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  • O brejo e as candidaturas à Presidência da República

     

     

     

    Talvez a única certeza que os políticos têm no momento é a de que nas próximas eleições toda a raiva dos eleitores será descarregada nas urnas.

     

    Caso os candidatos, as propostas e o debate não atendam aos anseios da sociedade, o Brasil poderá ter o maior índice de abstenção e voto de protesto de toda a história da República.

     

    O cenário deixado pelo golpe de estado no Brasil é de escombros institucionais, e nele o drama dos golpistas de ainda não terem desenhado o cenário das eleições de 2018.

     

    Não se sabe quais os atores que figurarão na arena. A ideia é criar um ambiente para o candidato a ser fabricado.

     

    Alguns nomes foram lançados, na tentativa de esboçar alguma cena, mas a reação do público nas praças eletrônicas das redes sociais foi demolidora e levou alguns pretendentes a recolherem-se aos seus aposentos.

     

    É o caso, por exemplo, de João Dória Jr.

    Com a cara de quem caiu de um outdoor, de uma propaganda enganosa de creme dental, ele deve ter achado que à frente da prefeitura de São Paulo, com algumas pantomimas orientadas por marqueteiros e apoio da grande mídia, seria projetado nacionalmente e se posicionaria na frente dos demais.

     

    Com seu personagem “não sou político, sou gestor”, ao mesmo tempo sendo político, perdeu-se nessa esquizofrenia, não se sabendo mais quem é Doria e quem é o personagem.

     

    Saiu de cena, acabou na margem direita do podre rio Tietê, com seu vidro de “ração para pobres” debaixo do braço, como que acordado de um delírio narcísico.

     

    Luciano Huck se apresentou com o crachá das Organizações Globo.

    TVs e rádios, revistas e jornais, embalaram o rapaz como se a tela da Globo fosse um grande oráculo de onde teria saído, finalmente, o candidato para acabar com o desespero do mercado e dos artífices do golpe de estado, que estão morrendo de sede de candidatos refrigerantes como Jânio Quadros, Fernando Collor, nesse imenso deserto político, para possivelmente enfrentar Lula nas eleições de 2018.

     

    Porém, Huck percebeu, a tempo, a lama chegando às portas das Organizações Globo. As gravíssimas denúncias de que a poderosa emissora teria pago vultosas propinas para obtenção de exclusividade das transmissões dos jogos da Copa 2014 cairam como água fria na fervura da candidatura.

     

    Para a Globo, no Brasil não teria muito problema.

    O Ministério Público e a Polícia Federal têm usado óculos escuros, não estão enxergando nenhum escândalo da parceira de espetáculos nas buscas e apreensões da Lava-Jato. Nenhuma investigação à vista.

     

    As investigações estão sendo realizadas  nos Estados Unidos e avança em vários países do mundo.

     

    Certamente vai estourar o oráculo global. Imagine a Interpol aparecer de manhã cedo e bater nas portas das mansões dos Marinho em pleno ano eleitoral.

     

    Há quem diga que a candidatura Huck foi inventada para tirar o foco do escândalo da Globo/FIFA.

     

    O escândalo é tão grave que o argentino Jorge Alejandro Delhon foi encontrado morto em meio aos trilhos de um trem, na cidade de Lanús, perto de Buenos Aires, depois de ter sido delatado, no Tribunal Federal, no Brooklin, em New York, por Alejandro Buzarco, executivo envolvido em casos de pagamento de propinas.

     

    Outro implicado, o executivo da Televisa, Adolfo Lagos, que estava sendo investigado por ter pago propinas a membros da cúpula da FIFA, foi fuzilado numa estrada, na cidade do México.

     

    Lula disse que adoraria disputar as eleições com um candidato com o logotipo da Globo na testa.

     

    Huck viu que o cenário não é para amador. Botou a viola no saco e foi tocar seu programa de TV.

     

    Jair Bolsonaro continua plantando ódio e nada mais, achando que vai colher votos. Talvez ele ainda não saiba que o sentimento mais rejeitado pelo ser humano é o ódio. A plantação dele deve murchar e morrer.

     

    Todo mundo quer amor. “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”, assim pregava Jesus Cristo.

     

    Bolsonaro vive uma grande contradição. O Brasil quer evoluir, quer justiça cidadã, não vingança, retrocesso ao medievalismo “olho por olho, dente por dente”.

     

    A pregação dele contra o Estatuto do Desarmamento é uma aberração. Essa história de que todo brasileiro deve ter uma arma é coisa do lobby da indústria de armas que atua no Congresso Nacional.

     

    Quem gosta disso são as empresas Rossi, Taurus, e as empresas dos Estados Unidos que têm interesse no mercado brasileiro, de 207 milhões de habitantes.

     

    A Taurus e a Rossi ficaram muito contrariadas com a aprovação do Estatuto do Desarmamento e têm Bolsonaro como porta-voz.

     

    Se revogassem o Estatuto do Desarmamento, imagine ir a um estádio assistir a uma partida de Vasco X Flamengo, no Maracanã, sabendo que a imensa maioria dos torcedores estaria armada.

     

    Ou ir a um show como o Rock in Rio, na mesma situação. Numa festa de rodeio, em Barretos, com 100 mil pessoas, todo mundo armado.

     

    Tomar uma cerveja num bar da esquina e ver, na TV, o time jogar pode ser risco fatal. Assim como viajar de ônibus, de metrô, trem, avião, barco, navio, a arma e o risco de morte passariam a ser presentes em todos os lugares.

     

    O fato é que o Estatuto do Desarmamento tem poupado centenas de milhares de vidas. Afora isso, Bolsonaro não tem projeto para o Brasil.

     

    Bravata não ganha eleição. Ainda mais com ideias paranoicas e sem sentido.

     

    Apesar da performance de Bolsonaro, a candidatura dele não está garantida. Ele responde a processos que, caso sejam julgados antes das eleições, podem torná-lo “ficha suja” e ficar impedido de registrar a candidatura.

     

    No STF, que parece estar se transformando numa grande lavanderia de políticos corruptos, pode ser que Geraldo Alkmin consiga ser lavado, enxaguado, quarado, passado, e apresentado ao eleitor com uma etiqueta do tribunal: “ lavou, tá novo!”.

     

    Quem sabe até contar com a participação especial das bandas políticas do Ministério Público e da Polícia Federal.

     

    A desenvoltura de Geraldo Alkmin como candidato, nos últimos dias, depois do arquivamento das pretensões de Dória e Huck, dá entender que o ministro Gilmar Mendes e, provavelmente outros agentes públicos que atuam na Lava-Jato, estão cuidando da lavagem do tucano.

     

    Ele quer a presidência do PSDB como garantia da candidatura. Já soltou um texto político, por incrível que pareça, defendendo, em linhas gerais, o desenvolvimento sustentável com inclusão social. A mesma linha política, econômica e social, dos governos Lula e Dilma. Parece plágio.

     

    Em todas as investigações sobre corrupção, e outros mal feitos no Brasil, salta aos olhos o fato de não haver políticos do PSDB presos, muito menos condenados.

     

    É como se o PSDB tivesse um amplo eleitorado e uma organização de militantes no judiciário, no Ministério Público, na Polícia Federal, e em todos os órgãos de fiscalização e controle do país, agindo de forma articulada para proteger seus correligionários e perseguir adversários.

     

    Os mais escandalosos exemplos são o “mensalão mineiro”, até hoje sem julgamento, do ex-governador Eduardo Azeredo e outros, a proteção de Aécio Neves pelo STF, a vista grossa das autoridades judiciárias com José Serra e seus R$ 23 milhões em contas de bancos na Suíça, e a possível lavagem de Geraldo Alkmin no Supremo e em instâncias judiciárias em São Paulo.

     

    Mas a articulação de Alkmin para que ele seja o candidato do centro direita, da continuidade do golpe, esbarra na banda do golpe que trabalha articulada diretamente com o mercado, e tenta empurrar o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para o palco.

     

    Recentemente uma propaganda do PMDB veiculada na TV e no rádio retira de Temer e de Meirelles a responsabilidade pelo desastre da economia, das contas públicas, e transfere para os governos Lula e Dilma.

     

    A propaganda mostrou que o repertório da dupla é essa música de uma nota só, como se eles não tivessem nada a ver com a situação do país. Ou seja, não têm nada a apresentar de bem feito. Só malfeitos.

     

    A alternativa parlamentarista apontada pelo STF, objeto de desejo do PSDB, é outra carta na manga tramada para a perpetuação da “organização criminosa” no poder.

     

    A decisão, se o regime de governo pode ou não ser mudado por Emenda Constitucional, está nas mãos do ministro tucano Alexandre de Moraes.

     

    Ou seja, vai depender dos arranjos e do ambiente políticos, criados para as eleições, e do candidato a ser ungido pelo mercado e pelas grandes corporações transnacionais.

     

    Ciro Gomes é um candidato bem preparado, mas erra muito na política, é ruim de articulação, não consegue despertar confiança nos possíveis parceiros políticos.

     

    Discurso e boa vontade, apenas, são insuficientes para mobilização. Os inorgânicos, de perfil “olhem para mim, eu sou o tal ou a tal”, tornam-se, ao final, pregadores solitários: Marina Silva, Fernando Gabeira, Cristovam Buarque, e outros, por exemplo, estão mais para dividir que somar.

     

    Fazer política é agregar.

     

    No cenário para as eleições de 2018, Lula desponta isolado com chance de ser eleito no primeiro turno, caso a perseguição a ele, por magistrados e procuradores do Ministério Público, não o impeçam de ser candidato.

     

    Com 48% da preferência popular, segundo pesquisas de opinião, o indicador é interpretado por analistas como rápida mudança da percepção do eleitorado de que foi vítima de um golpe de estado para, em resumo, subtrair-lhe direitos, estabelecer um governo de negócios, promover a entrega do patrimônio público a empresas estrangeiras, e, sobretudo, estancar as investigações dos escândalos de corrupção.

     

    Lula representa a retomada do país, da soberania, da legalidade, do desenvolvimento sustentável com inclusão social, que proporcionou à população, principalmente às camadas mais pobres o acesso a direitos, a melhores condições de vida, de renda e de trabalho.

     

    A população percebeu e consegue distinguir quem é quem nessa história. Por isso, o alto índice de preferência popular.

     

    O desespero dos golpistas não é apenas a necessidade de encontrar um candidato, mas também encontrar o que apresentar como proposta para o eleitorado.

     

    O que vão dizer nos debates, nas propagandas eleitorais?

     

    Que congelar os investimentos públicos por 20 anos é uma coisa boa para os brasileiros?

     

    O desmantelamento da rede de inclusão social, da educação, da saúde, do combate à pobreza, da habitação, são melhorias para quem vive no  apartheid social?

     

    Que a subtração de direitos com as tais reformas da previdência, trabalhista, a terceirização, geram empregos, melhoram a renda,  e a qualidade de vida dos trabalhadores?

     

    Que a privatização da saúde, da educação, das empresas de energia, de petróleo, dos bancos públicos, é bom para o Brasil?

     

    Que fazer do Brasil um puxadinho dos Estados Unidos, “que tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”, como dizia o embaixador Roberto Campos?

     

    Que a continuidade da quadrilha de corruptos que assaltou o poder e está desmontando as investigações, trocando o comando dos órgãos de fiscalização e controle, para assegurar a impunidade, é o que há de melhor para a sociedade?

  • Justiça argentina condena 54 criminosos da ditadura à prisão perpétua

     

    Uma grande nação tem a justiça como valor sublime da democracia.

    Argentina dá lição ao Brasil e condena  à prisão perpétua 54 responsáveis pelos chamados “vôo da morte”. Isso 40 anos depois do fim da ditadura militar (1976-1983).

    No período sombrio, foram estupidamente assassinadas mais de 4.000 pessoas. Até crianças foram sequestradas e torturadas.

    As 789 vítimas dos “vôos da morte” foram drogadas e atiradas ao mar em ações barbaramente planejadas por militares da Escola Superior de Mecânica da Armada.

    O compositor Herbert Viana disse, certa vez,  que o pai dele, que era da Aeronáutica, contou que os militares brasileiros também fizeram “vôos da morte”.

    A música Lanterna dos Afogados, feita por ele, é sobre as pessoas atiradas ao mar pelos fascínoras daqui.

    Na Argentina, os crimes praticados pelos militares, no período da ditadura, não prescrevem.

    O exemplo da Argentina para o mundo, do julgamentos de criminosos do regime militar, foi deixado pelo ex-presidente Raul Alfonsín, eleito em 1983, com o fim da ditadura.

    Ele enfrentou os militares, determinou investigações, abriu processos e encaminhou os envolvidos aos tribunais.

    Depois dele, os governos de direita deram indulto a muitos condenados.

    Mas os governos Kirchner retomaram os trabalhos feitos por Alfonsín.

    Foram chamadas para depor mais de 800 pessoas envolvidas.

    Já existem 449 criminosos presos, 553 em prisão domiciliar e mais 420 processados aguardando julgamento.

    O apoio internacional foi fundamental para a condenação dos criminosos. Desde a localização dos foragidos, pela polícia de vários governos, ao apoio político de vários países .

    Isso demonstra que grupos como esses teriam muita dificuldade hoje para fazerem o que fizeram.

    No Brasil, foi aprovada a Lei da Anistia, em 1979, e o Supremo Tribunal Federal, pra variar, decidiu barrar julgamentos penais contra assassinos e torturadores do período da ditadura.

    Aqui, reina a impunidade e um judiciário fuleiro, de magistrados e procuradores rastaqueras, de hábitos monárquicos.

  • Com a cartada do parlamentarismo STF consolida o golpe de Estado

     

     

    O STF alimenta o fascismo, dá mais um naco de medievalismo aos chacais que vociferam diante de obras de arte.

    O ministro Alexandre de Morais concedeu autorização para condução coercitiva do curador Gaudêncio Fidélis, da ruidosa exposição “Qeermuseupara”, montada em Porto Alegre.

    Na linha de colaboração com o golpe de Estado, Alexandre de Moraes quer dar um outro naco à horda de parlamentares bandidos que fazem parte da base de apoio de Michel Temer.

    Vai colocar na pauta do Supremo o parecer dele favorável à aprovação, pelo Congresso Nacional, de Emenda Constitucional que institui o parlamentarismo.

    Essa Ação de Inconstitucionalidade da Emenda Constitucional estava dormindo na gaveta do STF há décadas. De uma hora para outra, resolveram pautar. É mais uma ação dos golpistas que pode afastar Lula da disputa eleitoral de 2018.

    O plebiscito previsto nas disposições transitórias da Constituição sobre, se o Brasil adotaria o regime presidencialista, parlamentarista, monárquico ou não, já foi realizado.

    A ação que será pautada no STF questiona se a mudança do regime de governo para parlamentarismo pode ser feito por meio de Emenda Constitucional, que está pronta no Congresso Nacional.

    O povo já foi consultado quando participou do plebiscito e optou pelo regime presidencialista conforme determinava a Constituição, nas disposições transitórias.

    No entendimento de uma ala de juristas, a Constituição foi cumprida, a disposição transitória também. Assunto encerrado. Só é possível mudar o regime de governo com a realização de uma nova Constituinte.

    Mas, Alexandre de Moraes quer abrir a possibilidade de implantação do regime parlamentarista via Emenda Constitucional. Caso isso aconteça, pode ser consolidado o comando do crime organizado no governo do Brasil.

  • Jornalismo não planta ódio nem mentiras

     

     

    A imprensa oligárquica se transformou numa máquina de disseminar ódio de classe e mentiras.

    Mário Vitor, que se diz jornalista, da revista Istoé, chamada na intimidade de Quantoé, disse que Lula deve morrer.

    Merval Pereira, que também se diz jornalista, da Rede Globo, disse que a presidenta Dilma deve ser presa.

    William Waack, que também se diz jornalista, disse que as buzinas do trânsito que lhe perturbaram são “coisas de preto”.

    Alexandre Garcia, com seu racismo, machismo e mentiras na ponta da língua,  teve que se retratar por ter acusado Lula de ter uma mansão em Punta Del Este. Disse que “o Brasil não era racista até a criação de cotas”, e fez piada com o feminicídio  numa rede social.

    Rachel Sheherazade, do SBT,  fala seus impropérios eivados de ódio de classe.

    Míriam Leitão e Sardenberg, todos os dias, no radio e na TV, formam um rosário de mentiras e distorções dos fatos que terão lugar de destaque na história do país.

    Arnaldo Jabour, que parece ter padecido de um drama com a cabeça de esquerda e o coração de direita, em tempos idos, vive também destilando ódio de classe aos berros diante de microfones e câmeras.

    A lista é enorme.

    Essa gente se diz jornalista. Mas não é. Faz coisas para ganhar um gesto de validação e grana do patrão e de seus negócios.

    Como cães, que pulam, rolam no chão, para ganhar algo do dono.

    Queria vê-los fazer, o que fazem aqui, em países de sociedades cidadãs e democráticas como Inglaterra, França, Alemanha, Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Suíça.

    Jornalismo é profissão de gente séria, ética, que tem compromisso com a democracia, com a civilização da sociedade, com a construção de um mundo melhor, onde a justiça e a liberdade sejam a base de uma sociedade solidária, igualitária e amorosa.

    Jornalismo não planta ódio nem mentiras.

    Pelo jeito, não devem ter visto o filme Spotlight. Seria muito constrangedor para eles, se é que esses “jornalistas” sentem constrangimento, vergonha.

    Devem ser áridos como Eduardo Cunha, Michel Temer, Aécio Neves, e seus crimes.

    Aliás, aplaudiram o trio do golpe de Estado, fizeram parte do golpe, protegeram enquanto puderam criminosos poderosos sonegando informações à sociedade.

    Jornalismo é coisa de gente honesta.

    Não se deve criar ilusões com certas pessoas que  plantam, todos os dias no Brasil, ódio e mentiras nas grandes redes de TV, rádio, jornais, revistas e internet,  em nome do jornalismo.

    Essas pessoas não são jornalistas.

    São servidores do poder econômico e político corruptos, enraizado no Brasil.

    É quase impossível construir uma nação democrática, cidadã e civilizada, com essa gente.

  • Os comitês populares são uma brasa, mora?

    “Onde não havia mais caminhos, voamos”
    Reiner Maria Rilke
    A extrema direita, alçada à cena política por Aécio Neves na campanha eleitoral de 2014, e depois soldada com o eleitorado dele para ir às ruas no golpe de Estado, está se isolando cada vez mais.
     
    Depois do golpe, se enveredou pelos protestos toscos com meia dúzia de gatos pingados, contra exposições de arte, palestras em universidades, brados contra “ideologia de gênero”, apanhou tanto nas redes sociais que botou o rabo entre as pernas.
     
    Restaram as igrejas neopentecostais, que reverberam o discurso medieval, mas que estão em fase de declínio por causa da extorsão de fiéis por pastores picaretas, vendedores de bênçãos.
     
    Por que ainda não fizeram pesquisa para aferir o esvaziamento, a olhos vistos, das igrejas nos finais de semana?
     
    Tudo indica que essa gente bateu no teto e começou a descer aos infernos.
     
    Segundo pesquisa do instituto Vox Populi, para 84% da população, o Brasil está sendo conduzido para o caminho errado. O governo é rejeitado por mais de 90% da população.
     
    As maiores barbaridades do governo estão sendo feitas pelo Congresso corrupto, que deu o golpe de Estado.
    Não fizeram ainda pesquisa para saber o nível de rejeição do atual Congresso, mas deve ser mais ou menos igual ao índice do governo.
     
    Diante de tamanha derrocada, parece que a população resolveu esperar as eleições de 2018 para ir à forra. Mas será que só a eleição é suficiente, nas condições de governo de presidencialismo de coalizão?
     
    É preciso olhar para o Brasil cidadão, aquele que deu grandes passos na construção da democracia, das conquistas da cidadania, que provou dos direitos, mas que infelizmente sofreu um golpe tramado pelos bandidos de sempre, aliados a estruturas internacionais, do poder econômico.
     
    Evidentemente perdeu-se força de mobilização por cansaço na luta contra o gigantesco esquema montado para o golpe.
     
    Mas está como brasa coberta pela cinza. Falta soprar.
     
    Os comitês sugeridos por José Dirceu são uma brasa, mora?
    Quem vai definir candidaturas a presidente da República e ao Congresso Nacional são as pessoas que se organizarem, debaterem e escolherem, primeiramente nos comitês ou núcleos, depois nas convenções partidárias.
     
    Está na hora de arquivar as lamentações sobre o golpe.
    Cada militante deve contribuir com a imprensa de resistência para se fazer o contraponto aos grupos oligárquicos financiados pelo empresariado nacional conservador e pelas empresas transnacionais.
     
    O PT foi criado com núcleos de base, em plena ditadura militar. Por local de trabalho e por local de moradia.
     
    Assim foram organizadas as estratégias de reivindicação de direitos e defesa da democracia.
     
    Isso é feito em todas as sociedades democráticas e cidadãs do mundo.
     
    É possível vencer esse debate porque há uma banda grande do país que criou consciência e experimentou direitos e a cidadania.
     
    É com essa banda cidadã que o fascismo será barrado.
     
    O nazismo foi vencido na Alemanha, o fascismo na Itália, na Espanha, em Portugal, em países da America Latina como o Brasil, Chile,
    Argentina, e em muitos outros países.
     
    Aos comitês!
  • Saci? Já vi um.

     

    De vez em quando ele aparece.

    Em frente à janela do meu escritório tem um arvoredo. Enquanto olhava a chuva mansa que caía lavando a longa seca de Brasília, – depois da ventania, de raios e trovões – vi um vulto rodopiando num redemoinho,  atrás das árvores, de uma para outra. Girava muito rápido. Estiquei o olhar para ver direito.

    Meio arredio, ele foi chegando, chegando, e vupt, pela janela. Era o Saci com seu gorro vermelho e cachimbo na boca. Não estava molhado. Sequinho! Um mistério!

    O susto foi grande. A única exigência que fiz foi que ele deixasse o cachimbo no canto da janela, do lado de fora. Detesto cheiro de fumo. Tenho acesso de espirros.

    Tive uma manhã divertida, mas com momentos fortes de reflexão. Saci não é duende só brincadeira. Ele veio com cada conversa que me deixou embaraçado.

    Diz coisas simples, mas profundas, que têm a simplicidade apenas como porta de entrada. Quando se adentra, é aquele universo! A gente fica pequenininho feito um grão de areia. Depois, ao retornar, toma pé. Fica grande de novo, dono da situação.

    Só nós dois no escritório, naquela manhã, acabou rolando um “papo-cabeça” de primeira.

    Todas as vezes que a gente se encontra ele me pede para ajudar na preservação de florestas, dos rios, dos lagos, dos mares, de tudo que é vivo.

    Diz ele, que sem isso morrerá, junto com nosso duendes: Mula-Sem-Cabeça, Curupira, Boitatá, Mãe Dágua, Bicho Coleira e muitos outros, em extinção.

    – Extinção cultural, que é a mais cruel, porque acaba até com as raízes do registro da nossa existência, disse o Saci.

    E emendou, se não fosse Monteiro Lobato e outros escritores eu, por exemplo, não estaria aqui.  Nem eu nem outros duendes, disse o Saci.

    A colonização do Brasil é tão estúpida que os cursos de inglês trouxeram para cá a festa Halloween, dos Estados Unidos, e as escolas adotaram a festa no calendário oficial, em vez de uma festa com nossa turma. Estão nos suprimindo. Não sou xenófobo, mas a gente não ter um dia nosso, no calendário escolar, é demais.

    Que tal fazermos um intercâmbio? Levem os duendes brasileiros para as escolas dos Estados Unidos, para fazermos umas festas por lá. Quem sabe a moda pega?

    Se incluirem festas de nossos duendes nos calendários escolares das nossas escolas, vou com orgulho, de gorro vermelho, claro, única roupa que tenho.

    Tem essa polêmica do nu aí, encabeçada por gente obscurantista, mas nunca usei roupa e vou assim mesmo, como fui concebido.

    Ah! Prometo deixar o cachimbo do lado de fora. Pega mal né?

    Notou que as casas brasileiras estão cada vez mais parecidas com as de Miami? Os jardins estão cheios de Sete Anões, Branca de Neve, e outros estrangeiros, como se os duendes brasileiros não existissem.

    Na conversa comprida que tivemos, senti que o Saci estava ressentido porque os brasileiros os trata como se  fossem seres inferiores, por terem sido criados por povos  indígenas e africanos. Ouvi tudo isso na poltrona, sem dar um piu. Queria muito ouvi -lo. Senti que ele tinha muito a dizer.

    De repente ele virou pra mim e disse:

    – Parece que você não está gostando da conversa, não é?

    Rodopiou, pegou o cachimbo do lado de fora da janela, arrumou o gorro na cabeça e disse: chau! Vupt! E desapareceu no redemoinho. Foi tudo tão rápido e intenso que ficou parecendo um sonho.

    A conversa foi comprida. Se fosse contar tudo da minha conversa com o Saci, o dia viraria noite, ia até o galo cantar.

    Só Saci Salva!

  • Caíram as togas, magistrados estão nus

     

     

     

    As togas caíram. Magistrados estão nus, devassados. Depois de os ministros do Supremo Tribunal Federal tornarem-se coniventes com o golpe de Estado e verem as próprias misérias expostas em praças públicas, afloraram tensões na corte.

    O bate-boca entre os ministros Luiz Roberto Barroso e Gilmar Mendes é sintomático. Os termos que saltaram do palavrório deles são constrangedores.

    Tudo indica que a decisão de não mandar prender o senador Aécio Neves, ficando ele protegido,  o STF foi reduzido ao mais baixo nível dos últimos tempos, tendo os ministros que lidar agora  com a desmoralização perante a sociedade.

    O STF, guardião da Constituição, das garantias civis e do Estado democrático de direito, instância máxima de proteção da democracia, abandonou a nação ao relento da tempestade do golpe de Estado tramado por bandidos que se escondem na política.

    Permitiu que o país fosse presidido por Michel Temer, um “chefe de quadrilha”, considerado pela Polícia Federal no relatório entregue ao Ministério Público e ao próprio tribunal.

    Em um país desenvolvido e democrático, comprometido com a legalidade, essa situação não perduraria.

    Mesmo com todas as provas em mãos, de que a presidenta Dilma não cometeu crime de responsabilidade, e que os votos de parlamentares do Congresso Nacional foram comprados com dinheiro da corrupção para derrubá-la,  o STF não pauta, não debate e não julga o pedido de anulação do impeachment.

    Prefere estar ao lado dos fora da lei, dos privilegiados, dos donos do poder econômico, a estar ao lado da legalidade, do cumprimento de suas funções constitucionais.

    Para se manter no poder, Michel Temer compra os votos de parlamentares na cara dura, com dinheiro público, como um “mensalão”, para derrubar pedidos de autorização, do proprio tribunal, para processa-lo. Diferentemente da Ação 470, do “mensalão”, que condenou pessoas sem provas.

    A distribuição de verbas por Michel Temer é publicada no Diário Oficial.   É prova líquida e certa. E os ministros do STF, absortos,  debruçados sobre as janelas a contemplar a paisagem da Praça dos Três Poderes.

    A situação de desgaste do STF, por tornar-se parte do golpe, é tão grave que não resistirá a uma pesquisa de opinião para verificar sua credibilidade.

    Não só o STF, mas todo o Judiciário está na berlinda. A perseguição do juiz Sérgio Moro, juntamente com o Ministério Público, contra o ex-presidente Lula, e a obsessão por impedir que ele se candidate à presidência da República nas próximas eleições, mesmo estando disparado na preferência popular, é o que há de mais explícito e aberrante do Estado de exceção.

    A corrupção, os abusos com os supersalários, acima do teto estabelecido pela Constituição, decisões obscurantistas como a de censurar redações do ENEM, perseguição a juizes pelo Conselho Nacional de Justiça por não se alinharem ideologicamente com o golpe de Estado, e tantas outras mazelas, fazem parte de uma lista inaceitável.

    São casos que revelam claramente o Estado de exceção ao qual o Brasil está submetido, com a colaboração de parte da magistratura brasileira.

    O golpe de Estado não expôs apenas a corrupção instalada no Congresso Nacional, para dar sustentação ao governo ilegítimo de  Michel Temer, mas o judiciário, que sempre viveu coberto pelas togas opacas.

    Por todos os cantos do país, há um resmungar que tudo isso envergonha, indigna, revolta cidadãs e cidadãos.

    Nos bares, restaurantes, encontros de famílias, nas redes sociais, as lamentações formam um burburinho, mas ao  mesmo tempo grande parte delas soa como  revolta surda, falsa moral.

    Como se a revolta estivesse aplacada pela pregação ideológica neoliberal, mitificadora da meritocracia, do individualismo e da competição, que crepita subliminarmente nas programações dos grandes impérios de comunicação, reproduzida nas redes sociais.

    Todos os envergonhados, indignados, revoltados e todas as forças políticas democráticas ativas precisam tomar a atitude de marcar o dia, a hora e a praça para protestar contra o desmonte do país, a entrega do nosso patrimônio público, as tais reformas, derrubar o governo ilegítimo e corrupto de Michel Temer e dar início a uma jornada de reconquista da democracia, do Estado democrático de direito e retomada do país das mãos do crime organizado.

    Esse dia pode ser 15 de novembro com todos os candidatos à presidência da República que se opõem ao golpe de Estado, defendam o país e a democracia, no mesmo palanque.

    Programa mínimo, por favor!

  • De 171 para 171. Um voto pura gangue!

    O deputado Celso Jacob, do PMDB/RJ, que cumpre pena de 7 anos de prisão, na Papuda, deu voto número 171 contra pedido de autorização do STF para que Michel Temer seja processado.
     
    O deputado deixa o presídio todos os dias de manhã para ir à Câmara exercer o mandato. Tem vida parlamentar normal durante o dia e à noite dorme no presídio. Cumpre pena em liberdade.
     
    Dos 263 votos que Temer obteve para se livrar do processo do Supremo Tribunal Federal, 110 são de parlamentares que estão pendurados em processados na justiça.
     
    O malandro Celso Jacob foi condenado por ter decretado estado de emergência, quando era prefeito da cidade de Três Rios, no Rio de Janeiro, a fim de contratar uma empresa de um amigo dele para construir uma creche. Falsificou documentos e praticou outras barbaridades.
     
    Muitas pessoas perguntam por que o deputado condenado e preso ainda exerce o mandato. É que o judiciário não cassa mandato de parlamentar. Só a Câmara ou o Senado, se deputado ou se senado.
     
    O Legislativo é o poder mais soberano da República, devido ao vínculo com o povo pelo voto direto. E também em razão da autonomia entre os poderes garantida pela Constituição.
     
    Por isso um parlamentar condenado continua exercendo o mandato. A Câmara já devia ter cassado o deputado Celso Jacob por falta de decoro parlamentar, mas o Congresso está tão decadente que os parlamentares estão se protegendo.
     
    Olha o caso Aécio Neves. O STF devia ter mandato prendê-lo. Tem em mãos provas robustas de crimes em flagrante delito e obstrução da justiça. Nestes casos a Constituição é clara, cabe prisão.
     
    Por sua vez, o Senado devia ter cassado o mandato dele. Mas o parlamentares da base de Temer protegem todos os malandros que votaram pela deposição da Dilma.
     
    O voto do deputado Celso Jacob para proteger Temer foi uma ação entre comparsas. De 171 para 171. Um voto pura gangue!
  • Viva os cataventos!

    No Centro-Sul os períodos de seca estão se expandindo, reduzindo a água dos reservatórios e a produção de energia.

    Para compensar as perdas, os governos Lula e Dilma investiram na produção de energia eólica no Nordeste.

    Cresciam os investimentos na economia e na rede de inclusão social da região. Com o desenvolvimento haveria mais demanda de energia.

    No Centro-Sul não é possível mais construir hidrelétricas. Apenas Pequenas Centrais Hidroelétricas (PCH).

    O período de seca no Centro-Sul é o período que os ventos mais sopram no Nordeste. Por isso a compensação das perdas com a baixa dos reservatórios.

    Em meio à seca, o vento chegou a mover mais de 50% da energia no Nordeste.

    Até às 18hs do dia 19 de outubro, momento da medição, a energia hidráulica respondia por 62,5% da geração do Brasil, as térmicas, por 24%, e eólicas, 9,6%, segundo dados do ONS, o Operador Nacional do Sistema Elétrico.

    O acumulado no Nordeste revelava uma surpresa: as eólicas eram as responsáveis por mais da metade da geração (51%) na região, seguidas pelas térmicas (32%) enquanto a energia hídrica aparecia com modestos 14%.

    Este perfil energético único no país, provocado pela forte seca que deprime os reservatórios das hidrelétricas do Centro-Sul, pelo quinto ano consecutivo, mostra que o Nordeste tornou-se um laboratório de introdução de energias renováveis na matriz brasileira.

    Projetos como os 11 mil MW da usina de Belomonte, deixam o sistema vulnerável a atrasos.

    Projetos de energias renováveis por seu lado, com algumas centenas de MW, comprometem menos o sistema e são mais acessíveis a investidores.

  • Da chapa quente do Senado saiu mais uma pizza

     

     

     

     

     

     

     

    Entre o amanhecer e o anoitecer em Brasília, as mudanças climáticas e políticas estão oscilando entre o chão e o céu.

    Está ficando quase impossível perceber o que vai acontecer.

    Logo cedo, Aécio era dado como carbonizado na chapa quente do Senado.

    Ao entardecer, o tempo mudou, uma brisa fresca soprada do Palácio do Planalto devolveu o pedaço do mandato ao sujeito, que havia sido tirado pelo STF

    Na véspera, Temer jantou com Eunício Oliveira, presidente do Senado. O cardápio era uma pizza.

    Aécio deve estar comemorando com os comparsas, numa balada qualquer em outros ares.

    Com tantas provas robustas de crimes, o STF deveria ter mandado prender Aécio. Não comer um pedaço do exercício do mandato. Mas, Carmem Lúcia preferiu enrolar bobys no cabelo e ir ver novela da Globo. Página virada.

    Tudo bem que se tratava de uma votação na qual o Senado estaria reavendo suas prerrogativas. Mas imagine a cena dos senadores governistas diante de Aécio, na sessão da tarde.

    Fez-me lembrar de uma outra cena, do então Ministro das Comunicações do governo José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, na famosa CPI da NEC, que investigava um escândalo envolvendo o empresário Mário Garnero.

    No depoimento de ACM na CPI, ele colocou sobre a mesa uma pilha de pastas com dossiês sobre a vida pregressa de todos os membros da Comissão.

    Quando os deputados faziam perguntas para ele, ele recorria à pasta e começava a ler coisas sobre a vida do sujeito, como processos na justiça, quanto recebeu de verba para campanha eleitoral, e por aí afora.

    Aos poucos deputados que tinham rabo preso iam saindo da sala, de fininho, e sumiam. A reunião foi esvaziada. Ficaram só os aguerridos, que não deviam nada e enfrentavam ACM, ele de dedo em riste, falando como coronel que era.

    Imagino que os 44 senadores que seguiram Aécio na votação que restituiu o exercício do mandato dele devem ter votado com o rabo entre as pernas, sob o olhar severo do rei do golpe.

    Afinal, não estavam diante de qualquer um, mas de alguém que deve ter muito dinheiro em caixa e muitos créditos em favores.