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  • DataFolha diz que cresce apoio a ideias de esquerda

    18-03-2016 Avenida Paulista

    Pois é, pesquisa Datafolha diz que cresceu apoio da população a ideias da esquerda e que, por incrível que pareça, refluiu o conservadorismo.

    Imagino que, o que aconteceu recentemente foi o fato das candidaturas de Serra, em 2010, Aécio, em 2014, e o golpe de Estado, terem trazido a extrema direita para a cena política. O conservadorismo ganhou voz, ocupou espaço, e faz muito barulho na internet, mas nada que ameace o humanismo e a luta por uma sociedade solidária.

    Na comparação com o levantamento anterior, feito em setembro de 2014, nota-se uma maior sensibilização do brasileiro a questões que envolvem a igualdade, possível reflexo da crise econômica e do alto desemprego que atingem o Brasil nos últimos anos.

    Subiu, por exemplo, de 58% para 77% a parcela que acredita que a pobreza está relacionada à falta de oportunidades iguais para todos.

    Já a que crê que a pobreza é fruto da preguiça para trabalhar caiu de 37% para 21%.

    No mesmo campo de ideias, cresceram a tolerância à homossexualidade (64% para 74%), a aceitação de migrantes pobres (63% para 70%) e a rejeição à pena de morte (52% para 55%).

    A maioria quer pagar menos impostos (51%) e depender menos do governo (54%), posições comumente associadas à direita.

    Contudo considera que o Estado deve ser o principal responsável por fazer a economia crescer (76%).

    A alta nas opiniões de viés mais progressista reverteu a vantagem, constatada em 2014, da direita sobre a esquerda.

    Os dois grupos voltam agora ao empate técnico. No somatório, direita e centro-direita representam 40% da população.

    Na pesquisa anterior eram 45%. Já a soma de esquerda e centro-esquerda aumentou de 35% para os atuais 41%. O centro manteve-se com 20%.

    Essa pesquisa mostra a força dos movimentos organizados que se expandiu nos governos Lula e Dilma com a inclusão social e a consciência de direitos.

    Com o derretimento do golpe, a tendência é avançar ainda mais.

  • “Meu cachorro não morde”

    Cachorro

    São muitos os acidentes provocados por cães, devido a negligências dos donos. Precisamos discutir a multiplicação da população de caninos e os cuidados com os animais antes que seja tarde.

    Outro dia fui atacado, na quadra onde moro, na Asa Norte, em Brasília, por um cão na rua, solto da coleira pelo dono e sem focinheira.

    Andava distante do animal, atravessando o gramado de um campo de futebol, à noite, com fraca iluminação. O cão correu em minha direção perseguindo meu vulto e me atacou.

    O dono, em vez de ficar do meu lado para me defender, dizia que seu cão não mordia, que o ataque aconteceu porque o animal não ouviu os comandos dele. Ele defendia o cão.

    O sujeito parece ter a ilusão de que ele comanda as mandíbulas do cachorro com um controle remoto.

    É muito constrangedor. Não fui mordido porque tive a sorte de alcançar, no chão, um pedaço de pau e me defendi enquanto o dono se aproximava dizendo palavras com o animal como se estivesse falando com uma pessoa. O cão latia ensandecido a procura de um flanco para me morder.

    É desrespeitoso, falta de cidadania dos donos ou donas de cachorros. Parecem não ter noções elementares de convivência em sociedade e o que é um animal.

    Essa história de sair para passear com cães e solta-los da coleira, sem focinheira, está virando moda, com o argumento de que os instrumentos de proteção contra ataques oprimem o animal. Isso não pode continuar.

    Cães criados confinados em apartamentos ou casas cercadas de grades, em ambientes limitados e inóspitos ficam agressivos sim e os donos precisam entender que cachorro é cachorro. O fato de tê-los domesticado  não dá direito de fazer o que querem com os animais.

    As autoridades precisam tomar  providência antes que seja tarde. Uma rápida pesquisa na internet dá a dimensão do problema. Os acidentes são pavorosos, com vários casos de mortes. O maior número de acidentes  ocorre com crianças.

    Pesquisas mostram que a maioria dos ataques acontecem em casa. Se acontecem em casa com os donos, a possibilidade de ataques a  estranhos na rua é muito maior, caso as regras determinadas por Lei não sejam cumpridas.

    Criaram um folclore em torno do cachorro, alimentado pela mídia, que por razões econômicas, venda de produtos, escondem os acidentes.

    Muita gente embarca nessa repetindo falsas convenções sobre os animais convenientes ao comércio.

    Os cães estão sendo associados a celebridades e colocados frequentemente em programas de TV, rádio, revista, jornais e na internet, diariamente.

    Os negócios envolvendo cães e gatos são altamente lucrativos. Movimenta uma enorme cadeia produtiva. Há estudos e projeções preocupantes para o futuro, que prevêem disputa de proteína com os humanos, além de outros problemas, tendo em vista a disparada do crescimento populacional de animais domésticos nas últimas décadas.

    A domesticação de animais, ao longo do tempo, por si só, é uma violência. Ainda mais nos dias de hoje, com o confinamento em habitações inóspitas até para seres humanos, em ambientes urbanos como os de hoje.

    Em comentários postados no meu perfil, no Facebook, muita gente repetiu que o cão me atacou porque eu estava com medo e exalei cheiro provocado por hormônio do medo. E daí? Se uma pessoa exala esse cheiro, percebido pelo animal, a culpa do ataque é da vítima e não do agressor?

    A lógica desse argumento é a mesma dos feminicídios. O homem é o agressor, mas a culpa é da mulher agredida.

    Nasci e me criei no campo até os 18 anos, lidando todos os dias não só com cães, tive vários desde criança, mas com animais de todo tipo: vaca, cavalo, cachorro, gato, coelho, porco, galinha, pato, papagaio, sem falar dos não domesticados.

    Não tenho medo de cachorros, lido muito bem com eles, gosto até de ensinar-lhes brincadeiras. Conheço razoavelmente  animais. Por isso me sinto à vontade para lidar com esse assunto.

    Meu conhecimento sobre animais não vem de manuais, de códigos discutíveis introduzidos por pessoas urbanas, que nem sempre têm conhecimento de fato, de vivência, experiência, convivência diária com várias espécies.

    Esse assunto precisa ser debatido com senso de realidade antes que seja tarde.

  • Temer mantém o Brasil refém do seu medo de ser preso

    Temer com medo

    A Esplanada dos Ministérios, em Brasília, parece em escombros. O cenário é de fogo de monturo queimando as entranhas do golpe de Estado que levou o Brasil a uma das maiores tragédias política, econômica e social da história da República.

    Para não ser preso, Temer mantém o Brasil refém do seu medo, o governo paralisado, a economia afundando ainda mais na recessão, com perda de mais de 10%, o desemprego estrutural se alastrando, com 14,7 milhões de desempregados, a soberania nacional se dissolvendo com a entrega de tecnologias, informações estratégicas a estrangeiros, e as relações perigosas do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, General Sérgio Etchegoyen, com a CIA, em episódio recente revelado em reportagem do The New York Times, a fome voltando nas regiões mais pobres do país, com previsão para este ano de cerca de 3,6 milhões de pessoas jogadas abaixo da linha da pobreza, segundo estudo do Banco Mundial, os ratos saqueando os cofres e o patrimônio públicos, e os ministros do Supremo Tribunal Federal envoltos em suas capas pretas a olhar a Praça dos Três Poderes e a Esplanada dos Ministérios, talvez alheios à gravidade da situação do país, como quem olha, do alto, uma paisagem com tudo no seu devido lugar.

    O relatório da Polícia Federal é conclusivo: Michel Temer é corrupto e praticou crimes incontestes. Mas parece que estão em compasso de espera, provavelmente por ainda não terem um candidato viável à sucessão de Temer. Enquanto isso, ele usa e abusa da estrutura do Estado e do poder de governo para proteção própria e de seus asseclas.

    O governo mais parece uma imensa agência de negócios, estendida ao Congresso Nacional, de maioria corrupta e sem escrúpulos, com denúncias quase que diárias de manobras de autoproteção e chantagens, favorecimentos aos aliados mais próximos, como o perdão da dívida de R$ 25 bilhões do Banco Itaú, entrega a grupos privados de gigantesca reserva de ouro e pedras preciosas, numa área de 46 mil quilômetros, na Amazônia, entre muitas outras ações, fatos tratados pela imprensa, rotineiramente, como outro qualquer, misturado ao turbilhão do noticiário que desaparece todos os dias no túnel do tempo.

    Os ministérios se transformaram em grandes cabides de empregos, com gente trazida dos mais variados rincões do país, a grande maioria sem as qualificações mínimas para os cargos que ocupam,  como o deputado André Filho, do PMDB/PB, de 26 anos, com curso superior incompleto, o quarto ministro, escolhido para a pasta da Cultura, muitos deles a carrear recursos públicos, sabe-se lá para onde e para quem, nos estados e municípios.

    Temer não é mais sustentado por apoio político, mas por barganhas de recursos e cargos públicos com a enorme banda podre do Congresso Nacional.

    Não há mais nenhuma dúvida sobre a organização criminosa que deu o golpe de Estado e se instalou no poder. Os gatunos estão agindo à luz do dia, como quem não se importa mais com o que dizem deles.

    Temer aposta nos ouvidos moucos de uma parte do povo fatigado,  tenta passar ares de normalidade institucional, vira as costas para o país, viaja por céus azuis de verão, da Rússia, da Noruega, mesmo sendo recebido por autoridades de terceiro escalão, e outros movimentos na cena política.

    A usurpação do poder, a degradação moral, a gravidade dos crimes em flagrante delito e as medidas de Temer, que colocam em risco a soberania nacional, subtrai direitos, conquistas sociais históricas, avilta garantias constitucionais civilizatórias, sob protestos da imensa maioria da população, requer do Ministério Público, do STF e da fatia do Congresso Nacional que não se alinha com o governo, a inclusão na pauta de debate, com prioridade máxima, de providências imediatas para conter as ações e a escalada do grupo político que domina as mais importantes instâncias do Estado brasileiro.

    Brasília- DF 12-09-2016 Representantes do Judiciário fizeram duras críticas aos políticos na cerimônia de posse da ministra Cármen Lúcia na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal) na tarde desta segunda-feira (12). Foto Lula Marques/Agência PT

    É consenso entre eminentes juristas que debatem a situação do país, que o afastamento, por medida cautelar, de Michel Temer e dos ministros e parlamentares ligados ao núcleo de comando do governo é perfeitamente respaldado pela Constituição.

    Não há notícia de situação semelhante à do Brasil, entre países de democracias maduras e instituições consolidadas, com governantes a cometer delitos tão graves no exercício de suas funções públicas, sem que as autoridades competentes tomem a devida decisão de afastar imediatamente os envolvidos.

    O STF tem em seu poder um pedido de anulação do impeatchment da Presidenta Dilma, mas o ignora. Além disso, deixou de cumprir com suas obrigações de fazer respeitar a Constituição e proteger a sociedade das negligências às garantias do Estado democrático de direito, para que o atual governo se estabelecesse e frutificasse. Eis os frutos podres e a responsabilidade do STF, por omissão, inscrita na história do país.

    O que a sociedade brasileira deseja saber do STF é o que será feito agora para deter os criminosos no poder.

    Segundo pesquisas recentes, 90,6% da população quer eleições gerais e o direito sagrado de escolher o destino do país.  E isso não pode ser negado ao povo.

  • Acidente com cachorros soltos

    Acidente com cão

    Já foi atacado por cachorro?

    Pois é, numa conversa com um policial civil fiquei sabendo que aumentou muitos acidentes com cachorros em Brasília por conta de negligência dos donos.

    Os acidentes têm acontecido, na maioria das vezes, por causa da história do “meu cachorro não morde”, “confio no meu cachorro.

    Os donos saem para passear com os animais, em locais públicos, sem focinheira ou sem coleira, como manda a lei, e os ataques acontecem contra pessoas, ciclistas, motociclistas, mais com crianças.

    Tem gente que não leva em consideração o fato de o animal ser movido por instinto. Deve pensar que cachorro é gente, que entende o que se fala com ele, ou que é comandado por controle remoto.

    São muitas histórias, que poderiam ser narradas aqui, mas são muitas. Uma, trágica, bastante conhecida em Brasília, foi a morte de um morador do Lago Norte, encontrado, em casa, numa poça de sangue, estraçalhado pelo próprio cão de estimação, um Rottweller.

    Criado desde filhote, o cão, de extrema confiança, que o dono chegava a  rolar no chão brincando com ele, e o tratava com muito carinho. Um dia, do nada, o cão estranhou o dono  e o matou.

    Outro caso aconteceu com uma criança de quatro anos, filho de uma amiga. A criança, ao correr ao encontro de um pequeno cão de uma senhora, que havia soltado o animal da coleira, dizendo ela que era manso, não atacava ninguém, foi mordida gravemente no rosto e em várias partes do corpo. A criança já foi submetida a várias cirurgias plásticas, tamanho os ferimentos.

    Essa história de soltar os cães das coleiras, sem focinheiras, está se tornando uma prática baseada numa premissa de entendimento do próprio dono de que “o seu cão não ataca”. Isso demonstra falta de conhecimento do que os caninos são capazes quando seus instintos são acionados por motivos desconhecidos.

    Existe uma lei que estabelece procedimentos para se evitar exatamente os acientes. Os donos preferem sua convicção a realidade dos fatos .

    Por que as pessoas insistem em colocar em risco a vida dos outros, principalmente de crianças?

    No Brasil, 150 mil pessoas são mordidas pelos animais de estimação todos os anos. Em mais de 70% dos casos, as mordidas dos cães atingem o rosto.

    “As piores conseqüências ocorrem quando a vítima é criança, o que representa 60% das ocorrências.

    Assim como as ensinamos a tomar precauções quando andam de patins ou bicicleta, devemos prevení-las sobre os riscos de se aproximarem muito dos animais, mesmo os de estimação”, afirma o cirurgião plástico Robert Jan Bloch, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

    A Lei Distrital 2.095 de 1998, permite a permanência de cães nas vias e logradouros “quando portadores de Registro Geral Animal (RGA) e conduzidos com coleira e guia, por pessoas com tamanho e força necessários a mantê-los sob controle”.

    “Cães de grande porte, de raças destinadas a guarda ou ataque, usarão também focinheira quando em trânsito por locais de livre acesso ao público”, completa o parágrafo 2º. Ponto.

    Qualquer pessoa pode ligar para a polícia e denunciar os negligentes.

  • Bons ventos da Inglaterra

    Jeremy Corbin 2

    Enquanto o Brasil sofre as agruras de um golpe de Estado, tramado por maioria parlamentar do Congresso Nacional, gente do judiciário, com apoio da mídia, para colocar um governo ilegítimo, corrupto e incompetente, na Presidência da República, a fim de impor uma pauta de reformas neoliberais do grande  capital, que subtrai direitos sociais e ambientais, privatiza bens, serviços públicos, e submete o país a um arrocho fiscal mais draconiano do que é imposto à União Europeia, a Inglaterra diz nas urnas que quer rever a política e o modelo neoliberal.

    Jeremy Corbyn, com seu programa “Governar para muitos, e não para poucos” puxou o fio da meada da esquerda europeia, talvez do mundo.

    Depois de quatro décadas de políticas de privatizações, iniciada por Margareth Tatcher, forças democráticas e socialistas inglesas estão dando a volta por cima, com a juventude à frente puxando um forte movimento que impactou movimentos tradicionais de esquerda, principalmente o Partido Trabalhista.

    O Partido, que havia entrado num ciclo de decadência, sob a liderança de Tony Blair e outros, se acomodado na franja de poder dos correligionários de Tatcher, parece ter se dado conta de que o povo não aceita mais o privatismo e as políticas de arrocho fiscal dos últimos governos. Ressurgiu do poço das derrotas e ouviu as vozes das ruas.

    O Manifesto de Jeremy Corbyn, que deu a linha política das eleições, caiu como luvas nas mãos de uma fatia considerável dos ingleses. O eleitorado quer ver as propostas da oposição ao neoliberalismo concretizadas em medidas.

    Corbyn propõe o resgate do sistema de saúde pública e gratuita desmontado nos últimos governos.

    Quer resgatar a Educação pública, fazer uma reforma no ensino começando pela recuperação dos salários dos professores, aviltados pelas políticas de arrocho, e reduzir o número de alunos por sala de aula, entre outras medidas.

    Acabar com a cobrança de mensalidades nas universidades, introduzida pelos conservadores e mantida pelos trabalhistas.

    Elevar o valor do salário mínimo, reverter a progressividade da idade mínima para aposentadoria, tendo como base pesquisas que demostram o aumento invisível da jornada de trabalho em função das novas tecnologias.

    Ele quer debater também medidas que compensem a perda de postos de trabalho provocada pelo aumento veloz da automação na indústria e no setor de serviços

    Corbyn diz claramente que é necessário mais impostos para os ricos e as grandes empresas, em especial a aristocracia financeira, para financiar a distribuição da renda.

    Além disso, ele quer rever as políticas de privatização iniciadas por Tatcher,  a reestatização imediata das ferrovias, dos transportes urbanos, do abastecimento de água e dos correios, entre outros bens e serviços.

    Defende que metade dos ministérios sejam geridos por mulheres, revisão da política externa e o fim do alinhamento com os Estados Unidos.

    Corbyn bate forte nas políticas neoliberais. Diz: “bens e serviços essenciais, concessões e propriedades não podem ter como finalidade enriquecer ninguém, mas atender com qualidade as necessidades da população”.

    Os ventos que estão soprando da Inglaterra, impulsionados principalmente por jovens, mostram o descortinar de um novo cenário político com perspectivas de retomada de posições das forças democráticas e socialistas.

    Que os bons ventos da Inglaterra soprem com força para todo o mundo.

  • Dallagnol corrompe a justiça pregada por Jesus

    Dallangnol

    Posso estar redondamente enganado, mas lá no fundo da minha alma algo me diz que Lula não será condenado, por falta de provas.

    A rebelião popular e a repercussão nacional e internacional seriam tamanha que o Juiz Sérgio Moro e os procuradores liderados por Deltran Dallagnol iriam de vez para o canto da história destinado aos injustos.

    A perseguição e a finalidade da operação Lava-Jato ficariam reluzentes e expostas em praça pública para sempre. Como ficou o caso dos dois operários Sacco e Vanzetti, condenados à morte nos Estados Unidos, em 1927, sem provas, por um juiz, mesmo tendo sido inocentados por um homem que assumiu a autoria dos crimes, em 1925.  O juiz desprezou as provas e julgou baseado em convicções próprias por razões políticas.

    O caso Sacco e Vanzetti foi cantado em versos por grandes poetas como Allen Ginsberg e escritores como Walter Benjamin e Howard Fast. Em 1977,  50 anos depois, o governador de Massachusetts, Michel Dukakis,  promulgou um documento que absolvia os dois operários.

    O procurador Dallagnol, coordenador da operação no Ministério Público, religioso evangélico praticante, corrompeu os princípios da Justiça pregada por Jesus, ao pedir a condenação do ex-presidente Lula. Inventou a própria “justiça”, baseada não na verdade que liberta, mas na mentira que condena, quem sabe para dar vazão à própria vaidade e à obsessão que sofra.

    Ele quer submeter o processo aos argumentos de seu livro, baseado na teoria do domínio do fato, a qual o próprio teórico, o alemão Claus Roxin, em palestras recentes em universidades mundo afora, condenou peremptoriamente a aplicação da teoria em investigações feitas no Brasil pela equipe da operação Lava-Jato.

    Desde o desastroso powerpoint, feito para induzir a opinião pública a acreditar na construção da falsa culpa de Lula, que a credibilidade dos procuradores da Lava-Jato começou a se desgastar. Cidadãos e cidadãs reprovaram aquele espetáculo, aquela condenação pública, midiática, sem provas, antes do veredicto final do juiz Sérgio Moro.

    A injustiça é uma das desgraças mais deploráveis do ser humano. Quem a pratica com base apenas em convicções pessoais, sem provas, ficará na história imperdoavelmente como injusto.

    Dallagnol não se deu ao trabalho de fazer powerpoint para nenhum outro investigado, como Aécio Neves, por exemplo. Ficou evidente que a escolha de Lula foi por razões políticas.

    Coincidência ou não, o tal powerpoint foi apresentado numa coletiva à imprensa no mesmo momento em que as delações premiadas colocaram Aécio Neves no centro do escândalo como o mais delatado de todos os envolvidos.

    Ficou a impressão que não se sabia o que fazer com Aécio, pelo fato dele, juntamente com Michel Temer e Eduardo Cunha, terem liderado a conspiração para o golpe de Estado.

    Parece que integrantes da operação Lava-Jato foram surpreendidos com as delações que atingiram em cheio o candidato derrotado das eleições de 2014 e a cúpula do PSDB: José Serra, Geraldo Alkimin e Aloízio Nunes Ferreira, entre outros. Daí em diante a situação ficou como se tivessem perdido o controle do que haviam planejado.

    Ao arrastar a Lava-Jato para a política, construíu-se, a qualquer custo, uma uma história sustentada pela narrativa da mídia que não há como concretizar. Caso não consiga, ficará desmoralizado para sempre.

    Dallagnol então se apegou ao próprio julgamento de que o ex-presidente Lula seria proprietário de “bens ocultos”: um apartamento, cuja tentativa de compra não foi efetivada, nem existe nenhuma escritura, nenhum registro em nome do ex-presidente, e um sítio de um amigo, o qual a família de Lula chegou a ir alguma vez em momentos de descanso, como qualquer pessoa que frequenta um sítio de um amigo. O procurador insiste que o sítio é propriedade do ex-presidente, sem nenhum documento que comprove.

    Isso é de deixar Jesus, ao lado do Pai, roborizado de indignação.

    Lula mora no mesmo apartamento em São Bernardo do campo, no ABC paulista, desde 1991, na mesma região onde mora os familiares dele e seus amigos de luta onde enfrentou os poderosos da época. Isso não condiz com a personalidade de um corrupto.

    Corrupto rouba para ostentar, para comprar iates, mansões, apartamentos e carros de luxo, até “amor verdadeiro” como dizia o escritor Nelson Rodrigues.

    Não barquinhos de lata, pedalinhos para passear com os netos, como fez Dona Marisa. Será que para Dallangnol o fato de Lula morar no mesmo apartamento simples há tanto tempo não teria importância  nenhuma para formar suas convicções?

    No depoimento do ex-presidente Lula, em Curitiba, com o comparecimento de cerca de 100 mil pessoas numa manifestação em solidariedade a ele, os procuradores da operação, o juiz Sergio Moro, e a grande mídia ficaram desmoralizados quando Lula demonstrou sua inocência publicamente, exigiu as provas do que ele estava sendo acusado e o juiz Sérgio Moro não as tinha para apresentar.

    Lula expôs a perseguição, a qual estava sendo submetido, e a construção da falsa convicção do procurador Dallagnol. Ficou tão evidente que sequer Dallagnol compareceu ao depoimento.

    O ex-presidente Lula apresentou dados de um estudo acadêmico que demonstra o assédio ao qual ele tem sofrido por parte da imprensa brasileira que age em conluio com autoridades da Lava-Jato, baseada em  informações inverídicas.

    Logo depois do depoimento do ex-presidente Lula, o juiz Sergio Moro e o procurador Dallagnol deram uma entrevista ao programa 60 minutos, da TV CBS, dos Estados Unidos, onde Moro, com absoluta falta de modéstia, se auto comparou a Eliott Ness, ator do filme Os Intocáveis. Como se a entrevista fosse uma tentativa de recuperação de território perdido.

    Em seguida a explosiva delação do empresário Wesley Batista, em parceria com a Rede Globo, atirou definitivamente Aécio Neves e Michel Temer na lama. Já não serviam mais para nada, as criminosas vísceras dos dois foram expostas à luz do dia.

    Eleitores de Aécio Neves e apoiadores do golpe de Estado, que foram às ruas para colocar Temer no poder, estão sem argumento. Os conspiradores do golpe estão perdendo todo o apoio que tiveram.

    Requentar a história do triplex e do sítio e pedir a condenação do ex-presidente Lula, mesmo depois de 107 testemunhas terem inocentado o ex-presidente e das duas auditorias internacionais contratadas, PricewaterhouseCoopers e a KPMG Auditoria Independent, atestarem que não há qualquer indício de atos ilícitos praticados pelo ex-presidente Lula nos casos investigados na Petrobras.

    O pedido de condenação de Lula parece ser uma jogada política para ocupar a mídia com outro assunto, para que Aécio e Temer não fiquem sozinhos no noticiário. Tanto que Aécio está sumindo do noticiário.

    A perseguição ao ex-presidente Lula está sendo acompanhada por organismos internacionais como a ONU e por instituições de juristas,  pela imprensa internacional, tendo em vista o ineditismo do golpe de Estado arquitetado no Brasil para derrubar a ex-presidenta Dilma, eleita democraticamente. O golpe, da forma como foi arquitetado, ameaça outros países do mundo. A imprensa internacional, nos últimos dias, intensificou a cobertura do desenrolar do golpe de Estado no Brasil. O que tem mais chamado a atenção é a imprensa brasileira, principalmente a Rede Globo. A imprensa virou  notícia mundo afora.

    Caso a injustiça contra o ex-presidente Lula prevaleça, seria o caso de se pensar até em construir um monumento em praças públicas, com as estátuas dos injustos, para que fiquem petrificados e as gerações futuras saibam o que o judiciário brasileiro foi capaz de fazer contra o maior líder popular da história do Brasil.

  • Não há mais nem restos mortais da “alegria do povo”

    Garrincha 2

    Manuel Francisco dos Santos, nosso Mané Garrincha, nosso “anjo das pernas tortas”, teve seu corpo exumado, em 2007,  “para liberar espaço” no cemitério Raiz da Terra, em Magé/RJ. Descobriu-se que não se sabe o paradeiro dos “restos mortais” do nosso Garrincha.

    O desprezo, a estupidez e a ignorância, parecem ter contaminado o Brasil, como micróbios.  Estão comendo a história, a identidade cultural do povo.

    O corpo foi exumado pela administração do cemitério sem nenhuma notificação à família.

    Misturaram os ossos à terra que  sem dignidade, sem história, sem importância nenhuma. Eram apenas “restos mortais”.

    Filho de uma família de 15 irmãos, da cidadezinha de Pau Grande, Rio de Janeiro, Garrincha sofreu a dor da rejeição social desde cedo, mas foi no Flamengo, Fluminense e Vasco  que doeu mais. Nas avaliações dos clubes, o preconceito, a discriminação, por ele ter as pernas tortas, pesaram mais que o talento.

    Foi recusado pelos clubes. Mas o Botafogo o acolheu, para a felicidade do Brasil. Corações de todos brasileiros pulsaram forte de emoção, nos jogos das copas do mundo ao ver os drible desconcertantes e os gols de  placa de Garrincha.

    Garrincha é o nome de um pássaro, que costuma visitar as frestas dos telhados das casas, igrejas, onde fazem ninhos para os ovos e depois abrigar os filhotes. Garrincha não anda como outros pássaros. Ele anda aos pulinhos com os pés alinhados. Talvez por isso, Manuel Francisco dos Santos foi apelidado Garrincha.

    Tornei-me botafoguense por causa dele, ouvindo os jogos no rádio, no Sertão da Bahia, narrados por Waldir Amaral, com suas frases curtas, descrições precisa das cenas dos dribles, que elevavam minha imaginação às alturas e me faziam sentir dentro do estádio, em tardes de domingo ensolaradas.

    Para nossa tristeza, não há mais “restos mortais” da “alegria do povo”, como ele era chamado pela torcida e pelos cronistas esportivos. Mas há uma multidão de Garrinchas no Brasil, que, apesar da arbitragem contra o povo, vai vencer esse jogo.

  • O golpe e a subordinação do Brasil aos oligopólios internacionais

    Banqueiros 2

    É quase impossível mirar a paisagem política brasileira e não ver a força dos oligopólios financeiros e empresariais, seus operadores por traz do golpe de Estado e da sustentação política do governo a qualquer custo. O enredo é muito parecido com o golpe de 1964.

    O Brasil se encontra embaraçado no liame político internacional, em meio a gigantescas disputas pelos abundantes recursos naturais, como sempre, de realinhamento à rede de negócios do sistema financeiro liderado pelos Estados Unidos e Europa, num momento de reacomodação de oligopólios transnacionais que buscam se posicionar no cenário da crise internacional.

    O acirramento das disputas acontece com movimentos fortes de subordinação dos estados nacionais. No Brasil, por exemplo, os grandes lobbies setoriais contam com auxílio de agentes de interesses externos que transitam no mercado, na política, e na estrutura do Estado, para implantação a ferro e fogo de reformas que aviltam os direitos sociais e a soberania nacional, para atender demandas das corporações empresariais.

    Embaladas num enganoso papel de “modernidade” as tais reforma oferecidas à população, a trabalhista, previdenciária, tributária, a lei da terceirização, o projeto de lei de venda de extensões ilimitadas de terras a estrangeiros, a entrega do petróleo, de minérios, água, ataque à legislação ambiental, as proteções às nações indígenas, de afrodescendentes, e a subtração de outros direitos como educação e saúde, visam transferir o ônus da crise para os trabalhadores e abre para ganhos do patronato.

    Isso não é novidade, evidentemente, mas a crise potencializou a exploração de matéria prima e mão de obra.

    No cenário político internacional, a eleição de Trump, nos Estados Unidos, que desponta como um gravíssimo fato político, a eleição de Emmanuel Macron, um banqueiro, na França, avanço dos conservadores na Inglaterra, ameaça de desmoronamento da União Europeia, golpe de Estado no Brasil, eleição de Maurício Macri, na Argentina, tentativa de derrubada de Maduro na Venezuela, para tomada do petróleo, guerra da Síria, com centenas de milhares de mortos, tomada do Iraque, da Líbia, enfim, golpes políticos em vários cantos do mundo decorrentes da movimentação do poder econômico e financeiro, apontam para a retomada do projeto neoliberal ditado pelos oligopólios financeiros e empresariais internacionais.

    A população mundial chegará perto de 10 bilhões de habitantes em 2050, contra 7,3 bilhões em 2015, segundo uma análise bianual do Instituto Francês de Estudos Demográficos (INED).

    A cada ano a população mundial aumenta em 80 milhões de pessoas, equivalente à população da Alemanha. Os jovens com menos de 25 anos representam 43% de todos os habitantes do planeta.

    A Ásia concentra 60% da população mundial, 4,2 bilhões, que devem chegar a 5,2 bilhões em 2052. A maior taxa de crescimento é a da África, cuja população superou um bilhão em 2009 e devendo alcançar dois bilhões em 2044.

    A China é o país mais populoso, com 1,35 bilhão, seguido pela Índia com 1,24 bilhão. Em 2025, no entanto, a Índia terá 1,46 bilhão de habitantes e superará a China, com 1,39 bilhão, dependendo da repercussão do fim da política de filho único. A população da Índia alcançará o recorde, 1,7 bilhão, em 2060.

    Países mais populosos (China, Índia, Estados Unidos, Indonésia, Brasil, Paquistão, Nigéria) totalizam 3,85 bilhões de habitantes – mais da metade da população mundial.

    Toda essa imensa população precisa, evidentemente, construir moradias, se alimentar, se vestir, calçar, estudar, cuidar da saúde, precisa de infraestrutura de transporte urbano, para o comércio, para viajar de ônibus, metrô, moto, bicicleta, avião, trem, navio, barco, enfim, de muito mais do que temos, e que são insuficientes para a população atual.

    Ao mesmo tempo, o mundo está mergulhado numa profunda crise econômica, com fortes movimentos de reacomodação dos grandes conglomerados transnacionais, sob comando das nações centrais, dos maiores bancos do sistema financeiro internacional, em razão das demandas de alta proporção dos países mais populosos e dos grandes blocos econômicos.

    Além disso, o mundo vive a era das bolhas, fruto mais venenoso da financeirização da economia, com poderosas corporações transnacionais a submeter os Estados nacionais a seus desígnios por meio de mecanismos de especulação financeira e de endividamento criados pela tecnocracia bancária, que se tornaram a causa maior das crises internacionais.

    Segundo o professor emérito de Ciências Econômicas da Universidade de Toulouse, François Morin, autor do livro A Hidra Mundial, os 28 maiores bancos detêm recursos superiores aos de dívidas públicas de 200 países do planeta.

    Dados colhidos em 2012 mostram que enquanto os bancos têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões, a dívida pública mundial chega a US$ 48,9 trilhões.

    Os derivativos, mecanismo especulativo criado pela tecnocracia bancária, utilizados em larga escala pelos 28 maiores bancos, atingiram, em 2016, a cifra de US$ 710 trilhões, o equivalente a dez vezes o PIB mundial. Esses mesmos bancos, organizados em cartel, manipulam as taxas de juros e de câmbio. A movimentação no mercado cambial é uma das maiores do mundo: US$ 6 bilhões diários.

    Segundo Morin, cinco dos 28 bancos controlam 51% do mercado. Hoje, 90% da moeda são criados pelos 28 bancos, e só 10% são de responsabilidade de bancos centrais. O sistema clássico de emissão monetária, formado por Casas da Moeda, que imprimem notas para o posicionamento do Banco Central no mercado financeiro, está superado pela violência dos conglomerados bancários.

    Bolsa de valores

    Entre 1970 e 2008, o mundo contabilizou 124 crises bancárias, 208 crises cambiais e 63 episódios de não-pagamento de dívida soberana, segundo estudos do Fundo Monetário Internacional. Esses indicadores representam três crises bancárias, cinco crises cambiais e quase dois elementos de não-pagamento de dívida soberana por ano.

    A crise internacional que eclodiu nos Estados Unidos, em 2006, tendo seu ápice em 2008, provocou estragos inimagináveis nas economias de poderosas nações como dos próprios Estados Unidos, da União Europeia, China, Índia, Brasil, México, Argentina, e outras, com repercussão devastadora sobre países periféricos mais vulneráveis, dependentes de financiamento e comércio externos, agravando ainda mais a crise social e a pobreza no mundo.

    Hoje, nos escombros da crise, o panorama é de falências generalizadas em todos os setores, com desemprego estrutural, e ao mesmo tempo um reposicionamento de grandes corporações transnacionais no novo cenário econômico e político mundial, a partir das próprias perdas, com fusões e compras de empresas locais, “na bacia das almas”, ou seja, em situação dramática.

    O jornal Valor Econômico, por exemplo, tem publicado, quase que diariamente, negociações de compra de empresas brasileiras por empresas estrangeiras, num processo veloz de desnacionalização da economia.

    Tradicionalmente, nos ciclos de crises, as nações centrais buscam compensações de suas perdas nas nações periféricas, por meio de corporações empresariais transnacionais de vínculos coloniais enraizados em tempo idos, principalmente do setor financeiro com ampliação de endividamento público e privado, e de busca de commodities, para processamento de matéria-prima nas suas plantas industriais de alto padrão tecnológico.

    O que se observa nos movimentos mundiais da economia e da política, é que o reposicionamento dos oligopólios empresariais transnacionais se deve também à reorganização dos mercados globais, que têm como fator decisivo as demandas de nações superpopulosas, como a China e a Índia, que não dispõem mais de terras suficientes para produção agrícola, e precisam importar não só proteínas, mas outras commodities, como petróleo e minério.

    Há disputas internacionais entre gigantescas empresas dos complexos agroindustriais, como por exemplo, a JBS, dos irmãos Batista, envolvidos em escândalos de corrupção no Brasil, que, num golpe de mestre, conseguiram transferir a sede da rolding para os Estados Unidos, onde o grupo tem 56 empresas de processamento de proteínas, e, de lá, dirigem outras tantas em outros países.

    No setor do agronegócio, disputam empresas brasileiras, norte-americanas, australianas, argentinas indonésias, e de outros países, assim como no setor de petróleo, minério, e outros recursos naturais, ou seja, as maiores empresas do mundo querem suas fatias.

    O Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo – sua agricultura é responsável por 24% do PIB do país, está atrás apenas dos Estados Unidos e da União Europeia.

    O Brasil é uma das maiores potências do mundo em recursos naturais, na produção de proteínas, em tecnologia agropecuária, tem abundância de água, além das reservas de petróleo do Pré-sal, a segunda maior do planeta, e a Petrobras, detentora de tecnologia de ponta, na busca de petróleo e gás em águas profundas, imensas jazidas de minérios, entre eles o nióbio, que colocam o país no topo dos mais ricos em recursos naturais do mundo.

    Tem um considerável parque industrial construído e ativo setor de serviços, e uma diversificada pauta de exportação. Entre os principais produtos estão aeronaves, equipamentos elétricos, automóveis, etanol, têxteis, calçados, minério de ferro, aço, café, suco de laranja, soja e carne embalada.

    As indústrias de automóveis, aço, petroquímica, computadores, aeronaves e bens de consumo duráveis são responsáveis por 30,8% do PIB.

    Nesse cenário dantesco, o Brasil se encontra enredado nas disputas mundiais e foi arrastado para a malha política das nações centrais.

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    Os gerentes de interesses externos, que sustentam a pauta política e econômica dos oligopólios transnacionais, instalaram um governo corrupto no país, demonstram controle das instituições, dos meios de comunicação, mudam as leis com extrema pressa para assegurar o arrocho fiscal, a privatização máxima dos serviços e bens públicos, com desnacionalização territorial, para atender às estratégias de negócios financeiros e empresariais transnacionais.

    Mas, ao mesmo tempo, a poeira dos escombros do golpe se dissipa, a população começa a enxergar quem é quem nessa história, também assume posições de defesa do país, dos direitos e das conquistas sociais, exige respeito à constituição, ao Estado democrático de direito e realização de eleições diretas, para que o povo escolha o governo que quer para o Brasil.

  • Autoridades da Lava-jato parecem desconhecer políticas públicas e instituições

    procuradores

    O jornalista norte-americano Michael Grunwald publicou recentemente um livro bastante interessante, com o título The New New Deal (“o novo New Deal”, uma alusão ao programa de Franklin Roosevelt para combater a Grande Depressão nos Estados Unidos, em 1929), que analisa o plano, do governo Barack Obama, de estímulos de 800 bilhões de dólares, entre investimentos e cortes tributários, para enfrentar a crise de 2008, que levou não só os Estados Unidos à maior crise econômica da era moderna, mas de roldão as maiores nações do mundo, entre elas, o Brasil.

    Segundo a revista Time, o governo Obama injetou o total de US$ 10 trilhões de dólares, para salvar bancos e empresas, no auge da crise.

    Enquanto Washington optava pelos estímulos, a Europa, sob a batuta de Angela Merkel, aplicava políticas de austeridade, com subtração de direitos dos trabalhadores e sacrifício do estado de bem estar social.

    Aqui, em 2007, entre outras medidas para enfrentar a crise, o ex-presidente Lula criou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para estimular os investimentos em infraestrutura de desenvolvimento, abandonada há mais de duas décadas, e a ex-presidente Dilma, o Plano Brasil Maior, um programa de desoneração tributária para os setores mais atingidos pelos efeitos da crise de 2008, a fim de proteger a economia, os empregos e o mercado de consumo interno.

    Em 2016, o Brasil sofreu um golpe de Estado, articulado por agentes de interesse externos que atuam entre o mercado e a política, para retomar os fundamentos do governo Fernando Henrique Cardoso, implantar, tardiamente, um programa mais draconiano ainda de arrocho fiscal do que o plano implantado na Europa, com ideias afundadas na crise de 2008, nos Estados Unidos, que só interessa aos rentistas do sistema financeiro e a grandes corporações internacionais que querem do Brasil, terras e commodities agrícolas, petróleo, minérios, explorar mão de obra barata, sem garantia de direitos sociais.

    Ao mesmo tempo, o Brasil foi submetido a uma catarse de combate à corrupção, por procuradores, juízes e policiais, com espetacularização das operações para TVs, com ataque aos   programas de investimentos e de desoneração fiscal setorial, dos  governos Lula e Dilma.

    Tenho dúvidas se certos concurseiro do judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal, que trabalham em operações, sejam suficientemente competentes, capazes de entender os programas e as políticas públicas. São parecidos com os que foram feitos por Obama, para enfrentar a crise nos Estados Unidos.

    Autoridades que fazem parte de certas operações têm demonstrado desconhecimento abissal do funcionamento das instituições, da montagem de governos, das políticas publicas de Estado, e muito menos dos interesses internacionais em jogo no Brasil. Muitas delas parecem mais interessadas em como aparecerão nos telejornais.

    Sempre fui impiedoso no combate à corrupção, de seja lá quem for, ajudando nas denúncias, no que estiver ao meu alcance, mas  combater a corrupção com destruição de empresas estratégicas, em plena crise econômica internacional, com perseguição política a adversários e em relação promíscua com investigados, como se viu na intimidade entre o juiz Sérgio Moro e o senador Aécio Neves, captada em famosa fotografia, é coisa de gente estúpida e narcisista.

    Que investiguem os criminosos, condenem-os com base nas devidas provas, de acordo com as leis e a Constituição, mas preservem as empresas.

    Os espetáculos ajambrados pelas operações, mais parecem filmes enlatados de baixo nível, comprados numa feira qualquer, que tem servido mais como alimento para o fascismo que cresce no país como erva daninha.

    A justiça é um dos valores mais sublimes de uma nação democrática. O país precisa de promotores, policiais e juízes cidadãos que entendam e promovam isso. Chega de espetáculo.

  • Temer pode sacar as armas que tem e apontar contra o Congresso e o Judiciário

    Temer-e-Cunha
    Temer deve ter, como carta na manga, os segredos mais imorais do casamento dele com os tucanos, que deu como filho o golpe de Estado e o governo mais vergonhoso da história do Brasil. 
     
    Por isso continuam de mãos dadas, em alta fidelidade, até que a morte lhes separem.
     
    Os demais aliados, de outros partidos, que venderam seus votos para a derrubada de Dilma, e fazem parte da base de apoio no Congresso e do governo, devem estar no cabresto de Temer e de Eduardo Cunha, dominados pelo pânico da mãe de todas as delações premiadas, que eles podem fazer.
     
    Já imaginou quantas gravações e documentos Temer e Eduardo Cunha podem ter, dessa gente que se juntou a eles para dar o golpe? Pode ter até gente graúda do judiciário e de grupos de mídia, como a Globo.
     
    O ministro Gilmar Mendes foi flagrado na calada da noite, no Palácio do Jaburu, no auge da conspiração contra Dilma e, noutros momentos, atuou com desenvoltura nos bastidores do golpe.
     
    Se Temer sacar o que ele provavelmente tem e apontar para o Congresso Nacional e para o Judiciário, a novela da troca dele por Meireles, pode ter capítulos com cenas calientes nos próximos dias.