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  • O capitão em seu labirinto


    Ele não sabe o que fazer, agora, com as falsa bíblias e com os fuzis.

    Imagens de arrumação de malas, para ir não se sabe para onde, só não são mais fortes que o tinido do ferrolho de uma cela, que pode estar no final de sua história.

    Depois da derrota, apagou as luzes do Palácio, fechou as cortinas e se recolheu nas trevas.

    Ficaram apenas a luz da tela do celular e a aflição diante do noticiário. A noite avançou, as pálpebras não cerraram.

    O dia raiou. O que fazer? Um pronunciamento à nação com aquele semblante de alma perversa, que se desintegrou ao perceber que o mundo não gira mais em torno dele?

    Que o delírio de autorreferência não encontra mais olhares e que os ouvidos do povo estão moucos?

    Ao redor, apenas escombros de um reino imprevisto em sua vida, que lhe chegou como um surto.

    Hora de acordar. Mas como acordar se não dormiu?

    Era preciso dizer alguma coisa para o povo, mas o que dizer se não há explicação?

    Convocar ministros, assessores, para escrever um pronunciamento, talvez pudesse ajudar a desembaraçar as frases que devoravam sua alma.

    Esperando pelos convocados, sozinho, catatônico, na cabeceira daquela imensa mesa de reuniões, tomado por uma nuvem de lembrança de erros, decisões impulsivas, não sentia culpa, constrangimento, por nada. Nem pelos mortos na pandemia.  Eram apenas lembrança.

    Ancorado na obsessão pelo poder, que se esvai no esfregar das mãos, não admite a realidade. Aquilo não poderia ser verdade.

    Imaginava que os militares, a PRF, PF, iriam salva-lo. Seus seguidores iriam às ruas de verde e amarelo, lhe dariam o álibi para seu pronunciamento, mesmo não sabendo o que dizer.

    A  musiquinha da campanha: “tá na hora do Jair… tá na hora do Jair… já ir embora…” , ressoava na solidão que lhe apavora.

    Chegam os escribas. Ocupam seus lugares na mesa. Como anunciar o velório do governo?

    Não haviam palavras. Passaram o dia tentando redigir o anúncio. Não conseguiram.

    Concluíram por esperar a evolução dos protestos de seus seguidores, que obstruem rodovias, acesso a aeroportos, para justificar motivos da rejeição do resultado da eleição.

    Parece querer se manter naquela: “homem não chora”. Mas o tormento está vencendo lentamente sua obsessão pelo poder.

    Enquanto isso, Lula recebe uma avalanche de telefonemas de chefes de Estado do mundo inteiro. Ele se dilacera, não sabe o que fazer com o caminhão de fake news usado na campanha, parado na porta de sua consciência.

    Enfim, não está conseguindo engolir a derrota, mas vai conseguir, “em nome de Jesus”.

  • Os bilionários acionistas da indústria de armas dos Estados Unidos devem estar felizes com os negócios no Brasil.

    Um dos gurus do bolsonarismo, Roberto Jefferson, ao ser preso pela Polícia Federal, mostrou o arsenal de armas que tem em casa. Inclusive granadas.

    O Brasil deve estar ocupando lugar de destaque no cenário internacional como posto avançado do tráfico de armas.

    Uma investigação profunda certamente revelará o submundo da indústria da morte no Brasil.

    Essa campanha de que todo brasileiro deve ter uma arma faz sentido para venda de armas.

    Os bilionários acionistas da indústria de armas dos Estados Unidos, ligados ao Partido Republicano, principalmente os trumpistas, devem estar felizes com a expansão dos negócios no Brasil.

    O jornal inglês The Guardian destaca a facilidade do acesso a armas e munições por traficantes de drogas no Rio de Janeiro. Segundo o jornal, para manter o acesso, os traficantes preferem a eleição de Bolsonaro.

    https://www.theguardian.com/world/2022/oct/21/brazil-gangs-guns-drugs-presidential-election-bolsonaro-lula

    https://red.org.br/noticia/traficantes-preferem-reeleicao-de-bolsonaro-por-facilitar-acesso-as-armas-revela-the-guardian/
  • Pessoa nefasta

    Que pessoa asquerosa!

    Damares pode ser presa por divulgar fake news e impedida de ser diplomada pelo TSE.

    A lei é clara! Quem divulga fake news pode ser preso em flagrante.

    Ela não tem alternativa. Vai ser espeto ou brasa.

    Se não tem provas do que disse, é fake news.

    Se tem provas e não tomou providências é prevaricação.

    Ela disse, num culto de uma igreja no PA, que no ministério comandado por ela havia imagens de crianças com dentes arrancados para fazer sexo com adultos e que recém-nascidos eram estuprados.

    Os fiéis gravaram a fala dela e espalharam nas redes sociais como denúncia da ex-ministra.

    Os advogados do grupo Prerrogativas, de posse dos vídeos, entraram na justiça com um processo demolidor.

    O Ministério Público exigiu a apresentação de provas.

    Exigiu também a apresentação das providências tomadas pelo ministério para denunciar os fatos às autoridades.

    Imaginar que essa pessoa foi ministra de Estado e eleita senadora pelo Distrito Federal demonstra claramente que sociedade estamos vivendo.

  • O Brasil vai às urnas resgatar o projeto de nação democrática e soberana interditado pelo golpe de 2016

    Lula saiu do cárcere, em Curitiba, desmascarou todos os algozes que o condenaram à prisão, a começar pelo ex-juiz Sergio Moro e o procurador Deltan Dallagnol. Caminhou como um peregrino, batendo de porta em porta, chamando todas as pessoas comprometidas com a democracia, com o Estado de direito e a soberania da nação, para derrotar o fascismo, liderado pelo capitão Jair Bolsonaro.

    Lula construiu um dos maiores arcos de forças políticas democráticas da história do Brasil, equivalente ao que se formou na campanha pelas eleições diretas, em 1983.

    Ao pegar o caminho das urnas, lembre-se de que o Brasil foi vítima do golpe de Estado que derrubou a presidenta Dilma, legitimamente eleita, e interditou o mais ousado projeto de nação democrática, soberana, de sua história.

    Lembre-se de que prenderam o ex-presidente Lula, com uso de lawfare, de massacre midiático com requintes de crueldade, e depois o condenarem com base em processos forjados, acusações falsas, sem nenhuma prova, na tentativa de destruí-lo moral e politicamente, para não permitir que ele fosse candidato à presidência da República, em 2018.

    Lembre-se de que elegeram um capitão do exército, tonto, perverso, desprovido de condições morais, de qualificações mínimas para governar o país, responsável pela tragédia da recessão, do desemprego, da inflação, da fome, da morte de mais de 680 mil pessoas, por negacionismo e irresponsabilidade, durante a pandemia.

    Mas, mesmo estropiado, como quem volta de uma guerra, com todo o estrago na saúde física e mental, o Brasil se levanta, acordado do pesadelo, e segue a estrela da esperança, para resgatar o que lhe foi negado no golpe, em 2016, cravar a bandeira da vitória nas urnas e colocar o ex-presidente Lula de volta na presidência da República.

    O expresso que partiu, em 2002, direto da “Capital da Esperança”, para o futuro, com Lula no comando, depois passado para Dilma, em 2011, primeira mulher a pilotar a locomotiva, foi assaltado, em 2016, por conhecidos bandoleiros: gente nativa, gerentes de interesses externos e dos negócios da “elite do atraso” nacional, desde o Brasil colônia.

    A serviço dos gringos, além da interdição do projeto nacional, da subtração de direitos dos trabalhadores e outras piratarias, os bandoleiros queriam mesmo era o tesouro descoberto pela Petrobras, em águas profundas do mar da costa brasileira: nosso precioso petróleo da camada pré-sal.

    O assalto que tirou Dilma da Presidência da República e prendeu Lula foi coisa de cinema. Bastou inventar umas tais “pedaladas fiscais”, um “apartamento triplex”, um “sítio em Atibaia” para justificar os falsos crimes, instalar o ódio no coração do povo com uma avalanche de fake news e mandá-lo para as manifestações com o “estandarte da anti-corrupção”.

    A ação contou com grande elenco de magistrados, parlamentares, de uma “operação de combate à corrupção na Petrobras” urdida por um juiz, alguns procuradores e delegados. Coube à mídia oligárquica o papel de pelourinho, para o lowfare em praça pública.

    A presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores foram açoitados dia e noite, com ódio de classe colonial, por capatazes da imprensa oligárquica. Dilma foi derrubada e Lula preso, para não ser candidato em 2018.

    Os gerentes de interesses externos e a “elite do atraso” não aceitavam o projeto de governo do Partido dos Trabalhadores, que tinha o Estado como indutor do desenvolvimento sustentável com inclusão social, erradicação da pobreza, preservação de direitos e afirmação da soberania nacional, tendo a indústria do petróleo como uma das mais promissoras alavancas do crescimento econômico. Hoje se dizem “modernos”, se tornaram inimigos do Estado.

    Logo no início da viagem, em 2006, quando Lula tocou o apito da locomotiva anunciando que a Petrobras havia descoberto as imensas jazidas, um alvoroço se formou no mercado internacional de petróleo. As gigantes do ramo puseram seus olhos de raio-x sobre o Brasil.

    O governo foi espionado, telefones da Presidência da República hackeados, dois notbooks da Petrobras, com dados sigilosos da empresa, foram furtados, em janeiro de 2008, segundo relatório da investigação da Polícia Federal.

    Apesar disso, o governo Lula não se intimidou. Partiu para o planejamento da exploração das jazidas, construção de siderúrgicas, afim de processar o aço a ser usado na montagem das plataformas e refinarias de petróleo. Com a Petrobras no controle das reservas e da produção, em 2010, a capitalização elevou a empresa ao patamar de quarta maior petroleira do mundo.

    A indústria nacional chegou a produzir 73% dos itens demandados pela construção das plataformas. Em 2014, o Brasil chegou ao menor índice de desemprego registrado pelo IBGE: 4,3%. Pleno emprego. Menor que o da Inglaterra, que foi de 7,2%, no mesmo ano. O PIB do Brasil, que era de US$ 502 trilhões, em 2002, havia saltado para US$ 2.473 trilhões, em 2013. Isso, em plena recuperação do impacto da crise econômica e financeira dos Estados Unidos, de 2008, que abalou o mundo.

    A presidenta Dilma dizia que o petróleo do pré-sal era um “bilhete premiado”, uma fonte poderosa de recursos para financiar o projeto do governo, que tinha a educação como eixo estratégico para superação da desigualdade, da pobreza, e promoção do desenvolvimento.

    Em 2013, Dilma sancionou a lei que destinava 75% dos royalties do petróleo para a Educação e 25% para a Saúde. À medida que crescia a produção, crescia também a arrecadação de royalties. Desde o início do governo Lula, a Educação foi prioridade máxima. Em 2003, o orçamento da Educação era de R$ 33,3 bilhões. Em 2014, mais que triplicou, saltou para R$ 115,7 bilhões. O orçamento dos fundos de apoio à pesquisa era de R$ 4,07 bilhões, em 2000. Em 2015, chegou a R$ 13,97 bilhões.

    Os governos Lula e Dilma criaram 18 universidades federais e 173 campi universitários, espalhados por regiões estratégicas para o desenvolvimento. O acesso ao ensino superior saltou de 505 mil alunos, em 2003, para 932 mil, em 2014. O programa Ciência sem Fronteiras chegou a financiar mais de 100 mil bolsas de estudos de mestrado e doutorado para estudantes brasileiros, nas mais importantes universidades do mundo. Foram criados mais de 360 Institutos Federais de Ensino, para formação de profissionais técnicos.

    O Plano Nacional de Educação – PNE, decenal, previa, além da ampliação dos investimentos, elevar o nível do ensino público com qualificação dos professores, do recrutamento (elevação do nível dos concursos), aumentos salariais gradativos, para equiparação às carreiras de Estado mais bem remuneradas.

    Educação de qualidade e desenvolvimento científico e tecnológico metem medo nos poderosos nativos e das nações centrais, por serem raízes da democracia e da soberania de uma nação.

    Evidentemente, o projeto dos governos do PT é muito mais abrangente, se espalha por todas as áreas. O Programa de Aceleração do Crescimento, por exemplo, superou a casa de R$ 1,5 trilhão em investimentos na infraestrutura de desenvolvimento, entre os anos 2007 e 2014.

    O Brasil que vai às urnas também está assustado com o Brasil que emergiu do passado, dos porões da história, do submundo dos crimes da colonização, das ditaduras, trazido à tona pelo capitão Jair Bolsonaro. A violência latente, arraigada no obscurantismo de parte da população se espalhou nas redes sociais, galopou nas ruas, embrenhou nas famílias.

    O Capitão Capataz encarnou o ódio de classe do senhorio contra a democracia, a legalidade, os pobres e seus direitos, e arrebatou corações e mentes de herdeiros dos bandeirantes, de escravistas, que se identificam com o caráter dele.

    Impossível olhar o Brasil e não ver na paisagem política os conflitos ancestrais emergidos da história nos últimos anos, desenhando o cenário da barbárie. A história do Brasil é vermelho-sangue. O senhorio sempre manteve o poder de classe, a subordinação, com a ração numa mão e o chicote na outra.

    A sombria mentalidade colonial persiste. Patrões e feitores ainda rugem nas empresas, nas famílias, no jornalismo, nas redes sociais, com o mesmo ranço da escravidão, com a mesma violência do senhorio, que, ao longo da nossa história, cortou cabeças, esquartejou, salgou corpos em pedaços, em praças públicas, de quem ousou se rebelar contra a dominação, a exploração, a opressão e a miséria. Os eleitores da base da pirâmide social são sobreviventes da negação da democracia.

    O senhorio se encastelou no topo da pirâmide e resiste à inclusão social e à conquista de direitos elementares dos trabalhadores. O ex-presidente Lula quer apenas que a Constituição seja cumprida, mas o senhorio odeia a Constituição, quer rasgá-la. Imaginou que o Capitão Capataz faria esse serviço, mas ele não conseguiu. As forças políticas do arco de alianças articulado por Lula empunham, bradam a Constituição e se posicionaram em defesa do Estado democrático de direito. Na democracia, os conservadores sempre perdem.

    Nos momentos em que o Brasil adotou modelos de desenvolvimento e políticas de relações internacionais, que o levou a mais independência e soberania, associados a políticas públicas com expansão de direitos e inclusão social, ergueram-se golpes. Os militares têm se comportado, historicamente, como protetores dos interesses do senhorio do topo da pirâmide e do poder econômico das nações centrais. No golpe da proclamação da República, eles não se aliaram aos republicanos abolicionistas, mas aos proprietários das terras, das minas, das empresas e dos bancos que se estabeleceram no país.

    Os golpes sempre foram dados por militares em parceria com gerentes de interesses externos, para realinhar o Brasil aos vínculos econômico-financeiros das nações centrais, impostos por corporações empresariais.

    Sempre foi assim em Pindorama e a história tem os fatos emoldurados e pendurados na parede da memória. Hoje, são articulados pelo judiciário e o parlamento, tendo a mídia como manipuladora da opinião pública. São os golpes sem sangue.

    Para eles, “Ordem e Progresso” significa baixar as cabeças, trabalhar, produzir, consumir, como máquinas. Não questionar e deixar os destinos nas mãos deles. Ou seja, não atrapalhem os piratas, eles querem continuar explorando Pindorama e sua gente.

    O Brasil que vai às urnas se viu no espelho e não gostou do que viu nos últimos anos. Quer de volta o projeto de país que lhe roubaram no golpe de 2016. Quer de volta a decência, a democracia. Não quer a rivalidade, a exclusão, quer solidariedade; não quer ódio, armas, quer amor, educação de qualidade; não quer o obscurantismo, o charlatanismo religioso, quer a civilidade e a ciência. Enfim, quer alegria de viver e saúde mental. Quer um país onde reine a justiça, a igualdade, a felicidade.

  • O Nefasto saiu da posse do Alexandre de Moraes de cabeça baixa

    O Nefasto ficou congelado na cadeira, visivelmente isolado, na posse do Xandão, no TSE.

    Ouviu tudo que não gostaria de ter ouvido. Esfregaram as ameaças e as fake news na cara dele.

    Saiu com o rabo entre as pernas para fazer o enterro do tal golpe.

    A inflação e os auxílios eleitoreiros acabarão com o que ainda resta dele e do seu governo.

  • Judiciário manterá “a lei e a ordem” nas eleições.

    Por incrível que pareça, o judiciário é quem vai “manter a lei e a ordem”, nessas eleições, como manda a constituição, e não os militares.

    Para isso, magistrados do país já estão se reunindo e organizando uma estratégia para conter a horda de fascistas que ameaçam criar confusão nas eleições.

    O Supremo Tribunal Federal tem bastante informação sobre os grupos organizados, investigados pela Polícia Federal no inquérito sobre o Gabinete do Ódio e as fake news.

    Segundo entendimento de magistrados, arruaceiros deverão ser presos com mandados de prisão preventiva, sem data prevista para sair.

    Discute -se, também, nos casos mais graves como, por exemplo, organização de grupos para ataque a institições, aplicar a Lei Antiterrorismo, cujo crime é inafiançável e imprescindível. Pena de 20 a 30 anos de prisão.

    No âmbito do TSE,  o ministro Edison Facchin criou uma comissão, coordenada pela Corregedoria Eleitoral, para organizar as ações.

    O STF deve fazer valer a Constituição no nível máximo da manutenção “da Lei e da Ordem”.

  • Vândalos da democracia

    Durante a Constituinte, quase todas as semanas o Brasil era ameaçado com um golpe militar. Nos corredores da Câmara, assessores chegavam a fazer apostas, tão iminente parecia acontecer a quartelada.

    Como que acometidos da síndrome da tutela dos poderes da República, os militares viam a Constituinte como uma ameaça. Não se conformavam com os parlamentares decidindo o futuro do país à revelia de seus desígnios, como se ainda tivessem nas mãos o chicote do general Newton Cruz.

    O general ficou conhecido por sua atitude desesperada, bizarra, de, do alto do lombo do seu cavalo, chicotear carros que faziam um buzinaço numa manifestação por eleições diretas, em abril de 1984, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ele vociferava inconformado com os estertores da ditadura.

    Foram tantas ameaças e pressões dos militares sobre a Constituinte que certo dia, numa atitude ousada, o general Leônidas Pires Gonçalves, na época ministro do Exército, solicitou formalmente ao então presidente José Sarney que fosse convocada uma reunião, no Palácio do Planalto, com líderes partidários para a redação do famoso artigo 142, que define a função das Forças Armadas.

    O general atravessou a Esplanada dos Ministérios com seu staf de oficiais e chegou à reunião com o texto da tutela militar, redigido, debaixo do braço. Os militares, no final das contas, queriam a subordinação dos poderes da República às Forças Armadas. O presidente Sarney havia convidado apenas os senadores Fernando Henrique Cardoso e José Richa, ambos constituintes. Constrangimento semelhante sofreu o Deputado Ulysses Guimarães, presidente da Constituinte, pressionado pela corporação fardada.

    Não se sabe em qual lata de lixo foi parar o texto do general. O fato é que o artigo 142 recebeu uma redação negociada, diferente do que queria o general. Mas ficou no final do texto a frase “garantia da lei e da ordem”, sentença que tem dado margem a arroubos de militares golpistas.

    Só que, no artigo, a convocação das Forças Armadas, caso necessária, tornou-se prerrogativa de qualquer um dos poderes da República: Executivo, Legislativo e Judiciário. Isso esvaziou a tentativa de subordinação dos poderes aos militares, com queriam.

    O princípio da “hierarquia e disciplina”, no mesmo texto, que definiu a organização das Forças Armadas, posteriormente fundamentou a lei que criou o Ministério da Defesa e consequentemente um rígido regimento interno para o ordenamento das tropas nos quartéis.

    A legislação vigente prevê punições severas para militares que venham se insurgir contra a “hierarquia e a disciplina”, “a lei e a ordem” constitucional. Dependendo do caso, o militar é preso, processado e demitido a bem do serviço público.

    O que diz a Constituição:

    Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

    Naquela época, primeira metade dos anos 80, o poder popular, erguido nas ruas na luta pela democracia, havia arrastado multidões na campanha por eleições diretas, movimento que acabou desaguando no Congresso Constituinte.

    O poder popular era pulsante e ascendente. Foi o que deu respaldo ao Congresso Constituinte para elaborar uma plataforma jurídica capaz de assegurar o Estado Democrático de Direito, a conquista de direitos fundamentais, individuais e coletivos, e a organização da federação e do Estado, bases do espaço democrático que temos hoje.

    Tanto que, na primeira eleição direta após a Constituinte, em 1989, Lula foi levado ao segundo turno e enfrentou Fernando Collor – candidato verde e amarelo como Bolsonaro – apoiado por forças conservadoras remanescentes da ditadura, respaldadas pela mídia oligárquica.

    Ainda hoje, o Brasil convive com ameaças de golpe militar. Agora mesmo, por conta da alta rejeição ao candidato Jair Bolsonaro, um militar originário de uma banda das Forças Armadas formada por vândalos da democracia, ataca as instituições. Isso, porque ele sabe que dificilmente será reeleito.

    Os militares remanescentes da ditadura, reformados, liderados por Jair Bolsonaro, que fizeram opção de chegar ao poder pelo voto e permanecerem, estão desmoralizados pela demonstração de incompetência nos postos de comando do governo e por angariar privilégios, altos salários, para a categoria, constituindo-se numa casta. A rejeição aos militares e ao governo, pela população, estão registradas nas pesquisas de opinião.

    Em 2018, ano eleitoral, 21% da população respondeu à pesquisa “A cara da Democracia”, que não confiava nas Forças Armadas. Nos anos do governo Bolsonaro, a falta de confiança subiu oito pontos, atingindo 29%. Desde 2021, os que diziam confiar muito caiu de 34%, em 2018, para 25%, em 2022.

    O mundo mudou, o Brasil mudou e quer virar a página dos inimigos da democracia. Não há mais lugar para quarteladas. O país dispõe, hoje, de instituições sólidas e legislação capazes de deter qualquer horda de criminosos que insurja contra “a lei e a ordem” constitucionais. Caso haja insubordinação, motim, tentativa de golpe por militares, policiais, evidentemente serão presos e demitidos das instituições.

    O artigo 5º, XLIV, da Constituição é claro:

    ”constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.

    Art. 5º do Código Penal Militar:

    Praticar crime de revolta ou motim: Pena – aos cabeças: reclusão por vinte anos, grau mínimo; aos co-réus: reclusão de vinte a trinta anos, ressalvada, quanto ao executor de violência, a pena a esta correspondente, se for mais grave.

    Parágrafo únicoSe os agentes estavam armados:

    Pena – reclusão, de oito a vinte anos, com aumento de um terço para os cabeças. Organização de grupo para a prática de violência.

    A Bolívia talvez seja o país da América Latina que mais sofreu golpes militares, em tempos idos. Recentemente foi vítima de mais um. Porém, todos os golpistas estão presos, cumprindo penas severas.

    O Brasil tem, hoje, posição de destaque no cenário econômico e geopolítico no mundo. Não é mais o de 40 anos atrás, tempos da “guerra fria”. O país assumiu compromissos e vínculos com organismos internacionais, construídos e firmados em tratados fundamentados em valores e regras da democracia. Além disso, participa de fóruns de decisões relevantes, tem acordos e parcerias comerciais em grande escala com nações em todo o mundo.

    A escalada de ataques ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal, como têm feito Bolsonaro, o vice Hamilton Mourão, ministros militares, são sintomas claros de sensação de derrota eleitoral e limitações quanto ao entendimento da importância política e econômica do Brasil no mundo.

    Os tribunais superiores têm resistido aos ataques dos vândalos da democracia liderados por Jair Bolsonaro e mantido a legalidade. Apesar de terem sido injustos no golpe que derrubou a presidenta Dilma, quando deixaram de reconhecer a ilegalidade do impeachment, quando permitiram a prisão ilegal do ex-presidente Lula, quando lhe negara o habeas corpus, quando o impedira de ser candidato nas eleições de 2018.

    Os ataques de Jair Bolsonaro ao TSE, numa tentativa de descredenciá-lo no comando das eleições, culminou no convite a mais de 40 embaixadores, para discutir a segurança das urnas eletrônicas.

    Urnas que o elegera por mais de 20 anos de mandatos parlamentares e para presidente da República. Nunca questionada sua segurança.

    A reunião causou tanto constrangimento que os aplausos ficaram por conta somente de assessores e alguns ministros. Os embaixadores assistiram à cena de ataques ao TSE e aos seus ministros, em silêncio. A grande maioria saiu sem se despedir do presidente, apesar de Jair Bolsonaro ter descido do púlpito, se postado diante da primeira fila para receber os cumprimentos. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, convocados pelo presidente, não compareceram.

    Um disparate! Imagina o que as senhoras embaixadoras e os senhores embaixadores escreveram nos relatórios diários para os governos dos seus respectivos países.

    A atitude foi tão patética que Jair Bolsonaro e seus ministros parecem não se dar conta de que as quatro paredes de seus gabinetes são transparentes e que o mundo vê a bizarrice e o desastre do seu governo.

    A embaixada dos Estados Unidos soltou nota contestando o que afirmou o presidente. Disse que o sistema eleitoral brasileiro é exemplo para o mundo. O Porta-voz do governo Joe Baden, Nerd Prince, reforçou a posição do governo norteamericano de absoluta confiança no sistema eleitoral brasileiro. Disse que o governo acompanhará a realização das eleições no Brasil.

    O general Paulo Sérgio Nogueira, ministro da Defesa, em depoimento à Câmara dos Deputados, defendeu o uso de cédulas de papel em votação paralela às urnas eletrônicas. A ideia é tão absurda que põe em dúvida a formação militar que lhe concedeu a patente de general.

    No mesmo dia do convite às embaixadoras e aos embaixadores, o vice, general Hamilton Mourão, deu uma declaração de recuo. Disse que não é papel das Forças Armadas interferir no processo eleitoral.

    A colunista do jornal O Globo, Bela Megale, revelou que militares do alto comando, demonstrando desalinhamento com o governo, fizeram, em off, críticas contundentes ao ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, por sua submissão incondicional a Bolsonaro nos ataques ao TSE.

    A estratégia de Bolsonaro visa instalar uma grande dúvida, alimentar essa dúvida até as eleições com ameaças frequentes, se vai ter eleição ou não, numa tentativa de imobilizar as forças políticas de oposição ao seu governo. O país não pode ficar refém dessa dúvida. Haverá eleições, sim, limpas e seguras.

    Só que isso está levando o presidente ao isolamento cada vez maior. Enquanto isso, a rejeição a ele e aos militares cresce. Lula amplia a frente de defesa da democracia, agrega novas forças de apoio ao projeto de desenvolvimento sustentável e soberania, defesa do meio ambiente, com o Estado como indutor do crescimento, para geração de empregos, promoção da inclusão social, redução das desigualdades, erradicação da pobreza extrema e da fome.

    Os fatos recentes são sinais evidentes de esgotamento da estratégia de comunicação que deu sustentação ao golpe contra a presidenta Dilma, à prisão do ex-presidente Lula, à eleição e sustentação dia Jair Bolsonaro. Hoje os governistas estão visivelmente perdidos. Restaram-lhes as motociatas e as ameaças.

    O golpe contra a presidenta Dilma foi um desastre. Os indicadores econômicos, sociais, políticos, e o cenário das grandes cidades formam uma realidade dramática, inconteste.

    E mais, a corrupção foi estruturada, não só com a aprovação do “Orçamento Secreto” instituído pelo “Centrão”, bancado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, mas em várias áreas do governo, investigadas pelos órgãos de fiscalização e controle. Caiu por terra a máscara “no meu governo não tem corrupção”.

    Aumenta a percepção da população. As pesquisas têm mostrado que o voto em Lula é tão consolidado que sequer a “terceira via” se viabilizou.

    O arco de alianças que se formou, sob a liderança de Lula, vai derrotar o fascismo, vai derrotar o golpe. A indignação da grande maioria da população e a defesa da democracia serão depositadas nas urnas eletrônicas.

    O projeto do ex-presidente Lula é bastante conhecido. Está em perfeita sintonia com a Constituição: garante o Estado Democrático de Direito, a soberania do Brasil, e viabiliza os direitos conquistados na Constituinte.

    Esse fio histórico cortado pelo golpe será religado, para que se faça luz sobre as trevas. Os vândalos da democracia odeiam a Constituição, querem rasgá-la, mas a grande maioria da população quer virar a página do atraso, do obscurantismo, do militarismo, quer um Brasil moderno, sem pobreza, com oferta e acesso aos serviços públicos, a empregos dignos, desenvolvimento sustentável com inclusão social e civilização.

    A tentativa de salvação do projeto neoliberal, com uso das redes sociais para golpes institucionais-midiáticos, como aconteceu primeiramente em Honduras, depois no Paraguai, no Brasil, com as manifestações iniciadas em 2013, parece ter atingido seu ápice na eleição de Bolsonaro e na sustentação do governo dele. Agora, entra em declínio com as investigações sobre o “Gabinete do ódio”, conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal, e restrições ao uso de fake news nas eleições.

    Certas igrejas neopentecostais e think tanks, manipuladores de pessoas vulneráveis, formadores de bolhas de fake news, não estão conseguindo sustentar o discurso mitificador do “empreendedorismo” e da “prosperidade”, diante da realidade da crise estrutural.

    As ilusões vendidas aos trabalhadores, de renúncia ao contrato de trabalho, a direitos conquistados, se desfazem na crise, vencidas pelo forte desejo da garantia de emprego, com estabilidade, para manutenção das famílias.

    Fracassa a tentativa de acomodar o exército de mão-de-obra de reserva, desempregado, no “livre mercado”. O que se vê é a condenação de imensa parcela de trabalhadores ao desamparo, ao desalento, à pobreza extrema, sem perspectiva de reinserção no mercado de trabalho formal, de contrato assinado.

    Restou o ódio, o vazio da frustração, o ressentimento, a tragédia social, o desemprego e a pobreza extrema se alastrando, cobrindo calçadas e praças das cidades brasileiras, enquanto o capital dos milionários, dos bilionários, se multiplica, se concentra no topo da pirâmide.

    As Forças Armadas precisam superar definitivamente a condição histórica, colonial, de órfãs do império português. Precisam se livrar da síndrome da tutela da República, da manutenção da ordem que manteve a escravidão por séculos a fio. Deixar de ser uma bola de ferro amarrada no pé do Brasil, que não permite ao país construir a nação democrática, soberana, livre, justa e civilizada.

  • Parece que ele está mais preocupado com a pose.

    O senador mineiro, Rodrigo Pacheco, é mesmo um bobão, um político medíocre.

    Desperdiçou a oportunidade de se viabilizar como candidato da terceira via enfrentando o Encardido e o desastre do seu governo.

    Sequer foi capaz de montar sua assessoria. Se enrolou na burocracia do Senado e deu nesse fiasco.

    Quanta incompetência!

    Parece até que não se dá conta de que está na presidência do Senado da Republica.

    Para instalar a CPI da Covid foi na base do empurrão.

    Agora titubeia novamente na instalação da CPI do escândalo do MEC.

    Quanta mediocridade!

  • O amor vencerá o ódio

    O Encardido emana energia de morte. A presença dele no governo desperta, nos seus iguais, os instintos mais repulsivos do ser humano.

    Arma também é energia de morte. A presença de uma arma em casa, por exemplo, desarmoniza, acende o perigo.

    Os instintos repulsivos estão em curto circuito, espalhando ódio, violência e morte aos quatro cantos.

    A Polícia Rodoviária Federal está eivada de ódio. E a gente sabe em qual fonte ela anda bebendo o sentimento mais ameaçador da humanidade.

    Um bando da PRF acompanhou, escancaradamente, o Encardido nas suas motociatas de indiferença à tragédia econômica e social do país.

    Participou da chacina de 26 pessoas na Vila Cruzeiro.

    Dois de seus agentes mataram, monstruosamente, Genivaldo de Jesus Santos, sufocado numa câmara de gás, no porta-malas da viatura.

    Versão tropical do assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos.

    Genivaldo sofria de esquizofrenia, tinha no bolso uma cartela de medicamento, quando foi preso.

    Justiça para Genivaldo e para os mortos da Vila Cruzeiro.

  • Os Estados Unidos acordaram do “pesadelo americano?”

    Os Estados Unidos são o país que mais mata presidentes da República no mundo. Quatro foram assassinados e nove sofreram atentados.

    Os que sofreram atentados: Andrew Jackson, em 1835; Theodore Roosevelt, em 1912; Franklin Delano Roosevelt, em 1945; e Harry Truman, em 1950. Além deles, Richard Nixon, em 1974, Gerald Ford (1975), Jimmy Carter (1979) e Ronald Reagan em 1981.

    Assassinados: Abraham Lincoln (1865), o primeiro, depois James Garfield (1881), William McKinley (1901) e John . Kenedy (1963).

    Os Estados Unidos nasceram com as mãos nos coldres.

    Dezenove crianças e duas professoras executadas com fuzil, a queima roupa, na escola Robb Elementary, em Uvalde, no Texas, terra dos cowboys.

    O massacre foi considerado o maior, desde o da escola Sandy Hook, em Connecticut, em 2012, quando 20 crianças e seis adultos foram fuzilados por um desses insanos.

    Em 2021, foram registrados 34 ataques desse tipo. São tantos, em todo o país, que não há balanço oficial do governo.

    O senador texano Roland Gutierrez, num discurso emocionado, disse que os Estados Unidos estão chegando à marca de quase 365 ataques por ano.

    Depois de tanto sangue derramado em episódios tristes como as chacinas em escolas, restaurantes, shows, Biden fala em enfrentar o lobby da indústria de armas. Como assim, se os Estados Unidos são os maiores fornecedores de armas do mundo?

    Resta saber se os estadunidenses e seus representantes no Congresso chegaram à conclusão de que precisam por freio no armamentismo.

    Já o governo Bolsonaro está na contramão do processo civilizatório. Fez a campanha eleitoral pregando que todo brasileiro devia ter uma arma e relaxou o porte e a aquisição de armas pela população. Comportando-se como um lobista da indústria de armas.
    .

    Arma e bíblia deram, por exemplo, no assassinato de John Lennon, por um fanático evangélico. Assim como na morte de Martin Luther King, Malcolm X e muito outros líderes de movimentos, nos Estados Unidos.


    Essa loucura por armas deu em chacinas e mais chacinas. Deu em guerras, massacres no mundo inteiro, com essa sanha dos Estados Unidos de dominararem outros povos para instalarem seus negócios.

    A restrição ao acesso e porte de armas finalmente será pautado pelas autoridades. O debate, seguramente, vai revirar as raízes da história dos Estados Unidos e, quem sabe, recuar no armamentismo.

    Que isso levante os movimentos contra armas, contra a violência, o militarismo, não só no interior das residências dos estadunidenses, mas em todo o mundo onde há guerras, a maior estupidez humana.

    Militarismo e religião são duas bolas de ferro nos pés da humanidade.