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  • A coragem dos marinheiros nas grandes navegações

    Partida Bartolomeu Dias

    Gosto muito de livros de aventuras pelos mares.
    Tenho profunda admiração pelos marinheiros, pela coragem e atrevimento deles ao enfrentarem o mar.

    Dois livros atiçaram ainda mais em mim essa paixão: “1421 o Ano em que a China Descobriu o Mundo”, do engenheiro naval especialista em mapas, Gavin Menzies, chinês de nascimento e britânico por opção, e “Sagres – A revolução Estratégica”, do engenheiro civil e escritor Luiz Fernando da Silva Pinto, professor da Fundação Getúlio Vargas.

    1421 conta a viagem em torno da terra, feita pela maior esquadra naval da época, composta por 20 barcos chineses de até 150  metros de comprimento, construídos com as mais bem selecionadas madeiras e junco.

    A viagem, capitaneada por almirantes eunucos, bancada pelo imperador Zhu Di, durou mais de dois anos. Voltaram apenas dois barcos para contar a história.

    Quando a tripulação chegou, encontrou outro imperador, que havia derrubado Zhu Di. Os navios apodreceram no cais e os registros foram perdidos.

    Gavin visitou 120 países e 900 museus durante 15 anos numa pesquisa exaustiva, para concluir que os chineses foram os primeiros a dar a volta ao mundo.

    Na Universidade de Princeton ele descobriu o mapa mais antigo do mundo e foi com esse mapa que ele chegou à conclusão de que os chineses aportaram na costa da América 70 anos antes de Cristóvão Colombo e um século antes de Fernão de Magalhães.

    Sagres narra a construção da escola, que já conhecia a bússola, o astrolábio e o quadrante, mas enfrentava o desafio de manter os barcos no mar, na direção que queria.

    Quem dava a direção aos barcos eram os ventos, por causa do tipo de velas, de tecido comum, arqueadas.

    Eis que a Escola de Sagres, depois de vários experimentos, chegou à vela triangular.

    Lançadas as embarcações ao mar, os marinheiros as manejavam de tal forma que a embarcação ia na direção desejada.

    Foi com a vela triangular que os ibéricos conseguiram atravessar o Oceano Atlântico, se aportarem nas Américas, contornaram a África e chegaram à Índia, à China e a outros cantos do mundo.

    Para completar a história,  canções praieiras de Dorival Caimmy louvam a beleza e a coragem  dos povos do mar,

    https://www.youtube.com/watch?v=oH7_ath5x-I&t=1821s

  • Ministro Edson Fachin tem oportunidade histórica

     

    Edson Fachin

     

    “Quem pensa pequeno fica pequeno e faz coisas pequenas. Quem pensa grande fica grande e realiza coisas grandiosas”. Assim disse certa vez o deputado Ulysses Guimarães, que foi às ruas na campanha por eleições diretas e presidiu o Congresso Constituinte, que deu ao país a “Constituição Cidadã “, como ele a denominou, com direitos e garantias individuais e coletivas para assentar a democracia.

    Poucos homens ou mulheres, no exercício de funções públicas de graduação elevada, têm oportunidades e vontade política de realizar trabalhos grandiosos para transformação da sociedade quanto, particularmente nesse momento, teriam o ministro Edson Fachin, o procurador Rodrigo Janot e o juiz Sérgio Moro, com suas respectivas equipes, no combate à corrupção.

    Mas, na indigência institucional em que se encontra o país, devastado pelo golpe de Estado, a pequenez de autoridades judiciárias e policiais se destacou no cenário político ao usarem, de forma abusiva, funções de alta confiança da sociedade para fins políticos.

    Rodrigo Janot, por exemplo, parece não ter mesmo estatura para missões grandiosas. Submete-se a arroubos de procuradores como Deltran Dallangnol, com sua compulsão por notoriedade, e sua mal ajambrada tese da “teoria do domínio do fato”, exposta num PowerPoint para promover acusações, sem provas, e embarca na onda midiática contra o ex-presidente Lula, mesmo tendo a famigerada tese sido contestada internacionalmente pelo próprio autor, o jurista alemão, Claus Roxin e muitos respeitados colegiados de juristas mundo afora.

    Juntamente com o Juiz Sérgio Moro, se enredaram na política rasteira e nos mimos da mídia, feitos popstars da sociedade do espetáculo, ao invés de se ancorarem no direito, nas garantias constitucionais, tão valiosos para a referência de justiça e construção da nação.

    Janot e Moro tiveram a oportunidade de realizar um trabalho de vulto histórico em que a Justiça fosse exercida na sua plenitude como esteio da democracia e não como instrumento de perseguição política como está acontecendo com o ex-presidente Lula e com o Partido dos Trabalhadores.

    Moro, com seu provincianismo, foi visto deslumbrado quando recebeu o prêmio das Organizações Globo, das mãos sujas de Roberto Marinho, que admitiu publicamente o apoio à ditadura criminosa. Da mesma forma, quando recebeu da revista Istoé, foi flagrado trocando intimidades alegremente com Aécio Neves, e também ao lado de Michel Temer, Geraldo Alkmin e outros políticos delatados na operação Lava-Jato.

    Na esteira da decadência institucional causada pelo golpe de Estado, o Supremo Tribunal Federal atingiu um dos mais baixos índices de aprovação de sua história, por ter se omitido ou tomado decisões flagrantemente favoráveis ao processo de impeachment da ex-presidente Dilma e ao estabelecimento de um governo ilegítimo; por se curvar ao réu, Senador Renan Calheiros, à época presidente do Senado, no episódio da sucessão presidencial, e outras questões que expuseram a pequenez e o acuamento do STF diante de políticos corruptos.

    Como relator dos processos de investigação do maior número de políticos graúdos, de uma só vez, na história do Brasil, o ministro Edson Facchin tem a rara oportunidade de realizar um trabalho que orgulharia Raymundo Faoro, Sobral Pinto, Evandro Lins e Silva, e muitos outros grandes juristas brasileiros que dormem o sono eterno.

    Enfim, Edson Fachin devia se livrar do “baixo clero do judiciário”, romper definitivamente com os golpistas, honrar a toga do STF, fazer justiça, e, quem sabe, dar sua contribuição para que este julgamento entre para a história, fazendo-se digno de uma grande nação.

  • Os esteios de Temer estão ruindo

     

    Brasília - DF, 13/09/2016 POLITICA Presidente Michel Temer durante reunião do conselho do PPI no Palacio do Planalto NA FOTO NA FOTO Moreira Franco, Secretario Executivo do Programa de Parcerias e Investimentos, Temer e Eliseu Padilha ( Casa Civil) Foto: Beto Barata/PR

    Dois dos mais importantes esteios do governo Michel Temer ruíram: Eliseu Padilha e José Serra. Outro, Moreira Franco, o “Gato Angorá”, segundo a empreiteira Odebretch, está por um fio.

    Moreira Franco conseguiu o foro privilegiado com a nomeação ao cargo de ministro por Temer, mas não escapará de Eduardo Cunha, que guarda mágoas viscerais dele, por ele ter articulado a cassação de Cunha na Câmara junto com Eliseu Padilha.

    Cunha foi eleito presidente da Câmara com a compra de 140 deputados com dinheiro vivo, conforme denúncia do melhor amigo de Temer, José Yunes, à revista Veja. Ou seja o golpe foi comprado.

    Dizem que, do presídio, Eduardo Cunha emplacou o ministro da Justiça, Osmar Serraglio, evidentemente para ajudar a enterrar a Lava-Jato, plano maior de Temer.

    No ano passado, Serraglio saiu em defesa de Eduardo Cunha, queria a “Anistia” dele,  por ele ter conseguido o impeatchment de Dilma.

    Serraglio foi presidente da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, da Câmara dos Deputados, bancado na época por Eduardo Cunha. Eles são muito amigos e companheiros de tramas. Serraglio visitou Cunha na prisão. Deve ter saído de lá pronto para assumir a pasta.

    Temer trabalha praticamente em dedicação exclusiva para enterrar as investigações e salvar os amigos. É o que lhe restou do golpe.

    As manifestações e greves que estão sendo preparadas para depois do carnaval podem liquidar de vez com ele e seu governo.

  • O compasso do tempo no oco do mundo

    Quando a barra do dia começava a vermelhar atrás dos morros, no silêncio da manhã, logo se ouvia ecoar ao longe: tem.. tem.. tem… tem… tem… Era Jesuíno Ferreiro de marreta na bigorna, cigarrão de palha no canto da boca, olhos esbugalhados, avental de couro surrado, trabalhando na forja, derretendo ferro no braseiro soprado com o fole, fazendo ferraduras para os cavalos.

    No ar, o cheiro do café no bule sobre a chapa quente e a fumaça das chaminés das casas tingindo o céu, dando sinais de vida.

    Sábado, dia de feira e de entrega das encomendas, na frente da oficina, os cavaleiros cravavam as ferraduras nas patas dos animais.

    Calçados de ferro, era hora de experimentar a novidade dando voltas  nas ruelas e na pracinha de chão batido.  Os cavaleiros mudavam até a pose na montaria. Queriam ouvir o tinido das ferraduras e exibir, felizes, para as moças, os cavalos de sapatos novos. Quem sabe motivo para uma conversa? Da conversa um namoro, do namoro um casamento?

    À noite, na estrada, de volta para casa, no tropel viageiro, as ferraduras nas patas dos animais tiravam faíscas das pedras, riscando o breu.

    No dia seguinte, quando vermelhava a barra do dia atrás dos morros: tem… tem… tem… tem… tem… assim era  o compasso do tempo no oco do mundo.

  • Serra saiu de fininho

    Serra

     

    O pedido de demissão de José Serra, do cargo de ministro das Relações Exteriores, alegando problemas na coluna, não convenceu muita gente que o conhece de perto, em Brasília.

    Ele volta para o Senado, mas lá a intensidade da agenda de trabalho não é muito diferente do Itamaraty.

    Há hipótese de que a volta faz parte de um plano político que visa posicionar-se melhor na volátil conjuntura política para eventual candidatura à Presidência da República.

    Muito experiente, Serra deve ter percebido que Temer, para dentro do governo e do Congresso, vai muito bem com a entrega do que foi prometido aos golpistas, mas na opinião pública está desabando, com perspectiva de sucumbir rapidamente.

    Caso Michel Temer seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral ou o Supremo Tribunal Federal resolva tornarem públicas as delações premiadas, haverá grande reboliço e novo arranjo de forças políticas para as eleições. Isso é inevitável.

    São nesses momentos que surgem as candidaturas, que podem se firmar ou não. Vai depender, evidentemente, da capacidade de articulação de quem deseja o posto.

    Mesmo afundado na lama da Lava-Jato, tendo que explicar os R$ 23 milhões que a Odebretch disse ter depositados numa conta dele num banco na Suíça, em 2010, quando foi candidato à Presidência da República, quem conhece José Serra de perto sabe de sua velha e desmedida ambição pelo poder, que é o motor de sua vida pública.

    Pode ser também que esses R$ 23 milhões da campanha de 2010 não dê em nada. A Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal podem estar construindo entendimento de que as investigações da Lava-Jato devam fazer um corte, não deixar chegar a 2010, e que essa montanha de dinheiro não tem nada a ver com a Petrobras.

    Ele está enrolado também no escândalo do metrô de São Paulo. Mas os políticos tucanos têm tratamento diferenciado no judiciário. Eduardo Azeredo, ex-presidente do PSDB, por exemplo, foi condenado em primeira instância, no conhecido escândalo “mensalão do PSDB”, entrou com recurso e aguarda até o final dos tempos o novo julgamento em liberdade. Não se fala mais nesse assunto.

    O PSDB está muito mal nas pesquisas de opinião pública e as possíveis candidaturas na lama.

    Geraldo Alkmin está citado na Lava-Jato e enredado no escândalo do metrô e da merenda escolar, mas não parece preocupado com isso.

    Aécio, um dos conspiradores do golpe de Estado, está liquidado moralmente e politicamente. Parece ter perdido o trem para sempre. Vai depender, evidentemente, de como será tratado pelos magistrados.

    Serra é muito amigo do ministro das comunicações Gilberto Kassab, presidente do PSD, que, no apagar das luzes, no ano passado, montou uma operação para passar aproximadamente R$ 105 bilhões, segundo o Tribunal de Contas da União, às concessionárias de telefonia (Oi, Vivo, Claro, Algar e Sercomtel), em troca de uma promessa de investimento em banda larga.

    Uma ação entre amigos de confiança, digamos. Ou seja, Serra é muito ligado ao setor de telecomunicações desde quando as empresas estatais foram privatizadas, no governo Fernando Henrique.

    Ele tem amigo, partido e provavelmente dinheiro para a campanha. Se quiser, ele pode deixar o PSDB e ir para o PSD.

    Mas o fator que deve ter pesado mais na decisão de José Serra de deixar o Itamaraty foram os muitos NÃOS recebidos em tentativas de agendas com autoridades estrangeiras. A grande maioria das agendas era com funcionários, numa demonstração de desprestígio. Isso virou folclore no Itamaraty.

    A ilegitimidade do governo de Michel Temer tem causado dificuldades na política externa do Brasil. Esfriaram muito as relações.

    A gota dágua pode ter sido a decisão do Parlamento do Mercosul, de manter a Venezuela no Mercosul. A investida de Serra pela exclusão foi derrotada por unanimidade. Até a direita da Venezuela votou contra ele.

    O golpe de Estado consumado no Brasil teve um forte repercussão internacional. Não é comentado publicamente por autoridades de países desenvolvidos, de democracia avançada, mas nos gabinetes de chefes de Estado, a portas fechadas, a conversa é outra.

    Os políticos e magistrados rastaqueras que agiram com ilusão de que estavam conspirando para o golpe de Estado entre quatro paredes, não mediram as consequências nem os danos institucionais que seriam causados nas relações do país com as demais  nações.

    Agora estão se dando conta do isolamento enfrentado pelo Brasil. Um isolamento que só será recuperado com eleições diretas e um governo legítimo.

    Serra está saindo de fininho. Certamente o problema de coluna existe, mas pode ter sido usado como pretexto. Ele sabe que o governo está com os dias contados.

  • Temer foi reduzido a despachante do PSDB

    FHC e Temer

    Temer foi reduzido a um mero despachante do PSDB. O PSDB governa, mas não assume.

    Dentro do governo, Temer é um sucesso. Ele faz tudo direitinho, cumpre a agenda do programa do PSDB, sob comandos de Aécio Neves, José Serra e Fernando Henrique Cardoso.

    Formou a maior base de apoio parlamentar de que se tem notícia, a troco de cargos e dinheiro público, e toca, no Congresso Nacional, em ritmo alucinante, a pauta de votações  da reforma da previdência, trabalhista e de entrega do petróleo do Pré-Sal, de grandes extensões de terras a estrangeiros, terras raras, ricas em água, minério, como o nióbio, pedras preciosas e madeira, para que façam o que quiserem.

    Os banqueiros estão com cavalos na sombra, rindo à toa, com  lucros astronômicos multiplicados com escorchantes taxas de juros cobradas sobre títulos públicos. Afinal, quem comanda o Ministério da Fazenda e preside o Banco Central são dois banqueiros: Henrique Meirelles e Ilan Goldfajn.

    Fora do governo Temer afunda na opinião pública, enredado no desmonte das investigações, no desastre econômico, na subtração de direitos e entrega do patrimônio público. Mas ele não está nem aí.

    A operação para livrar tucanos graúdos, pemedebista e demos, dos processos que estão no Supremo Tribunal Federal, já resultou na retirada de Sarney das mãos do juiz Sérgio Moro e colocado no STF, o tribunal que se curvou ao réu Renan Calheiros.

    Temer enfiou o advogado Alexandre de Moraes no cargo de ministro do STF, como relator revisor dos processos, e advoga a tese com ministros do STF de que a montanha de dinheiro que foi para os cofres do PMDB, PSDB, DEM e de outros partidos da base do governo, é “dinheiro limpo”, contribuição para campanha eleitoral, e que propina é outra coisa.

    A movimentação nos bastidores indicam que está tudo combinado. A tese é de que, se o dinheiro estiver registrado no Tribunal Superior Eleitoral, todos estarão salvos dos processos no STF. O registro das contribuições de campanha são feitos no TSE.

    O presidente do TSE é o ministro Gilmar Mendes, colocado no STF por Fernando Henrique Cardoso, flagrado por fotógrafos em reuniões clandestinas com Temer, no Palácio do Jaburu, na trama do golpe de Estado com Eduardo Cunha.

    Para o PSDB, que apareceu em situação deplorável nas últimas pesquisas, é o melhor dos mundos. Governar na sombra, com um despachante que faz tudo que o partido quer e ainda ganha como cortesia a narrativa NOVELIZADA da imprensa dos barões da mídia de que o governo Temer vai de vento em poupa rumo ao paraíso.

     

  • Woody Guthrie e a máquina de matar fascista

     

    Woody Guthrie

     

     

    O texto é de Luiz Clementino

    (*) Fotógrafo

     

     

    Significado de música extraído da internet:

    “A música é uma manifestação artística e cultural de um povo, em determinada época ou região. A música é um veículo usado para expressar os sentimentos.”

                                                                        ****************   

         Haja visto que, no universo de suas variações, a música nos acalma, nos levanta para luta, nos prepara para o amor, nos conduz à dança, nos faz lembrar de lugares e amores de antanho, melhora consideravelmente o ambiente.

    Ou seja, de acordo com a combinação de ritmo, harmonia e melodia, essa arte nos conduz a sensações diversificadas. E quando o poema “denúncia ou protesta”, é musicado com talento e sentimento, a coisa toma proporções gigantescas, tem maior penetração e envolvimento. O fato é que, inúmeros artistas embrenharam por essa trilha de desacordo social, criando grandes canções, que se tornaram verdadeiros hinos de autoajuda e superação, marcando época e encantando a todos nós, que não vivemos sem música.

    Para se ter ideia do que estamos falando, vejam o cântico “Get up Stand up”, composição em ritmo dos tambores da MÃE ÁFRICA, do maravilhoso filho de JAH, o jamaicano BOB MARLEY.  Realizada na década de 70, se transformou em um hino para a etnias excluídas e maltratadas do planeta,  “levante, resista, lute pelos seus direitos, não desista, lute pelos seus direitos”.

    Outro grande poeta do sertão JOÃO DO VALE, vendo as agruras e as injustiças sociais que sofria seu povo, onde crianças pereciam de inanição e subnutrição no semiárido, esbravejava cantando em versos na canção Carcará: “ o caracará pega mata e come, num vai morrer de fome, mais coragem que homem…”.

    Agora, dentre tantos outros, que atuam neste contexto, houve um cara também fascinante. Nascido nos USA, vivenciou a grande depressão dos anos 20. Escritor, poeta, cantor e músico, cantava em sindicatos, com os retirantes oprimidos, dedicando toda sua vida contra as desigualdades sociais de seu país.  Em seu violão estava escrito: “máquina de matar Fascista”, seu nome WOODY GUTHRIE.

    Sua biografia:

     Woodrow Wilson “Woody” Guthrie (Okemah14 de julho de 1912 — Nova Iorque3 de outubro de 1967) foi um cantor compositor americano de folk music. Seu legado musical é composto por centenas de músicas, baladas e obras improvisadas que abrangem desde temas políticos, músicas tradicionais até canções infantis. Guthrie tocava frequentemente com sua guitarra que possui o slogan “This machine kills fascists” (“Esta máquina mata fascistas“).

    Guthrie viajou com trabalhadores migrantes de Oklahoma para a Califórnia e aprendeu canções de folk blues tradicionais. Suas canções contam suas experiências na Dust Bowl durante a Grande Depressão, fazendo com que ele ganhasse o apelido de “O trovador Dust Bowl (*) Guthrie foi associado a grupos comunistas nos Estados Unidos, mas nunca tornou-se membro do movimento comunista.

    (*) Designa-se por Dust Bowl um fenómeno climático de tempestade de areia que ocorreu nos Estados Unidos na década de 1930 e que durou quase dez anos. Foi um desastre económico e ambiental que afetou severamente boa parte dos Estados Unidos da América naquela altura.

     

    O fato é que, WOODY GUTHRIE, foi uma base sólida para o desenvolvimento da nata do folk moderno norte-americano. Esse gênero musical ganhou uma potente estrutura de contestação social graças ao trabalho desse trovador, cuja música, tutelava aqueles que não tinham voz na sociedade americana da época, como negros, caipiras, e retirantes, em um tempo em que a segregação social era fortíssima.

    Grandes nomes como PETER SEEGER, JACK ELLIOTT, JOAN BAEZ e, também, um jovem de olhos azuis que ficou tão fascinado com  WOODY GUTHRIE que decidiu largar tudo em sua cidade natal e foi em seu encalço. Desde então BOB DYLAN não teve mais dúvidas que direção tomar em sua prolixa carreira artística. Calcou o mesmo rumo do ” Trovador Dust Bowl”.

    Outra coisa, dois soberbos livros sobre retirantes de seu torrão natal, AS VINHAS DA IRA, de John Steinbeck, ou VIDAS SECAS, de Graciliano Ramos, são representativos para a famosa canção folclórica  “This Land Is Your Land”.  Ambas obras expressam a dor e as dificuldades de famílias pobres expulsas pela seca e por dificuldades econômicas. Escrita em 1940 ouçam:

     Esta terra é sua terra, esta terra é minha terra…

             https://www.youtube.com/watch?v=XaI5IRuS2aE&list=PLw9LHJQG82Hnv_kzvBoPTV1-      hA7c8X6UF&index=5

             GUTHRIE escreveu milhares de páginas de poemas e prosas não publicados, como também uma autobiografia , Bound for Glory , adaptada para o cinema em 1976, direção de Hal Ashby e interpretado por David Carradine.  Trailer:

    https://www.youtube.com/watch?v=gNled6wh18c

    Esse andarilho rebelde e destemido foi um dos artistas folk mais importantes do século passado. O hino “This Land Is Your Land“, é regularmente cantado nas escolas americanas. Muitas de suas músicas estão arquivadas na Biblioteca do Congresso, nos Estados Unidos. Até hoje artistas de todas as nações, lhe prestam tributos. Honras póstumas, prêmios e homenagens lhe são conferidos em todo o mundo. Foi um cara admirável!

    No final da vida, já não conseguia tocar devido a uma doença degenerativa, hospitalizado era visitado constantemente por músicos consagrados, que se achavam devedores de uma grande dívida com WOODY GUTHRIE.

    Em 1962, em seu primeiro álbum, BOB DYLAN compôs uma canção em homenagem a GUTHRIE, onde escrevia:

    Eu estou a milhares de milhas de casa,
    caminhando pela mesma estrada que o outro homem já passou.
    Estou vendo o seu mundo de pessoas e coisas,
    de indigentes e camponesas, princesas e reis.

    Hey, hey Woodie Guthrie, eu escrevi uma canção
    sobre um engraçado e antigo mundo em que estou a passar…

    Estou cantando, mas não consigo cantar o suficiente

    Porque não existem muitos homens que fizeram as mesmas coisas que você. ”  

     

    https://www.youtube.com/watch?v=_R49BmdUiWw    gravação de estudio

     

    https://www.youtube.com/watch?v=UgRzkoScuF4    Versão ao vivo 

    WOODY GUTHRIE se tornou lenda, sinônimo de uma plenitude altruísta, fez de sua arte um sacerdócio a favor dos direitos humanos. Uma fábula sobre o triunfo do humanismo e da fraternidade!

    https://www.youtube.com/watch?v=UlbLs_bvimU

     

     

  • Que ódio eles têm de Lula!

    lula-com-menino

    Foi só Lula disparar nas pesquisas para 2018, os tubarões da mídia oligárquica sacaram suas manchetes do submundo da notícia e as estamparam, em letras garrafais, nas capas de jornais e revistas.

    A foto da capa da revista Istoé, popularmente conhecida em Brasília pelo nome de “Quantoé”, contra Lula, já denuncia a própria revista. A cara do sujeito que faz a denúncia mirabolante parece um caso clínico. A foto, produzida, é muito clichê. O figurino do rapaz e o pacote de papéis na mão dispensam comentários.

    O jornal Folha de S. Paulo também entrou no combate. Produziu uma matéria muito baixo nível, baseada em blá…blá…blá… de umas tais fontes anônimas, típicas desses momentos. A repórter foi desmascarada pela assessoria de imprensa do Instituto Lula, que publicou a troca de e-mails entre a Folha e o Instituto.

    Que ódio eles têm de Lula, hein?

    Agora então, que o governo Temer rola ladeira abaixo na opinião pública, junto com o Congresso, Sérgio Moro e o Supremo Tribunal Federal, e Lula mostra que tem sete fôlegos, como gato, eles se desesperam e apelam.

    Todas as testemunhas arroladas para depor nos três processos abertos pelo juiz Sérgio Moro inocentaram Lula. Os processos  caíram no vazio. Sem provas não há como condena-lo.

    Com a reforma da previdência e trabalhista, no Congresso, o desgaste aumentará ainda mais. Ocupações e vigílias como a da Avenida Paulista vão se multiplicar por todo o país, para denunciar os parlamentares favoráveis as reformas e o governo.

    Aí é que Lula vai disparar. Ele devia visitar as ocupações e as vigílias e apoiar a luta do povo.

    Já que não estão conseguindo incrimina-lo via Sérgio Moro, todo cuidado é pouco. A segurança dele precisa ser reforçada. Essa gente pode querer mata-lo.

  • Uma grande empresa de midia alternativa a isso que está aí é possivel.

    Estou cada vez mais convencido de que temos que criar nossa própria imprensa, alternativa a essa coisa que está  aí.

     

    Hoje a Folha estampa um editorial que se posiciona favorável à decisão do ministro Celso de Melo, do STF, que concedeu foro privilegiado a Moreira Franco, delatado na Lava-Jato.

     

    Temos que arranjar um jeito de unificar sites, blogs, rádios e TVs Web,  numa grande redação, com equipes de bons repórteres, bons intérpretes dos fatos e dos movimentos da sociedade, com boas editorias de economia, política, arte, cultura, enfim. uma corporação de mídia cidadã. E os deixemos com o lixo deles.

     

    Uma corporação mantida por contribuição fixa de pessoas que querem uma mídia comprometida com a transformação da sociedade.

     

    Os ingleses foram capazes de criar a BBC, que é mantida por contribuições de cidadãos. Eles pagam taxas de energia, água, telefone, e pagam também a informação, cultura, arte e entretenimento.

     

    A BBC tem um orçamento de US$ 12 bilhões.

    Eles fazem filmes longa metragem, documentários, mega reportagens.

     

    Isso é possível.

  • “Chega de basta!”

     

     

    Temer e quadrillha

     

     

     

    Com esse e outros slogans,  bem humorados, o ator, roteirista e dramaturgo, J. Pingo tentou se eleger deputado federal por Brasília, logo após a Constituinte, em 1989, talvez cansado de bradar tanto “Basta”, na luta contra a ditadura.

    Pingo, falecido em 2012, certamente diria, hoje: “Basta de lamentação!”  “Todos às ruas!”. Ninguém aguenta mais a decadência e a inércia do país depois do golpe.

    Ficou claro como a luz do dia, que a operação Lava-Jato foi criada para destruir Lula, o PT, e derrubar Dilma. Agora, corruptos e autoridades judiciárias tilintam taças e talheres em pomposos jantares nos palácios de Brasília, e armam o desmonte das investigações.

    O governo do usurpador Michel Temer já vai longe, se aproveita do vácuo da ressaca do golpe, e, em parceria com ampla maioria de parlamentares corruptos do Congresso Nacional, impõe ao país uma estúpida agenda do PSDB, de subtração de direitos dos trabalhadores e entrega do patrimônio público nacional.

    Leva o Brasil à degeneração institucional, política e moral, a uma crise econômica e social gravíssimas, que podem precipitar uma rebelião social histórica.

    A promiscuidade se estabeleceu sem o menor pudor, entre políticos, magistrados, procuradores, o próprio usurpador Michel Temer, ministros, parlamentares investigados e réus, que ocupam cargos na alta cúpula do governo, nas presidências da Câmara, do Senado e de importantes comissões das casas.

    A cúpula do governo arquitetou uma desavergonhada operação para desmontar as investigações em curso e proteger políticos corruptos que conspiraram para o golpe de Estado. Temer teme Eduardo Cunha e se comporta como office boy do PSDB no governo.

    moro-aecio-temer-alckmin

     

    O Ministro da justiça, Alexandre de Moraes, a pedido de Temer, teve, como primeira missão após a posse, ir a Curitiba para uma conversa com o juiz Sérgio Moro. Não se sabe o que combinaram.

    No final do ano passado, por ter se tornado réu, o Senador Renan Calheiros foi afastado da presidência do Senado pelo Supremo Tribunal Federal. Dias depois, o mesmo tribunal, sob a presidência da ministra Carmem Lúcia, se curvou ao réu, Renan Calheiros, e lhe devolveu o posto.

    O ministro Gilmar Mendes, do STF, segundo a imprensa, participou de reuniões, na calada da noite, no Palácio do Jaburu, com o usurpador Michel Temer, mais autoridades delatadas, investigadas, e rés, em processos da operação Lava-Jato. Também não se sabe o que combinaram.

    Após uma negociação que causou mau cheiro em toda a Praça dos Três Poderes, em Brasília, o deputado Rodrigo Maia, DEM/RJ, delatado, por ter recebido R$ 1 milhão em propina, foi eleito presidente da Câmara dos Deputados, em primeiro turno.

    O Senador Eunício Oliveira, PMDB/CE, também delatado nas investigações por receber gordas propinas, foi eleito, com esmagadora maioria, presidente do Senado da República.

    Michel Temer nomeou Moreira Franco ministro, na cara dura, para lhe dar foro privilegiado, tirar o processo das mãos do juiz Sérgio Moro e passar para o ministro Edson Fachin, relator no STF.

    Indicado por Temer, para ocupar o cargo de ministro da Suprema Corte, na função de relator-revisor da Operação Lava-Jato, Alexandre de Moraes andou flutuando num luxuoso barco, no Lago Paranoá, em Brasília, em um jantar a bordo com políticos de reputação conhecida nas páginas policiais, para pedir apoio à sua candidatura ao STF. Não se sabe o que combinaram.

    O Procurador-Geral, Rodrigo Janot, abre inquérito contra o Senador Romero Jucá e, dias depois, segundo a imprensa, é flagrado almoçando com ele num restaurante, em Brasília. Não se sabe o que combinaram.

    Jucá & Janot

    Romero Jucá, num telefonema gravado, em conversa com outro réu, Sérgio Machado, ex-presidente da Petrobras Distribuidora, disse, dias antes do golpe, que os caciques do PMDB teriam que derrubar Dilma para estancar as investigações.

    Delegados da Polícia Federal são afastados da força tarefa que investiga corrupção das autoridades da cúpula do governo e transferidos para outros estados da Federação.

    A associação dos delegados se rebelou, de forma corporativa, quer a saída do atual diretor e impor um novo dirigente à diretoria da Polícia Federal, que não se sabe a quem servirá. Comenta-se, nos bastidores, que o novo diretor seria uma indicação do Senador Aécio Neves, o parlamentar mais delatado na operação Lava-Jato.

    Sérgio Moro, procuradores e policiais federais, desconsideram o trabalho dos advogados de defesa e continuam a caçada a Lula. Tentam, sem provas, condená-lo e impedi-lo de candidatar-se novamente à presidência da República. Na estratégia da Lava-Jato, tudo indica que a missão de Moro é essa.

    Enquanto isso, a ordem social se esgarça, a violência explode nos presídios e nas ruas, quase três centena de mortos, presos decapitados, 144 mortos nas ruas de cidades do Espírito Santo, na greve de policiais, ou seja, um conflito com perspectiva de se alastrar por todo o país ao longo do ano. Um ano de demissões em massa de trabalhadores.

    A degeneração institucional avança e atinge setores da segurança pública. A ordem social está por um fio. Funcionários públicos das forças armadas e policiais quando rompem a hierarquia e a disciplina viram bandos armados.

    Ao mesmo tempo parece que o país anda hipnotizado pela mídia, assistindo à barbárie saltar das telas a borbotões e invadir casas e ruas, enquanto a imprensa senhorial NOVELIZA o governo, a tragédia, e esteriliza reações usando o medo como poderosa arma imobilizadora da sociedade.

    “Chega de basta!”

    Bem que o ano de 2017 poderia se transformar num ano de virada. Os dedos deviam desgrudar dos teclados, os olhos da TV, e núcleos de mobilização da sociedade se multiplicarem numa grande campanha por eleições diretas, para, enfim, retomar o país das mãos de tão podres poderes.

    Afinal, o povo é responsável pelos destinos do próprio país. Os movimentos sociais aprovaram um calendário de mobilização para este ano. Vamos à luta!

    Frente Brasil Popular atualiza plataforma política e convoca jornadas para 2017

    “Mais vale um pingo de esperança do que um mar de lama!”  

    J. Pingo.