Blog

  • A verdade bate à porta, quer iluminar, romper trevas

     

     

     

     

     

    Até as “lágrimas amargas” de Flavio Bolsonaro, enxugadas com a bandeira do Brasil, no momento em que o pai sofreu o atentado, foram usadas e abusadas por gente da família na manipulação da opinião pública, na campanha eleitoral, enquanto agia sorrateiramente nos subterrâneos da política em tenebrosas transações.

     

    Nos últimos dias, a derrocada moral e o medo parecem ter acossado a família Bolsonaro. Um silêncio aziago baixou sobre as redes sociais dos filhos mais fervorosos.

     

    Paralisados, de máscaras no chão,  não sabem, por exemplo, se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), antes de ser transferido do Ministério da Fazenda para debaixo das asas do ministro da justiça, Sérgio Moro, fez uma devassa na movimentação financeira dos Bolsonaro e dos seus mais próximos, e se cópias dos relatórios estão em mãos de autoridades e de pessoas da imprensa para serem divulgados aos poucos, em momentos oportunos. Não se sabe também qual a dimensão do escândalo e quem mais está envolvido na teia de mal feitos.

     

    A liminar do ministro amigo, Luiz Fux, do STF,  para estancar as investigações, é vergonhosa e temporária. O ministro Marco Aurélio de Melo vem aí, deve manter a continuidade das investigações na primeira instância, no Rio de Janeiro, tendo em vista a ocorrência dos fatos quando Flavio Bolsonaro era deputado estadual.

     

    O mesmo deve acontecer com Jair Bolsonaro e a primeira dama, Michele Bolsonaro, também envolvidos nas transações do motorista Fabrício Queiroz, consideradas fatos anteriores à posse do presidente.

     

    O problema é que o desdobramento do caso tem apresentado surpresas cada vez mais graves, principalmente suspeição de proximidade da família Bolsonaro com o crime organizado.

     

    Fabrício Queiroz, além de movimentar vultosas quantias em contas bancárias com a família Bolsonaro, tem registrado em seu currículo pelo menos dez autos de resistência (assassinato de pessoas sob alegação de resistência à prisão ou legítima defesa). Um homem cujas transações com dinheiro, apontadas no relatório do COAF, mostrou ter agido na clandestinidade, como agente de atos escusos de pessoas da família Bolsonaro.

     

    As investigações sobre a morte da socióloga e vereadora Marielle Franco e de seu assessor Anderson Gomes não estão concluídas, nem as circunstâncias da morte esclarecidas.

     

    As autoridades têm o dever de investigar e prestar contas à sociedade, apresentar provas se esse crime tem relação com a disputa eleitoral no Rio de Janeiro ou não, para que não pairem dúvidas.

     

    Marielle era um nome forte na disputa por uma vaga no Senado, para a qual Flávio Bolsonaro foi eleito. Ela era também um nome consistente para o governo do Estado do Rio de Janeiro e para a Presidência da República. Uma liderança de alto quilate, de formação intelectual e acadêmica sólida, que encaixava perfeitamente no momento político do país.

     

    A apresentação do ministro Sérgio Moro, por Jair Bolsonaro, em Davos, como a cereja amarela do bolo do governo, no combate à corrupção, na segurança pública, e o cancelamento da coletiva que o presidente daria, são os mais recentes sintomas de um governo que até o momento tenta se equilibrar sobre bases construídas com mentiras. Um governo que não governa. Defende-se.

     

    A farsa da Lava-Jato, armada para prender o ex-presidente Lula e retira-lo das eleições de 2018, está exposta na praça, ao sol do meio dia, é de conhecimento público internacional.

     

    O medo da imprensa é o medo das perguntas sobre os acontecimentos no Brasil, que estão escandalizando o mundo.

     

    A verdade bate à porta, quer entrar, iluminar, romper trevas.

     

  • O Brasil não cabe mais no mundo civilizado?

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    A coletiva convocada pela presidente do TSE, Rosa Weber, para prestar esclarecimentos sobre o Caixa 2 que financia a rede de propagação de fake news da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro contra o PT parece uma barreira de proteção à candidatura dele.

     

     

    Vão dizer que vai ser investigado e depois a onda espraiar na areia em espuma, como todas as tentativas de fazer valer a legalidade no país?

     

     

    A corte de ministros do TSE está descartada e substituída pela barreira de autoridades do governo para dar o veredicto sobre a manipulações das eleições no Brasil? É isso?

     

     

    Veja quem estará na coletiva:
    a Presidente do TSE, Rosa Weber, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), general Sérgio Etchegoyen, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, a advogada-geral da União, Grace Mendonça, e o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro.

     

     

    O TSE está totalmente desmoralizado. O bunker que foi montado no tribunal para combater fake news, anunciado com alarde pelo ministro Luiz Fux, antes das eleições, como exterminador do crime eleitoral, é também fake news?

     

     

    Na sequência dos fatos, a coletiva pode querer dizer que o escândalo é uma novidade nas campanhas eleitorais e que, como já antecipou o candidato Jair Bolsonaro, não há como controlar fake news.

     

     

    Não há como controlar também a Whatsapp e as empresas que fizeram doações espontaneamente?  Além disso, podem dizer que não há previsão na legislação eleitoral? E aí? Como fica o país diante dos brasileiros e do mundo?

     

    Desde o golpe de Estado de 2016, o Brasil vive um processo de decadência institucional inimaginável.

     

    A repercussão internacional é vergonhosa. Todos os órgãos de imprensa mais importantes do mundo marchetam o noticiário sobre esse escândalo e sobre a ascensão do fascismo no país, a identificação do povo com o candidato Jair Bolsonaro, o comportamento das autoridades, das instituições, da imprensa, que se assemelham ao candidato que está em primeiro lugar nas pesquisas.

     

    O Brasil não cabe mais no mundo civilizado?

  • As flores vencendo canhões?

     

     

     

     

     

     

    “Foi bonita a festa, pa. Fiquei contente”.  O Brasil que se levantou dia 29 de setembro parece ter surgido de entre quatro paredes, da alcova do lar, de uma conversa puxada pelas mulheres.

     

     

    Saiu pela porta de casa de bandeira em punho, lotou e coloriu ruas e praças das menores às maiores cidades do país para dizer “Não” ao fascismo, às suas derivações, e ao seu representante: o candidato Jair Bolsonaro.

     

     

    Denunciou ao país, ao mundo, a ameaça que ele representa `a democracia e carimbou a cédula eleitoral dele com “Ele não!”.

     

     

    Quem foi às ruas pode perceber, nas multidões, a presença viva de forças políticas cidadãs formadas por mulheres e homens que mantém a chama da luta que derrotou a ditadura militar e restabeleceu as liberdades democráticas, apoiou a elaboração da Constituição de 1988, afirma direitos, não reconhece o governo golpista, luta por Lula Livre e pela consolidação da democracia.

     

     

    O Brasil que experimentou direitos nos governos Lula e Dilma e tem a democracia como valor quer avançar. Não aceita o retrocesso. Quer liberdade, justiça, outras formas do viver com garantias econômicas, sociais, fruição da cultura, asseguradas pelas instituições, e construir a nação democrática.

     

     

    O golpe de 2016, em ruína, afundou junto com o centro-direita que o apoiou. Sobrou a extrema direita, o fascismo, sustentado basicamente por think tanks que pregam o ultra liberalismo, o conservadorismo, para os nativos, juntamente com igrejas que cultivam costumes retrógrados, redes de fake news que fazem o serviço sujo da manipulação da informação, a propaganda ideológica das grandes corporações empresariais e bancárias nacionais e internacionais.

     

     

    O nacionalismo nas forças armadas parece coisa do passado. Oficiais militares da reserva, que ostentaram alta patente até pouco tempo, na campanha do candidato Bolsonaro têm-se comportado como se fossem feitores modernos, gerentes de interesses externos, do patronato de grandes negócios internacionais, numa espécie de associação colonialista, como se as grandes corporações transnacionais e os grandes bancos tivessem encontrado a proteção ideal para a rapinagem no Brasil.

     

     

    Defendem abertamente o projeto entreguista, a privatização de todas as empresas estatais, inclusive a Petrobras, capitaneado por Paulo Guedes, um conhecido economista ultraliberal, banqueiro, especulador financeiro de grandes grupos internacionais.

     

     

    Um projeto fundamentado no desmonte do Estado, na vulnerabilidade institucional para facilitar transações mercantis, na subtração de direitos dos trabalhadores, no fim da estabilidade dos servidores públicos, da previdência pública, na terceirização dos serviços públicos, entre outras barbaridades.

     

     

    A submissão aos interesses externos chegou ao ponto de o candidato Jair Bolsonaro, num evento em Miami, bater continência para a bandeira dos Estados Unidos. Difícil imaginar que um militar dos Estados Unidos fizesse o mesmo diante da bandeira do Brasil.

     

     

    O mais interessante dessa reta final da campanha eleitoral é que a candidatura Bolsonaro, e tudo que ele representa, uniu o campo de centro-esquerda e as pautas dos movimentos sociais que defendem o Brasil e a construção da sociedade democrática.

     

     

    O Partido dos Trabalhadores lidera a disputa eleitoral com a candidatura Fernando Haddad, que se apresenta com um consistente projeto de desenvolvimento sustentável e inclusão social, um plano de investimentos imediatos para a geração de empregos e melhoria da renda, tendo o Estado como indutor do crescimento para tirar o país da crise, e um projeto de educação para superação do atraso,  entre outras propostas.

     

     

    O movimento de mulheres que ocupou as ruas não parece disposto voltar para casa de mãos abanando. Quer trazer a vitória das eleições, participar do governo, mais democracia, o restabelecimento da legalidade, a união nacional pelo desenvolvimento sustentável, superação da pobreza e da desigualdade, e barrar o fascismo.

  • O Coiso quer ser Macri e levar o Brasil de volta ao FMI?

     

     

     

     

     

     

    A Argentina, mergulhada mais uma vez numa terrível crise econômica, causada pela política neoliberal, de volta às mãos do FMI,  pára hoje e grita, de norte a sul, “Fora Macri e o FMI!

    Carlos Menem, ex-presidente da Argentina, foi pioneiro na América Latina, na implantação da política neoliberal, na onda criada pela Primeira Ministra inglesa Margareth Tatcher e o ex-presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan.

    Menem privatizou tudo que pode. Deixou a Argentina no osso, quase Estado Zero. Entregou o país a Nestor Kirchner em estado de indigência.

    Aqui, o Coiso com a mesma receita de Macri, um programa ultraliberal sofrível, que mais parece ter sido feito por estagiários do Instituto Milênio, quer levar o Brasil pelo mesmo caminho que deu no  desastre econômico da Argentina.

    Será que a elite econômica e seus comentaristas na mídia hereditária são tão cegos que não vêem o país vizinho se agonizando em escombros?

    O desesperado governo Trump ligou o maior aspirador de dinheiro do mundo com sua política de juros para tentar financiar a economia dos Estados Unidos. Ele quer tirar dinheiro das nações periféricas e carrear para a sede.

    A fuga de capitais de curto prazo e o salto do dólar que já passa de  R$ 4,00 expõe a perversa política econômica de Temer.

    O Estado, no Brasil e na Argentina, precisa ser reestruturado para voltar a ser o indutor e o fomentador do desenvolvimento sustentável para garantir a atividade econômica, a geração de empregos, a inclusão social e a erradicação da pobreza extrema.

    Com a política de cortes de investimentos públicos do golpista Temer, o Brasil afundou, ficou sem investimentos públicos nem privados.

    O Coiso quer ser Macri e continuar com a política neoliberal de Temer, reduzir o Estado ao mínimo, subtrair direitos dos trabalhadores e se enveredar pelo caminho que vai dar no desastre econômico.

    Se continuar, o Brasil será amanhã a Argentina de hoje.

  • Toffoli, chame a sociedade, não o general

     

     

     

     

     

     

    Por acaso, me encontrei, próximo ao Cine Cultura, em Brasília, com o ministro do STF, Edson Facchin.

     

     

    Parabenizei-o pelo voto impecável no TSE, em defesa do direito do ex-presidente Lula de se candidatar à presidência da República.

     

     

    Perguntei a ele se não achava inadequado o movimento do presidente do STF, Dias Toffoli, de nomear um general assessor do gabinete, para interlocução com os militares.

     

     

    Ele gentilmente pediu desculpa e disse que não responderia à pergunta por ainda não ter opinião formada.

     

     

    Disse a ele que Toffoli tem agora a oportunidade de restabelecer o estado democrático de direito e a legalidade no país, mas, para isso, teria que ser grande.

     

     

    Apenas ações de gabinete não seriam suficientes.

     

     

    Se grande, Toffoli poderia abrir canais de diálogo e uma parceria com a sociedade civil para, juntos, contribuir com a unificação do Brasil, com o reestabelecimento da  legalidade e propor a reforma do Judiciário,  com instituição de mandato para ministros do STF e participação de representantes da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça,  entre outras mudanças.

     

     

    Uma aliança com a sociedade pavimentaria uma saída democrática para a profunda crise institucional que vive o país.

     

     

    Isso pode ser feito por meio de um amplo debate nacional. Não com a requisição de um general para o gabinete do STF.

     

     

    General, nem nenhum militar pode dar pitaco na política.

     

     

    O lugar deles é no quartel, por serem os únicos servidores públicos, juntamente com policiais, que têm a prerrogativa de uso de armas.

     

     

    A prerrogativa de uso de armas os destigue dos demais servidores públicos.

     

     

    Ou seja, caso rompida a hierarquia e a disciplina, esteios da ordem nas forças armadas e policiais, essas categorias se transformam em bandos armados.

     

     

    Um perigo para a democracia e para a segurança da sociedade.

     

     

    Por isso, o rigor dos regulamentos disciplinares dos servidores públicos militares e policiais.

     

     

    O ministro Edson Facchin ouviu pacientemente meus comentários, acenou com a cabeça concordando comigo, mas sem pronunciar nenhuma palavra.

  • O Anticristo deve desidratar com o impulso de crescimento de Haddad e Ciro

     

     

     

    O resultado da pesquisa Datafolha frustrou as expectativas e abalou a caverna do Antecristo. Ele não cresceu como esperado.

    Quem cresceu foi Haddad e Ciro.

    O atentado expôs ainda mais a violência e o desequilíbrio dele. A estratégia de marketing dos gestos de atirar se esgotou.

    A imensa maioria do povo deve estar se perguntando. É só isso? Qual o projeto do Anticristo para gerar emprego, para a educação, saúde? Ele tem competência para tirar o país da crise?

    Com o afastamento da campanha, internado no hospital por dez dias, podendo a internação ser prorrogada, a situação pode piorar.

    Ele pode  desidratar com o crescimento de Haddad e Ciro, os mais preparados.

    Esses sim, têm projetos claros, experiência e segurança necessária para restabelecer a estabilidade no país, retomar o crescimento e o emprego.

    O Anticristo trouxe a instabilidade, o ódo e a violência para a campanha eleitoral. A grande maioria do povo quer paz,  amor e democracia. Isso está demonstrado no alto índice de rejeição a ele (43%), o maior de todos.

    Em 2002, o “Lulinha paz e amor” disparou nas pesquisas, conquistou os votos dos indecisos, de quem não queria confusão,  venceu as eleições e fez o governo mais democrático da história do país.

    É possível que nessa reta final o fogo de palha abrande e a temperatura das eleições cambie para a reflexão, a sensatez, tendo em vista a responsabilidade do gesto cidadão de digitar o voto na urna eletrônica.

    A frustração de ter ido às ruas de verde e amarelo, em 2016, para apoiar o golpe de estado, que levou o Brasil ao desastre econômico, social e político, pode ajudar muita gente a ponderar na hora de votar.

    O melhor da pesquisa é que os candidatos do golpe de estado estão sendo defenestrados pelo povo.

  • Macaco Tião

    Em 1988, quatrocentos mil cariocas votaram no Macaco Tião, na eleição para prefeito do Rio de Janeiro. Foi o terceiro mais votado.

    Isso aconteceu porque naquela época não havia urna eletrônica. As cédula eram de papel.

    O nome Tião foi uma homenagem a São Sebastião, padroeiro da cidade.

    Tião ficou famoso por andar de mãos dadas com o cuidador dos animais do zoológico e brincar com as crianças.

    Adulto, andava em posição ereta abraçado com um funcionário do zoológico.   Às vezes fazia certas coisas comuns aos primatas, que moralistas e religiosos, que usam roupas, não aceitam.

    Depois de muitas reclamações ao poder público, de moralistas e religiosos, a repressão foi mandada  ao zoológico.

    Construíram uma cela e encarceraram  Macaco Tião.

    Tião virou bicho, ficou agressivo, atirava excrementos e outras coisas nos visitantes, até nas autoridades que foram inaugurar a jaula.

    O prefeito Júlio Coutinho foi alvejado por um punhado de terra no rosto.

    No dia 23 de dezembro de 1996,  Macaco Tião faleceu, de diabetes.

    Uma estátua em homenagem a ele foi erguida no Zoológico do Rio de Janeiro.

    A prisão do Macaco Tião foi justificada na época pela Globo, no Fantástico, como sendo um animal de “hábitos especiais, estilo e intenções diabólicas, que a gente nota pelo jeito de olhar.”

  • A campanha pela libertação do Lula está parecida com a de libertação do Mandela

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    O ex-presidente Lula é um Preso Político. Isso já está consolidado com o reconhecimento da ONU, de várias entidades de direitos humanos, de grupos de grandes juristas nacionais e internacionais, tendo em vista as ilegalidades praticadas contra ele  por autoridades judiciárias e policiais brasileiras.

     

     

    Além disso, a imensa repercussão da prisão começa a fazer parte do noticiário de TVs,  jornais e revistas em todo o mundo com referência a ele como Preso Político.

     

     

    O ex-presidente Lula foi o governante brasileiro de maior prestígio internacional da nossa história. Ele atuou de forma notável na articulação política de grupos de nações em prol da paz, do desenvolvimento sustentável com inclusão social, e foi agraciado com o maior número de títulos de Doutor Honoris Causa das mais importantes universidades do mundo.

     

     

    Está cada vez mais claro que o processo forjado contra ele, sem provas, se destina a retirá-lo da disputa eleitoral e da vida pública.

     

    Acharam que com isso iam destruí-lo, mas ele se agigantou, atravessa grades e fronteiras, alcança os quatro cantos do mundo e desperta indignação. Antes olhavam para o Brasil como o país que superava a desigualdade e a pobreza. Agora olham para a volta do país ao Mapa da Fome, a injustiça e para Lula numa cela em Curitiba.

     

     

    A campanha pela libertação de Lula cresce e se espalha pelo mundo de forma muito parecida com a campanha pela libertação de Nelson Mandela e pelo  fim do regime do apartheid, da África do Sul. Mandela era também um Preso Político condenado, sem provas, a 27 anos de prisão, que também varou celas e fronteiras. No final, solto, Mandela foi eleito presidente de seu país.

     

     

    Crescem a organização de comitês e as manifestações Lula Livre em diversos países.

     

     

    Está ficando muito feio para procuradores, magistrados e policiais brasileiros que se envolveram na colaboração com o golpe de estado que depôs a presidenta Dilma, com a manutenção do estado de exceção, com as práticas ilegais e com o absoluto desrespeito à Constituição e às leis do país, para atender propósitos políticos partidários.

     

     

     

    Os desembargadores do TRF-4, ministros do STF, Procuradora-Geral da República, que se subordinam ao juiz Sérgio Moro, na perseguição implacável ao ex-presidente Lula e ao Partido dos Trabalhadores mergulham na desmoralização e no  isolamento.

     

     

    O episódio de cassação ilegal da ordem do desembargador Rogério Favreto, do TRF-4, para que o ex-presidente Lula fosse solto, naquele vergonhoso domingo, retirou mais um véu que cobria a finalidade da Operação Lava Jato.

     

     

    Os bastidores das ilegalidades revelados na recente entrevista à imprensa, do Diretor-Geral da Polícia Federal, Rogério Galloro, mais a declaração do desembargador Gebran Neto, que confessou terem agido fora da lei, e a intervenção descabida no ato jurídico do desembargador Thompson Flores completaram o quadro de decadência dos principais personagens da organização política denominada Lava Jato.

     

     

    O ex-presidente Lula se sacrifica, mas ele sabe como poucos o que significa, para a população e para a história,  não se curvar aos seus algozes e à injustiça, preservar sua dignidade, sua honra, sua inocência, até que as máscaras derretam sobre as faces cruéis do juiz Sérgio Moro e seus seguidores.

     

     

  • O aumento salarial do judiciário, as filas do desemprego, dos ônibus e dos hospitais

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Os magistrados de punhos de renda e de sapatos Luiz XV, que acabam de aumentar os próprios salários em meio à grave crise econômica do país, parece que, ao passarem o portal de entrada dos tribunais para o exercício de suas funções públicas, se entorpecem de um visual do paraíso e vêem ao fundo um pote de ouro de onde podem tirar o que querem para satisfazer suas compulsões. Auxílio moradia, auxílio creche, e outros embolsos, são uma vergonha nacional. E o povo que se dane, é isso?

     

     

    Talvez tomados por esse delírio monárquico de indiferença não estão se dando conta que há um ranger de dentes de cidadãos e cidadãs, de pessoas que sofrem nas filas dos hospitais, dos ônibus, do desemprego, nas grandes metrópoles brasileiras e no campo, por causa de tanta injustiça.

     

     

    A história mostra que a desigualdade e a indiferença dos governantes um dia chegam ao limite. A pobreza extrema nas periferias um dia irá aos centros, onde se acumulam a riqueza no capitalismo, buscar o que lhe é de direito.

     

     

    O cerco às castas dominantes de privilegiados que se formaram na sociedade brasileira pode ser tão grande que o país corre o risco de mergulhar num mar de sangue.

     

     

    O Atlas da Violência 2018 registrou 62.517 mil homicídios em 2016. Um número 30 vezes maior do que a Europa.  Todos os anos desaparece uma população equivalente a uma cidade do tamanho de Mariana-MG.  Desse total, 71,5% são de pessoas negras ou pardas e 56,5% são de jovens de 15 a 19 anos.

     

     

    Bem que o ministro Dias Toffoli, na sua gestão,  poderia enquadrar todo o judiciário na Constituição e nas leis do país. Ele deveria fazer isso em pareceria com a sociedade, respaldado por uma mobilização nacional pelo restabelecimento do estado de direito, do devido processo legal e da legalidade.

     

     

    Com isso ele libertaria o judiciário da situação de refém dos magistrados fora da lei, faria uma proposta de reforma do judiciário com apoio da sociedade e entraria para a história, no mínimo como um legalista. Mas, para isso, tem que ser grande.

  • A Constituição precisa ser brandida como arma poderosa contra a ilegalidade

     

     

     

    A banda do judiciário que se arvorou no comando do golpe de estado vê-se agora com suas mazelas expostas. O pecado original da “justiça dos brancos” , dos pelourinhos, está na praça, todo mundo pode ver.

     

    O juiz Sérgio Moro, com sua obsessão e torpeza, criminaliza a política, arrastando o país para o desmanche institucional. Ideologicamente colabora com a consolidação do poder selvagem do mercado na governança da sociedade, com seus códigos empresariais de negócios socialmente predatórios e aproxima o Brasil ainda mais da barbárie.

     

    O episódio da insurgência do juiz Sérgio Moro e de desembargadores do TRF-4 contra a concessão de habeas corpus ao ex-presidente Lula, garantido pela Constituição Federal, e a instauração de processo contra o desembargador Rogério Fraveto, pelo Ministério Público, deixaram evidentes os objetivos políticos da operação Lava-jato.

     

    Por mais que a mídia oligárquica e partidária, com seus âncoras e comentaristas eletronicamente encabrestados, tente inverter os sinais dos fatos, para desfazer a lambança do juiz Sérgio Moro e dos desembargadores do TFR-4, ficou evidente que a finalidade da prisão do ex-presidente Lula é impedi-lo de ser candidato.

     

    A percepção popular de que o ex-presidente Lula está sendo perseguido foi ampliada. No plano internacional essa mesma percepção foi reforçada, culminando com a decisão da Fundação Internacional de Direitos Humanos de conceder o status de preso político a ele, o mesmo status concedido ao ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela,  mais as declarações de chefes de Estado e autoridades estrangeiras em apoio ao ex-presidente.

     

    Os agentes da operação Lava-Jato estão se embaraçando no próprio liame político que criaram, deixando claro que se trata de uma articulação política de grupos partidarizados dentro do judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal para ações de perseguição a uns e proteção a outros. Apesar das provas dos crimes nas mãos de procuradores e magistrados, tucanos não são conduzidos para depor nem são presos.

     

    O fracasso político e econômico do projeto do golpe de estado, do qual a operação Lava-jato funciona como esteio, está levando o Brasil a um impasse.

     

    Dois anos se passaram, a dívida bruta saltou de 69% do PIB para 77%, o país está sem investimentos públicos (congelados por temer, por 20 anos) nem privados. A taxa de investimento recuou mais de 50%, a fuga de capitais bateu R$ 10,99 bilhões no primeiro semestre de 2018, superou a da crise de 2008, e o desemprego estrutural atinge 13,8 milhões de pessoas.

     

    O país está há três meses das eleições, as forças políticas que deram o golpe de estado e o sustenta não consegue um candidato que defenda o governo nem tem projeto para apresentar. Enquanto isso, o líder isolado das pesquisas está preso, refém da ilegalidade.

     

    As urnas esperam a escolha de qual caminho o país deve seguir: continuar com o desastre do golpe de estado, com o regime de exceção nas mãos de grupos políticos encrustados no judiciário, ou restabelecer a democracia, a legalidade do estado democrático de direito, e a retomada do projeto de desenvolvimento sustentável com inclusão social.

     

    Tendo em vista a gravidade da situação, os setores democráticos e legalistas do judiciário e dos órgãos auxiliares, no Supremo Tribunal Federal e em outras instâncias judiciárias e do Ministério Público, deveriam sair da toca, vir a público afirmar o compromisso cidadão com a democracia, com o país e com a justiça, e liderar, em parceria com a sociedade, com as entidades civis, universidades, intelectuais, juristas, e outras categorias democráticas, uma campanha nacional pela restauração da legalidade, pelo respeito à Constituição e pelo restabelecimento do estado democrático de direito. Os governadores e prefeitos progressistas poderiam colaborar.

     

    Nessa campanha, peças publicitárias de esclarecimento à população sobre as garantias constitucionais e a justiça como o mais importante bem da democracia deveriam ser produzidas e amplamente divulgadas. A Constituição precisa ser transformada em símbolo e brandida como poderosa arma contra a ilegalidade.

     

    O projeto de lei sobre abuso de autoridade, aprovado no Senado, precisa ser pautado e votado na Câmara para episódios vergonhosos como o do TRF-4 sejam coibidos.

     

    Os absolutistas responsáveis pelo caos institucional, seguidores da “teoria do domínio do fato” , que insistem na violação sistemática das garantias constitucionais precisam ser contidos numa reforma do sistema judiciário brasileiro, para que o estado democrático de direito seja restaurado e preservado para as gerações futuras. Abaixo o despotismo!