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  • Nóis é jeca, mais é jóia. É nóis!

    “Não dou like para textos escritos com erros gramaticais”, escreveu o professor universitário de artes plásticas ao comentar o post de uma amiga no Facebook. 

    E disse mais, “escrevo e falo em português castiço.” Curiosamente, outras pessoas o seguiram nos comentários com um “eu também!”.” Como se isso fosse território que os separa dos incultos. Um rompante típico de certas pessoas da classe média de crachá. 

    A amiga simplesmente foi “cancelada”, como se diz hoje. Ou seja, o que ela expressou não vale nada. Vale a higiene do texto, o “português castiço” aprendido nas escolas reservadas aos bem-nascidos. Não leva em consideração a condição social da amiga, a provável precariedade do ensino oferecido aos de baixo.

    “Português castiço”, do qual o professor tanto se orgulha, significa “de casta, próprio para reproduzir a raça e a casta”. Provavelmente o professor não sabe que a língua portuguesa é filha do denominado “latim vulgar” falado no dia a dia do povo analfabeto, artífices, trabalhadores rurais, escravos, marinheiros, soldados, enfim, moradores oriundos de províncias da região central da atual Itália, de onde foi levado para a península ibérica, e do galego, da região ocidental de Portugal.

    A palavra você, por exemplo, já foi Vossa Mercê, Vomicê. Hoje, já estão dicionarizadas as formas Ocê e Cê.

    Exatamente por isso é uma língua viva, rica, democrática, aberta a mudanças, sujeita a variações diversas e frequentes. O português falado no Brasil tornou-se ainda mais rico com as contribuições dos povos africanos e indígenas, do falar na labuta cotidiana, sem o rigor léxico do “português castiço”. Mas, certas pessoas da classe média de crachá insistem em nega-lo. Um dizer intolerável na casta separatista.

    Por falar ou escrever diferente da “norma culta”, pessoas vítimas de preconceito linguístico são julgadas, humilhadas, discriminadas, sofrem assédio moral, danos psicológicos graves por se comunicarem numa linguagem de menor prestígio social.

    O professor, linguista e filólogo Marcos Bagno, combate o preconceito linguístico e todo juízo de valor negativo de reprovação, de repulsa ou mesmo de desrespeito a quem fala e escreve deferente.

    Esse debate esquentou quando os governos Lula e Dilma abriram as portas de escolas e universidades para que a população mais pobre tivesse acesso ao ensino. 

    Isso abalou as estruturas do andar de cima e a intolerância ganhou ainda mais força. Certas pessoas da classe média de crachá, do alto do seu sapato Luiz XV, atacaram o governo com críticas agressivas, defendendo a meritocracia, reprovando a política de cotas e a democratização do acesso à educação formal.

    Recentemente, a reedição da obra da escritora brasileira Carolina de Jesus, pela editora Companhia das Letras, trouxe novamente à ribalta a discussão sobre preconceito linguístico. 

    Por escrever do seu jeito, à revelia do padrão da “norma culta”, ou seja, com “erros gramaticais”, surgiu um impasse entre os editores: fazer revisão nos textos ou publicar a obra na forma original? Depois de longa discussão, decidiu-se publicar exatamente como a autora escreveu. Alguns torceram o nariz, outros aplaudiram.

    Considerada uma das mais importantes escritoras do país, Carolina de Jesus viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo, sustentando seus três filhos como catadora de papel.

    Com apenas dois anos de ensino formal, Carolina de Jesus se tornou um fenômeno literário. Sua obra foi reconhecida internacionalmente por críticos de vários países, pela força de sua narrativa e pelo primor literário. 

    Carolina de Jesus e sua obra foram capas de revistas no Brasil, no exterior, e destaque em documentário da TV alemã. Seu livro, Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada, publicado em 1960, chegou a ser traduzido para catorze línguas.

    O professor, mais conhecido pela falta de pendor artístico, que humilhou publicamente a colega de Facebook, provavelmente se privará de ler a obra de Carolina de Jesus, por não ter sido escrita em “português castiço”. Não deve ter lido autores como Guimarães Rosa, Manoel de Barros e outros do mesmo naipe, pelo mesmo motivo.

  • Cachorro fluorescente e disputa por proteína com o ser humano


    A criação de coelhos fluorecentes, com técnicas da transgenia, por cientistas turcos, em 2016, chamou atenção do mundo para a possibilidades disso acontecer com outras espécies, como cães é gatos.

    As regiões mais profundas dos oceanos habitam espécies fluorescentes devido a absoluta falta de luz. E foi lá que os cientista foram buscar um gen da medusa, para cruzar com o coelho.

    Cientistas franceses já cogitam criar cães e gatos também fluorescentes. Em breve podemos ver pessoas passeando à noite com seus cachorros verdes, luminosas.

    Ooutro problema do mundo cão é a ameaça ao ser humano pelo rápido crescimento da população de animais domésticos.

    O Brasil tem a terceira maior população de animais domésticos do mundo: 139,3 milhões, segundo o censo do Instituto Pet Brasil. 

    A disputa entre humanos e animais domésticos por proteína acendeu a luz amarela, devido ao rápido crescimento da população dos felinos.

    Para alimentar os bichos de estimação, o Brasil tem que ampliar as áreas de produção de alimentos agropecuários, principalmente soja e gado, para atender a demanda.

    Significa mais desmatamento e mais danos ambientais. Não se fala nisso.

  • O paraíso dos malandros de gravata e capital é aqui.

    É assim:

    Quando tem fuga de capitais para negócios em outras paragens ou para depositar em offshore em paraísos fiscais, o dinheiro sai em dólar. O dólar sobe porque tem demanda.

    As grandes empresas, principalmente do agronegócio e da mineração, aproveitam, exportam em dólar e ganham fortunas.

    O grande empresariado, banqueiros, costumam ter empresas e contas em paraísos fiscais não só para seus negócios, mas para deixar o dinheiro na sombra, longe da cobrança de impostos.

    Para “conter a alta do dólar” o Banco Central pega dólar das nossas reservas e vende no mercado. O dólar baixa.

    Os malandros compram dólar na baixa e vendem na alta. Com isso, nossas reservas estão sendo transferidas para os especuladores num num vai e vem que só eles ganham.

    No final das contas, o povo vai ao supermercado e dá de cara com os preços nas alturas e com a inflação, por causa do dólar que inside nos preço dos combustíveis no transporte das mercadorias, de insumos importados para produção agrícola, enfim.

    Troca seu dinheirinho suado, desvalorizado, pelas compras e realimenta a cadeia da especulação.

    Enquanto isso, tem gente na fila do osso, passando fome, morando na rua.

    (*) O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, banqueiro, tem contas em paraísos fiscais, uma delas com US$ 81 milhões. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, também.

    O paraíso dos bandidos de gravata e capital é aqui.

  • “Teje preso!”

    No dia 7 de setembro podemos ver preso o primeiro presidente da República da nossa história. Seria um fato marcante na construção da nossa nação democrática.

    O roteiro da possível prisão de Bolsonaro foi dado pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF, em artigo no jornal Folha de S. Paulo, no domingo passado, caso o presidente avance na tentativa de golpe de Estado.

    No texto, Lewandowski relaciona todos os possíveis crimes com os respectivos artigos da Constituição e da legislação vigente, demonstrando a gravidade dos atos praticados.

    As notas do agronegócio, dos banqueiros e dos industriais, divulgadas recentemente, são um basta, uma prova de que o poder econômico quer o descarte do “mito”, e se somam ao coro dos descontentes, dos que não suportam mais o vandalismo contra a democracia e o país.

    Evidentemente não assinaram notas sem respaldo de militares de alto coturno, dos governadores, que estão enquadrando as forças policiais com previsão de punições exemplares a quem desobedecer os regimentos das corporações. Essas coisas costumam ser bem articuladas.

    O desastre do governo Bolsonaro e seu parceiro Paulo Guedes está colocando em risco os patrimônios empresariais. Fuga de capitais, crise de energia e alta de tarifas, quebra de cadeias produtivas, desemprego estrutural, queda da renda e do poder de compra, inédito grau de inadimplência da população, alta de juros, do dólar, com prejuízos imensos para quem importa insumos, incertezas no planejamento de investimentos, enfim, a economia afunda e o governo não fala em nenhum projeto para tirar o país da crise.

    O grande capital quer Bolsonaro e Paulo Guedes fora, urgentemente, para frear o agravamento da crise e nomear um novo ministério para viabilizar a candidatura da chamada terceira via. Uma candidatura alinhada com o governo Biden. Bolsonaro é um resto do governo Trump na América Latina que precisa ser varrido.

    Como seria: caso Bolsonaro faça discurso ou algum gesto incitando manifestantes à violência contra as instituições, contra a Constituição, a ordem legal e o estado democrático de direito, o presidente do STF pode determinar à Polícia Federal que o prenda em flagrante delito. Um ato inédito, mas perfeitamente legal.

    Havendo resistência armada, o presidente do STF pode requisitar as Forças Armadas para respaldar a PF no cumprimento de suas funções públicas.

    Qualquer um dos presidentes dos três poderes pode requisitar as Forças Armadas para manter a lei e a ordem. Está escrito no famoso artigo 142 da Constituição.

    Quando militares rompem com a hierarquia e a disciplina, desobedecem a Constituição e as leis vigentes, viram bando armado como qualquer grupo criminoso. As possíveis prisões podem ser um marco na história republicana do Brasil. Um passo inédito na construção da democracia.

    “Teje preso!”.

  • Quem articula com a cúpula das Forças Armadas é o vice, Hamilton Mourão, e não Bolsonaro.

    O vice, Hamilton Mourão, tem dado demonstrações claras de que é ele quem articula com a cúpula militar e não o titular. Bolsonaro tornou-se um presidente decorativo. Não governa, vive fazendo arruaças para postar nas redes sociais, criar um “Brasil paralelo” e alimentar o ódio de seus seguidores à democracia, enquanto o país afunda na crise econômica, social e moral. Desemprego, inflação, fome e corrupção.

    Mourão tem feito contrapontos aos desvarios de Bolsonaro com postura de equilibrado, com palavras comedidas, sinalizando que está pronto para sucedê-lo. Esse parece ser um dos pontos nevrálgicos mais agudos da crise política, que tem levado Bolsonaro a protagonizar cenas grotescas de insegurança e desequilíbrio. Nas reuniões, ele não tem se dirigido a Mourão. Apesar do vice dizer que lhe é leal.

    A desconfiança de Bolsonaro de que poderia ser derrubado pelo vice surgiu logo depois da posse. No início do governo, Mourão esteve em visita oficial à China, onde foi recebido pelo presidente chinês, Xi Jinping, e presidiu a 5a reunião da Comissão Sino Brasileira de Concertação e Cooperação, em Pequim. Uma presença marcante na relação bilateral com nosso maior parceiro comercial, que garantiu resultados vigorosos das nossas exportações. 

    O ciúme subiu à cumeeira do Palácio do Planalto. Afinal, chefes de Estado não devem querer aparecer numa foto ao lado de Bolsonaro. A postura de Mourão contrasta com os ataques de Bolsonaro e seus filhos à China, acusada por eles de ter criado o Coronavírus como arma de guerra.

    Mourão afastou Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro e dos filhos, quando ele andava intrometendo no governo. Disse que o guru deveria limitar-se à função de astrólogo. E enquadrou Eduardo Bolsonaro, a quem ele denominou de “bananinha”, no episódio de acusação à China de ter disseminado o vírus da pandemia.

    Mourão tem conversado com ministros do STF e do TSE. Indagado pela imprensa sobre o pedido de impeachment do ministro do STF, Alexandre de Moraes, ele disse: “Eu não calço os sapatos do presidente”. Deixou claro que não compactua com o disparate do titular. Declarou que não haverá golpe e que as eleições estão garantidas. O vice desautorizou o titular publicamente. Ou seja, os contrapontos continuam.

    O pedido de impeachment de Alexandre de Moraes foi mais um desastre político do titular, que resultou na união inédita do judiciário em solidariedade ao magistrado, na defesa das instituições e da democracia, atacadas permanentemente por Bolsonaro e seus seguidores. 

    O ministro da Defesa, Braga Neto, ao perceber a gravidade da situação, disparou telefonemas para ministros do STF e para a PGR, após a operação da PF contra o cantor Sérgio Reis, o caminhoneiro Zé Trovão, e outros oito integrantes do grupo que organizam as manifestações de ataques contra o STF e o Estado Democrático de Direito, dia 7 de setembro. 

    Bolsonaro se desespera ao ver os filhos enredados nos seus crimes perante a justiça e sabe que poderão ser presos a qualquer momento. Carlos Bolsonaro pediu socorro ao pai, mas Bolsonaro percebeu que não pode tudo. Para agravar a situação, queimou os navios com as instituições. Está isolado, na ilha de ódio que ele mesmo criou.

    Carlos Bolsonaro pode ser preso, a mando do ministro Alexandre de Moraes, junto com o blogueiro Allan dos Santos e outros integrantes da organização criminosa que comanda a máquina produtora e disseminadora de fake news, no âmbito das investigações em curso no STF. Prisões vão acontecer. É uma questão de tempo. Bolsonaro sabe também que será responsabilizado pelo desastre do seu governo na presidência da República.

    A CPI da pandemia deve encerrar os trabalhos no final de setembro, apresentará à Câmara o relatório apontando os indícios de crimes praticados por Bolsonaro, e, ao STF, para averiguação da prática de crimes comuns. A acusação de genocídio, apurado pela CPI, deverá ser encaminhada aos tribunais internacionais de Haia e de Direitos Humanos. À Câmara cabe decidir se acata ou não a abertura de processo de impeachment

    O Centrão, esteio do governo, não é de carregar andor de presidente pesado com tantos pecados, em queda acentuada nas pesquisas de opinião, e que pode ficar fora do segundo turno nas eleições de 2022. Bolsonaro nomeou Ciro Nogueira para a Casa Civil, órgão de coordenação do governo, mas parece que não se deu conta de que pode ter levado o inimigo para dentro de casa.

    Bolsonaro está perdido, não governa mais, chegou na linha do descarte. O Centrão ocupa mais espaço, quer agora quatro ministérios, mais cargos e dinheiro. Mas nada disso garante que o impeachment não será pautado. Vai depender da evolução da crise. Banqueiros e grandes empresários nacionais e internacionais dão sinais de basta a Bolsonaro. Caso ele seja destituído, Mourão pode vir a ser candidato à reeleição, com apoio do famoso centro, num acordão envolvendo uma ampla reforma ministerial, capaz de salvar o projeto neoliberal, que é o que está em jogo, no Brasil. Basta Ciro Nogueira combinar com Arthur Lira. Isso, se o TSE não cassar a chapa Bolsonaro-Mourão. O processo ainda não foi concluído.

    Os deputados estão na espreita. O que vai definir o momento certo do desembarque do governo são as próximas pesquisas. Abaixo de 20%, procuram o candidato à presidência mais bem posicionado na disputa eleitoral. Pegam cargos e dinheiro e votam no impeachment na cara dura.

    O desembarque dos parlamentares depende também da composição das chapas que estão sendo formadas nos estados para eleição dos governadores. Os partidos têm seus indicados aos cargos nos governos. É nessa encruzilhada que pode entrar em pauta, na Câmara, o impeachment de Bolsonaro. Rápido e cirúrgico.

    Ele não sabe fazer política. Sabe fazer arruaça e alimentar a máquina de fake news, agora desmonetizada pelo corte de verbas públicas, determinado pela justiça, que eram distribuídas aos sites bolsonaristas. As empresas de aplicativos de comunicação também baniram canais, páginas e grupos do YouTube, Facebook, twitter, WhatsApp, por divulgarem notícias falsas, conteúdo de ódio e pregação de golpe militar. O Centrão e a máquina de fake news, os mais importantes esteios de Bolsonaro, estão ruindo e junto com eles o desastrado governo.

    A reunião de emergência do Fórum de Governadores para tentar conter a crise política, defender as instituições atacadas, e o Estado Democrático de Direito, decidiu propor reuniões com os chefes dos poderes da República. Foi discutido também o enquadramento da Polícia Militar, convocada por bolsonaristas para as manifestações. Punições exemplares e demissões, por sublevação, estão previstas. Quem se sentir prejudicado com as punições e recorrer à justiça atacada por Bolsonaro, pode ter o pedido de reintegração ao serviço público negado.

    A reação à atitude desesperada de Bolsonaro, de pedir o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, foi generalizada no judiciário, no Congresso, e nas organizações democráticas. 

    O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que não vai pautar o pedido de impeachment do ministro e o senador David Alcolumbre, presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado também disse que não vai pautar na comissão. Bolsonaro recuou com o pedido de impeachment do ministro Roberto Barroso. A indicação de André Mendonça para ocupar vaga no STF também foi congelada por conta do clima de beligerância.

    As investigações no STF, com o ministro Alexandre de Moraes à frente e, no TSE, com o ministro Roberto Barroso, sobre fake news, ataques às instituições e atos antidemocráticos, na CPI da Pandemia, com escândalos de corrupção, acenderam a luz amarela para Bolsonaro. Caso ele não recue, tente romper com a ordem institucional, levará cartão vermelho, poderá ser expulso e preso.

  • Genocidas, ditadores, criminosos!

    Os bandeirantes eram genocidas, escravocratas, exterminadores de nações indígenas, saqueadores, estupradores. São homenageados com nomes em monumentos, como o de Borba Gato incendiado num protesto, em palácios, TV e rádio, Bandeirantes, em São Paulo, rodovias, Raposo Tavares, Fernão Dias.

    Duque de Caxias, um genocida na guerra do Paraguai, na Revolta de Canudos, é patrono do Exército.

    Ruas, praças, pontes, viadutos, rodovias têm nomes de ditadores como Castelo Branco, Costa e Silva, Médice, enfim, genocidas, bandidos, inimigos da democracia.

    Mundo afora, monumentos a esse tipo de gente vem sendo derrubados pela população. É inaceitável homenagear facínoras.

    Como pode o Brasil homenagear essa gente, deixando de lado grandes nomes de brasileiros, por exemplo, da ciência, da literatura, das artes, do pensamento, líderes políticos íntegros, pessoas que deram sua contribuição efetiva para construção da nação democrática, soberana?

    Ainda na Câmara, fiz um projeto de lei para o Deputado Newton Lima, PT/SP, para que a população avaliasse e trocasse nomes de ditadores, escravocratas, bandeirantes, e criminosos inimigos da liberdade e da justiça. Esse projeto é mais um engavetado na Câmara.

  • Um pente fino dos órgãos de fiscalização e controle da República nas Forças Armadas

    Quando, a qualquer pretexto, grupos de militares rompem com a Constituição, a Lei e a Ordem, a hierarquia e a disciplina, viram bando armado, marginais, gangues de criminosos. 

    Ameaçar e tentar subordinar os demais poderes da República é sublevação, atentado terrorista às instituições, crime previsto na Constituição e nas leis do país, e nos regulamentos internos das Forças Armadas.

    Os militares são uma categoria de servidores públicos com prerrogativa de uso de armas exclusivamente para proteger fronteiras territoriais. Nunca para intervir na política e  violar o Estado democrático de direito. Para conter qualquer  tipo de desvio das Forças Armadas, que atente contra a democracia, existe o rigor das leis no controle do comportamento cívico e do exercício de suas funções. As Forças Armadas são subordinadas aos poderes da República.

    O ministro da Defesa e os três comandantes militares que assinaram a nota de ameaça à CPI da pandemia,  vestais da “moral e dos bons costumes”, obrigatoriamente deveriam colaborar, serem os primeiros a abrir as portas das Forças Armadas para as investigações e não reagir corporativamente, serem coniventes com malfeitos de militares que ocupam cargos civis no governo. 

    Afinal, numa república democrática atos e ações de agentes do Estado são públicos. A nenhum servidor público é permitido prevaricar, fazer vista grossa para corrupção. Muito menos servidores públicos militares quando são instados a prestar contas a autoridades competentes, eleitas democraticamente pelo povo.

    As Forças Armadas não são propriedade dos militares. O Ministério da Defesa (Exército, Marinha e Aeronáutica), por exemplo, devem estar de prontidão para, a qualquer momento, receber os órgãos de fiscalização e controle do Estado para prestação de contas do uso dos suados recursos dos contribuintes. Quem não deve não teme, diz o ditado popular.

    O corporativismo  reativo dos militares dá margem a desconfiança de que as Forças Armadas são mesmo uma caixa preta que precisa ser aberta. Licitações milionárias de compras e manutenção de equipamentos, suprimentos, contratos de prestação de serviços, e  outros ramos de atividades, são realizadas permanentemente. 

    Desvios envolvendo militares, no Ministério da Saúde, por exemplo, surgem na medida em que as investigações da CPI avançam  e revelam tenebrosas transações na compra de vacinas. Vários militares graduados estão envolvidos. Um ministério que trocou de ministros quatro vezes, em plena pandemia, agora está com mais de meio milhão de mortos, por conta do atraso na vacinação. 

    Coincidência ou não, foi na gestão do general da ativa, Eduardo Pazuello, e seu staff de assessores militares, que se concentraram as negociatas para compra de vacinas por empresas intermediárias suspeitas. Os fortes indícios da participação direta do general no esquema de corrupção foram exibidos num vídeo em poder da CPI, amplamente divulgado pela imprensa. 

    O general Pazuello responde a uma ação de improbidade administrativa do Ministério Público Federal. Os oito procuradores que assinam a ação afirmaram à Justiça Federal que a gestão do ex-ministro da Saúde, na pandemia, foi “imoral e antiética”.

    Mas não é só no escândalo das vacinas que o general Pazuello se envolveu diretamente. Em novembro de 2020, o general nomeou o coronel da reserva George Divério para chefiar a Superintendência do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro.  Em apenas dois dias, o coronel Divério autorizou duas contratações, sem licitação, no valor de R$ 28,8 milhões, para reforma de um galpão e da sede do Ministério da Saúde no Rio de Janeiro. Nessa obra, os altos preços dos materiais e componentes saltam aos olhos. Consta a reforma de um auditório com 282 cadeiras novas, ao custo de R$ 2,8 mil cada uma. 

    O coronel Divério, responsável pela obra, convidou a Lled Soluções, dos sócios, Fábio de Rezende Tonassi e Celso Fernandes de Mattos, para fazer o serviço. Mesmo sabendo que os dois sócios são conhecidos da justiça, por terem se envolvido em corrupção em contratos com as Forças Armadas. 

    Fábio Rezende Tonassi e Celso Fernandes de Mattos eram donos da Cefa-3, empresa fornecedora de material de informática para a Aeronáutica, em 2007. Após denúncia, uma investigação descobriu que o material vendido pelos dois não havia sido entregue. Nesse golpe, os cofres públicos foram fraudados em mais de R$ 2 milhões.  Num processo instaurado na Justiça Militar, Fábio Tonassi foi condenado à prisão em terceira instância, mas recorreu e continuou em liberdade.

    Por causa disso, a empresa Cefa-3 ficou proibida de celebrar contratos com o Governo Federal por cinco anos, até    2022. Mas os dois sócios não desistiram, continuaram na rota do crime. Abriram outra empresa, a Lled Soluções, a que foi convidada pelo coronel Divério para realizar as obras, na gestão do general Pazuello. 

    Quando o escândalo das reformas do Ministério da Saúde, no Rio, veio a público, o coronel Divério foi afastado e aberta investigação. No governo Bolsonaro, a empresa ganhou R$ 4 milhões em contratos. A sede da empresa não tem sequer nome na porta.

    Dia 08 de julho deste ano, a dupla Celso Fernandes de Mattos e Fábio de Resende Tonassi foram presos pela Polícia Federal, na Operação Pronta Emergência 2, que investiga possíveis irregularidades em contratos da UFRJ, por indícios de direcionamento de processos de licitação do Instituto de Psiquiatria (Ipub/UFRJ) da universidade.

    No governo Bolsonaro há mais de seis mil militares nomeados, ocupando cargos em diversas áreas.  A desenvoltura dos militares envolvidos no escândalo de corrupção no Ministério da Saúde é preocupante, tendo em vista a probabilidade de estar acontecendo em outros setores e vir a proliferar de forma difícil de controlar.

    O portal Metrópolis, num levantamento minucioso, descobriu que o Ministério da Defesa e órgãos subordinados gastaram R$ 610 milhões com empresas de militares aposentados e da reserva, desde 2018. Só no primeiro semestre deste ano, o governo pagou R$ 77 milhões.

    Segundo o site, a escalada de pagamentos cresceu no governo Bolsonaro. Em 2018, foram pagos R$ 169 milhões; em 2019, R$ 189 milhões; e em 2020, R$183 milhões. 

    O Tribunal de Contas da União também avança numa investigação de compras nababescas de víveres para as Forças Armadas. O país enfrenta uma pandemia, com mais de meio milhão de mortos, mais de 15 milhões de desempregados, sendo que um em cada quatro brasileiros passa fome.

    Segundo o portal Metrópolis, baseado em dados do Painel de Compras do Ministério da Fazenda, o Ministério da Defesa gastou mais de R$ 632 milhões só com alimentação, em 2020. A compra de vinhos, por exemplo, somou R$ 2.512.073, 59. 

    Consta em denúncia encaminhada ao Ministério Público, pelos deputados Vilson da Fetaemg (MG), Elias Vaz (GO), Alessandro Molon (RJ), Denis Bezerra (CE), Lídice da Mata (BA), Camilo Capiberibe (AP) e Bira do Pindaré (MA) que os comandos das Forças Armadas adquiriram, por meio de licitação, cerca de 80 mil unidades de cerveja e mais de 700 mil quilos de picanha, com superfaturamento em mais de 60%. 

    Os parlamentares destacaram o alto custo da picanha, comprada por R$ 118,25, o quilo, como o que mais chamou atenção. Ou seja, mordomias no país da desigualdade, da pandemia e da fome.

    Outro escândalo que tem causado indignação numa parte considerável dos contribuintes são as pensões e aposentadorias de militares e seus parentes.  E mais, os dados individualizados de pensionistas militares só foram publicados após o Tribunal de Contas da União (TCU) acatar duas denúncias da agência Fiquem Sabendo, especializada no acesso à informação. Uma caixa preta que só foi aberta depois de uma queda de braço com o TCU.

    Dados inéditos divulgados pela Controladoria-Geral da União (CGU), no fim de junho de 2020, mostram que o Ministério da Defesa gasta mais de meio bilhão por ano com pensões acumuladas pagas a parentes de militares. Familiares de militares mortos receberam R$ 19,3 bilhões de reais líquidos, no ano passado. Militares da reserva ou reformados receberam outros R$ 22,1 bilhões. O total gasto soma R$ 41,5 bilhões.

    Uma mulher identificada pelas iniciais, G.R., que, por ser filha de um marechal do Exército, recebe uma pensão mensal de R$ 70.106,60 reais brutos (R$ 60.589,20 reais líquidos), por ser viúva de um segundo-tenente da Marinha e de um almirante da Marinha. Outra mulher, identificada como A.P., recebe uma pensão mensal de R$ 63.157,86 reais brutos (R$ 54.623,86 reais líquidos) por ser filha e viúva de dois marechais do Exército.

    Ao todo, são 2.521 pessoas com pensões duplas, dos mais de 226.000 parentes de militares mortos, que estão na folha de pagamento do Ministério da Defesa. Com diferentes graus de parentesco, pensionistas receberam, em média, R$ 21.037,92 reais líquidos por mês ao longo de 2020. A base de dados também revela que 315 pessoas possuem dois vínculos com o mesmo parentesco. 

    Filhas de militares representam 60% dos beneficiários. Das 226 mil pessoas que recebem este tipo de benefício no País, nada menos do que 137.916, ou 60% do total, são filhas de militares já mortos.

    Os indícios de corrupção e de privilégios envolvendo militares, divulgados recentemente, não deixam dúvidas de que há uma “banda podre” dos militares agindo no governo, como afirmou o senador Omar Aziz, presidente da CPI do genocídio. Certamente o Ministério da Defesa (Exército, Marinha e Aeronáutica) não resistiria a um pente fino dos órgãos de fiscalização e controle do Estado.

  • Bolsonaristas querem um preso

    Eles querem um preso

    Muita gente ainda não entendeu a posição da CPI do Genocídio de não prender os convocados que mentem.

    Os bolsonaristas insistem em provocar a CPI. Querem um preso para consolidar a pregação deles de que Bolsonaro e seu governo estão sendo perseguidos pelos “políticos do Congresso.”

    A assessoria de comunicação que eles montaram está dando um banho na assessoria da oposição ao governo. Câmeras bem posicionadas e cenas de ataque são planejadas bem antes nos gabinetes.

    Depois todo o material captado é editado contando a história distorcida, do jeito que bem querem, para o eleitorado encabrestado pela rede de fake news, que não ouve, não vê nem lê o que a imprensa publica.

    O Gabinete do Ódio se encarrega de espalhar os vídeos nas redes sociais com o impulsionamento de centenas de robôs.

    A estratégia da CPI é quebrar o sigilo bancário, fiscal, telefônico e de internet, dos convocados, para revelar a podridão do governo e de seus apoiadores. Isso, sim, vai desmascarar o governo e desmentir as fake news do Gabinete do Ódio.

  • Lula estendeu a mão até aos seus algozes

    A foto de Stalin, Roosevelt e Churchill, na Conferência de Yalta, no final da Segunda Guerra Mundial, ficou na história como demonstração das possibilidades de alianças, diante do inimigo comum.

    “Se um dia Adolf Hitler viesse a invadir o inferno, eu faria algumas referências favoráveis ao diabo, no parlamento.” Winston Churchill

    Depois de tudo que sofreu, Lula estende a mão, chama Fernando Henrique à responsabilidade de se engajar na tarefa maior de derrotar o fascismo. O mesmo ele tem feito com outras lideranças políticas, na formação da frente democrática para resgatar o Brasil das mãos do governo criminoso de Jair Bolsonaro. Lula é grande! Lula é líder!

    O movimento é parecido com o da campanha “Diretas já”, quando foi criada a frente democrática, que restabeleceu os direitos políticos, convocou o Congresso Constituinte e deu ao país a Constituição de 1988, uma plataforma jurídica que garantiu as regras para a democracia política e para o avanço das lutas populares. Um movimento que se ergueu nas ruas, na luta contra a ditadura.

    Lula foi deputado constituinte, junto com 15 deputados do PT. Em seguida candidato à presidência da República nas eleições diretas de 1989, apoiado pela Frente Brasil Popular, uma frente de partidos de esquerda, e foi para o segundo turno com Fernando Collor. Mário Covas, que foi candidato do recém fundado PSDB, apoiou Lula, junto com Leonel Brizola, que também foi candidato. Subiram no mesmo palanque para derrotar Collor. Fernando Henrique também apoiou Lula.

    Collor era representante do conservadorismo, das forças políticas que apoiaram a ditadura, e do projeto econômico neoliberal, articulado pela primeira-ministra Margareth Thatcher, da Inglaterra, e pelo presidente Ronald Reagan, dos Estados Unidos.

    Depois disso, o campo de centro-direita se consolidou e se tornou hegemônico até 2001, quando o PT decidiu ampliar as alianças até o centro, formando uma frente de centro-esquerda. Lula foi eleito e conseguiu liderar a coalizão, enquanto presidiu a República, por dois mandatos, cujo projeto o Estado foi posicionado como indutor do desenvolvimento sustentável, da inclusão social e de redução das desigualdades sociais e regionais.

    Está previsto na Constituição de 1988 que o regime de governo, no Brasil, é presidencialista. Ou seja, a coalizão tornou-se imprescindível, pois nenhum presidente eleito governa sozinho. As alianças devem ser acordadas com base no programa de governo e registradas no Tribunal Superior Eleitoral. Na Constituição está definido, também, que quem deve cuidar dos desvios e da corrupção na estrutura do estado são a imprensa livre, que tem o dever de fiscalizar os governos, e os órgãos de fiscalização e controle: Congresso Nacional, Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União, enfim.

    Lula encerrou seu segundo mandato, em 2010, com 87% de aprovação, pela população, segundo pesquisas de opinião. Depois do golpe que derrubou a presidenta Dilma, de ter sido preso injustamente, com base em processos forjados por Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, e de ter os processos anulados pelo Supremo Tribunal Federal, Lula ressurge como um furacão, catalisando forças políticas, estendendo a mão até a seus algozes, para resgatar o país das garras do fascismo

  • China, Estados Unidos, União Européia, vão crescer por conta da vacinação em massa e da contenção do contágio.

    As projeções de crescimento da economia dos Estados Unidos, para este ano, foram revistas para 7%,. Com o negacionista Donald Trump, teria sido um desastre. Biden deu prioridade máxima à vacinação em massa e a medidas restritivas.

    A China deve crescer 9%, com expectativa de atingir a casa de dois dígitos.Também por conta de isolamento social rigoroso e vacinação em massa.A União Europeia projeta crescer 4%. No início da pandemia foi quem mais sofreu perdas. Fez distanciamento social e vacinação em massa da população.

    E a economia global deve crescer 6%.Os países periféricos deverão ser beneficiados com a demanda mundial por commodities.O Brasil, por exemplo, já recalculou suas projeções de crescimento para 3,5%.Isso por que o preço dos minérios e das commodities deram um salto no mercado internacional.

    A China rompeu contratos de importação com a Austrália. O Brasil é o principal beneficiado. O preço médio da tonelada de minério bateu US$ 190 dólares.

    Viu que a revisão da taxa de crescimento não é por conta da política econômica do governo, mas por fatores externos que estão impactando a economia?

    (*) os países que têm melhor recuperação são os que se anteciparam, cuidaram da população na pandemia e mais vacinaram.