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  • Chega de rastaqueras e espetáculos

    procuradores

     

     

     

     

    O juiz Sérgio Moro comportou-se como um bárbaro ao mandar prender no Hospital Albert Einstein, em São Paulo,  o professor Guido Mantega, que acompanhava a mulher, doente de câncer, numa cirurgia.

    Dizer que a Polícia Federal não sabia que o ex-ministro estava no hospital acompanhando a mulher é demais para a inteligência brasileira. Toda a imprensa senhorial estava lá de plantão, preparada para o banquete macabro.

    Ele mandou soltar horas depois por causa da repercussão negativa, avassaladora, nacional e internacional.

    Trabalhei anos da minha vida ajudando no combate à corrupção, em CPIs, no Congresso Nacional, denunciando, escrevi livro sobre a corrupção, mas não posso me conformar com o que meia dúzia de pessoas da Lava Jato está fazendo no Brasil.

    Será que, com o arcabouço jurídico e institucional que o país dispõe, não é suficiente para um trabalho digno e justo, precisa reduzir tudo a espetáculo?

    Essa gente não me parece preocupada com uma mudança cultural perene da sociedade, de compromisso ético com a República, com com o bem público, com a educação, mas com notoriedade, com câmeras e holofotes, como se estivessem vivendo um delírio narcísico, dentro de um filme enlatado qualquer, da feira de Hollyood.

     

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    As ações espetaculosas parecem coisas de banditismo judicial. A perseguição política está escancarada, escalando graus de violência em todos os sentidos. A Constituição, as leis, os direitos humanos, o exercício da advocacia não valem mais nada?

    Por que, com todas as provas, não prendem Eduardo Cunha, a mulher e a filha? Por que nada acontece com os senadores Aécio Neves, Romero Jucá, Renan Calheiros, com os ministros Elizeu Padilha, Moreira Franco e tantos outros envolvidos em escândalos? Porque são golpistas?

    O que está passando para a sociedade é que instituições de fiscalização e controle e judiciais, salvo raras exceções, estão entregues a gente desprovida de cidadania, de pensamento raso, dominado por índole policialesca, despreparada para o exercício das funções públicas, tão valiosas para a consolidação da democracia, da cidadania, e para a civilização.

    O bom aluno na escola, aquele que passa nos primeiros lugares nos concursos públicos nem sempre está preparado para o exercício de certas funções públicas.

    Algo precisa ser feito urgentemente para deter os rastaqueras, abusos de prerrogativas e de poder de certos integrantes da Lava Jato.

    Esses órgãos não são propriedades privadas a serem usadas para fins políticos. A sociedade precisa defender às instituições da República e preserva-las dos desvirtuamentos.

    Erguer o Ministério Público, conferir-lhe poderes, autonomia, imparcialidade e credibilidade, assim como as inovações do judiciário, na Constituição de 1988, custaram muito caro à sociedade brasileira. São conquistas de uma jornada de luta histórica pela democracia.

    O Ministério Público e o judiciário não podem ser desmoralizados e maculados por ambições desmedidas, delirantes, de quem quer que seja, e muito menos servir de laboratório para formulações mirabolantes criminalizando pessoas inocentes em nome do combate à corrupção, para satisfazer egos perversos e vaidosos.

    Nem todo o judiciário, nem todo o Ministério Público, nem toda a Polícia Federal concorda com o que está sendo feito no Brasil.

    Ao invés do combate à corrupção e elevar o Brasil ao nível das nações desenvolvidas, a imagem do país está cada vez pior, tendo em vista as injustiças, o ativismo político no judiciário e a violação do Estado democrático de direito.

    Em países de cidadania avançada, Dallangnol e Moro certamente não fariam parte dos quadros de servidores públicos nas funções de procurador e juiz.

    Uma nação se constrói com justiça e democracia.

  • Quase réptil

    Nessa época em Brasília o sol já nasce tórrido e segue o dia torrando tudo.

    Respirando de boca seca, viro réptil serpenteando os gramados pardos da cidade.

    É quando tenho vontade de ir embora para outro lugar à procura de sombra e água fresca.

    Mas, curiosamente, parece que o solo fermenta, sobe em forma de seiva e faz pipocar flores coloridas nas pontas dos galhos das árvores peladas.

    Matuto que sou, fico encantado com os manacás, os ipês, as sucupiras, me distraindo à espera das primeiras chuvas.

    Do meu lajedo, ouço o silêncio do dia e o alvoroço dos insetos esfregando as patas nas tocas debaixo do chão, prontos para subir às manadas pelos troncos a procura de resinas gosmentas nos brotos, nas flores mortas, para a ceia da estação.

    A passarada espreita os bichinhos e faz deles também o seu banquete. De papo cheio, canta, faz a festa.

    Quando a chuva cai tudo brota, tudo se renova e um verde viçoso cobre a paisagem.

    Aí me acalmo.

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  • A casa e a Tatarena

     

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    (Foto: Duda Bentes).

     

    Nasci e vivi até 18 anos nessa casa à beira de uma estrada,  recuada, com um vasto gramado na frente. No meio, uma árvore enorme chamada Tatarena, da família do pau-ferro.

     

    Tronco pelado, esbranquiçado, folhagem miúda e densa. Árvore forte, de copa arredondada,  sempre verde. Desafiava os longos períodos de seca. Enfrentou raios e ventos fortes nas tempestades.

     

    Tatarena enverga, mas não quebra. Do tupi guarani, tatarena quer dizer semelhante ao fogo.

     

    Lampião deu o nome de Tatarana ao cangaceiro que ele mais confiava. Guimarães Rosa também deu o nome Tatarana a um de seus personagens de Grande Sertão: veredas. 

     

    No livro, quando Riobaldo entrou para o bando de jagunços, foi batizado com o nome Tatarana, por ele ser  o melhor de todos na pontaria. Em Minas Gerais, diz-se Tatarana. Na Bahia, Tatarena.

     

    A árvore era ponto certo dos cavaleiros que passavam pela estrada, no passo mole, viajeiro, vindos de longe, serpenteando montanhas e planícies.

     

    Às vezes paravam para descansar na sombra fresca, fazer uma visitinha. Amarravam os cavalos na Tatarena, entravam porta adentro para beber água, tomar café, prosear um pouco. O tempo não era do relógio, mas da prosa.

     

    Portas e janelas abertas o dia inteiro, não sumia uma agulha sequer. Ninguém tocava em nada do outro. Apesar da intimidade, da liberdade, muito respeito à casa dos outros.

     

    Era até cerimonioso. Na frente da casa, se chegasse alguém, logo ia-se ao encontro para receber. Firmava o bridão do cavalo e a cabeça do arreio, para o equilíbrio na hora de apear ou de montar, quando ia-se embora.

     

    Como de costume, ao cumprimentar, num gesto de gentileza, tiravam os chapéus e davam-se as mãos.

     

    Eram matutos. Os matuto são nossos sábios do sertão profundo.

     

    Outro dia recebi a noticia que a Tatarena tombou, vencida por parasitas que lhes sugaram a seiva até a morte, e pelo tempo.

     

    A Tatarena deu sombra e alegria a muita gente. Descanso e  paz aos animais.

     

    Soube também que nasceu um broto dela, no mesmo lugar. Forte como a mãe.

  • Temer treme

    Eduardo Cunha vai agora tratar de livrar sua própria pele e a de sua família, na justiça. Não tem mais compromissos com ninguém.

    Tudo que ele fez pelo poder, pelo afastamento de Dilma para colocar Temer na presidência da República, certamente para se proteger do pior que poderia acontecer com ele, ser tirado da presidência da Câmara, cassado e preso, ruiu numa madrugada de terça-feira na qual obteve apenas dez votos leais.

    Cunha sentiu o gosto amargo da traição, o golpe da bancada que ele dominava na Câmara com sua montanha de dinheiro. Viu derreter o poder que tinha num átimo. Ele agora é um homem comum diante de seus crimes.

    Parece que Cunha alimentava ilusão de que Temer o temia, devido aos serviços inconfessáveis prestados na conspiração que resultou no golpe. Temer traiu Dilma e o traiu também. O abandonou na caverna dos chacais.

    O casamento político de Temer e Cunha, que atravessou décadas à frente do PMDB, com parcerias clandestinas de financiamento de campanhas eleitorais, entrou na fase de divórcio com possíveis desdobramentos litigiosos.

    Os destinos dos dois que tramaram a derrubada da Presidenta Dilma, na calada das noites no Palácio do Jaburu, às margens do Lago Paranoá, no final da história tomam rumos muito diferentes.

    Temer está ora no Palácio do Planalto ora no Palácio do Jaburu com sua “recatada do lar” tilintando talheres, taças de cristal em brindes com finos vinhos e espumantes, em jantares à mesa com os algozes que cassaram Cunha, enquanto o ex-poderoso presidente da Câmara caminha passo a passo com sua “glamorosa” das grifes e sua filha, para as celas de um presídio de refeições e aposentos bastante modestos. Temer virou as costas para Cunha.

    Desilusões e mágoas o devoram. Restaram para ele o tilintar das algemas brilhantes e o barulho do ferrolho da porta da grade da cela onde passará a habitar, em breve, a lhe atormentar dia e noite.

    O prato predileto de Eduardo Cunha, na política, é a vingança, que será servido frio, como ele, na hora certa. Temer sabe disso.

    Temer treme.

  • O cerrado é forte

    O sol promete. Aquela bola vermelho-sangue que desaparece no horizonte do cerrado, todos os dias, nesta época do ano, cresce como vista por uma lente de grau, na turva névoa seca das tardes do Planando Central, adensada por partículas suspensas, poeira e fuligem de queimadas.

     

    E nós, em Brasília,  em brasa, a respirar de boca seca e a serpentear as trilhas dos gramados pardos da cidade, feitas com nosso andar, como répteis, cascudos, resistentes a tudo.

     

    Quando chega a chuva, o vento varre, a água lava,  os insetos que estavam enfiados debaixo da terra, grudados nas raizes úmidas das árvores e plantas, para, no limite da seca, se salvarem, sobem por caules e troncos a procura de boas refeições nos brotos e folhas novas,  nutridas pela seiva que subiu desde as raizes.

     

    As folhas são os narizes das plantas, são por onde respiram, fazem a fotossíntese e tingem a paisagem de um verde novo, viçoso, renovando tudo.

     

    Os insetos (cigarras e outros), nos passeios, por sua vez, viram refeição da passarada.

     

    De papo cheio, cantam, fazem a festa.

     

    A alegria vem da barriga, já dizia meu pai, Genésio Cerqueira, camponês que sabia tudo de mato e bicho.

     

    Lembro muito bem quando ele me disse isso.

  • Ninguém escreve ao Coronel

    O editorial do jornal O Estado de São Paulo, com ataque tão baixo nível ao ex-presidente Lula, tentando destruir a biografia dele, me fez imaginar a sede do jornal como um casarão de paredes carcomidas, tomadas por musgo, portas e janelas desbotadas, cortinas esfarrapadas, e nela uns velhinhos enredados no passado, com um discurso fora do contexto.

    Lembra a obra de Garcia Marquez, “Ninguém Escreve ao Coronel”, na qual o Coronel, um dos muitos oficiais da revolução, passa anos esperando a chegada de uma carta que lhe concederia uma pensão, enquanto vive com a família na extrema pobreza, se endividando. A mulher dele adoece, o filho morre e lhe deixa um galo de briga como meio para ganhar uns trocados, pagar dívidas e conseguir alimento para a família.

    Pobre Estadão! Afunda dia após dia no atraso, no conservadorismo rabugento. Não admite que o Brasil mudou, que avançamos na cidadania, na conquista de direitos, da democracia, que a sociedade não permite mais retrocessos, e que muitos países do mundo sonham ter um Lula para liderar movimentos de transformação do país como ele fez com o Brasil ao reduzir a pobreza, a desigualdade e promover a inclusão social.

    Nem o Estadão, nem a imprensa oligárquica, nunca aceitaram Lula como um grande líder nacional e muito menos como líder mundial, mesmo tendo sido eleito e reeleito com extraordinária votação, feito Dilma sua sucessora, eleita e reeleita, e consagrado pela opinião pública como o melhor presidente do Brasil.

    Dizer que Lula enganou o Brasil e o mundo, como diz o pretensioso editorial, é achar que dezenas e dezenas de milhões de pessoas de todas as classes sociais, que votaram nele, são idiotas. Talvez mais idiotas ainda os grandes líderes mundiais que o reconhecem, e comunidades acadêmicas que concederam a ele tantos títulos de Doutor Honoris Causa.

    Ninguém, no Brasil, foi agraciado com tantos títulos de Doutor Honoris Causa, das mais importantes universidades do mundo quanto Lula, como reconhecimento por tudo que ele fez pela melhoria da vida de milhões de pessoas, pela democracia, pela cidadania, pelos direitos humanos, pelo desenvolvimento do país e pela paz entre os povos. Isso é reconhecido internacionalmente pelas mais importantes instituições do mundo, entre elas a ONU.

    No entanto, talvez nenhum ex-presidente da República Federativa do Brasil tenha sido tão desrespeitado, humilhado, achincalhado e injustiçado quanto Lula por certas autoridades e pela mídia senhorial. As razões de tudo isso se sabe muito bem, vêm de raízes profundas, varando séculos, desde os tempos coloniais. Como assim, ser governado por um operário sem diploma de curso superior?

    Impossível olhar o Brasil nesse momento e não ver na paisagem política os conflitos ancestrais emergindo da história, desenhando a crise que solapa as instituições da República.

    Editoriais como o do Estadão soam como estertores de oligarquias que tentam a qualquer custo sobreviver nos casarões carcomidos. O Estadão parece não perceber que o jornal afunda no atraso, em editoriais e dívidas, como galo de briga do Coronel, na defesa das oligarquias decadentes, como na obra de Garcia Marquez.

    Não tem galo de briga para arranjar uns trocados, porque não há rinhas, e muito menos chegará uma carta que conceda uma pensão aos donos do jornal pelos serviços prestados no passado e no presente.

    Não tem carta, tem Mídia Ninja com 90 milhões de acessos, superando todos os jornais e revistas do Brasil; o Brasil247, com 28 milhões, ultrapassando Istoé, Época, Correio Braziliense, Estado de Minas, e outros; Jornalistas Livres, Diário do Centro do Mundo, GGN, O Cafezinho, Viomundo, formando uma enorme rede de comunicação dos tempos modernos, com muita força e uma narrativa dos fatos comprometida com a cidadania e com a democracia, diferente da velha mídia da Casa Grande, que sempre apoiou golpes e regimes autoritários.
    Pobre Estadão!

  • Tudo indica que o golpe não tem sustentação

    O Movimento Fora Temer está mostrando a verdade nas ruas e nas praças eletrônicas (redes sociais), por isso cresce a cada manifestação.

    Temer traiu, mentiu, está por um fio, fragilizado pelas delações premiadas da operação Lava-Jato, que deve levar de roldão, nos próximos dias, a cúpula do governo e do Congresso Nacional.

    A sanha  privatista e de reformas que subtraem direitos está levando o governo à indigência de popularidade e deve fazer engrossar as fileiras das manifestações.

     

    Como o governo ilegítimo é formado por  políticos de gabinete, homens de negócios,  se instalaram para fazer negócios, parece nao ter a dimensão do problema que o golpe causou.

     

    Tanto que Fernando Henrique está propondo diálogo com o PT.

     

    Parece também ignorar que o Brasil avançou na cidadania com base na conquista de direitos,  que os cidadãos não abrem mão de forma alguma dos direitos conquistados e não admitem retrocessos.

    O crescimento das manifestações está mostrando que o aparato de mídia que apoia o governo não está conseguindo sustentar o próprio discurso.

    O Movimento Fora Temer, com os meios que dispõe, faz a denúncia, desconstrói a narrativa golpista e conquista apoio popular.

    O Brasil cidadão está se levantando, os golpistas estão sentindo que deram com os burros nágua. Terão que recuar para sobreviver, se quiserem chegar ao final do mandato com o ilegítimo Temer.

  • O povo não é inimigo interno

    Juízes de Pelourinho

     

    Apesar da imensa fronteira continental do Brasil, as forças armadas e policiais brasileiras se estruturaram e se desenvolveram mantendo como base, na formação, a ideologia do “inimigo interno”.

     

    Aqui, inúmeras nações indígenas foram dizimadas, suas terras tomadas, as riquezas pilhadas,os negros, trazidos da África, escravizados, humilhados, e seus descendentes abandonados à própria sorte formando uma imensa classe na base da pirâmide social, de pessoas pobres sem acesso a direitos elementares.

     

    Esses são os “inimigos internos”, aos olhos das forças armadas e policiais, que culturalmente sempre serviram à ordem interna estabelecida pelo poder econômico e político dos grandes proprietários empresariais, grandes comerciantes e rentistas, e pelos gerentes de interesses externos, um tipo que transita entre os negócios e a política. Ou seja, seriam essas categorias os “amigos internos” das forças armadas, policiais e judiciárias?

     

    Na parede da história do Brasil consta que as revoltas populares contra a dominação e a exploração sempre foram combatidas pelas forças armadas e policiais com extrema violência. Reprimiram movimento sociais, prenderam líderes populares, torturaram com requinte de crueldade, mataram, não satisfeitas esquartejaram, cortaram cabeças, salgaram e as expuseram em praças públicas em várias cidades brasileiras, tamanho o ódio cego de classe ao “inimigo interno”. Tudo isso, em nome da lei e da ordem internas.

     

    Basta olhar para as favelas, fazendas, empresas, presídios e para as estatísticas sobre a exploração patronal e sobre a violência policial. Lá está a imensa população da base da pirâmide social contida pelas forças que mantêm a ordem interna estabelecida pelos milionários.

     

    A ideologia de segurança nacional, no Brasil, é culturalmente filha da ideologia do “inimigo interno”, perpetuada e expressa em pleno século XXI, no artigo 142 da Constituição Federal, que diz que as forças armadas, sob comando supremo do presidente da República, têm como função a defesa da lei e da ordem internas.

     

    A segurança pública se subordina à ideologia de segurança nacional. As forças armadas e policiais, historicamente agem juntas quando o assunto é repressão ao “inimigo interno”, aos movimentos sociais que lutam por direitos, por igualdade, pela cidadania e pela democracia.

     

    As forças armadas e policiais agem unidas, respaldadas por leis feitas por um Congresso conservador, dominado pelo poder econômico, por parlamentares corruptos, e por um Judiciário atrasado, de mentalidade monárquica, como se ainda servisse à corte.

     

    Um Judiciário que em tempos idos condenava pobres e escravos à pena de morte nos tempos sombrios do Brasil colônia e imperial, e nunca se subordinou ao controle soberano da sociedade.

     

    Hélio Bicudo, um entusiasta do controle externo do Judiciário, no passado, sucumbiu no pântano do golpe de estado ao assinar a aberração do pedido de impeachment contra a Presidenta Dilma, colocado nas mãos do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, as mais sujas de corrupção da vida pública.

     

    O espírito do “inimigo interno” é o espírito do golpe de estado. Temer surgiu das brumas coloniais e imperiais possuído por esse espírito. Em parceria com os líderes da banda podre da política brasileira, Eduardo Cunha, Aécio Neves e outros da mesma laia, derrubaram a Presidenta Dilma, legitimamente eleita.

     

    Agora Temer ameaça colocar as forças armadas nas ruas para reprimir manifestações públicas, com base na Constituição. Parece não se dar conta de que o Brasil mudou, que o país avançou na conquista da cidadania e não abrirá mão dos direitos constitucionais de organização, manifestação e expressão.

     

    E, sobretudo, que as forças armadas também mudaram, que há hoje no Brasil uma parte delas e das forças policiais que não se alinham mais com a ideologia colonial do “inimigo interno”, por terem sido formandas não só entre os muros dos quartéis, mas nas universidades brasileiras.

     

    Essa parte silenciosa, cidadã, pode não aceitar o comando de um governo do qual os principais conspiradores e agora ministros, estão a um passo de serem condenados por corrupção.

     

    Nem todos os militares e policiais compactuam com o crime organizado, com a subtração de direitos da população e com a entrega das riquezas do país a grupos estrangeiros.

     

    O dia que as forças armadas e policiais abandonarem a ideologia do “inimigo interno ” e se tornarem “amigas do povo” quem sabe o Brasil poderá ser o país mais democrático do mundo?

     

  • Servidores públicos éticos não devem compactuar com a ilegalidade

     

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    Servidores públicos éticos, corretos, que não estão envolvidos no golpe nem na colaboração direta com o governo  que se instalou no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional têm o dever ético e cívico de se organizar e fazer a defesa do Estado e das instituições republicanas.

    Há de se separar o joio do trigo, combater aqueles que servem  ao poder econômico, a proprietários e rentistas, tradicionalmente, desde os tempos coloniais.

    O golpe expôs,  como nunca antes, o lado sombrio de autoridades e funcionários públicos graduados que atuaram a serviço da ilegalidade: particularmente no Congresso, no Judiciário, no Ministério Público e na Polícia Federal.

    Deputados e senadores, envolvidos em escândalos de corrupção, respondendo processos na justiça, por corrupção e outros crimes, foram juízes, em sessões bizarras, na Câmara e no Senado, e condenaram a Presidenta Dilma, com base numa peça jurídica forjada no submundo da política, para atender a interesses anti-nacionais, anti-republicanos e anti-democráticos .

    No Judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, a lista de magistrados, procuradores e policiais, que atuaram de forma suspeita, que resultou no golpe de Estado, é grande.

    Desde o ministro do STF, Gilmar Mendes, se reunindo, em Brasília, na calada da noite com Eduardo Cunha, Michel Temer e outros, no auge da conspiração;

    passando pelo juiz Moro, suas violações de garantias constitucionais e sua caçada implacável ao ex-Presidente Lula e ao PT;

    o procurador responsável pela Operação Lava-Jato, Deltran Dallagnol, defende “provas ilícitas obtidas de boa fé” e a aplicação da  chamada “teoria do domínio do fato”, no julgamento dos casos de corrupção, mesmo com a absoluta discordância do criador da teoria, o jurista alemão, Claus Roxin. Convenhamos, o jovem procurador é mais que o criador.

    o delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula, um dos chefes da Operação Lava Jato, que fez campanha eleitoral, abertamente, em apoio ao candidato Aécio Neves, nas eleições de 2014, e combateu a candidata Dilma Rousseff e o PT, segundo reportagem do jornal O Estado de São Paulo;

    o servidor Júlio Marcelo de Oliveira, do TCU, descredenciado publicamente, como testemunha de acusação, por falta de ética, na sessão que debatia o processo de impeatchment da Presidenta Dilma, no Senado, pelo ministro do STF, Ricardo Lewandowski.

    São muitos os casos de servidores públicos que, de certa forma, agiram politicamente e colaboraram com a conspiração, com a injustiça, que resultou no golpe de Estado, no Brasil, e na instauração de um governo que, desde Michel Temer a ministros seus, são denunciados por delações premiadas, muitos deles investigados por corrupção.

    Aliás, com o golpe, há grande chance de corruptos contumazes serem absolvidos por servidores graduados que atuaram no golpe de Estado.

    Ou seja,um governo que ameaça as garantias constitucionais e o Estado democrático de direito.

    Servidores públicos, éticos, civis e das forças armadas e policiais, têm o dever de reagir à ilegalidade, de defender o Estado das ameaças dessa gente que não demonstra compromisso com a construção da nação cidadã, republicana, democrática e justa.

    A renúncia da vice-Procuradora Ela Viecko, por não concordar com a ilegalidade que se estabeleceu no Brasil, com o golpe de Michel Temer, é uma atitude corajosa, de servidora cidadã, que deve ser seguida por outros que cumprem honrosamente com suas funções públicas no provimento de direitos assegurados pela Constituição à sociedade.

    Há de se separar o joio do trigo.

     

  • A coragem e a dignidade de Dilma calaram senadores

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    Dilma no senado

    Os senadores golpistas não esperavam que Dilma fosse ao Senado fazer a própria defesa, encará-los e desafiá-los a provar que ela cometera crime de responsabilidade.

    Talvez pensaram que seria uma sessão sobre a qual teriam domínio, como de costume, mas não foi bem assim.

    O discurso de Dilma foi tão forte e esclarecedor sobre as tramas e conspirações que levaram ao golpe que os fez calar.

    Os senadores saíram pela retórica, coisa que eles estão acostumados a fazer, mas, num julgamento, apenas a retórica não é suficiente.

    A defesa dela foi impecável. Senadoras e senadores como Ana Amélia, Aloysio Nunes, Aécio Neves, Cássio Cunha Lima e outros chacais de ataques felinos desceram da tribuna de rabo entre as pernas.

    O Brasil conheceu, mais uma vez, a coragem e a dignidade de Dilma, que enfrentou na vida dois tribunais injustos: o da ditadura militar e o do golpe parlamentar, no Senado. Os dois por lutar pela democracia e pela justiça.

    Dilma não cometeu nenhum crime. E os senadores e senadoras golpistas sabem disso.

    Ela sairá do julgamento de espírito elevado, o Senado completamente desmoralizado, rebaixado, e exposto ao Brasil e ao mundo como uma instituição dominada por um bando de ratos.