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  • Os cabrestos eletrônicos do TSE e da Globo

     

     

     

     

     

    O que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e as Organizações Globo querem aqui não existe em nenhuma nação democrática.

     

    Espionagem da produção e postagem de conteúdo pessoal em redes sociais, promovida por órgãos de Estado ou por empresa privada, cheira a fascismo.

     

    Limitação da liberdade de expressão é a velha e conhecida censura, amiga de todas as horas dos regimes de exceção e das ditaduras assassinas.

     

    Os fatos indicam que os parceiros do golpe (grande mídia e judiciário) querem ampliar ainda mais o controle político do país com a possível manipulação do processo eleitoral e da ordem social por meio de medidas restritivas da liberdade de expressão e de imprensa.

     

    No regime militar, eram mantidos censores nas redações de jornais, revistas, rádios e TVs, para definir o que podia e o que não podia ser publicado e como cada notícia deveria ser formulada.

     

    O presidente do TSE, Luiz Fux, quer colocar a Abin, o Exército e a Polícia Federal para dizer o que é e o que não é fake news. E o Sistema Globo baixou normas para censurar conteúdo pessoal de seus empregados na rede.

     

    As normas das Organizações Globo são cabrestos eletrônicos com intenção de proteger seus fake news. As empresas do grupo querem amordaçar seus empregados.

     

    O Brasil está anestesiado pela injeção diária de entretenimento e conteúdos diversos nas redes sociais, nas TVs, rádios, revistas e jornais diários, e por juízes de plantão munidos de suas canetas, com seu poder discricionário, prontos para mandar prender alguém, à revelia da Constituição e das leis, a fim de manter a ordem dos de cima. Estão aproveitando isso para construir as grades de proteção do golpe de estado.

     

    Medidas como a do “monárquico” presidente do TSE, Luiz Fux, e dos irmãos Marinho, donos da capitania hereditária Rede Globo, despertam suspeitas de que estaria em curso uma tentativa de manipulação do processo eleitoral no Brasil e de imposição da censura.

     

    A Rede Globo é uma concessionária de serviço público e tem obrigações contratuais, sociais, de prover a informação, a fruição da produção cultural e educativa, estabelecidas pela Constituição Federal e pela legislação vigente como direito do cidadão.

     

    O TSE estaria extrapolando sua função pública de cuidar do processo eleitoral dentro dos limites definidos pela Constituição e pela legislação eleitoral. O TSE quer legislar, usurpar funções do Poder Legislativo, criar normas que violam a Constituição.

     

    Para os casos de fake News, restrição da liberdade de expressão pessoal por empresa privada, já existem os códigos Civil e Penal, com previsão de condenação por dano moral e direito de resposta.

     

    O livre exercício do jornalismo, de outras profissões da comunicação, das artes dramáticas, visuais e plásticas, é regido pelo artigo 220 da Constituição e cabe ao Ministério Público e às instâncias judiciárias garantir o cumprimento das normas vigentes em benefício da sociedade.

     

    O que o TSE e o Sistema Globo querem é censura e mordaça.

  • Lula e PT se fortalecem e facção do judiciário se isola

     

     

     

     

     

    A decisão da filósofa Márcia Tiburi de filiar-se ao Partido dos Trabalhadores e de colocar seu nome àdisposição como candidata ao governo do Rio de Janeiro parece ser mais que uma atitude cidadã: soa como um chamado a outros intelectuais, acadêmicos, artistas, a se engajarem no movimento de combate ao estado de exceção, de contenção ao retrocesso civilizatório, e de resgate da política do lugar ao qual foi colocada por forças inimigas da democracia.

     

     

    A escolha do PT deixa evidente que ela reconhece a importância da atuação do partido nas lutas históricas e ao mesmo tempo como instituição pedagógica para a cidadania, para a organização e transformação da sociedade brasileira.

     

     

    A força viva do partido está demonstrada no movimento Lula Livre, de enfrentamento à perseguição política do ex-presidente pelos tribunais de exceção e no apoio massivo da população, demonstrado nas pesquisas eleitorais que o aponta em primeiro lugar. Essa imensa parcela da população não reconhece o atual governo nem as decisões dos magistrados alinhados com o golpe de estado.

     

     

    O PT, além de ser o maior partido político do país, sempre esteve à frente de todos os movimentos sociais e, apesar do massacre midiático diário, desde sua fundação, é o partido que tem o maior crescimento do número de filiados e militantes dos mais diversos segmentos sociais. Nos comentários e noticiários da velha mídia é que se percebe o desconhecimento da dimensão e da solidez do partido.

     

     

    Os dados mais recentes mostram que após a prisão política do ex-presidente Lula o número de filiações saltou de 84,4 para 201,8 por dia. O movimento “Agora sou PT”, surgido depois do golpe de estado, elevou o número de filiações, que se aproximou da marca de 2,2 milhões de filiadas e filiados. Desde outubro do ano passado, 28.649 pessoas se filiaram ao partido.

     

     

    Os estados do Amapá, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Acre e Rio Grande do Sul superaram a marca de 20 filiados por mil eleitores. Os estados com filiações acima de 100 mil permanecem os mesmos: São Paulo (469 mil), Minas Gerais (221 mil), Rio de Janeiro (197 mil) e Rio Grande do Sul (191 mil), Bahia (121 mil), Pernambuco (120 mil) e Ceará (111 mil).

     

     

    Apesar das conspirações noturnas, em Brasília, do núcleo duro do golpe, formado por Michel Temer, Aécio Neves, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, somado ao grupo de magistrados e procuradores que agem à revelia das garantias constitucionais e legais, cresce nacionalmente o apoio ao PT e ao ex-presidente Lula.

     

     

    O PT é o partido preferido por 19% da população, segundo o IBOPE, seguido do MDB (7%), PSDB (6%), e PSOL (2%). O ex-presidente Lula aparece com 33% das intenções de voto, mais que o dobro do segundo colocado.

     

     

    Segundo levantamento minucioso de dirigentes do partido, a bancada parlamentar federal terá no mínimo 80 deputados em 2019, com possibilidade concreta de reeleição dos atuais governadores com votações expressivas.  De acordo com institutos de pesquisa todos serão reeleitos em primeiro turno, com perspectiva de aumento do número de Estados governados pelo PT.

     

     

    Ou seja, a grande expansão do número de filiados e as pesquisas de opinião são dados muito positivos, que apontam para a probabilidade de um resultado eleitoral surpreendente para o partido.

     

     

    O povo não é bobo. O ex-presidente Lula e o PT disparam na preferência popular e a facção do judiciário que os persegue se isola.

     

     

     

     

     

  • Dinheiro não traz civilidade


     

     

     

     

     

    Aparentemente são o mesmo tipo que berrou impropérios do mais baixo calão, a todos pulmões, na abertura dos jogos da Copa do Brasil, em 2014, contra a presidenta Dilma, diante dos chefes de estado e outros convidados estrangeiros, e depois se juntaram à horda de Aécio Neves, Eduardo Cunha e Michel Temer, nas ruas e nas redes sociais, em apoio ao golpe de estado.

     

    Na copa da Rússia fazem vídeos assediando mulheres, adolescentes e até crianças, também com impropérios e expressões de baixo calão com a finalidade de ridicularizá-las, humilhá-las  em frente às câmeras de seus poderosos celulares, com profundo desprezo por elas, numa demonstração de que quem tem dinheiro acha que pode fazer o que quer com os que não têm seu poder de compra.

     

    Esse tipo é conhecido há bastante tempo. Na França é chamado de “rastaquouère”, ou, em português, “rastaquera”, termo com que os franceses denominaram o novo-rico brasileiro em tempos idos. Arrogante, dado à ostentação, mas rude, de mal gosto. Ou seja, com dinheiro, mas sem educação, sem modos.

     

    Os arrastraquero, no espanhol latino-americano, eram literalmente os “arrasta-couro”, gente que ficou rica com a exportação de couro curtido para a Europa no ciclo de expansão da criação de gado, e da caça de animais silvestres, para a fabricação de calçados, malas, casacos de pele e outras utilidades.

     

    O rastaquera brasileiro ficou tão famoso que, por ser uma pessoa absolutamente desprovida de referência de ridículo para os padrões europeus, faz parte da história da música erudita. 

     

    Le Brésilien (O Brasileiro) tornou-se personagem de destaque na famosa ópera-bufa La Vie Parisienne, de Jacques Offenbach, estreada em Paris em 1866.

     

    Pois é, poder e dinheiro não trazem civilidade. O mundo está povoado de rastaqueras, um bem acabado tipo produzido pela cultura do capitalismo selvagem. 

  • Queda de credibilidade no judiciário faz STF puxar rédeas da Lava-Jato

     

     

     

     

     

     

    O ministro Luís Roberto Raivoso, aquele que anda acima da lei pisando nas nuvens com seu sapato Luiz XV, de mãos dadas com o procurador Deltran Dallangnol e o juiz Sérgio Moro, na carruagem flutuante da Lava-Jato, deve ter sentido a puxada de rédeas da Corte em duas decisões recentes: a ilegalidade da prisão em segunda instância e a absolvição por unanimidade de Gleissi Roffmann e Paulo Bernardo.

     

    É possível que a percepção da população, captada nas recentes pesquisas de opinião sobre o judiciário, tenha levado os jurebas a aterrissarem do sonho de semideuses.

     

    Foram longe demais na ilegalidade. As nuvens que sustentavam a Lava-Jato viraram água, enxurrada.

     

    Não só Luís Roberto Raivoso, mas o juiz Sérgio Moro está visivelmente nervoso. As palestrinhas nos salões foram reduzidas a pó diante da imensa repercussão internacional da prisão ilegal do ex-presidente Lula.

     

    Sérgio Moro e o grupo de procuradores e policiais formado para a Lava-Jato convivem com a forte suspeita de serem mesmo uma articulação tucana para fins políticos partidários.

     

    A pesquisa CNT/MDA deve ter tirado o sono de muita gente do judiciário. Se é que se incomodam com desprestígio.

     

    Para 55,7% da população a Justiça no Brasil é (ruim ou péssima); 52,8% não confiam no Judiciário; e para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual.

     

    Os “fora da lei” deram com a carruagem na enxurrada. A Lava-Jato, que seria uma extraordinária oportunidade de combate à corrupção foi desviada para um caminho marginal e a credibilidade sucumbe no pântano da política de quinta.

  • Água mole em pedra dura tanto bate até que acaba a água

     

     

     

     

     

    Como dizia um hippie que vendia artesanato na feira da Torre de TV, em Brasília:

    “Água mole em pedra dura tanto bate até que acaba a água”.

     

    Ou seja, esgotados a implacável perseguição e todos os perversos recursos dos algozes do ex-presidente Lula no Judiciário e no Ministério Público, não conseguiram destruí-lo.

     

    Perceberam que Lula é feito da confiança de milhões de pessoas e que elas sabem que ele é inocente e vítima da indecente política brasileira. Mexeram com um gigante político que cresce a cada dia.

     

    As bandas do judiciário e do Ministério Público, que protagonizaram ilegalmente espetáculos combinados com a grande mídia para prender o ex-presidente Lula e tentar retira-lo da disputa pela presidência da República descambam na ladeira do desprestígio e sofrem progressivo isolamento.

     

     

    À frente, o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltran Dallangnol, seus seguidores no Tribunal Federal Regional da 4ª Região e no Supremo Tribunal Federal. Todos no mesmo barco do absolutismo “O Estado sou eu”, como suporte do estado de exceção.

     

     

    Sérgio Moro, Dallangnol e seus seguidores parece que ainda não se deram conta da parcela de responsabilidade deles no maior desastre institucional da história recente do Brasil. A confiança na justiça brasileira, um dos mais preciosos bens da democracia, desaba.

     

     

    A recente pesquisa CNT/MDA mostra que a percepção da população é inversa à vaidade de magistrados e procuradores, que andam de salão em salão, como popstars,se autopromovendo e se regozijando do que têm feito.

     

     

    Para 55,7% da população a Justiça no Brasil é (ruim ou péssima); 52,8% não confiam no Judiciário; e para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual. Óbvio.

     

     

    Numa demonstração clara de compreensão do processo político e de que o Brasil foi vítima de um criminoso golpe de estado, o povo diz “Não” ao judiciário e “Sim” ao ex-presidente Lula.

     

    Diz também o Datafolha que apenas 16% da população confiam na mídia brasileira e que 82%  não confiam absolutamente ou confiam muito pouco.

     

    Eis o golpe de estado na lona.

     

    Preso em Curitiba sem cometer nenhum crime, depois do roteiro hediondo de flagrantes violações das garantias constitucionais, do devido processo legal, de outros direitos, e do massacre diário das redes de TV, rádios, jornais e revistas, o ex-presidente Lula dispara nas pesquisas e lidera a disputa para a presidência da República, com 30% da preferência do eleitorado, segundo o Instituto Datafolha, quase o dobro do segundo colocado.

     

    O cenário do Brasil, aos nossos olhos e aos olhos do mundo, se configura com o país afundando numa crise econômica e social gravíssima, governado por uma perigosa quadrilha, o judiciário desmoralizado,  o ex-presidente Lula preso em Curitiba, para que ele não seja candidato à Presidência da República, podendo ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, e povo com ele, mais firme do que nunca.

     

    Diante da gravidade da crise institucional, caso o Tribunal Superior Eleitoral impeça a candidatura do ex-presidente, as forças políticas que o apoia poderiam pensar em promover uma eleição paralela.

     

     

    Quem sabe criar um site, registrar a candidatura Lula e abrir, para votação, com registro do título eleitoral e CPF, no mesmo dia e horário das eleições presidenciais. Uma comissão técnica poderia ser nomeada para cuidar da segurança e da garantia da lisura da votação.

     

     

    O tempo e os fatos estão se encarregando de iluminar o país e expor a verdade escondida na escuridão. A verdade vencerá.

     

  • Tudo pelo capital

     

     

     

     

     

     

    Michel Temer está só. Um presidente decorativo. Envolto no seu manto de vaidade diante do espelho d’água do Lago Paranoá com olhar perdido no melancólico ocaso político, enquanto o Brasil vive um dos momentos mais dramáticos de sua história. O Lago Paranoá não tem pinguela para o futuro.

     

     

    Os chacais do golpe viraram as costas. Foram cuidar de suas vidas, dos negócios, de seus processos na justiça. O país está à deriva.

     

     

    Nem Henrique Meireles, poderoso ex-ministro da Fazenda, que prometeu o “Estado mínimo” como presente amarrado com laço de fita amarela, e uma agenda ultraliberal de cortes de investimentos públicos e entrega do patrimônio, tão sonhada pelo tucanato, ficou para apagar a luz do palácio.

     

     

    Ao ver o golpe na lona, indefensável, Henrique Meireles disse que quer sua candidatura o mais distante possível de Michel Temer. Talvez ainda iludido com a possibilidade de ser ouvido pelo povo. Mas parece estar saindo de fininho, para em seguida abandonar a candidatura e se juntar com Geraldo Alkmin.

     

     

    A política de preços abusivos dos combustíveis que levou o Brasil à crise de abastecimento e um brutal impacto na combalida economia, liquidou definitivamente o governo. Deixou nu, no olho da praça, o projeto dos adeptos do fundamentalismo liberal. Lei de mercado é sinônimo de fila nos postos de gasolina.

     

     

    Calaram-se poderosas máquinas de propaganda do liberalismo nas redes sociais. Com agentes preparados em think tanks especializados, movimentam mídias e igrejas evangélicas na conversão de fiéis pregadores de ilusões de progresso pessoal e paraíso na terra.

     

     

    As pregações não batem com a realidade da recessão econômica, desemprego em massa, precarização do trabalho, fim do ciclo de oportunidades para os de baixo e aumento da pobreza.

     

     

    Evidentemente essas quitandas ideológicas não são coisas dos novos tempos, mas ganharam muita força com as redes sociais e com os meios tradicionais de comunicação, que assumiram a propaganda com mais determinação política e refino na comunicação.

     

     

    Desde os anos 1980 e 1990, quando Margareth Tatcher, primeira ministra da Inglaterra, e Ronald Reagan, ex-presidente dos Estados Unidos, encheram as fornalhas das máquinas de propaganda do neoliberalismo, essa nuvem ideológica sob o sol insiste em turvar ainda mais a realidade.

     

     

    Na escuridão do sistema, o capital improdutivo arrasta o mundo para a barbárie, para as guerras de assalto aos países produtores de petróleo, engrossa as filas de refugiados, desestabiliza governos, precariza o trabalho, gera desemprego em massa e mais pobreza extrema, com maior incidência nas nações periféricas.

     

     

    Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, nos idos dos anos 1990, seduzidos pelo boi de Wall Street, enredaram o Brasil, tardiamente, nas estruturas de sofisticados mecanismos de tecnologias bancárias, arquitetadas por tecnocratas que operam na grande gambiarra eletrônica da especulação financeira internacional, como se no capitalismo selvagem houvesse almoço de graça.

     

     

    O liame fez o país refém de poderosos banqueiros, de endividamento, muito difícil de se desembaraçar. Formou-se aqui uma casta de novos magnatas, muitos deles homens fortes do PSDB que fizeram parte da equipe econômica dos governos de Fernando Henrique. Tornaram-se banqueiros com suas corretoras atuando no mercado financeiro. Têm apetite de chacais por privatização de serviços e patrimônios públicos. Pedro Parente é apenas um deles.

     

     

     

    A alma dos negócios é predatória e invisível. Opera na sombra. Dotada de imenso poder político e de destruição da economia e das finanças públicas. Atuou nos subterrâneos da conspiração e assumiu posições estratégicas no panorama dos negócios do governo de Michel Temer.

     

     

    A ofensiva privatista e queda de Pedro Parente são o que melhor expressa a baixa do projeto do golpe de estado. A drenagem do dinheiro do bolso do povo para o bolso de acionistas das petroleiras com o preço abusivo dos combustíveis foi facilmente percebido por quem foi para as filas dos postos com seus carros.

     

     

    Talvez isso explique o pânico das urnas e a ameaça de não haver eleições. O projeto do golpe já está derrotado antes mesmo do debate das eleições. Michel Temer disse que vai aumentar impostos, retirar recursos da área social, da educação, da saúde, na prática, também carrear recursos públicos para remuneração de acionistas das petroleiras.

     

     

    Resta saber se haverá eleições. No próximo dia 20, o Supremo Tribunal Federal decidirá se o regime de governo continuará presidencialista ou se será parlamentarista. A emenda constitucional está pronta na Câmara.

     

     

    No mesmo pacote de mudanças casuísticas, poderá ser incluída a emenda que unifica o calendário das eleições municipais, estaduais e federais em um só dia, mês e ano. É a justificativa que precisam para o adiamento das eleições.

     

     

    Mas nenhum candidato que apoiou a derrubada de presidenta Dilma conseguirá convencer a população de que as razões do golpe e a desastrosa política econômica  de Michel Temer e Henrique Meireles foram melhores para o país.

     

     

    Como explicar a recessão, o desemprego de R$ 13,8 milhões de trabalhadores, a entrega das reservas de petróleo e outras riquezas do país a gigantescas transnacionais, mais o presente da isenção de impostos da ordem de R$ 1 trilhão ao longo de 23 anos?

     

     

    Além disso, entre outros absurdos, o perdão de R$ 543,3 bilhões, do programa Novo Refis, de dívidas de grandes empresas, mais o perdão de R$ 25 bilhões ao Banco Itaú, R$ 2 bilhões ao Banco Santander, e o rombo nas contas públicas da ordem de R$ 159 bilhões.

     

    Temer está só, no vazio das ilusões, no canto da história reservado aos estúpidos, e o povo abandonado à própria sorte.

  • Costurando a fantasia do parlamentarismo para vestir o golpe de estado

     

     

    Retirar Michel Temer do cenário com tudo que ele representa, mas sem o longo e pedregoso caminho do impeatchment às vésperas das eleições. Essa parece ser a saída encontrada para o impasse nacional provocado pela paralisação dos caminhoneiros, petroleiros e  outras categorias que aderem ao movimento.

     

    As mesmas máquinas do judiciário, do Congresso Nacional e da mídia, que costuraram o golpe de estado para derrubar a presidenta Dilma tecem agora a fantasia do parlamentarismo.

     

    Querem vestir o golpe de estado com uma roupa nova para o desfile em outra eleição. Por mais que tenham ensaiado candidatos, até debutantes na política, não conseguiram aprontar nenhum que defendesse o que fizeram com o Brasil. A retumbante paralisação dos caminhoneiros arrancou as últimas máscaras do governo e o “Fora Temer!” ecoou de todos os cantos do país.

     

    Não conseguiram realizar o sonho de um candidato neoliberal puro sangue, que pudesse inocular no país todo o ódio que sentem pelo Estado como indutor do desenvolvimento sustentável e o amor às privatizações, com a ajuda dos pierrôs e colombinas do Movimento Brasil Livre, Vem pra Rua, Revoltados Online, Instituto Millenium, Wilson Center, Atlas Network e outras escolinhas do capitalismo selvagem.

     

    A costureira Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, junto com o costureiro Luiz Fux, do Tribunal Superior Eleitoral, mais o menino do Rio, Rodrigo Maia, que faz baínha, arremata e prega botões, correm contra o tempo, pois as eleições vêm aí e os banqueiros e gerentes das grandes corporações multinacionais não querem saber dessa festa eleitoral com o ex-presidente Lula disparado nas pesquisas.

     

    Luiz Fux, de armadura medieval e espada em punho, parece estar pronto para o serviço: preparar o cenário, tirar Lula e talvez Bolsonaro das eleições com a “lei da ficha limpa”.

     

    Mesmo preso pelo juiz Sérgio Moro, o ex-presidente Lula, segundo pesquisa Vox Populi, cresceu ainda mais na preferência do eleitorado, chegando a 39% e pode ser eleito no primeiro turno.

     

    De auxiliar do golpe a presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia tem demonstrado que agora quer ser o Rei da Xepa com a indumentária parlamentarista.

     

    Depois que o ministro Alexandre de Moraes costurou com Cármem Lúcia e Temer, ela resolveu, de uma hora para outra, sacar do baú do STF a Ação Direta de Constitucionalidade, escondida desde 1997, que questiona a possibilidade de mudar o regime de governo por emenda constitucional. A emenda está pronta na Câmara dos Deputados aguardando a decisão do tribunal.

     

    Para grandes juristas, a escolha do regime de governo, se presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia já foi feita por cidadãos e cidadãs no plebiscito realizado em 21 de abril de 1993, previsto nas chamadas Disposições Transitórias da Constituição. Ou seja, somente uma Assembléia Nacional Constituinte livre e soberana poderia mudar o regime de governo.

     

    Por estar no conjunto das Disposições Transitórias, consideradas “clausulas pétreas”, uma vez cumprido seu objetivo, o dispositivo teria perdido sua validade. Portanto, hipótese vedada. Mas com a costureira Cármen Lúcia e com o costureiro Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Rosa Weber, e outros alinhados da Suprema Corte, depois do que fizeram com o ex-presidente Lula, para que ele fosse preso e impedido de ser candidato, tudo é possível.

     

    A decisão do STF pela mudança de regime por meio de emenda constitucional está de acordo com todos os absurdos praticados pelo STF para proteger o golpe de estado. Desde o pedido da anulação do impeatchment da Presidenta Dilma engavetado por eles a outras tentativas de resgate da legalidade como a concessão de habeas corpus. Afinal, no Brasil, parece que eles se acham os seres mais próximos de Deus.

     

    Todo o espetáculo da provável mudança de regime deve acontecer com a novelização do noticiário e a ajuda retórica de comentaristas da grande mídia “escrita, falada e televisionada”, como dizem, mais os cabrestos eletrônicos das redes sociais criados para o golpe e para a propaganda da ideologia neoliberal.

     

    Com isso, eles podem ganhar tempo para preparar o cenário que querem construir, apresentar novos personagens e preparar o candidato com o figurino determinado pela sede do império do norte.

     

    Provavelmente não deixará Michel Temer ao relento, tendo em vista os serviços prestados ao grande capital.

     

    Quem sabe dar-lhe um trono no Palácio do Planalto, longe do burburinho da política? Ele fica bem como presidente de honra, decorativo. Pode ser uma opção à cadeia, depois da perda do foro privilegiado.

     

    Provinciano que é, levaria uma vida de sonhos: tilintar de taças, talheres, em jantares com magnatas ao lado da princesa Marcela Temer, e vagar com os convidados pelos salões do Palácio do Jaburu com sua tagarelice prolixa.

     

    Rodrigo Maia, economista, pode vir a ser um eficiente office boy dos grandes negociantes para continuar com a anexação institucional do Brasil ao império. Comenta-se em Brasília que a ideia é afastar do governo todas as pessoas envolvidas com escândalos de corrupção, processos judiciais, trocar por perfis executivos, para corresponder à aversão criada na população a políticos e impactar a opinião pública.

     

    Ou seja, as máquinas de costuras estão funcionando para trocar as roupas esfarrapadas do golpe de estado por roupas novas. Mas a festa do governo continuaria a mesma: aprofundar a agenda neoliberal.

     

  • Brasil mostra sua cara de sanatório geral

     

     

    Parece que o país vive um pesadelo, um perigoso estado do ser, de onde surgem das entranhas do passado colonial violento figuras sinistras com ranger de dentes, empunhando bandeiras do atraso, esfarrapadas, num cenário econômico, social e político sombrio, em pleno século XXI, a berrar nas gambiarras das mídias eletrônicas slogans mercantilistas, ódio e vingança.

     

     

    No campo político de sustentação do golpe de estado, misturados a criminosos e negociantes de mãos invisíveis, vê-se nas telas, desde religiosos malandros, jornalistas manipuladores, a políticos corruptos, magistrados, procuradores, policiais e militares, cínicos, em poses monárquicas, de gente que vive acima dos mortais, fora da lei.

     

     

    Servem à manutenção da ordem ditada pelos de cima, protegem interesses de banqueiros, empresários magnatas, nacionais e estrangeiros, que se locupletam e saqueiam o país, a população, com escandalosas agiotagem, corretagem,  rapinagem das riquezas do país,  carreadas para as nações centrais.

     

    Nas crises, as nações centrais sempre buscam compensações de seus prejuízos na nações periféricas, por meio dos vínculos corporativos ancestrais e seus gerentes a postos.

     

     

    Um misto de gente torpe e ladina, que vive de mãos dadas com uma malta eivada de ódio de classe, mantida por fascistas em espécie de cabrestos eletrônicos nas redes sociais e na grande mídia.

     

     

    Enquanto essa gente tenta manter a qualquer custo o governo de negócios e seus negociantes, o país afunda numa grave recessão econômica provocada por tecnocratas  aninhada no sistema financeiro, com suas máquinas de propaganda ideológica do neoliberalismo ligada no “Tudo pelo capital” e seus mecanismos bancários criados para a sucção de dinheiro do povo.

     

     

    A política de preço dos combustíveis com aumentos em escalada nunca visto, do tucano Pedro Parente e Michel Temer, para assegurar os lucros estratosféricos de acionistas e petroleiras multinacionais é neoliberalismo puro, nas veias abertas do Brasil.

     

    A repercussão é tão devastadora por atingir não só individualmente as pessoas, mas todos os setores da economia. Os estragos do golpe de estado provocados por neoliberais fundamentalistas na vida dos brasileiros são imensos, para alegria do patronato e dos rentistas que embolsam lucros extraordinários.

     

     

    O congelamento dos investimentos públicos por Michel Temer, a sanha privatista de redução do estado, de liquidação do estado indutor do desenvolvimento com inclusão social, e a falta de investimentos privados levaram o Brasil a perder 8% do tamanho do seu PIB, entre 2015 e 2016.

     

     

    Em 2017, os sacerdotes do neoliberalismo impuseram um pibinho de 1% e devem impor outro ainda menor em 2018, estimado em -2%, devido ao impacto da crise do petróleo e de outros fatores decorrentes do desgoverno do país. Os lucros dos negócios, da especulação financeira, atingem níveis inimagináveis.

     

     

    O desemprego beira a 14 milhões de trabalhadores e deve aumentar ainda mais. A renda cai brutalmente e a concentração da riqueza no topo da pirâmide dispara. Em 2017, os 10% mais ricos concentraram 43% da massa de rendimentos do país.

     

     

    O fluxo de distribuição da renda promovido pelos governos Lula e Dilma foi invertido para reconcentração no topo da pirâmide social. Esse é o sentido do golpe.

     

     

    Os trabalhadores brasileiros entraram numa espiral descendente de empobrecimento, e os ricos numa espiral ascendente de enriquecimento.

     

     

    A subtração de direitos provocada pela reforma trabalhista e pela lei da terceirização, além da recessão econômica, são considerados os fatores mais impactantes na perda do emprego e da renda.

     

     

    O aumento de 11% da pobreza extrema, entre 2016 e 2017, num total de 14,8 milhões de pessoas, segundo pesquisa do IBGE, levou o Brasil de volta ao Mapa da Fome.

     

     

    Ao mesmo tempo, depois do golpe, os bancos passaram a ostentar os maiores lucros de todos os tempos. Os quatro maiores bancos do país tiveram aumento de 21% nos lucros, em 2017.  Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander embolsaram R$ 64,9 bilhões no ano passado. As projeções para este ano indicam que os lucros podem até dobrar o índice de 2017.

     

     

    No primeiro trimestre de 2018, os três maiores bancos privados do país tiveram lucro líquido de R$ 14,4 bilhões. Desse total, R$ 4,6 bilhões foram distribuídos aos acionistas.

     

     

    Os mesmos fundamentalistas neoliberais que operam o governo de negócios, por dentro e por fora, meteram o Brasil numa enrascada provocando um caos econômico e social dramático para garantir maiores lucros a acionistas de empresas petroleiras nacionais e estrangeiras.

    E o povo que se dane.

     

     

    Impuseram uma política ortodoxa de preços dos combustíveis alinhada com o comércio internacional de petróleo e derivados e com as variações cambiais. Colocaram o país num beco sem saída. Pedro Parente e Michel Temer querem que o país se renda à política de preços dos combustíveis.

     

     

    Os acionistas e as refinarias norte-americanas estão felizes com os extraordinários lucros. De janeiro a abril deste ano, o Brasil importou US$ 2,39 bilhões em óleo diesel. Um aumento de 58% sobre igual período de 2017. Em comparação ao mesmo período de 2016, o aumento foi de 235%.

     

     

     

    Há suspeitas de que corretora de ações em bolsas de valores estariam por trás de muitos dos negócios na área de petróleo. Pedro Parente é originário do mercado financeiro. Pode ter lebre nessa moita.

     

     

    Calcula-se que a crise do petróleo já causou em poucos dias prejuízos da ordem de mais de R$ 10 bilhões ao país. E até o momento não há notícia de que órgãos de fiscalização e controle se prontificaram a investigar as causas de tão desastrosa política pública.

     

     

    O Congresso Nacional precisa instaurar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) e convocar os ministros de Minas e Energia e dos Transportes, Portos e Aviação Civil, chamar o presidente da Petrobras, Pedro Parente, a darem explicações sobre a crise.

     

     

    A Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Ministério Público, o Tribunal de Contas da União, PROCOM, deveriam sair do estado de complacência e cumprir o dever institucional de investigar as causas da crise e os prejuízos à sociedade. Mas parecem atados por liames comprometedores com o golpe de estado.

     

     

    O governo vive falência múltipla dos órgãos. Parece desaparecer numa fotografia em preto e branco, no silêncio das cidades, dos motores desligados.

     

     

    A greve de  caminhoneiros e petroleiros é a pá de cal no governo do golpe de estado.

     

     

    O Brasil mostra sua cara de sanatório geral, com figuras delirantes nos postos de poder e nas ruas batendo panelas pela volta dos militares num cenário eleitoral totalmente imprevisível onde tudo pode acontecer.

     

     

    A única certeza política que o país tem é que a grande maioria da população quer Lula Livre e, se livre, é eleito em primeiro turno. Ponto.

  • O Estado branco mantém Lula num cativeiro em Curitiba

     

     

     

    O cenário político que se descortina para as próximas eleições revela o Brasil mais real do que se pode imaginar.

     

     

    O Brasil tem a escravidão amarrada no pé como uma bola de ferro. Essa realidade está exposta em Curitiba para o mundo ver.

     

     

    Lula, o maior líder popular da história do Brasil, condenado sem provas,com base numa acusação desmentida pelos fatos, está num cativeiro em Curitiba, até o momento impedido de ser candidato à Presidência da República.

     

     

    Líder nas pesquisas eleitorais, é o único nome que une os movimentos sociais e as forças políticas comprometidas com a democracia e com a justiça social.

     

     

    Magistrados, procuradores e policiais que prepararam o processo e o condenaram são brancos. Aliás, o Estado brasileiro é predominantemente branco. Isso não é uma ironia da história. São raros, juízes, procuradores policiais federais, generais, brigadeiros, almirantes, grandes proprietários e rentistas, negros.

     

     

    A lógica é  a mesma da elite empresarial e rentista que não se enraizou no Brasil. Mantêm o apartheid social, a ampliação da desigualdade e a concentração da riqueza com mãos de ferro. Não admitem direitos aos de baixo e os tratam com desprezo e punição.

     

     

    Os algozes do ex-presidente Lula, por exemplo, devem ter estudado nas melhores escolas do país. Desde a infância, certamente tiveram suas roupas lavadas, passadas, refeições preparadas a tempo e a hora por empregados domésticos. Como sempre, negros, indígenas ou descendentes.

     

     

    O ex-presidente Lula e talvez os empregados domésticos de seus algozes, não tiveram a mesma condição, não conseguiram  estudar em escolas regulares. Mas Lula foi agraciado com 32 títulos de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo e do Brasil.

     

     

    Tudo isso está exposto no Brasil à luz do dia, mas nem todo mundo vê, ou finge que não vê.

     

     

    O cinismo tece as togas e cobrem os ombros dos magistrados para o espetáculo judiciário. Os tribunais ainda preservam o punitivismo colonial, os magistrados e suas canetas, e a subordinação das forças policiais e militares a seus mandos.

     

     

     

    Policiais e militares, originários historicamente dos reinados e mantidos por eles para defender o patrimônio da Coroa e dos proprietários das terras, das empresas e dos bancos que se estabeleceram aqui, agem no Brasil, salvo raras exceções, como combatentes de inimigos internos, respaldados por “juízes de pelourinho”, autoridades forjadas na cultura colonial do açoite, da degola, do esquartejamento e salgamento de corpos de líderes populares. Sempre foi assim em Pindorama. E com muito ódio de classe. A história tem os fatos emoldurados e pendurados na parede da memória. 

     

     

    Parece que o ex-presidente Lula é visto pelas autoridades como o inimigo interno número um.

     

     

    Por ter manifestado sentimento nativista e desejo de independência do Brasil, Felipe dos Santos foi preso por militares facínoras, amarrado a uma junta de cavalos bravios e arrastado pelas ruas de Vila Rica, em Minas Gerais, até o corpo partir em pedaços. Logo em seguida,  salgados e pendurados nas árvores da entrada da cidade.

     

     

    Depois foi a vez de Tiradentes, enforcado, esquartejado, as partes do corpo também salgadas e amarradas em postes de Vila Rica, e a cabeça exposta no paço da cidade.

     

     

    Zumbi dos Palmares, por se rebelar contra a escravidão, foi degolado com o ódio dos senhores, reinante na época, a cabeça levada ao governador de Pernambuco, Melo de Castro, e exposta no paço da cidade do Recife.

     

     

    Antônio Conselheiro, Lampião e muitos dos seus seguidores também tiveram as cabeças cortadas e expostas em praças públicas.

     

     

    Duque de Caxias, a mando do imperador Pedro II, comandou chacinas e mais chacinas de grupos que se rebelaram contra as atrocidades dos colonizadores. Por isso, recebeu o título de “O Pacificador” e é o patrono do Exército Brasileiro.

     

     

    Assim se comportam as forças armadas e policiais do Brasil ao longo da história, em nome da ordem e do progresso ditadas pelos de cima, mais recentemente pelos Estados Unidos.

     

     

    As forças armadas continuam a postos, têm até um artigo inscrito na Constituição, o Art. 142, que lhes dão o poder de tutela do Estado na manutenção “da lei e da ordem”.

     

     

    A violência judiciária, policial-militar está entranhada nos corações e mentes das autoridades inimigas da democracia. Sempre serviram ao senhorio, a proprietários e rentistas, na defesa da ordem deles.

     

     

    Nos períodos recentes das ditaduras civil-militares torturaram com requinte de crueldade, aniquilaram pessoas, fizeram-nas mortas-vivas, tamanha a violência dos facínoras, nos porões dos cárceres, para manter a ordem ditada pelos de cima e pelos Estados Unidos. Uma dessas pessoas é a presidenta Dilma, eleita legitimamente e deposta por corruptos.

     

     

    O Brasil não consegue se livrar da sombra do passado, do atraso organizado, da rapinagem empresarial colonialista e se firmar como uma República democrática, livre e soberana. Parece condenado ao desterro, ao insulamento.

     

     

    Magistrados, policiais e militares repetem o ritual de controle político das tensões sociais do país com ações que beneficiam gerentes de interesses corporativos externos, no sentido de alinhar o Brasil aos vínculos econômico-financeiros das nações centrais, impostos pelas corporações empresariais e seus negócios. Corporações que carreiam lucros para as nações centrais desde tempos idos.

     

     

    Nos momentos de crises, como o que o mundo atravessa, com efeitos extremamente perversos sobre as economias mais vulneráveis, as nações centrais buscam nas nações periféricas compensações de suas perdas. A conspiração que afastou a presidenta Dilma atende a essa finalidade e ocorreu exatamente no pico dos efeitos da crise financeira internacional.

     

     

    Desde os tempos coloniais, as nações periféricas contam com categorias nativas, não proprietárias, de gerentes de interesses externos, que vivem a pregar uma ideologia que só serve a eles e à defesa dos negócios.

     

     

    São tipos que transitam na política, no mercado, por diretorias de grandes corporações e estão sempre participando de governos, principalmente no comando de áreas estratégicas, parasitando recursos públicos, com as grandes corporações de mídia à disposição para formação da opinião pública e no comando da massa.

     

     

    o querem pagar impostos. Costumam ser sonegadores contumazes. Dizem-se inimigos do Estado, mas sempre contam com a proteção do Estado para salvar seus negócios.

     

     

    o têm compromisso com a democracia, com a cidadania, com as populações desfavorecidas. O negócio deles é negócio.

     

     

    Bancam golpes, repassam para os trabalhadores os prejuízos decorrentes das crises e defendem com unhas e dentes as margens de lucro de suas empresas.

     

     

    Para eles, nada de política externa que proporcione autonomia, independência do país.  Nada de falar grosso com as nações centrais

     

     

    Eles são os mesmos. Agora, mantêm o ex-presidente Lula num cativeiro em Curitiba, a fim de impedi-lo de se candidatar à presidência da República.

     

     

    A campanha para libertação do ex-presidente Lula é tão importante para o país quanto foi a campanha pelas eleições diretas e a convocação da Assembléia Nacional Constituinte, no final da jornada de lutas pelo restabelecimento da democracia.

     

     

    o só por ser a prisão dele uma das maiores injustiças da história do Brasil e o objetivo final do golpe de estado, mas pelo resgate da legalidade, da democracia, do estado democrático de direito, pela soberania nacinal, sobretudo pela anulação dos atos do governo ilegítimo por meio de um referendo popular.

     

     

    O cenário político do Brasil, guardado o devido tempo, tem os  mesmos elementos de séculos idos.

     

     

    Lula, líder dos de baixo, num cativeiro em Curitiba, na presidência da República um chefe de quadrilha entregando as riquezas, o patrimônio do país, e o aparato judiciário e policial-militar dando respaldo, “em nome da lei e da ordem”.

     

  • Lonnie Johnson tirou a guitarra da cozinha e colocou na sala de visitas



    Luiz Clementino
    8 de maio às 11:44
     

     

    O sentimento que emana dos BLUES expressa-se em facetas distintas e peculiares de cada região. O som do DELTA MISSISSIPI é puro lamento uma mágoa profunda que toca em cheio nossos corações. No TEXAS, como também na CALIFORNIA, desenvolveu-se um canto mais leve, menos dramático e mais alegre do que no sul. E o interessante é que nessas diversas localidades a estrutura musical é a mesma.

    Então, porque se dá essa visível diferença de interpretação sentimental sonora?

    Na pesquisa histórica de música afro, os estudiosos afirmam que, infelizmente os escravos do sul foram muito maltratados, viviam em um estado de isolamento rígido, favorecendo uma melodia e um canto denso. Para se ter idéia, o negro para se manter vivo teria, no mínimo, que ser bom trabalhador. Enquanto que, na costa leste, o racismo e a segregação foram menos severos proporcionando assim, condições de vida mais leves para os negros, fato esse que se refletiria na música.

    E neste contexto de blues regional, houve também um som diferenciado na cidade de NOVA ORLEANS, no estado sulista de Louisiane, banhada pelo Golfo do México. Neste centro urbano fundado pelos franceses, desenvolveu-se uma mistura de culturas europeias, latino-americanas, afro-americanas, asiáticas e irlandesas. Essa miscigenação étnica foi o berço do jazz.

    De acordo com o estudo de MARIA CRISTINA AGUIAR, docente na Escola Superior de Educação e no Conservatório Regional de Música Dr. José Azeredo Perdigão, em Viseu, e CLÁUDIA CRISTINA MARQUES VASCONCELOS BORGES, professora de Formação Musical na Academia de Música de Vilar de Paraíso, tem-se:
    O Blues, o Ragtime, a música Gospel e o Spiritual criaram uma estrutura musical definida e com sólida conformação artística e popular, tornando-a plenamente viável: o Jazz.

    Na verdade, o jazz era ouvido, inicialmente, nos eventos sociais: bailes, piqueniques, inaugurações, aniversários, casamentos e em desfiles fúnebres. A banda saía da igreja tocando marchas fúnebres até o cemitério, e na volta ia acelerando o ritmo e entoando temas alegres.

    Os músicos destas bandas de jazz eram maioritariamente artesãos (carpinteiros, pedreiros, alfaiates…) que faziam música nos feriados e fins de semana para aumentar o rendimento familiar. Se em algumas cidades os escravos eram maltratados, em New Orleans, no Estado de Louisiana, colonizada predominantemente por franceses e espanhóis, estes eram tratados com um pouco mais de brandura, ou com menos rigor. Aqui não foram confiscados os instrumentos musicais e os escravos podiam exercitar as suas práticas artísticas de uma forma mais livre.

    O pesquisador G.Herzahaft escreve:
    “a música forjada em Nova Orleans quase não apresenta analogias com o BLUES do TEXAS ou do MISSSISSIPI. Cidade aberta para as Caraíbas e o México, Nova Orleans, acolheu, é claro, muitos migrantes negros vindos do campo, com suas tradições musicais próprias, mas diluiu-os imediatamente no seio de uma rede de influências diversas: franco-acadiana, espanhola, creola, anglo-saxônica. Por esse grande porto cosmopolita, um dos primeiros portos internacionais da América, conheceu muito cedo a emergência de uma burguesia negra, opulenta e indulgente, que reflete bem na tradição jazzística da cidade”.

    Os historiadores afirmam, que até então a cultura desenvolvida naquela região foi influenciada pelos acontecimentos do século XIII, época do Iluminismo. Na França, neste período, a música era caracterizada pela claridade, simetria e equilíbrio.

     

     

    Consequentemente, a região de Lousiane importou o refinamento sonoro, que miscigenado com a cultura afro-escravagista resultou no Jazz e em um Blues mais bem elaborado do que o do Mississipi.

    E aconteceu que, nesta conjuntura jazzística surgiu a arte de LONNIE JOHNSON. Atípico bluesman, solos simples e lindíssimos de guitarra influenciou renomados músicos de jazz e blues, como Django Reinhardt, T-Bone Walker e nada mais nada menos que o fantástico BB KING. Se prestarmos atenção, vemos claramente de onde veio o solo aveludado e requintado do rei dos blues.

    Quando se ouve LONNIE JOHNSON pela primeira vez fica-se fascinado. Ao pesquisá-lo no mundo dos blues facilmente é encontrado. Sua importância é destacada pelos estudiosos e por músicos da música negra e de outros gêneros.

    Agora, porque esse artista é tão admirado e diferenciado?
    Como a obra musical, vale mais que um trilhão de palavras, confiram sua requintada performance, com a apresentação carismática do chefe de cerimonia:
    http://www.youtube.com/watch?v=n8fyb9vpIc0 – Another Night To Cry

    Muito se escreveu sobre LONNIE JOHNSON. Cito o estudioso de blues Gérard H. que diz:
    “….Saído de uma família abastada, se impôs rapidamente como músico versátil e completo. Praticando com maestria o violino e o piano, foi sobretudo como guitarrista que seu nome passou à prosperidade: tirou a guitarra de seu papel de acompanhamento orquestral para fazer dela um instrumento , que obteve o sucesso que sabemos em toda a música moderna…Acompanhou inúmeros cantores ou orquestras, LOUIS ARMSTRONG, DUKE ELLINGTON, EDDIE LANG, VICTORIA SPIVEY, etc….Exerceu também seu talento em todo o país, de Nova Orleans a Chicago e de Saint Louis a Nova Yorque….tem importância essencial em toda a história da música popular do século XX, parece atualmente evidente.”

    Bob Dylan descreve seus encontros com Johnson em Nova York:
    “Tive a sorte de conhecer Lonnie Johnson no mesmo clube em que eu estava trabalhando e devo dizer que ele muito me influenciou. Minha canção “Corrina, Corrina” é muito Lonnie Johnson. Eu costumava vê-lo em cada chance que eu tinha e às vezes ele me deixava brincar com ele. Acho que Lonnie Johnson e Tampa Red e, claro, Scrapper Blackwell , fazem meu estilo de tocar guitarra. Penso, também, que Robert Johnson aprendeu muito com Lonnie. Algumas das canções de Robert são como novas versões de músicas gravadas por Lonnie.”

    Músicos notáveis contemporâneos de LONNIE JONHSON, pertencentes a mesma patota e com característica sonora comuns, tocaram e gravaram várias peças juntos, em belas harmonias:
    VICTORIA SPIVEIS, cantora de blues-jazz não somente acompanhou LONNIE JOHNSON, como também LOUIS ARMSTRONG e outros. Gravou muitas canções próprias.

    https://www.youtube.com/watch?v=lmtRoM7q5wA com VICTORIA SPIVEIS,

    https://www.youtube.com/watch?v=7EesaWy0FKo com LOUIS ARMSTRONG

    EDDIE LANG, músico fantástico, foi o primeiro guitarrista importante de jazz. Inovador e moderno para a época, muitas vezes foi chamado “o pai da guitarra do Jazz”.

    https://www.youtube.com/watch?v=3iPA7oNRr5o com EDDIE LANG

    Em 2011 WYNTON MARSALIS e ERIC CLAPTON, gravaram ao vivo um CD/DVD na casa de show Rose Theater em Nova York, um encontro do rock com o jazz. No repertório, performances fantásticas, dentre elas uma composição de LONNIE JOHNSON, a belíssima CARELESS LOVE.

    Tudo em clima de festa, muita curtição e respeito mútuo.
    https://www.youtube.com/watch?v=ThjNXVHxwWc ERIC CLAPTON careless love

    Creio que seja escusado expressar em palavras o encanto desse músico. É preciso ouvi-lo urgente, voz e guitarra para melhorarmos ainda mais o nosso dia. Como já foi dito, seu toque é simples, elegante, requintado e carregado de emoção, somada à sua voz nobre, tem-se um conjunto bem acabado. É um virtuoso no gênero. Músico carismático, educado com a plateia, cara sublime e magnifico. Em suas interpretações, o lamento e o “banzo” da mãe África não é tão acentuado.

    Muito obrigado e até a próxima
    Luiz Clementino
    BSB MAIO/2018

    PS -1 consta na internet:
    Em março de 1969, LONNIE JOHNSON foi atropelado por um carro enquanto andava em uma calçada em Toronto. Johnson ficou gravemente ferido, sofrendo uma fratura no quadril e lesões renais. Um show beneficente foi realizada em 4 de maio de 1969, com duas dezenas de atos, incluindo Ian e Sylvia , John Lee Hooker e Hagood Hardy . Johnson nunca se recuperou completamente de seus ferimentos e sofreu o que foi descrito como um acidente vascular cerebral, em agosto. Ele foi capaz de retornar ao palco para uma apresentação no Massey Hall, em 23 de Fevereiro de 1970, andando com a ajuda de uma bengala para cantar algumas músicas com Buddy Guy e recebendo uma ovação de pé. Ele morreu em 16 de junho de 1970 e foi sepultado em Mount Hope Cemetery , em Toronto. Em 1997, Johnson foi postumamente introduzido no Louisiana blues Hall of Fame.

    OUÇAM:

    http://www.youtube.com/watch?v=HPnnA7R_avQ summertime
    http://www.youtube.com/watch?v=0CmmB-HhbAk
    http://www.youtube.com/watch?v=yMHRQsMZuA0&playnext=1&list=PLA3E8EB82D2E8459F
    http://www.youtube.com/watch?v=IBw91C8CmKM swingin the blues
    https://www.youtube.com/watch?v=5q2YWl8GwQU