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  • Livros são vozes

    Leitura

    Livros são vozes, diz Alberto Manguel, em “A Biblioteca à Noite”.
    Podem ser ouvidas em silêncio. Talvez por isso não se calaram e não se calarão.

    Bem que tentaram muitas vezes. Proibiram, queimaram em praças públicas, mas sobreviveram e estão aí para contarem a história.
    Livro deixa nossa imaginação voar, se encontrar com o leitor nas alturas.

    Reinventa a realidade, expande nossa consciência para seguirmos vida a fora.

    O livro não desaparecerá, assim como o teatro e outras formas de expressão.

    Que venham os meios de comunicação modernos.
    Livros são vozes.
    Nada os deterão.
    Viva o livro vivo!

  • Não acredito em Josias de Sousa

    Lula e Dona Marisa

    O colunista da Folha, Josias de Sousa, debulhou um rosário de palavras para construir essa história de que Lula se ofereceu para ajudar Temer e que no final da conversa ele havia dito: “é só me chamar”. Não acredito nisso.

    O que se tornou público foi o telefonema de Temer a Lula, perguntando se ele o receberia para condolências. Lula concordou, assim como recebeu Fernando Henrique e muitos outros adversários políticos.

    Aliás, quando Dona Ruth faleceu Lula foi ao velório dela dar um abraço de solidariedade em Fernando Henrique. Ele sabe muito bem separar a vida pessoal da política. Lula é assim.

    Logo no início do artigo do sujeito, ele diz: “Em meio à tristeza, (Lula) encontrou disposição para fazer política.” Isso é de uma desonestidade sem limite.

    E segue o rosário de frases, típicas de um inventor forçando a construção de uma verdade vazia, não confirmada.

    Pessoas que estiveram ao lado de Lula o tempo todo disseram que ele estava muito abatido com a perda de sua querida Marisa, que não havia absolutamente nenhuma condição para tratativas políticas e que desconhecem esse diálogo.

    Quem conhece Lula sabe que ele é, por natureza, muito emotivo e não é de misturar as frequências, ainda mais com um assunto tão inadequado como esse.

    Se houvesse proximidade entre ele e Temer, para esse tipo de diálogo, conversariam por telefone em outro momento. Não num estado de dor. E mais, a chance disso acontecer é zero. O Brasil foi vítima de um golpe de Estado.

    Josias de Sousa pode ter se aproveitado da oportunidade, de que Lula não iria respondê-lo à altura, agora, para ficcionar essa história e pedalar versões na imprensa que serve ao governo.

    Não acredito em Josias de Sousa. Desconfio de sua honestidade intelectual no jornalismo. Prefiro acreditar nas pessoas que estavam ao lado de Lula.

    Isso está parecendo armação do Planalto com a Folha.

  • Era janeiro de 1984

    Ele, magrinho, branquinho, meio calvo. Um fiapo de gente, encostado num poste em frente a uma galeria, na Avenida Visconde de Pirajá, em Ipanema.
     
    Vestia uma camisa branca de mangas curtas, para dentro da calça bege, folgada, de cós bem alto, cinto preto, sapatos mocassim, sem meia, também pretos, e os inconfundíveis óculos de tartaruga, de aros grossos.
     
    Numa mão, carregava jornais e revistas espremidos contra o peito. Olhar atento, para o fundo da rua, esperava alguém que viria buscá-lo, de carro.
     
    Eu também esperava alguém que viria me buscar.
     
    De repente ele colocou o jornal e a revista sobre a cabeça para se proteger do sol. Ao fazer isso, virou-se na minha direção, olhou para mim e se reacomodou no encosto do poste.
     
    Como eu estava relativamente próximo, num impulso, disse:
     
    – bom dia seu Carlos!
     
    Ele respondeu:
     
    – bom dia, como vai o senhor!
     
    Fiquei mudo e tomado por um turbilhão de pedaços de poemas dele, das entrevistas que li e vi na TV.
     
    A voz frágil, meio entalada, familiar, a mesma dos versos doces e fortes como aço, que ele andou espalhando por aí.
     
    Em seguida chegou o carro que esperava.
     
    Gentilmente despediu-se de mim:
     
    – até logo!
     
    E eu, ali, tentando lidar com a emoção, respondi:
     
    – até logo seu Carlos!
    Meus olhos acompanharam os passos dele até o carro com o máximo da atenção, mirando os detalhes das roupas , o jeito dele andar, como abriu a porta e entrou, até desaparecer no intenso trânsito da rua.
     
    Fiz isso para guardar um pouco dele comigo e nunca mais esquecer daquele instante com o poeta.
    Era o poeta Carlos Drumond de Andrade.
     
    Era janeiro de 1984.
  • O aparelho do STF que sorteará o novo relator da Lava-jato é confiável?

     

     

    Aécio e Temer

     

     

     

     

    Conversei com uma assessora técnica do STF,  ela me confirmou que o relator que substituirá o ministro Teori Zavascki será escolhido por sorteio eletrônico e que a ministra Carmem Lúcia se apressa para que a escolha aconteça antes da indicação do novo ministro por Michel Temer.

    Resta saber se o aparelho que escolherá o novo relator é confiável.

    Imagine se a relatoria cair nas mãos de Luiz Fux ou de Gilmar Mendes. Tenho impressão que a Lava-Jato vai para o brejo de uma vez por todas e poderá se transformar, definitivamente, numa arma política letal.

    Tendo em vista as manifestações publicas e as ações desses dois ministros em relação ao afastamento de Dilma, principalmente do Ministro Gilmar Mendes, que andou se reunindo com Temer na calada da noite, no Palácio Jaburu, durante a conspiração que deu no golpe de Estado, imagino que a seletividade nas investigações ganhará força como nunca e o foco da relatoria poderá ser o impedimento a qualquer custo da candidatura de Lula à Presidência da República.

    Aécio, Temer, Renan, Jucá, Moreira, Padilha, Serra, Geddel, e todos os delatados e réus do PSDB e do PMDB, que seriam a bola da vez, devem rir por dentro, vão querer dar uma festa de arromba, numa mansão em Brasília, para comemorar.

    Os nomes dos ministros que compõem o STF só foram aprovados no Senado porque a maioria dos senadores são do PSDB e do PMDB. Ou seja, a maioria dos ministros são de confiança desses dois partidos.

    Parece que as pessoas se esquecem disso.

  • Acidente esquisito

    Teori

    Muito esquisita a queda do avião no mar em Paraty, que matou o ministro Teori Zavascki. Quem vai nomear o substituto de Teori Zavascki é Michel Temer.

    O novo ministro terá que ser sabatinado pelo Senado. Isso levará cerca de um ano. Enquanto isso, as delações serão suspensas até que o novo ministro tome posse.

    Se continuarem achando que as desconfianças são “Teoria da Conspiração”, daqui a pouco vão querer banir a palavra “conspiração” dos dicionários, como se não houvesse mais conspiração no país. Virou tabu.

    A hipótese de atentado não pode ser descartada às primeiras impressões. O país vive um momento conturbado, de alta tensão. Não podemos descartar nenhuma hipótese. Todos os órgãos de investigação têm o dever de investigar com extremo rigor esse caso.

    A sociedade brasileira, por sua vez, também tem o dever de acompanhar as investigações com muita atenção.

    O acidente aconteceu exatamente depois que a construtora Camargo Correa anunciou que fará a maior de todas as delações premiadas que envolve o maior número de políticos e de membros do Judiciário, segundo informações divulgadas recentemente.

    Teori havia retirado o sigilo das delações feitas contra o PSDB e o PMDB, que implicava a cúpula dos dois partidos, inclusive o senhor Michel Temer e estava prestes a homologar delações de 77 executivos da construtora Oderbretch.

    A Globo, em Brasília, ao dar as primeiras informações sobre o acidente, pra variar, ao se referir ao ministro como relator da Operação Lava-Jato, lembrou apenas do processo a cargo do ministro, que o ex-senador Delcídio Amaral, ex-filiado do PT, responde.

    Se esqueceu de Romero Jucá, Moreira Franco, Renan Calheiros, Eliseu Padilha, de José Serra, Geddel Vieira Lima, o próprio Temer, e muitos outros, principalmente do mais delatado de todos, Aécio Neves, um dos conspiradores do golpe, junto com Temer e Eduardo Cunha.

    A âncora Cristiane Pelajo, na Globonews, construindo a narrativa do caso, se esforçava para afastar qualquer hipótese de atentado, antecipava, na cara dura, que foi consequência de mau tempo. Isso não é jornalismo, mas novelização de interesses.

    Teori Zavascki não se diferenciava tanto da posição dos demais ministros do STF em relação à deposição da ex-presidenta Dilma. Não enfrentou a violação das garantias constitucionais e do estado democrático de direito por procuradores e pelo juiz Sérgio Moro .

    Mas, apesar disso, o acidente não deixa de ser esquisito.

  • Parece que Temer governa para Marcela

     

    Temer e Marcela

    Às margens do sereno Lago Paranoá está situado o Palácio do Jaburu, onde moram Michel Temer e Marcela Temer. Além desse, o casal tem à sua disposição mais dois:  o Palácio da Alvorada, o Palácio do Planalto, para despachos, e ainda a Granja do Torto, caso queira mudar de ares, passar um final de semana ou feriado.

    Diferentemente, por exemplo, da Chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que vive no seu próprio apartamento de dois quartos, na região central de Berlin. E de outros chefes de Estado, que têm vida monástica, andam de metrô e vivem em suas próprias residências.

    Palácio é uma herança da monarquia que mexe profundamente com o reino da fantasia de muita gente. Ainda mais quando os ocupantes se inebriam com o poder em delírios narcísicos, como se fossem reis, rainhas, príncipes e princesas, acompanhados por entourages.

    Num país como o Brasil, que se define constitucionalmente e institucionalmente como uma república, com desigualdade abissal, com a imensa maioria da população na pobreza extrema, agora abandonada à própria sorte, o apartheid social fica explícito.

    O casal Marcela e Temer parece tomado por sentimento monárquico, mas não de qualquer monarquia. Se há reencarnação de reinado, o casal deve estar possuído pelos espíritos de Maria Antonieta, rainha consorte da França, e de Luís XVI, que se casou com ela, quando ela tinha 14 anos de idade, para resolver um problema político com a Áustria. Não é o caso de Dona Marcela e Temer.

    Mas é como se Temer tivesse usurpado o trono para Dona Marcela e a grande mídia encarregada de novelizar o casal e o governo. Enquanto isso, além dos muros palacianos, a economia afunda, a tragédia social se espraia pelo país, com cabeças rolando nos presídios, que explodem em violência, o desespero acossa as famílias com desemprego em massa e inflação, totalmente desprotegidas e sem perspectiva.

    Deixando transparecer certo deslumbramento com a vida em palácios (Jaburu, Alvorada, Planalto, mais a Granja do Torto), e alheio aos gravíssimos problemas do país, Temer se rende aos caprichos de Dona Marcela e se envolve em reformas dos aposentos palacianos, como se estivessem reformando a própria casa.

    Michel Temer está alterando a decoração dos palácios, concebida pelos arquitetos Oscar Niemeyer e Ana Maria Niemeyer, para satisfazer caprichos de Dona Marcela, que disse não gostar das cores vermelho, preto e de telha.

    Estão sendo arrancados tapetes vermelhos, trocando móveis de cor preta, obras de arte e objetos de decoração históricos, que compõem a arquitetura interior dos palácios.

    Dona Marcela ignora o fato de os palácios e suas decorações interiores serem tombados como patrimônio público, histórico e cultural do país, que fazem parte do conjunto arquitetônico de Brasília, também tombada como patrimônio da humanidade pela ONU.

    O que o casal está fazendo é uma agressão ao patrimônio arquitetônico e cultural do país, movido por impulsos de gente rastaquera, que demonstra não saber o valor estético do que estão metendo a mão.

    Brasília-DF, 21/06/2011. Fachada e interior do Palácio da Alvorada. Foto: Ichiro Guerra/PR.

    Para ver o Palácio da Alvorada clique aqui

    https://youtu.be/XHjs5fjv8FE

    Os casais Temer-Marcela e Luís XVI-Maria Antonieta guardam semelhanças no “comportamento monárquico”, na aliança com a alta classe empresarial e financeira, com a proteção da aristocracia tecnocrática, judiciária, militar e policial do Estado, mais a maioria esmagadora, corrupta, do parlamento.

    Na corte de Luís XVI havia a Nobreza Togada, em que alguns juízes e altos funcionários burgueses adquiriram seus títulos e cargos, com altos custos para o povo, transmissíveis aos herdeiros. Essa categoria era de aproximadamente 1,5% dos habitantes da França.

    Podem ser apenas coincidências, mas a “síndrome de corte” e a indiferença ao sofrimento do povo, mais a governança voltada para grandes negócios e privilégios de classe, não deixam de ser bastante parecidas.

    Acusada pelo povo francês de frívola e perdulária, por causa do esbanjamento do dinheiro público, das amizades, do excesso de banquetes e festas, entre outras frivolidades, Maria Antonieta, conseguia tudo o que exigia do marido, que tinha complacência ilimitada com os pedidos da esposa.

    Luís XVI e Maria Antonieta

     

    Consta que certa vez, num passeio com seu cocheiro, ela perguntou por que razão toda aquela gente, que viu no percurso, parecia tão desgraçada.  Majestade, não há pão para comer. As colheitas fizeram com que o preço do pão aumentasse excessivamente e o povo está sem dinheiro por causa da crise, disse o cocheiro. Ao que Maria Antonieta respondera com a histórica frase: “Se não tem pão, que comam brioches”.

    Enquanto se fechavam no Palácio, na opulência e no esbanjamento de recursos públicos, com a complacência da nobreza, da entourage política e burocrática que apoiavam o reinado absolutista mergulhado em dívidas, Luís XVI e Maria Antonieta não deram importância para a crescente ira popular que fermentava nas ruas de Paris.

    O povo bradava pelo fim dos gastos absurdos da corte, contra a servidão, os privilégios da nobreza, do clero e da aristocracia, que não pagavam impostos e viviam vida nababesca. Além disso, os ideais iluministas da reforma crepitavam nas ruas ao coro de Liberdade, Igualdade e Fraternidade.

    A nobreza francesa reagiu às ideias de reforma e às manifestações do povo com hostilidade, apontando os canhões da Bastilha contra bairros operários. Numa batalha sangrenta, o povo tomou a Bastilha e deu início à Revolução Francesa. O rei foi suspenso, preso e a Primeira República Francesa proclamada. Em seguida, Luiz XVI e Maria Antonieta foram condenados e executados na guilhotina.

    Dona Marcela, nos palácios, lembra também Dona Dulce Figueiredo, mulher de João Figueiredo, último presidente da ditadura militar, famosa por levar o general a rédeas curtas e por conseguir com o marido o que queria com seus caprichos. É de Figueiredo a infeliz frase de que preferia o cheiro dos seus cavalos ao cheiro do povo.

    Temer, como Figueiredo, vive ilhado nos Palácios ao lado de sua primeira dama, longe do povo, não apenas deslumbrado ao lado de Dona Marcela, mas por ser rejeitado pela quase unanimidade da população. Enquanto isso, subtrai direitos dos trabalhadores, entrega o patrimônio público do Estado à elite empresarial e financeira nacional e internacional.

    A persistir as ideias de “modernidade” de Dona Marcela, e as reformas destrutivas, é possível que ela queira trocar também as Emas que vivem nos gramados do Palácio da Alvorada por cachorros fosforescentes.

    A novidade vem do mundo da ciência, dos laboratórios da Turquia. Lá, cientistas inventaram um cachorro fosforescente com modificação genética a partir da introdução de um gene de Água Marinha.

    Imagine Temer e Dona Marcela, em frente ao Palácio da Alvorada, passeando numa noite escura, puxando pela coleira aquelas bolas de luz verde, em silêncio, para lá e para cá. Viram atração turística em Brasília.

    Dona Marcela pode querer que o governo importe a fórmula e produza esses cães no Brasil. João Dória também, com suas ideias de “modernidade”, pode se interessar por alguns desses animais, de cores verde e amarela, para, quem sabe, organizar um desfile noturno na Avenida Paulista com seus seguidores. Aliás, ele e Dona Marcela parecem combinar nas ideias de “modernidade”.

    Enquanto isso, Temer dá sinais de que não está percebendo a beirada do abismo. O país foi paralisado durante dois anos na conspiração para o golpe de Estado, com bloqueio do governo Dilma, no parlamento, para deposição da Presidenta.

    Ele agora está sendo acusado de fraco, incompetente, inerte, e de ter adotado uma política econômica na contramão do mundo, por pessoas do próprio setor empresarial que o colocou no poder.

    Temer instalou um imenso cabide de empregos na Esplanada dos Ministérios, com cargos entregues a pessoas comprovadamente desqualificadas, de moral deplorável, e afunda na própria inércia, levando o país à depressão econômica, ao colapso institucional e ao caos.

    O envolvimento com a reforma dos palácios para fazer o gosto de Dona Marcela é simbólica. É como se o casal Temer estivesse dizendo ao povo: “se não tem pão, que coma brioches.”

  • Rio: cantos e encantos

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    Numa caminhada da Lagoa a Ipanema, manhã quente, céu de azul infinito, peguei a sombreada Rua Vinícius de Moraes para um mergulho no mar, num dia de águas caribenhas.

    Desde o início da Rua, percebi incríveis grafites com Tom e Vinicius estampados em fachadas de bares e tapumes, não consegui descobrir os autores. Tirei fotos ao lado das belas estampas.

    Repentinamente, fui tomado por uma forte sensação de que estava pisando no chão da Bossa Nova. Mesmo tendo morado no Rio, no início da década de 1980, e frequentado o território, a sensação da força histórica me pegou.

    Apesar de nascida e cultivada em Copacabana, Ipanema foi quem ficou com mais fragância da Bossa Nova.

    Não só por causa da “Rua Nascimento e Silva, 107”, onde Tom “…ensinava pra Elizete as canções de canção do amor demais…” ou por causa da “Garota de Ipanema”, aquela moça “…mais linda, mais cheia de graça…”,  por ter “Desafinado” o “Samba de uma nota só”, no “Corcovado”, no “Barquinho”. “..Ipanema era só felicidade…”  “Chega de saudade”! Mas por causa da iluminada presença de João Gilberto, Tom, Vinícius, e tantos outros músicos extraordinários, da música brasileira, que conseguiram erguer uma onda tão forte ao ponto de transbordar as fronteiras do Brasil e inundar o mundo com “água de beber”.

    Para completar a jornada pela Rua Vinícius de Moraes, visitei a Toca do Vinicius, onde fui recebido carinhosamente pelo professor Carlos Alberto Afonso, um simpático senhor,  apaixonado e aguerrido lutador pela monumentalização da Bossa Nova. Já conhecia virtualmente a Toca, mas nunca havia visitado.

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    Conversamos bastante. Ele sabe tudo do movimento, me contou muitas e boas, falou da sua luta e me mostrou preciosidades.

    Algumas delas, placas em cimento com gravações das mãos de Pixinguinha, de Maria Betânia, quando ela chegou ao Rio, para substituir Nara Leão, (Acometida por uma gripe), no espetáculo Carcará, do Grupo Opinião, em 1964, e de muitos outros artistas e colaboradores.

    Tem mãos gravadas de Chico Buarque, Edu Lobo, até de Lula, pela importância do governo dele no reconhecimento da Bossa Nova como Patrimônio Histórico Imaterial.

    Carlos Alberto dirige o Instituto Bossa Nova, uma entidade criada por uma associação de amigos, que visa popularizar o movimento, fazer chegar às comunidades mais distantes um dos maiores patrimônios artísticos do Brasil e do mundo.

    O professor Carlos Alberto Afonso é dessas pessoas que cultivam e alimentam o Brasil que há em nós,  para crescermos fortes.

    Dia 7 de agosto, a Toca do Vinicius fechou as portas, abertas desde 1993. Uma pena! Mais uma baixa na cultura brasileira. Tempos sombrios.

  • Papai Noel comunista

     

     

     

     

    Nestes tempos de bestas soltas, a qualquer momento, em edição extraordinária, manchetes saltarão da TV dizendo que um velhinho de barba e cabelos brancos, de roupas e gorro vemelhos, com um saco de presentes também vermelho, foi atacado e espancado até a morte por pessoas trajando camisetas amarelas, por considerá – lo um comunista.

     

    Tudo bem que Papai Noel é uma invenção apropriada pelo capitalismo,  mas matar o velhinho a socos e pontapés porque todo ano ele aparece de vermelho, é demais para meu caminhãozinho.

     

    Os camisas amarelas não querem saber do  “Papai Noel barbudo e de vermelho “. Ele se parece com Lula, Karl Marx.

     

    Para eles, nada de “bom velhinho”. Lembra Bolsa Família,  Bolsa Atleta, Cotas, Prouni, Minha Casa Minha Vida, esses tais direitos sociais da Constituição, solidariedade social, igualdade. Coisas de comunistas.

     

    Os camisas amarelas, que foram às ruas apoiar Eduardo Cunha, Aécio Neves e Michel Temer, para tirar Dilma e botar Temer rodeado de corruptos no lugar dela, querem agora tirar o Papai Noel do Natal e botar um sujeito parecido com aquele personagem Robocop do filme nas festas de final de ano.

     

    Sabe aqueles combatentes de jogos eletrônicos, que matam. ..matam…matam sem parar, deixando as ruas vermelhas de sangue? Pois é,  eles querem, tipo assim, um “heroi” de jogos eletrônicos para o lugar de Papai Noel.

     

    Disseram que ao invés do Natal vão organizar um desfile com o Exterminador do Futuro, o Robocop, e “heróis” de jogos eletrônicos, pelas ruas das cidades, em cima de caminhões e blindados de guerra.

     

    Eles querem homenagear a violência, as forças armadas e policiais. Todos de verde e amarelo. Vermelho nem pensar.

     

    O Mestre, a maior reserva de ódio do Brasil, que ocupará o lugar de Papai Noel, no imaginário popular, será levado no blindado mais alto de todos.

     

    Vão querer arrancar até os fios dos postes que atravessam as ruas para dar passagem ao blindado.

     

    Ao invés do Natal, será a festa do poder, do dinheiro e do militarismo. O Natal já parece um pouco com isso, mas as praças das cidades serão transformadas em templos do poder e do dinheiro.

     

    Haverá um momento especial na cerimônia para exibição de saldos bancários e escrituras de propriedades. O deus deles é o dinheiro.

     

    Pobres e trabalhadores não entram. As praças serão cercadas por robôs programados para matar caso algum deles se atreva a cruzar a cerca da praça.

     

    Mas eles não sabem que Papai Noel vermelho comunista não morre. Ele vai voltar e comandará a expulsão dos vendilhões do templo . Derrubará as cercas, o poder, o dinheiro e o militarismo desaparecerá da face da terra.

     

    Vai reinar a paz, a concórdia,  a igualdade, e todas as armas serão exterminadas pela inutilidade. Quem viver verá.

  • Temer tira dos pobres para dar aos ricos

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    Michel Temer anunciou, na cara dura, que vai passar   R$ 100  bilhões de recursos públicos para as telefônicas. Elas tinham sido privatizadas no governo FHC, no escândalo que ficou conhecido como “privataria tucana”.

     

     

    O setor tem agora outro escândalo, que poderia ser chamado de “doações bilionárias Tele-Temer”.

     

     

    O presidente ilegítimo toma essa medida depois de congelar os investimentos públicos pelos próximos 20 anos, com cortes drásticos de recursos da educação, da saúde, e fechar as portas para a inclusão social de dezenas de milhões de brasileiros.

     

     

    Medidas como essa parecem comprovar que o golpe foi tramado para tomar  de volta a renda gerada pelos trabalhadores e distribuída nos governos Lula e Dilma.

     

     

    Temer promove a reconcentração da renda e a exploração máxima dos trabalhadores com o congelamento de investimentos público, a pretensa reforma da Previdência, que destrói a Previdência pública, com aposentadoria para os mortos,  empurra a população para as seguradoras privadas, e, com a reforma trabalhista, subtrai direitos adquiridos, retrocedendo a tempos sombrios, comparados aos da escravidão.

     

     

    Cercado e assessorado por ministros e parlamentares delatados por corrupção, Temer deve estar aproveitando os últimos dias na Presidência da República para fazer coisas suspeitas como essa entrega de uma centena de bilhão para um setor que esfola os brasileiros com tarifas escorchantes por serviços de péssima qualidade.

     

     

    O mais assustador é que há movimentos nos Poderes da República para protegê-lo, para mantê-lo na Presidência da República e impedir que a população venha a escolher diretamente o seu representante.

  • Janot, organismos internacionais estão acompanhando a perseguição a Lula no Brasil

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    Várias organizações internacionais de juristas, procuradores, e outra categorias, até a ONU, estão acompanhando o desenrolar das ações do Juiz Sérgio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal na perseguição política ao ex-Presidente Lula.

    O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, acusou o ex-Presidente Lula de ter “atacado todo o Ministério Público”, por ter processado o procurador Deltan Dallangnol, por calúnia e difamação.

    Lula foi acusado injustamente, sem provas, de ser chefe de organização criminosa por Dallangnol numa ação política, por meio de um powerpoint constrangedor apresentado numa coletiva à imprensa, com  falsos testemunhos.

    O procurador Dallangnol, como pregador da palavra de Cristo em igrejas Brasil afora sabe que, segundo o cristianismo, falso testemunho é um pecado mortal, mas parece que ele não está nem aí.

    Não é bem assim, Senhor Janot. Na minha interpretação dos fatos, Lula está processando a parte do Ministério Público que, por suposto, age politicamente com perseguição a ele, já identificada e documentada pelos advogados da defesa como ativistas políticos que o atacam nas redes sociais e em reuniões, há muito tempo. A defesa do ex-Presidente tem provas.

    Ao dizer que Lula “ataca todo o Ministério Público” , parece que Janot está fazendo política, tentando jogar o Ministério Público e a opinião pública contra Lula, que é a vítima da perseguição.

    A parte do Ministério Público que acusa sem provas é minoria. O Brasil sabe como são tratados os delatados do PSDB e como são tratados os do PT.

    O ativismo político de uma banda do Ministério Público e da Polícia Federal com simpatia manifesta pelo PSDB é conhecido da imprensa e dos advogados de defesa do ex-Presidente e já foi documentado.

    Vejo os sinais trocado. Há ativistas no MP que atacam Lula e não o contrário como diz o Senhor Janot.

    Lula está agindo como deve agir qualquer cidadão na defesa da sua honra e da sua família.