudar o regime de governo por Emenda Constitucional, depende do STF.

    Fernando Henrique Cardosos, em viagem aos Estados Unidos, deve explicar ao império que os candidatos do seu partido não conseguem mais chegar ao poder por meio de eleição direta, que os três candidatos do PSDB, Alckmin, Serra e Aécio, que disputaram eleições com Lula e Dilma perderam todas as vezes, estão envolvidos em escândalos de corrupção, e que as únicas alternativas que restaram foram o golpe de Estado para derrubar Dilma, cassar a chapa Dilma/Temer, no TSE e, se o STF permitir, o regime parlamentarista. O PSDB conseguirá eleger o presidente da República somente por meio de eleição indireta e governar com o “Centrão” criado por Eduardo Cunha, que está preso por corrupção.

    Se nada disso acontecer, Lula ganhará em primeiro turno, em 2018.

     

     

     

     

  • O governo Temer desmanchou-se muito antes do esperado


    A CHARGE DE Conheça os cinco homens fortes que cercam Michel Temer

    Geddel foi escolhido para a Secretaria de Articulação Política do governo para tomar providências do tipo anistia aos Senadores (as) e Deputados (as) investigados na Lava-Jato, negociar cargos, verbas e negócios como o do edifício denunciado pelo ex-ministro da Cultura, Marcelo Calero.

    Quem conhece Geddel sabe que ele foi talhado para isso. E as promessas aos parlamentares que votaram no impeatchment foram essas.

    Porém, Geddel se deu mal. Calero gravou as conversas com ele, com Temer e Padilha e avisou ao Ministro da Justiça que tem a obrigação de divulgar o conteúdo das gravações sob pena de cometer crime de prevaricação.

    Ou seja, Temer prometeu aos parlamentares e não entregou.
    O governo desmanchou muito antes do que se esperava.

    Está confirmado: Temer é fraco, um presidente decorativo, rodeado de corruptos, acostumado à política do baixo clero, do toma lá, dá cá, não serve mais ao poder econômico porque não dá conta do recado e em franco processo de degradação. Deu.

    Aécio, Cunha e Temer sabotaram o governo Dilma durante dois anos com a conspiração para o golpe de Estado, enquanto o país afunda na crise econômica.

    Um bando de corruptos destituiu uma Presidenta honesta, legitimamente eleita, que garantiu a plena autonomia das instituições de fiscalização e controle, nas investigações dos escândalos de corrupção.

    Agora ficou claro porque conspiraram e deram o Golpe de Estado.
    Mas, se pedido o impeachment de Temer, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, com provas materiais, vai acatar o pedido ou vai arquivar?

    Se instalado o processo de impeachment, o mesmo Congresso que cassou o mandato de Dilma vai cassar o de Temer?

    E se a delação premiada da Oderbretch atingir mais de 200 deputados, esses mesmos deputados vão participar do processo de impeachment de Temer?

    Cunha está preso, Temer decorativo, e Aécio abandonado, entregue às feras, esperando sua vez.

    Está desenhado outro golpe. Tudo indica que desta vez, com eleição indireta em 2017, de um presidente para privatizar tudo quanto puder, e a instalação do parlamentarismo com um Congresso podre, corrupto, salvo as devidas exceções.

    Mas as ruas podem mudar tudo. Estão previstas grandes manifestações até o final do ano e nos primeiros meses do próximo ano.

  • A voz de Tolstoi ecoa até hoje

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    Outro dia revisitei a obra de Liev Nicolaevitch Tolstoi ( 1828-1910) e postei no Facebook um comentário sobre minha admiração pela vida e pela obra dele.

    Livros são vozes. Confesso que ele reacendeu em mim muitas coisas adormecidas. Duas delas:  o matuto que sou e uma saudade surda de mim. Mas que não me atrapalha. A gente se entende bem.

    Que pessoa humana extraordinária foi Tolstoi!

    Um príncipe russo que renunciou aos bens materiais para viver uma vida simples, sem posses, no campo, plantando o que necessitava para comer. Ele costurava as próprias roupas e fazia as próprias botas.

    Tolstoi simplesmente resolveu seguir radicalmente os ensinamentos de Jesus Cristo. Diziam que ele era um anarquista pacifista.

    Tornou-se um dos maiores escritores da história da literatura mundial.

    Na juventude, Tolstoi bebia muito, vivia jogando e em companhia de prostitutas. Após sua “conversão” à vida simples, como ele dizia, deixou de beber e fumar, tornou-se vegetariano.

    Tudo a ver com uma moçada de hoje que anda ligada na sustentabilidade, na redução do consumo, na vida simples e alimentação saudável.

    Tolstoi recusava a autoridade de qualquer governo organizado e de qualquer igreja, por considerá-las instituições a serviço da dominação: os mais ricos e proprietários sobre os pobres, trabalhadores e artesãos.

    Não aceitava também o direito à propriedade privada nem os tribunais e pregou o conceito de não-violência.
    Sua vida simples e suas ideias influenciaram Gandhi (1869-1948), com quem trocou algumas cartas.

    Tolstoi não acreditava em guerras e revoluções violentas como solução para quaisquer problemas, mas sim em revoluções morais individuais que levariam às verdadeiras mudanças.

    Ele era contra o militarismo e o serviço militar obrigatório. Era um pacifista.

    Abriu mão dos direitos autorais dos livros que escrevia para que sua obra pudesse chegar às pessoas mais simples.

    Apenas no momento em que precisou angariar fundos para transportar para o Canadá uma comunidade de camponeses perseguidos pelo governo, ele usou o dinheiro proveniente de sua obra.

    tolstoi

    Tolstoi era apaixonado por sua mulher, Sophia, e pelos filhos, mas, acostumada ao luxo e à riqueza, Sophia, que tinha o apoio dos filhos, não aceitou  a vida que o escritor levava.

    Sophia cobrava que Tolstoi lhe deixasse um testamento com os direitos autorais das obras. Mas ele não atendeu ao apelo de Sofia, fez um testamento secreto, passou os direitos autorais a um tolstoiano de nome Chertkov, que tornaria sua obra pública.

    Aos 82 anos, o grande escritor morreu no dia 20 de novembro de 1910, em Astapovo, provincia russa de Riazan.

    Como Tólstoi era uma pessoa carismática e muito conhecida, a notícia da morte dele correu o mundo. O trem funerário que transportou o corpo foi recebido por camponeses e operários que viviam próximos à propriedade de Tolstoi.

    O caixão foi seguido por uma multidão de aproximadamente 4 mil pessoas. Temendo que o cortejo se transformasse em grande manifestação, o governo de São Petesburgo proibiu o deslocamento de trens especiais de Moscou.

    Mas, como disse nosso Guimarães Rosa: “As pessoas não morrem, ficam encantadas.”

    Tenho saudade de livros.

    (*) A obra dele é vasta, destaco apenas três livros que são referências na literatura mundial: Ana Karenina e Guerra e Paz e A Morte de Ivan Ilyich.

  • Quando você dança, a África ferve dentro de você

    Haitians dance under a sacred ceibo tree called Lisa as they participate in a Voodoo ritual on the third day of the annual week-long gathering in the Souvenance community, April 1, 2013. Hundreds of Haitians participate in the ceremonies which begin the Saturday before Easter in Souvenance, where descendants of the people of Dahomey, a former kingdom in what is now present-day Benin, show their devotion to their ancestors and various lwa, or spirits, This third day of ceremonies represents their journey back to Africa. Picture taken April 1, 2013. REUTERS/Marie Arago (HAITI - Tags: SOCIETY RELIGION)

    Há aproximadamente 160 mil anos, surgiu no continente africano o homo sapiens. De lá, os habitantes se espalharam e formaram os primeiros núcleos urbanos em vários cantos do mundo.

    No século XVII, escravos levados da África resistiram, não se deixaram destruir, espalharam sua arte, sua cultura e tradições por todos os continentes. Nos séculos XIX, XX e XXI,  a cultura africana ganhou mais força, passou a influenciar o mundo.

    A influência mais forte veio da música. Nos EUA, os africanos nos deram o blues, o rock, o jazz, o funk e muitas outras formas de expressão.

    Na América Central e Caribe, uma profusão de ritmos: salsa, mambo, merengue, reggae e outros, com Cuba comandando a festa, na batida repetitiva da percussão, na cadência de tambores pulsantes.

    Na América do Sul, da mesma forma, o Brasil desponta com o samba e tantos outros ritmos enraizados, derivados e espalhados pelo  vasto país, por comunidades africanas.

    Essa onda percorre a Colômbia, a Venezuela, as guianas, o Peru, o Paraguai, o Uruguai, vai até a Argentina reger os passos sedutores dos casais com a marcação do tango.

    E não para por aí. Ligados os sentidos e os movimentos, percebe-se que na estrutura  da música popular moderna predomina a  estética africana.

    O mais impressionante é a preservação dos ritmos  mântricos, que chacoalham o corpo sem parar, no transe, na busca da transcendência.

    As raízes estão nos centros de busca de conforto espiritual, de crenças religiosas africanas. No rock, no blues, no mambo, no samba, no tango, lá estão os ritmos repetitivos, os mantras. Basta se deixar levar pela força.

    Não é a gente que dança a música. É a música que dança a gente.

  • Amanhã vai ser outro dia

    Abaixo a ditadura povo no poder

    Quem fez os movimentos dos anos 1960 e 1970 foi a Escola Pública.

    O Cinema Novo, o Tropicalismo, o teatro de Zé Celso Martinez Correa, Cacilda Becker, as inovações na Literatura, nas Artes Plásticas, o debate nas universidades e o movimento estudantil que levou centenas de milhares de pessoas às ruas em defesa da democracia, são filhos da Escola Pública.

    O golpe civil-militar de 1964 foi articulado no Brasil, em parceria com a CIA, como está provado, para barrar as Reformas de Base (Educação, cultura, saúde, agrária, trabalhista em favor dos trabalhadores, e outras)  e todos os movimentos democráticos.

    Que não se esqueça disso.

    Em 2016, outro golpe de Estado surgiu, também, dos setores mais conservadores da sociedade brasileira para barrar as conquistas democráticas e as políticas públicas de inclusão social e de apoio à cultura.

    Os investimentos em educação saíram de R$ 33,3  bilhões, em 2003, para R$ 117 bilhões, em 2015. E muitos outros dados positivos que a grande maioria da população desconhece.

    A cultura está na Constituição brasileira como um bem e um direito de todo cidadão, assim como a Educação.

    A partir de 2003, ganhou status de política pública de Estado. O orçamento saltou de R$ 359 milhões para R$ 3,3 bilhões em 2015, com meta de realização de 150 filmes por ano, entre outras coisas.

    Os cortes de investimentos públicos, o ataque aos currículos escolares e aos órgão e mecanismos de fruição da cultura são para asfixiar os movimentos.

    Eles têm medo da liberdade. Eles não gostam da democracia.

    ocupacao-escolas

    Por essas e outras, todo apoio ao movimento estudantil, às ocupações, ao movimento de professores de todas as categorias do ensino, em todo o Brasil, e ao movimento cultural.

  • As mina da beirada da piscina

    agua-mineral

    Atraído pela íris do olhar felino de uma delas, entrei para a roda de risos fáceis e prosas emendadas. Arriei minha mochila e encostei. Onde tem mimos, abraços e beijos fartos, viro gato de pensão, enrosco, só largo quando troveja.

    Na roda, sou tratado como um paxá. Olha, trouxe uma pamonha pra nós. Quer um pedacinho? Vai um gole de café? Hoje eu trouxe cuscuz, quer? Granola, tapioca, bolo, pão de queijo, maçã cortada, tangerina, manga, é tanta coisa que parece um setor de engorda da Água Mineral. Mas ninguém engorda.

    Acostumei-me tanto que o dia que chego para nadar e não tropeço no pé de uma cadeira de alumínio no meio do caminho, na beira da piscina, o céu não acende a luz.

    Mas quando chego, atravesso  o portal dos quadros de avisos, aquele do lado do bebedouro, olho à esquerda, por entre as folhas das palmeirinhas, vejo as cadeiras coloridas, enfileiradas, quase fechando a passagem de quem vai para a fonte pegar água, e elas sentadinhas de olhos fechados tomando o primeiro sol da manhã, digo pra mim mesmo: um pedaço da minha felicidade de hoje está  garantido.

    São tão doces que tem hora que ao redor delas parece um formigueiro, de tanta gente dando uma bicada no lanche, tomando um gole de café, fazendo uma graça, contando uma piada, jogando um galanteio, alguns até repetem piada. A vibração delas é tão forte que raramente alguém passa sem abanar a mão, sem dizer: oi, bom dia!

    Aquele cantinho parece um tear onde se tece a felicidade. Depois a gente a veste e sai por aí pelos dias da vida.

    Salve as mina da beirada da piscina da Água Mineral!

  • Folha, Istoé e Alexandre Garcia estão nus

    imprensa-marrom

    A matéria da Folha na qual o jornal afirma que Lula foi beneficiado por uma empreiteira na reforma de uma piscina foi desmascarada.

    Inicialmente circulou a notícia de que a obra foi  “na piscina de Lula”. Tentaram formar marotamente a opinião pública no sentido de que a obra foi feita no tal sítio “de Lula” em Atibaia, já desmentido.  Depois descobriu-se que a piscina é do Palácio da Alvorada, portanto, um edifício público.

    Os repórteres Pedro Dias Leite e Eduardo Escolese, da própria Folha,  fizeram matéria, em 07/04/2006, com o título “Lula reabre Alvorada e sugere nova reforma” que trata da reforma da piscina. Uma contradição espantosa do jornal. Esse foi o mico do final da semana.

    Alexandre Garcia foi desmentido por ele mesmo. Ele mentiu na TV ao dizer que Lula era proprietário de uma mansão em Punta Del Este e se retratou recentemente para não levar um processo.

    A revista Istoé saiu com uma de que Lula recebeu 1 milhão de reais de uma empreiteira,  em dinheiro vivo. Como é possível estampar uma afirmação dessa, na capa da revista, sem nenhuma prova?

    Na mesma linha, eu poderia estampar, no meu Blog, que os repórteres de Istoé Débora Bergamasco, Mário Simas Filho e Sérgio Padellas, receberam  1 milhão de reais para fazer matéria  de capa envolvendo o ex-presidente Lula em escândalos de propinas de empreiteiras?

    Diferentemente, a denúncia de que o ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebeu em contas de bancos na Suíça  23 milhões de reais, é dinheiro na conta. Portanto, prova material.

    Michel Temer também é acusado de ter recebido cheque da empreiteira Andrade Gutierrez, no valor de 1 milhão de reais. Outra prova material.

    No entanto, esses dois casos foram misturados no turbilhão do noticiário que desaparece todos os dias no túnel do tempo.

    Aliás, as denúncias contra Lula mais parecem uma cortina de fumaça para esconder as de Temer e Serra.

    O editor da revista e os repórteres, se não viram ainda, deveriam ver o filme Spotlight, para, pelo menos, terem uma aula de como se faz jornalismo.

    No filme, repórteres e editor tinham vários indícios de casos de pedofilia envolvendo clérigos da igreja católica nos Estados Unidos, mas o jornal não publicou matéria porque não tinha prova. Passaram seis anos investigando até chegarem às provas. Só depois das provas incontestes a matéria foi publicada.

    Aqui, jornalistas sem ética e sem escrúpulos metem manchetes garrafais e textos ficcionais a torto e a direito com informações falsas sobre a vida de pessoas e, na maioria das vezes, fica por isso mesmo. Ainda bem que Lula processou a Istoé e a Folha.

    Salvo as devidas excessões, esse é o “jornalismo” que os brasileiros têm todos os dias nas telas, no rádio e no papel. Uma barbárie.

    Será que os fatos concretos à luz do dia não bastam? É preciso inventar e trapacear o leitor, o ouvinte ou o telespectador? Isso é corrupção.

    Quando é que teremos um jornalismo feito somente por pessoas éticas, honestas, responsáveis, comprometidas com a democracia e com a civilização da sociedade, para que possamos construir um país melhor, um mundo melhor?

    O jornalismo é um serviço público tão importante quanto a educação. Por isso devemos lutar para que seja exercido com base nos valores da democracia com  respeito aos direitos humanos.