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  • A banda podre da política brasileira será vista pelo mundo mais uma vez

    Temer e Dilma

     

    Os tempos mudaram, não há mais como dar golpes às escondidas. Câmeras, microfones, redes sociais, estão levando senadores, juízes, procuradores e policiais  a um nível de exposição jamais visto. Talvez não estejam dando conta disso.

    O mundo está acompanhando o golpe no Brasil e produzindo farto noticiário nas grandes redes internacionais, tendo em vista o ineditismo da engenharia da conspiração envolvendo um Congresso corrupto, guardadas as devidas excessões, setores do Judiciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e da imprensa.

    Os últimos editoriais, do New York Times acompanhado de uma charge em que aparece a Presidenta Dilma cercada por ratos, e do Le Mond dizendo que é “golpe ou farsa”, com denúncia contra a Rede Globo, são devastadores. Sem falar nos comentaristas de TVs e de outros jornais e revistas quase todos os dias.

    A imprensa internacional que cobriu a Olimpíada Rio-2016, vista por bilhões de pessoas, não noticiou apenas as competições, mas mostrou a conspiração da banda podre da política brasileira para afastar a Presidenta Dilma, por um grupo de corruptos.

    Na Olimpíada, Temer perdeu completamente o respeito das autoridades internacionais e não consegue esconder a fragilidade do governo provisório, que pode ser liquidado por uma delação premiada a qualquer momento, por ter sido presidente do PMDB por mais de 16 anos e mantido estreitas relações com Eduardo Cunha, o político mais odiado do país.

    Artistas, intelectuais, acadêmicos, ativistas, produzem manifestos em várias partes do mundo contra o golpe no Brasil  .

    Além do registro detalhado das ações dos conspiradores, pela imprensa brasileira não golpista e pela imprensa internacional, dois documentários estão sendo realizados com todos os passos do golpe. Tudo isso ficará na história.

    A ida da Presidenta Dilma ao Senado para fazer a própria defesa trouxe a Brasília repórteres de praticamente todas as grandes agências de notícia internacionais. Ela não vai falar apenas para os senadores, mas para o Brasil e para o mundo. A coragem de Dilma está causando medo no Senado.

    O número de indecisos gira em torno de oito senadores. Cristóvam Buarque disse em entrevista recente à imprensa que pode rever seu voto.

    Cristóvam guarda mágoa de Lula por não tê-lo indicado, em 2009, Diretor-Geral da UNESCO, com sede em Paris. Ao invés dele, foi negociado e nomeado o egípcio Farouk Hosni.

    Pode ser que Cristóvam tenha pleiteado a mesma nomeação ao interino Temer, em troca do voto pelo afastamento definitivo da Presidenta Dilma. A conferir.

    Cristóvam sabe que a possível  troca do voto pelo cargo causará grande repercussão internacional e um problema político na UNESCO de dimensões inimagináveis.

    Como o nível de exposição dos movimentos dos golpistas é extremo não só no Brasil, mas no mundo, alguns senadores podem estar avaliando a possibilidade de mudar o voto, principalmente se abster.

    Não há mais como dar golpes por detrás das cortinas. Os tempos mudaram.

    Todos os senadores vão registrar seus votos no painel, nas praças eletrônicas das redes sociais e, obviamente, na história. Serão expostos como nunca visto.

  • Bom dia Santiago!

    Santiago

    Trinta e cinco anos depois, imaginei encontrar você assim mesmo: um dia de sol, céu azul sobre a cordilheira branca, outro nublado, cinza, da cor do mar do Pacífico, esse oceano de mistérios entre as costas das Américas e suas buscas; da Ásia e seu tempo ancestral; da Austrália e sua solidão insular; da Antártida e do Ártico, com suas noites brancas como a neve; dos Andes e sua história contida pela história oficial; e do deserto de Atacama, feito de céu, terra e tempo.

    Oceano e montanhas que lhes dão frutos, versos, prosas, olhares, eternizados por Neruda, Gabriela Mistral, Isabel Allende, Patrício Gusmán, Violeta Parra, Victor Jarra, Salvador Allende e tantos outros que no los puedo contar.

    Suas luzes se despedem da noite fazendo brilhar a água da chuva que tudo lava, que tudo renova em novos dias, muitos deles frios, mas cheios de esperança, de vontade de desvendar o sentido do que não  faz sentido.

    De andar se equilibrando entre a geografia e a história, como todo o mundo, sem esquecer de quem um dia violentou sua liberdade, lhe ultrajou, lhe feriu de morte, deixando marcas profundas que lhes atormentam até hoje.

    Admiro você, Santiago, suas ruas e praças, por ter conseguido superar o tempo sombrio de sangue  e lágrimas, sin perder la ternura, a delicadeza, a elegância. Sem esquecer nenhum dos que lhe fizeram assim, generosa, solidária, acolhedora.

    Você será sempre lembrada por ter recebido e cuidado dos humilhados, dos ofendidos e torturados pelas ditaduras da América Latina, nos anos sombrios.

    Pode ter certeza, sua generosidade está marcada na história de cada país hermano como tatuagem.

    Você é grandiosa, Santiago!

    Tu eres hermosa!

    (*) No dia 27 de agosto de 2013, acordei em Santiago do Chile e escrevi no Facebook essa saudação à cidade.

  • Tucanos estariam tramando golpe contra Temer?


     

     

    Golpe tucano

     

     

    Tudo indica que a Operação Lava Jato foi mesmo encomenda para destruir o PT, derrubar Dilma e impedir Lula de disputar as eleições em 2018.

    Mas parece que deu errado ao atingir em cheio o PMDB e o PSDB. As investigações estão colocando por terra Temer, Aécio e a cúpula dos respectivo partidos.

    O que fizeram recentemente o juiz Sérgio Moro e o procurador geral da República, Rodrigo Janot, os paladinos do combate à corrupção?

    Suspenderam as delações premiadas dos executivos da Oderbretch e da OAS. As delações podem  liquidar com Temer e Aécio.

    No STF, o ministro Teori Zavatski abre inquérito contra Lula e Dilma, sem nenhum indício de crime. Esse inquérito pode até inocentá-los, mas não se sabe o que pode decorrer desse processo.

    A Polícia Federal concluiu que Lula não é dono do tal triplex do Guarujá e os donos do sítio de Atibaia apresentaram provas documentais de que são os donos do sítio, que Lula é amigo da família, convidado a desfrutar do sítio e a alojar os onze contêineres de presentes recebidos na Presidência da República.

    Já reviraram as vidas de Dilma, Lula e sua família, e não encontraram nada.

    Se condenado, Lula passa a ser  “ficha suja”, não poderá se candidatar em 2018. Por isso a perseguição a Lula.

    Está ficando claro que estão preservando Aécio por causa da ação do TSE que evolui para cassação dos mandatos de Dilma e Temer.

    Quem assumiria, caso isso se efetive? Aécio, o segundo mais votado nas eleições de 2014, se a cassaçao ocorrer no biênio. Se no terceiro ano do mandato, assume o presidente da Câmara, para convocar eleições em 90 dias.

    Temer demonstrou na interinidade ser um homem fraco, sem capacidade de liderança, titubeante, não está conseguindo unir a base na Câmara para aprovação da agenda do golpe nem a confiança do mercado. Temer agravou ainda mais a crise econômica. Estão retirando as fichas de apostas nele.

    Estariam desistindo de Temer, por incapacidade e falta absoluta de prestígio internacional?  Temer se afundou na Olimpíada Rio 2016.

    A Olímpíada expôs o golpe ao mundo. Temer está liquidado, sem condições mínimas de representar o Brasil nos fóruns internacionais.

    Parece que a trama agora é essa. Pode estar em curso um golpe dos tucanos contra Temer.

    Golpistas são golpistas em qualquer parte. Vivem de pequenos a grandes golpes.

  • Senhor juiz: o direito à vida ou à morte assistida

     

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    Neon Cunha é negra, de cabelos compridos, bem penteados, usa batom, brincos, esmaltes coloridos nas unhas, salto alto, tem corpo com seios adornados por roupas e adereços esteticamente preferidos por mulheres. Tem 44 anos, é profissional em designer. É uma mulher bem formada intelectualmente e corajosa. No início deste ano ela colocou o Judiciário em xeque com uma ação inédita.

    Neon entrou na justiça com um pedido de retificação de registro civil e, ao mesmo tempo, garantia do direito a morte assistida, caso lhe seja negado o direito de ser como ela é.

    O direito à morte assistida existe em muitos países europeus de cidadania avançada.

    Neon se recusa a ser diagnosticada como portadora de “disforia de gênero”, classificada nos manuais médicos DSM/CID, pelo “poder médico”. Ela não quer fazer cirurgia, quer apenas ser respeitada e  reconhecida legalmente como ela é.

    “Não quero passar pelo processo transexualizador e me submeter às regras impostas governamentalmente e socialmente”. Diz ela.

    A onda conservadora, que está causando inadmissível retrocesso no Brasil, chegou a esse ponto, em que uma cidadã coloca a própria vida como condição para fazer valer direitos elementares, os mais importantes deles, o direito à identidade, à dignidade e à felicidade.

    Os direitos garantidos pela Constituição e pelas leis do país estão sendo negligenciados por juízes, não só nas perseguições politico-partidárias recentes, decorrentes da articulação do golpe de Estado, mas ameaça cidadãos e cidadãs com negação de direitos inalienáveis, em razão de padrões morais particulares.

    Não bastassem certos juízes, médicos e corporações também se arvoram em tomar decisões com base em um certo “poder médico”, constrangem e ameaçam direitos líquidos e certos ao negar ou retardar procedimentos legais.

    O Estado, e muito menos corporações profissionais, não podem negar o direito à identidade. A sexualidade não é algo restrito à genitália.

    O Estado não pode legislar sobre o domínio do corpo. O direito ao corpo é inalienável, é o direito à integridade, à personalidade, à dignidade, à intimidade e à saúde. A dignidade humana é um dos fundamentos da República.

    Na Constituinte, o direito ao corpo foi amplamente debatido, mas os fundamentalistas religiosos não permitiram que constassem explicitamente no texto constitucional o direito à transgenia, à não transgenia, ao uso de drogas, ao aborto, ao suicídio, à eutanásia, à prostituição, ou seja, o direito à própria vida.

    Diziam os conservadores, na Constituinte, que esses direitos estariam contemplados no artigo 5º e em outros dispositivos da Constituição. Mas estão até hoje sem regulamentação por leis ordinárias porque os conservadores não permitem. Eles são maioria no Congresso.

    Até 1997, as cirurgias eram proibidas no Brasil. A partir de 2008, no governo Lula, um programa do Sistema Único de Saúde (SUS) possibilitou atendimento integral aos transexuais com acesso a hormônios, cirurgias, medicamento, e outros benefícios.

    O fato é que a transexualidade e a transgenia ainda são consideradas, pela medicina, uma patologia intitulada “disforia de gênero”. Para ter acesso a hormônios, cirurgias e mudança no registro civil, as pessoas que estão providenciando a transição obrigatorimente precisam do humilhante laudo médico com diagnóstico, como se o desejo de optar por redesignação sexual fosse uma patologia.

    Neon encara o atraso organizado, expõe as contradições do conservadorismo com uma atitude extrema, coloca dois direitos sobre a mesa do magistrado: o direito ao corpo e o direito à vida. Se lhe for negado o direito ao corpo que lhe seja garantido o poder de   dispor da própria vida, ou seja de não continuar viva se assim o quiser, por não aceitar a condição de vida imposta a ela.

    Neom expressou sua indignação numa declaração contundente, que ecoa como um alerta a todas as mulheres que vivem drama semelhante, como se convocando à uma rebelião contra o conservadorismo. Diz ela:

     “… o que é a morte? É a não existência, é a ausência de vida. Do que adianta eu ser documentada? Sou uma morta-viva? A negação de direito à vida eu já tenho. A condição posta é essa: eu preciso ficar mendigando que os outros permitam que eu seja quem eu sou. Eu tenho 16 anos de consultório terapêutico. Eu converso sobre não querer ser patologizada. Eu não sou doente. Eu não tomo hormônio de jeito nenhum. Tomei por uns dois anos, mas é muito ruim, muito desconforto. Eu tenho que respeitar quem vai fazer, mas não é uma opção, é regra. Sou mais uma mulher lutando pelo direito à dignidade que todas nós merecemos e poucas têm acesso. Não há nada mais primário do que a garantia de dignidade, nem mesmo a vida. Não tenho medo da morte. Tenho medo de morrer sem dignidade. A morte assistida seria morrer com os meus queridos ao redor, saber que eu ia ser enterrada com o modelão que eu escolhesse”.

    O atraso organizado vem semeando conflitos, sofrimentos, privações de direitos na sociedade brasileira, coincidentemente em pleno momento de realização da Olimpíada do Rio, considerada a que teve o maior número de atletas gays assumidos na história deste evento esportivo.

    Um avanço extraordinário da afirmação da cidadania, da consciência da liberdade, da tolerância e do respeito aos direitos humanos.

    Que o espírito olímpico permaneça aqui por muito tempo para ajudar a dissipar as brumas medievais que ameaçam o Brasil e pessoas como Neon, que lutam todos os dias por respeito a direitos elementares de serem felizes, com vida digna e bem adaptadas à redesignação de sexo livremente escolhida.

  • Eleições livres ou marcha do governo para os presídios

    Cúpula do PMDB

    O governo interino de Michel Temer sofreu dois baques devastadores nos últimos dias: o desgaste na abertura da olimpíada e as delações premiadas dos executivos da Oderbretch.

    O golpe desembocou na olimpíada e se espraiou como uma onda levando para o mundo as agruras por que passa a democracia no Brasil.

    Os chefes de Estado e demais autoridades internacionais viram com os próprios olhos o usurpador do poder, as cadeiras vazias que seriam de outros chefes de Estado, que não compareceram, a censura às manifestações “Fora Temer” e a repressão policial nas arenas com prisões ilegais.

    As maiores redes internacionais de comunicação, que estão cobrindo as competições, levam para o mundo todo não só o noticiário sobre jogos, mas o escândalo do golpe.

    É possível que os golpistas tenham calculado mal e subestimado a repercussão da situação política do Brasil. Podem ter avaliado que a cobertura do evento, pela sua grandiosidade, ofuscaria o noticiário político. No entanto, o mundo hoje sabe detalhes do golpe.

    As delações envolvendo o interino Michel Temer e os ministros, da Casa Civil, Eliseu Padilha, com a recepção de propina em dinheiro vivo, tendo sido acertada nas dependências do Palácio do Jaburu, com o próprio interino; e de Relações Exteriores, José Serra, que recebeu dinheiro no exterior, mostram que o governo não aguentará o desdobramento das delações que estão por vir. É muito provável que toda a cúpula do governo caia nos próximos dias. Nos anexos das delações constam só autoridades do PMDB.

    Temer usa como desculpa a reunião do G-20 para antecipar a votação, no Senado, do processo de afastamento definitivo da Presidenta Dilma. Mas o que ele quer mesmo é se antecipar às delações dos 50 executivos da Oderbretch. Se Temer foi ignorado na abertura da olimpíada, no G-20 a situação deve ser ainda mais constrangedora.

    Em seu lugar, assumiria a Presidência da República o atual Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do DEM/RJ, que tem um pedido do Ministério Público para que seja investigado por recebimento de dinheiro do escândalo da Lava-Jato.

    Na verdade, Temer quer se livrar das investigações. Caso ele assuma definitivamente a Presidência da República, não poderá ser investigado. Só com autorização da Câmara dos Deputados. Então, está acontecendo uma ação entre amigos.

    Enquanto a imprensa internacional leva detalhes do escândalo para o mundo, a imprensa familiar do Brasil não está considerando a gravidade dos fatos revelados nos últimos dias como deveria. Devido a isso, está virando notícia fora do Brasil por tentar blindar o governo corrupto que se instalou no Palácio do Planalto.

    Mas não está conseguindo segurar a onda devastadora que se abateu sobre o governo nos últimos dias. Temer dá sinais claros que se esgotaram as condições dele permanecer no poder e cresce o movimento pela realização de novas eleições.

    As próximas delações dos executivos da Ordebretch serão decisivas sobre o voto dos indecisos no Senado Federal.

    Entre prosseguir com um governo que vê no horizonte algemas brilhantes e chamar o povo para debater e dividir a responsabilidade na construção da saída da crise, tudo indica que os senadores sensatos optarão pela segunda sentença e abandonarão o governo interino de Michel Temer, tendo em vista a gravidade das denúncias e o risco que representa a continuidade.  Ganha força a ideia de abstenção da votação entre os indecisos.

  • Foi bonita a festa pá, feio foi Temer

     

     

     

    TEMER- Olimpiadas

     

     

    Ficou muito feio o comparecimento do interino Michel Temer à abertura dos jogos olímpicos. O constrangimento dos chefes de Estado foi visível.

    Além do baixo comparecimento de autoridades estrangeiras, Temer foi solenemente desprezado e  vaiado pela multidão que lotou o Maracanã numa festa de extraordinária beleza.

    A festa não era dele, era do Brasil. E não foi produzida pelo governo interino, mas pelo governo da Presidenta Dilma, com destaque para os ministérios da Cultura, (extinto por Temer e depois voltado atrás), e do Esporte, que apoiou a formação de atletas brasileiros com vários programas de governo, também extinto por ele.

    A condição de usurpador do poder e da festa impôs a Temer um silêncio inédito na história das olimpíadas.  Sequer foi citado pelos oradores na abertura. Um penetra na festa. Ele não discursou porque seria impedido por estrondosa vaia. Nem falar em nome dos brasileiros, por não  representar o Brasil democrático, cidadão. Ele representa um golpe de Estado.

    O batalhão de repórteres da imprensa internacional, que veio cobrir as olimpíadas, está levando para o mundo não apenas o noticiário sobre as competições, mas o golpe de Estado, o retrocesso que o Brasil está vivendo na democracia. Os repórteres denominam a situação política do Brasil como golpe e não impeatchment, como diz a imprensa familiar brasileira.

    A beleza da festa foi reconhecida e elogiada em todo o mundo. Um momento mágico para o Brasil. O problema da festa foi o constrangimento internacional com a presença do usurpador, que chegou à Presidência da República, apesar de interinamente, por meio de um golpe comandado por um bando de corruptos do Congresso Nacional, liderados por Eduardo Cunha e Aécio Neves, os dois, envolvidos nos escândalos da Petrobras. A imprensa internacional não se conforma com isso e com o apoio da imprensa familiar brasileira a isso.

    Foi bonita a festa pá, feio foi Temer

  • Temer não tem espírito olímpico, não representa o Brasil

     

     

     

    As Olimpíadas são um momento sublime da humanidade.

     

    Atletas de todo mundo se reúnem para exibir o melhor de si, conquistado com imenso esforço e apuro das habilidades, forjadas em valores éticos, morais, e na responsabilidade de representar os povos de seus países.

     

    O espírito olímpico é o espírito da democracia, da civilização humana, do reconhecimento público das qualidades de cada um.

     

    Enquanto os atletas se reúnem para exibir nobreza de caráter, o presidente interino, Michel Temer, comparece à abertura dos jogos olímpicos para exibir pobreza de espírito ao Brasil e ao mundo: falta de ética, falsidade, traição, trapaça, conspiração e usurpação do poder.

     

    Os atletas são frutos do esmero, da honestidade. Temer é fruto de um golpe, da desonestidade.

     

    Temer não representa o Brasil.

     

  • “Juízes de Pelourinho”

     

     

    Juízes de Pelourinho

     

     

    Os “Juízes de Pelourinho” mergulham cada vez mais o Judiciário nas águas turvas do Estado de exceção. Mostram irresponsabilidade funcional e descompromisso com a construção da nação republicana e democrática que o país deseja. Os exemplos de injustiças surgem aos borbotões a toda hora.
    Estão destruindo o pouco de credibilidade que a Justiça conseguiu na sociedade brasileira depois da promulgação da Constituição de 1988, que proporcionou estrutura jurídica e funcional modernas, condizentes com a República e com a democracia conquistada com tanto sacrifício.
    Por incrível que pareça, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite, que tornou Lula réu num controvertido processo, sem ouvir a defesa, no qual o ex-presidente é acusado de obstrução da Justiça, é o mesmo que que foi afastado da Operação Zelotes e responde a uma representação do Ministério Público na corregedoria de justiça por ter dificultado as investigações.
    A Zelotes investiga um escândalo bilionário envolvendo conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF.
    O Juiz negou os pedidos de prisão preventiva emitidos pela Polícia Federal e paralisou as interceptações telefônicas que comprovariam crimes praticados por altos funcionários de bancos como o Safra, Bradesco e Santander.

    Uma semana antes do recesso, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também manobrou contra as investigações, decretou o fim da CPI do CARF.

    O Brasil é um país de instituições e Constituição modernas, mas com autoridades muito aquém das funções públicas que ocupam.
    Salvo raras excessões, as autoridades ainda são monárquicas, têm comportamento de corte, como se trabalhassem para a Coroa. Estão longe de serem republicanos e mais longe ainda da cidadania e da democracia.
    Para esses, Lula deve ser açoitado no Pelourinho, voltar para a Senzala, e ficar distante das eleições de 2018.

     

  • Ordem na Senzala & Progresso na Casa-Grande

     

     

     

     

    Banqueiros 2

     

     

    O governo provisório de Michel Temer é analógico, rodando um filme preto e branco de piratas pilhadores, que tentam a qualquer custo restaurar as pontes com o passado mais atrasado do Brasil e reestruturar as bases de poder oligárquico para os negócios com as metrópoles.

     

    Depois do período colonial, as nações centrais mantiveram profundos vínculos econômico-financeiros com as nações periféricas por meio de suas corporações empresariais. Com seus liames políticos impuseram a arquitetura do Estado e do poder.

     

    Foi assim no Império e na República, que resultou do golpe militar do Marechal Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Benjamim Constant, logo após a proibição da escravidão pela Lei Áurea.

     

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    Os militares não se aliaram aos republicanos abolicionistas, mas aos proprietários das terras, das minas, das empresas e dos bancos que se estabeleciam no país.

     

    As forças armadas e policiais brasileiras, por serem originárias historicamente dos reinados e mantidas por eles, para defenderem o patrimônio da Coroa,  dos proprietários das terras e das corporações, têm  se comportado, no Brasil, salvo raras exceções, como combatentes do “inimigosinterno”, respaldadas por “Juízes de Pelourinho”, autoridades forjadas na cultura colonial do açoite, da degola, do esquartejamento e salgamento de corpos de líderes populares. Sempre foi assim em Pindorama e a história tem os fatos emoldurados e pendurados na parede da memória.

     

     

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    Por ter manifestado sentimento nativista e desejo de independência do Brasil, Felipe dos Santos foi amarrado a uma junta de cavalos bravios e arrastado pelas ruas de Vila Rica, em Minas Gerais, até o corpo partir em pedaços. As partes foram salgadas e penduradas nas árvores da entrada da cidade. Tiradentes foi enforcado, esquartejado, as partes do corpo também salgadas e amarradas em postes de Vila Rica. A cabeça ficou exposta no paço da cidade.

     

     

    Tiradentes-Pedro-AmericoZumbi teve a cabeça cortada, levada ao governador de Pernambuco, Melo de Castro, e exposta no paço da cidade do Recife. Antônio Conselheiro, Lampião e muitos dos seus seguidores também tiveram as cabeças cortadas e expostas em praças públicas. Assim se comportam as forças armadas e policiais do Brasil, em nome da ordem e do progresso ditadas pelos de cima.

     

    A violência policial-militar está entranhada nos corações e mentes das autoridades inimigas da democracia, que servem a proprietários e rentistas. Nos períodos recentes das ditaduras civil-militares torturaram com requinte de crueldade, aniquilaram pessoas, fizeram-nas mortas-vivas, tamanha a violência dos facínoras nos porões dos cárceres.

     

     

    A Presidenta Dilma foi uma das vítimas da tortura. Na sessão da Câmara dos Deputados, que a afastou da Presidência da República e deu posse a Michel Temer, o deputado Jair Bolsonaro homenageou o torturador Brilhante Ustra com seu voto a favor do golpe.

     

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    A República brasileira é fruto de um golpe militar, manobrado politicamente por gerentes de interesse dos bancos e das grandes corporações nacionais e multinacionais. Por incrível que pareça, o Brasil não consegue se livrar da sombra do passado, do atraso organizado, e se firmar como uma República democrática, livre e soberana.

     

    O lema dos golpistas da República colonial, inscrito na bandeira brasileira, “Ordem e Progresso”, é o mesmo do golpista Michel Temer e seu governo, que se adianta na tentativa de subtração de direitos conquistados pela população trabalhadora e na entrega de suas riquezas a empresas multinacionais, como as jazidas de petróleo do pré-sal, a maior jóia de Pindorama, de empresas estatais estratégicas para o desenvolvimento, como as do setor elétrico e outros bens públicos.

     

    Os golpes civil-militares que se seguiram na história do Brasil, nos ciclos de vigência do Estado democrático de direito, foram dados por militares em parceria com gerentes de interesses externos, para realinhar o Brasil aos vínculos econômico-financeiros das nações centrais impostos pelas corporações empresariais.

     

    Nos momentos de crise, como o que o mundo atravessa, com efeitos extremamente perversos sobre as economias mais dependentes e vulneráveis, as nações centrais buscam nas nações periféricas compensações de suas perdas.

     

    O golpe de Estado que derrubou a Presidenta Dilma e a imposição de Michel Temer, tramado pelo Congresso, setores do Judiciário e da mídia, é resultado de uma sofisticada conspiração que atende a essa finalidade.

     

    Desde os tempos coloniais, as nações periféricas contam com categorias nativas, de gerentes de interesses estrangeiros que vivem a pregar uma ideologia que só serve aos exploradores e seus negócios.

     

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    São tipos que transitam na política e no mercado, e estão sempre participando de governos, principalmente no comando de áreas estratégicas com as grandes corporações de mídia a disposição, onde formam a opinião pública e comandam a massa.

     

    Não gostam de pagar impostos. Costumam ser sonegadores contumazes. Se dizem inimigos do Estado, mas sempre contam com a proteção e a salvação dos seus negócios pelo Estado.

     

    Não têm compromisso com a cidadania, com as populações desfavorecidas. O negócio deles é negócio.

     

    Bancam golpes, repassam para os trabalhadores os prejuízos decorrentes das crises e defendem com unhas e dentes as margens de lucro de suas empresas.

     

    Para os golpistas de sempre, nada de política externa que proporcione independência e soberania.  Nada de falar grosso com as nações centrais.

     

    Para eles,  “Ordem e Progresso ” significa baixar as cabeças, trabalhar, produzir, consumir, não questionar e deixar os destinos nas mãos dos poderosos. Afinal, não atrapalhem os piratas, eles querem continuar explorando Pindorama.

     

     

     

     

  • Gerentes de negócios da colônia

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    A renúncia de Eduardo Cunha da Presidência da Câmara foi articulada atrás das cortinas de uma peça grotesca que se encena em Brasília, para esconder o balcão de negócios que se estabeleceu no Palácio do Planalto na tentativa de efetivar o afastamento definitivo da Presidenta Dilma e entregar o Pré-Sal, a jóia mais preciosa de Pindorama, disputada por empresa petroleiras dos colonizadores.

    O Brasil entrou para a geopolítica do petróleo. Nosso petróleo está sendo tomando sem guerra, com os militares longe do golpe. A tomada do petróleo do Brasil ficou por uma pechincha.

    Precisaram apenas de Eduardo Cunha e Michel Temer para fazerem o serviço, um Congresso de maioria corrupta, e um povo desavisado que foi às ruas vestidos de amarelo bradar contra a corrupção.

    Vai jorrar muito dinheiro dos poços de petróleo nos fundos do galinheiro do Sítio do Pica-pau Amarelo. As petroleiras estrangeiras e os rentistas vão levar tudo.

    Tucanos como Gustavo Franco, Percio Arida, Arminio Fraga, Lara Rezende e outros, membros da equipe econômica privatista do governo Fernando Henrique, gente que vive de grandes negócios, gerentes de interesses externos, rentistas de mega corretoras de ações em bolsa, devem estar esfregando as mãos para entrar na privataria do patrimônio público, das maiores riquezas do país, e das estatais estratégicas para o desenvolvimento.

    Deputados, senadores, ministros, provavelmente vão levar um troco pelos serviços prestados aos colonizadores de Pindorama.

    Diante das TVs, dos rádios, da Internet, ou lendo jornais e revistas de fim de semana, golpistas vão comemorar, aplaudir dizendo que as privatizações irão acabar com a corrupção. Esse discurso está forte nas tribunas eletrônicas das praças das redes sociais.

    Na Presidência da Câmara ou fora dela, Eduardo Cunha manda do mesmo jeito, comanda a malta de chacais da lamacenta sessão da Câmara, do dia 17 de abril.

    Não há no Congresso ninguém melhor talhado do que ele para fazer o serviço sujo do governo. Ele se comporta como o gerente dos gerentes dos negócios das grandes corporações nacionais e internacionais, no Congresso Nacional.

    Temer age como se fosse um office-boy dele. Os encontros clandestinos, dos dois, nas brumas das noites à beira do Lago Paranoá, em Brasília, demonstram que as negociações vão de vento em popa.

    Além da conspiração para afastar Dilma, Eduardo Cunha articulou o Centrão, tudo indica que ele está comandando a eleição do novo presidente da Câmara para manter a base de Temer unida. Uma base que come na mão dele ou comerá na mão de seu preposto, para aprovar a pauta do golpe.

    A manobra dos dois para salvar Eduardo Cunha foi tramada na cara dura com o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado Osmar Seraglio, PMDB-PR, o mesmo deputado que foi relator da CPI dos Correios, em 2005, que condenou José Dirceu no relatório da comissão e entregou-o às feras para cassação do mandato, sem nenhuma prova.

    Eduardo Cunha vai ver aprovada a pauta do golpe, de privatização das empresas publicas e de desmonte das políticas de Estado construídas nos governos Lula e Dilma, da mesma forma que ele viu unida a base do governo na aprovação do projeto de lei do senador e ministro de relações exteriores, José Serra, na comissão, que retira da Lei sancionadas pela presidenta Dilma, o controle da Petrobras, da produção de petróleo do Pré-sal, e entrega a petroleiras estrangeiras.

    Há suspeitas de que a visita do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, ao Juiz Sérgio Moro, recentemente, foi uma articulação de Eduardo Cunha com Michel Temer, tendo em vista a iminência do pedido de prisão de Cláudia Cruz, esposa, e da filha, Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, milionárias na Suíça.

    Cunha entrou em pânico. Certamente as prisões com possíveis delações premiadas levariam ao chão o governo Temer. Nenhuma autoridade judiciária nem policial põe a mão em Eduardo Cunha nem em ninguém da família dele, nem em ninguém da cúpula do PMDB que está no governo e no Congresso.

    São 15 ministros investigados e cerca de 200 parlamentares em listas de propina. Os privatistas e Michel Temer precisam de Eduardo Cunha no Congresso para fazer o serviço. Sem o cargo de Presidente da Câmara, o golpe fica mais branco e ele pode reinar nos bastidores.

    No Senado, Renan Calheiros corre contra o tempo para aprovar o projeto de lei que trata do abuso de autoridade e muda a lei da delação premiada. Ele anunciou que quer aprovar o projeto até dia 13 de julho, antes do recesso.

    Ou seja, instituições da República estão sendo mobilizadas para proteger o réu Eduardo Cunha, sua família, e a cúpula do PMDB que faz parte do núcleo central do governo interino de Michel Temer. As autoridades judiciárias e policiais estão em silêncio, e o barcaça do cinismo corre pelas águas turvas de mares coloniais.

    O governo interino de Michel Temer é um governo de negócios. Ponto.