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  • Militares e policiais deviam estudar na Escola Nacional Florestan Fernandes

     

     

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    Quando as forças armada e policiais agem sem a devida observância da Constituição e das leis do país são bando armado e assim devem ser considerado pela sociedade e pela justiça.

    As imagens dos policiais, de fuzis em punho, invadindo a Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo, percorreram o mundo mostrando um lado do Brasil que não cabe no século XXI.

    Como pode uma escola ser invadida por policiais fortemente armados, atirando, dando socos e pontapés em professores, sem mandado judicial, como se as pessoas que lá trabalham e estudam fossem bandidos? Mais de 200 alunos, muitos deles de vários países, em aula regular, presenciaram a patética cena.

    Coisa de gente sem educação. Se os policiais tivessem estudado na Escola Nacional Florestan Fernandes, seguramente isso não teria acontecido.

    Os portais da grande imprensa silenciaram e o gabinete do governador somente no final do dia soltou uma nota que não corresponde com a realidade dos fatos.

    Parece que o episódio ocorreu à revelia do governo do Estado e causou um desgaste político de proporções inesperadas.

    O governador Geraldo Alkmin e as demais autoridades competentes são responsáveis pelo que aconteceu, porque têm sido omissas com a escalada da violência policial contra movimentos sociais em São Paulo, deixando transparecer que há conivência com o Estado de excessão.

    O governador, o Ministério Público e a Assembleia Legislativa têm obrigação legal de investigar esse caso e punir os criminosos. Há de se garantir as leis e a democracia. A uma sociedade sem regras, resta-lhe os tacapes.

    Certamente os policiais não conhecem a Escola e muito menos a vida e a obra do mestre Florestan Fernandes. Se conhecessem, possivelmente não teria acontecido episódio tão degradante.

    O ódio de classe manifestado pelos policiais, ao ponto de tomarem atitude tão bárbara contra a Escola e seus próprios irmãos de classe pode ter origem no quartel onde lhes ensinam antigas lições ou em redes sociais nas quais bestas fascistas dão aula na praça eletrônica.

    Desde o início da colonização, as forças armadas e policiais são formadas nos quartéis com base na ideologia do inimigo interno, que por sua vez forma a doutrina de segurança pública.

    Ou seja, os movimentos sociais e suas lideranças, na visão delas, seriam os inimigos internos.

    Não há registro de invasão semelhante à que ocorreu na Escola Nacional Florestan Fernandes contra escolas mantidas por banqueiros, por grandes empresários e grandes proprietários de terra, que formam os militantes do mercado financeiro, do grande empresariado e do agronegócio.

    É muito comum policiais e militares falarem fino com os ricos, tratam-lhes de Senhor e Senhora. Diferentemente de como são tratados os negros, os indígenas, e os pobres do campo e das favelas. Para esses, tiros e algemas.

    Seria interessante a Escola Nacional Florestan Fernandes convidar os policiais envolvidos nesse caso a fazerem os mesmos cursos oferecidos pela Escola aos trabalhadores rurais sem terra.

    Os professores são de alta graduação acadêmica (filósofos, sociólogos, historiadores, geógrafos, economistas e muitas outras categorias).

    Os policiais teriam a oportunidade de conviver com os trabalhadores rurais sem terra e ver que eles não são bandidos, mas cidadãos da mesma classe de origem dos próprios policiais, que lutam por direitos e dignidade.

    A Escola poderia criar uma modalidade de curso para categorias das forças armadas e policiais. Por que não?

    Quem sabe os fantasmas que pairam sobre as cabeças de tantos policiais e militares desapareçam de vez e entendam que eles deveriam estar do lado dos de baixo e não do lado dos de cima protegendo os privilégios deles?

  • Corra Temer! Corra!

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    Tudo bem que é verão, faz calor no Rio de Janeiro, Temer, mas tem certas pessoas e coisas que não podem ficar expostas, você sabe muito bem disso.

    É verão no Rio, mas faz muito frio no inverno, no Paraná. Cunha deve estar preocupado com isso.

    Como o juiz Sérgio Moro recomendou tratamento diferenciado para Eduardo Cunha ao ser preso,  faltou-lhe apenas tapete vermelho para entrar no avião da Polícia Federal, ele parece querer o mesmo para a família.

    Segundo Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, Cunha ameaça Temer com uma delação premiada demolidora, caso a mulher e a filha sejam expostas.

    Ele não quer o espetáculo armado por Moro e pela Policia Federal como tem acontecido nas prisões da Operação Lava-Jato. Nesse ponto ele tem razão. Convenhamos, isso é coisa das trevas, de ” juízes de Pelourinho”.

    A execração pública de qualquer pessoa, sem observar a presunção de inocência, sem o devido processo legal,  transitado e julgado,  é uma violência à Constituição e às leis do país. É crime da magistratura.

    Mas o que Cunha  quer é um manto, que não seja de Nossa Senhora, mãe de Jesus, por motivo de forno íntimo, digamos, religioso, para encobrir a família e a montanha de dinheiro dela nas contas dos bancos na Suíça.

    Vá Temer, pegue a trilha do calvário que Jesus subiu com a cruz, açoitado pelos centuriões romanos e traga nem que for os trapos das vestes dele para cobrir a família de Eduardo Cunha.

    Se não conseguir, passe longe de Maria, procure Madalena, “a pecadora”,  como vocês dizem, peça as vestes dela, mesmo que estejam manchadas com o “pecado original”. Se ela concordar, traga, cubra a família e a montanha de dinheiro de Cunha.

    Se não encontrar Madalena, e as vestes de Jesus estiverem muito sujas de sangue, serve os trapos de Dimas e Gestas, os dois ladrões que foram crucificados ao lado dele. Os trapos, Cunha deve crer que Jesus os multiplicam e os transformam em um manto.

    Dimas e Gestas, pelo menos são gente como Eduardo Cunha e tantos outros que no los puedo contar. Cunha deve achar que ele é Dimas. Gestas, não se sabe.

    Vá Temer, não demore. Pode ser tarde.

    Você imagina o que a mulher de Cunha exigiu dele para não ser presa? Juntando com a delação da Oderbretch o paiol de pólvora pode explodir.

     

    Você é o comandante supremo dos “centuriões”. Você pode fazer muito pela família Cunha.

    Afinal, Temer, você e Cunha fizeram muitas coisas juntos,  até agora escondidas debaixo de sete chaves.

    Imagine se você não conseguir o manto e Cunha partir para a vingança, resolver chutar o balde, contar tim.. tim.. por tim… tim os detalhes do que vocês fizeram, os recursos que vocês usaram para garantir a grande maioria dos votos, na Câmara e no Senado, para o impeachment de Dilma?

    Lembra daquela sessão da Câmara de tantos parlamentares “honestos” que abriu o processo de impeachment contra Dilma? Está pendurada na parede da memória.

    Sem falar no que vocês fizeram juntos quando você, Temer, foi presidente do PMDB por quase duas décadas. É de suar frio, não?

    Então corra Temer, arranje um manto para proteger a família Cunha. Não sei se você vai conseguir, mas o recado foi enviado por Eduardo Cunha.

  • A usina da loucura instalada no Brasil

    Carlos Sampaio Eduardo cunha

     

     

    Na Avenida Paulista, já pela segunda vez, um grupo de pessoas fez uma manifestação a favor da candidatura de Donald Trump.

    Entrevistados alguns manifestantes, para saber qual motivo de tão caloroso apoio ao candidato à Presidência dos Estados Unidos,  todos disseram que apoiam Trump porque Hilary Clinton é comunista.

    Essa manifestação parece um furúnculo da  rede de  internet que levou às ruas a massa amarela, raivosa , para derrubar Dilma.

    Essa rede continua ativa e  até hoje não se sabe quem a financia. O tal MBL – Movimento Brasil Livre  recentemente foi convidado por Temer para ajudar a convencer o povo brasileiro que a subtração de direitos sociais é uma coisa boa, que o corte de investimentos públicos por 20 anos, para usar o dinheiro para pagar juros da dívida, também é uma coisa boa.

    Por que o Ministério Público, o Judiciário, não investigam para saber de onde vem o dinheiro que custeia essas redes?

    Se tiver financiamento proveniente de instituições estrangeiras a movimento de conspiração no Brasil é crime previsto na Constituição. E se tiver dinheiro da campanha de Trump no financiamento do movimento da massa amarela?

    E se tiver financiamento das contas de Eduardo Cunha, de Aécio Neves, do PMDB de Michel Temer, de Romero Jucá, enfim, dos envolvidos na Lava-Jato que atuaram na derrubada de Dilma?

    A obrigação das autoridades é investigar. Quem vai entrar com a petição?

    Na internet pessoas falam coisas absurdas, tiradas sei lá de que planeta, sem o menor fundamento, como se estivessem noutro mundo.

    Tem gente alimentando essa rede com informações falsas, estimulando a violência, e as pessoas que estão plugadas nessas rede compartilham, repetem tudo como papagaios.

    Por isso,  chegaram ao ponto de organizar manifestações de apoio a Trump como se fosse algo grandioso.

    É possível que essas pessoas não acreditem no que disse Trump, que quer construir um muro na fronteira com o México para barrar a migração de latinos, por achar que é uma “invenção de comunistas.”

  • O dinheiro é um bem público

     

     

    Banqueiro

     

     

    A frase “O dinheiro é um bem público”, misturada a ruídos e imagens distorcidas no filme Film Socialism, do cineasta Jean-Luc Godard, salta como um chamado à Europa para enxergar a decadência na qual
    se encontra.

    Não só à Europa, mas ao mundo, que se afoga em dívidas. Com ela, os desvalidos, os trabalhadores e os setores médios da humanidade hipotecam o futuro nos bancos.

    Imagine se a humanidade compreendesse que o dinheiro é mesmo um bem público, que a dívida pública é uma fraude, e mandasse os banqueiros às favas!

    No ano passado, o Credit Suisse divulgou um estudo com dados assustadores sobre a concentração financeira no mundo.

    A projeção para o final de 2016 é de que a riqueza de 1% da população deve ultrapassar a dos 99%, numa velocidade de acumulação inimaginável, fruto da ganância estúpida que se espraia deixando no planeta feridas da crise, pobreza, guerras, mortes, e migração de multidões de pessoas como nunca se viu na história da humanidade.

    Toda a produção mundial atualmente é mais que suficiente para prover as necessidades básicas da população. Se fosse repartida pelos habitantes da Terra, cada família receberia em média R$ 9 mil por mês.

    As mega corporações do sistema financeiro mundial funcionam como grandes aspiradores de dinheiro e riquezas para as nações centrais.

    A organização não governamental britânica Oxfam também divulgou um estudo mostrando que o mundo tem hoje 62 bilionários com mais riqueza acumulada do que as 3,6 bilhões de pessoas mais pobres.

    No novo relatório da Rede de Justiça Tributária (Tax Justice Network) consta que cerca de 10 milhões de pessoas esconderam, em paraísos fiscais, uma quantia equivalente às economias dos EUA e Japão combinadas.

    Os paraísos fiscais estão com esconderijos, para o dinheiro dos milionários, cada vez mais sofisticados, a fim de não pagarem impostos às Repúblicas.

    James S. Henry, ex-economista da McKinsey & Co., autor do livro “Os banqueiros de sangue”, estima que há cerca de US$ 32 trilhões em paraísos fiscais, enquanto o PIB mundial é de US$ 72 trilhões.

    Ou seja, um capital parado, se multiplicando com especulação, sem produção e sem pagamento de impostos.

    O professor François Morin, da Universidade de Toulouse, membro do conselho do Banco Central da França, autor do livro A Hidra, o Oligopólio Bancário, afirma que a espiral especulativa é governada pelos 28 maiores bancos do mundo, que controlam 90% dos ativos internacionais. Segundo ele, o total é superior às dívidas de 200 países do planeta.

    Enquanto os bancos têm ativos (bens, dinheiro, clientes, empréstimos, entre outros) que somam US$ 50,3 trilhões (R$ 178 trilhões), a dívida pública mundial é de US$ 48,9 trilhões (R$ 173,7 trilhões), diz Morim.

    A consultoria McKinsey, que trata de estratégia de negócios no mundo, divulgou recentemente uma pesquisa com informações impressionantes.

    Os dados apurados mostram que houve uma explosão da dívida total (dívida pública, privada e individual) em mais de US$ 57 trilhões nos últimos sete anos.

    Superou US$ 200 trilhões (R$ 710,7 trilhões), cerca de três vezes o PIB mundial. A situação se inverteu: quem tinha pequena poupança nas últimas décadas, agora tem dívida com bancos em cartão de crédito e outros mecanismos de endividamento da população.

    A Comissão Europeia, Estados Unidos e Grã-Bretanha resolveram, em 2012, investigar como a alta concentração dos bancos leva à manipulação do mercado.

    Foram investigados 11 dos 28 maiores bancos que controlam 90% dos ativos no mundo: Bank of America, BNP-Paribas, Barclays, Citigroup, Credit Suisse, Deutsche Bank, Goldman Sachs, HSBC, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland e UBS.

    No final constataram, obviamente, que as instituições financeiras manipulam as taxas de juros chamadas “Libor”, diz o relatório. A taxa Libor é fechada diariamente em Londres e determina as taxas de empréstimo e outras operações.

    Foi observado que as instituições não são exatamente concorrentes, por trabalharem para manipular taxas de juros, mercados de câmbio e de crédito, mas um cartel mundial.

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    O sistema financeiro mundial subordina as nações com políticas econômicas e financeiras extremamente recessivas e antinacionais ditadas por seus gerentes encrustados nos governos locais.

    O capital se apropria das riquezas, dos bens e dos serviços públicos com governos subservientes às grandes corporações multinacionais. Essa praxe está estabelecida no mundo. O governo local que resolve enfrentar as corporações é derrubado.

    Há poucos dias o Tesouro Nacional divulgou um rombo histórico de R$ 25,3 bilhões, em setembro, arrecadação com queda de 7,5% e 12 milhões de desempregados. É o saldo de mais de dois anos de empreitada da oposição para derrubar o governo Dilma.

    Eduardo Cunha na presidência da Câmara, Michel Temer na vice-Presidência da República conspirando e Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014, se juntaram e bloquearam todas as medidas, para saída da crise, enviadas pelo governo ao Congresso Nacional. Asfixiaram e derrubaram o governo.

    Ultrapassamos a marca de R$ 3 trilhões em dívida no último mês. Feitas as contas, concluiu-se que um brasileiro já nasce devendo R$ 15 mil.

    Os juros extorsivos estabelecidos pelo Banco Central elevaram a dívida à estratosfera. Só no último ano, foram R$ 650 bilhões de juros e amortizações embutidos nos R$ 3 trilhões. Ao longo do tempo, quase toda a dívida resultou de juros.

    Por outro lado, a sonegação de impostos no Brasil deve ultrapassar R$ 500 bilhões, em 2016.

    Em 2015, o Sindicato dos Procuradores da Fazenda Nacional (Simprofaz) divulgou um estudo mostrando que a sonegação chegou a R$ 415 bilhões por ano, o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB), o mesmo percentual previstos no Plano Nacional de Educação, para aplicação no sistema educacional brasileiro.

    Segundo o Sinprofaz a arrecadação brasileira poderia crescer 23% se a evasão fiscal fosse eliminada.

    Mas esqueça isso, o governo Temer veio para proteger o capital financeiro, o grande empresariado, e passar a conta para os de baixo, com um corte brutal de investimentos públicos por 20 anos (PEC-241), e outras loucuras mais, para entregar ao setor empresarial privado a exploração dos serviços públicos.

    A dívida pública é uma farsa, alimentada por taxas de juros manipuladas e mecanismos criados por tecnocratas.

    Por incrível que pareça, tudo isso acontece sob proteção rigorosa de leis, de sistemas judiciários, de forças armadas e policiais.

    Imagine se todo esse aparato do Estado, ao invés de trabalhar para os de cima, na manutenção da ordem estabelecida pelas grandes corporações bancárias multinacionais estivesse do lado dos de baixo na defesa intransigente dos direitos dos desvalidos, dos trabalhadores, e dos setores médios da sociedade, ou seja, da população que gera a riqueza com seu trabalho, o Brasil seria outro.

  • Senado pode instalar CPI para investigar “excessos” da Lava-Jato

    operação LAVA JATOTudo indica que vai rolar um barraco jurídico parlamentar na Praça dos Três Poderes em Brasília. Senadores e deputados mentem, mas os corredores do Congresso não.

    Pessoas proximas do Presidente do Senado andam dizendo que Renan Calheiros está inconformado com o Juiz Sérgio Moro, com o ministro da Justiça Alexandre Morais, e mais ainda com Rodrigo Janot, por conta da invasão do Senado pela Polícia Federal e prisão de agentes da Polícia Legislativa.

    De Janot, Renan carrega uma mágoa antiga, desde a indicação dele à recondução ao cargo de Procurador-Geral da República pela Presidenta Dilma.

    O inconformimismo de Renan é tão grande que Janot pode até ser submetido a um processo de impeachment, caso o Senado decida instalar uma comissão para avaliar a performance do procurador à frente do cargo que ocupa. Aliás, o Senado pode submeter a impeachment ministros do STF que esteja atuando fora das atribuições de sua função pública.

    O Senado já instalou uma CPI para investigar o judiciário. A famosa CPI do Judiciário, criada em março de 1999, destinada à apuração de denúncias da existência de irregularidades praticadas por integrantes de tribunais superiores, de tribunais regionais e de tribunais de Justiça, descobriu um esquema de corrupção milionário no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. O ex-presidente do TRT-SP, juiz Nicolau dos Santos Neves, e o Senador Luiz Estevão, do PMDB/DF, desviaram R$ 169,5 milhões de R$ 223 milhões repassados ao tribunal para construção da sede do órgão. Como o ex-Senador Antônio Carlos Magalhães, DEM/BA, Presidente do Senado, queria apenas pegar o Luiz Estevão, seu desafeto, a CPI não investigou nada mais. A venda de sentenças nos tribunais e otras cositas mas ficaram para as calendas.

    O Senado está a um passo de instalar uma CPI para investigar a Operação Lava-Jato.

    Sem falar nos Projetos de Lei sobre abuso de poder que, segundo alguns senadores, estabelecerá limites e disciplina nos serviços públicos judiciários e policiais. O parecer sobre abuso de poder está pronto.

    Evidentemente fica parecendo que os parlamentares estão legislando em causa própria, mas a Lava-Jato deu margem para isso, enveredou pela perseguição política e se desvirtuou do combate à corrupção em si, não está observando com o devido respeito os marcos legais. Trata os advogados de defesa com extrema indiferença. Como se não servissem para nada.

    Apelou para a espetacularização das ações em parceria com algumas organizações da imprensa, como tática de busca de apoio da opinião pública, e se esqueceu que o Congresso, mesmo com tanta gente envolvida nos escândalos é quem tem o poder de legislar e de investigar a qualquer tempo qualquer órgão público.

    A Lava-Jato perdeu o respeito público ao desrespeitar as garantias constitucionais dos investigados e o devido processo legal. A Lava-Jato tem apoio da onda fascista que emergiu no país. Gente que prefere o Estado policial à democracia.

    A Lava-Jato deu espaço para o Congresso reagir às arbitrariedades dos responsáveis pelas operações.

    Os procuradores não podem legislar, inventar moda como essa tal “teoria do dominio do fato” para perseguir politicamente quem eles querem, condenar inocentes. Acusou tem que provar. Essa de “não tenho provas, mas convicções” não cabe no mundo moderno de vigência do Estado democrático de direito. Chega de “Juízes de Pelourinho”.

    Afinal, o Congresso Nacional é o poder que legisla, é o mais soberano de todos os poderes da República, tendo em vista os vínculos diretos com os cidadãos por meio do voto.

    Nos próximos meses, a Praça dos Três Poderes poderá se transformar num ringue de disputa com final previsível. Ou seja, limites à atuação de juízes, procuradores e policiais.

  • Temer no palácio e Cunha no presídio

    eduardo-cunha-temerO barulho do ferrolho da grade ao fechar a porta da cela onde reside agora o ex-poderoso presidente da Câmara, Eduardo Cunha, deve estar ecoando nas profundezas da consciência dele.

    Se havia o plano de derrubar Dilma e em seguida estancar as investigações, se safar das ações na justiça, continuar comandando o conglomerado de lobbyes de corporações empresariais e eleger quem quisesse com uma montanha de dinheiro de propinas, parece que deram com os burros nágua.

    Temer está no Palácio, mas Cunha no presídio.

    Ao olhar ao redor dentro da cela, Cunha deve ter caído na real e percebido que, tudo bem, sua prisão não teve espetáculo, não teve algemas, mas só restou-lhe a delação premiada e nada mais.

    O ferrolho da porta da cela lacrou a carreira política de Cunha. Tudo indica que todos os compromissos que ele tinha no meio político zeraram. Não há mais perspectiva de volta ao cenário do poder.

    Cunha vai cuidar da pele dele e da pele da sua família. Já contratou um advogado especialista em delação premiada. Por isso o Palácio do Planalto foi tomado pelo sentimento de interinidade. Tudo pode acontecer.

    Imagina se Cunha resolver divulgar gravações que por ventura fez para se proteger, ou de todos os encontros que teve em tratativas com políticos, magistrados, policiais, jornalistas, empresários, durante todo o período que atuou como operador de lobbyes no Congresso Nacional e nos governos.

    Curiosamente, ao invés de apenas os políticos mais ligados a Cunha estarem suando frio, de medo, comentaristas, porta-vozes dos barões da mídia, também estão roendo as unhas. Começaram a desqualificar o instituto da delação premiada.

    Reinaldo Azevedo, o mais rabugento deles, em sua coluna, demonstrou estar em pânico com um possível acordo de delação premiada de Eduardo Cunha. Estranho, não?

    De todos os ramais do propinoduto investigado pela Operação Lava-Jato, os do Porto de Santos e de Furnas devem estar tirando o sono de Michel Temer, Elizeu Padilha, seu braço direito na Casa Civil, e de Aécio Neves.

    A famosa “emenda Tio Patinhas”, pendurada como um jabuti na Medida Provisória dos Portos, em 2013, sob comando de Eduardo Cunha, quando era líder da bancada do PMDB, na Câmara, resultou em gordas doações de campanha eleitoral, do Grupo Libra, que opera no Porto de Santos, para eleger Temer Vice-Presidente da República e deputados do partido dele. Esse é apenas um exemplo do que Eduardo Cunha pode querer delatar. Sem falar nos rolos da Petrobras e outros setores.

    Mas isso, perto das investigações sobre escândalos no Porto de Santos é pouco. A influência e as nomeações de Temer no Porto de Santos são velhas conhecidas da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário e da impressa, desde o tempo que Eliseu Padilha era Ministro dos Transportes do governo Fernando Henrique. Os processos estão parados desde então.

    Os ministros Moreira Franco, Eliseu Padilha e o Presidente da Câmara, Marco Maia, estão atravessados na garganta de Cunha desde o acachapante placar de 450 votos a 10, na votação que cassou o mandato dele.

    Cunha deve ter se sentindo usado e descartado como bagaço de laranja. Chegou a hora da vingança e ele sabe, como ninguém, servi-la em banquete aos inimigos. Para quem elegeu mais de 200 parlamentares e mantinha sob seu tacão, obter apenas 10 votos fiéis na votação não é para menos.

    Aécio sumiu. Fugiu da imprensa quando foi indagado sobre a prisão de Cunha. Ele sabe que a represa dos escândalos de Furnas, em Minas, está rachada, prestes a ser rompida com uma delação de Cunha e a lama descerá com ele morro abaixo.

    É possível que desta vez a Fundação Bogard & Taylor, sediada na capital Vaduz, no Liechtenstein, o mais fechado paraíso fiscal do mundo, venha à tona. Até agora conseguiram mantê-la debaixo de sete chaves.

    Documentos em poder da Polícia Federal, constantes de uma pasta amarela, de número 41, apreendida no escritório e na residência do doleiro Robert Muller, no Rio de Janeiro, provam que ele abriu uma conta secreta, de nome Bogard & Taylor, num banco no paraíso fiscal em Vaduz.

    Segundo os documentos, o nome da conta teria sido escolhido por Inês Maria Neves Faria, mãe e sócia de Aécio Neves. Qual finalidade de uma conta de uma fundação dessa num paraíso fiscal?

    Segundo reportagem da revista Época, https://goo.gl/KmunYw, a apreensão dos documentos comprobatórios da conta secreta foi realizada no dia 08 de fevereiro de 2007, numa operação da Polícia Federal. De lá para cá, o assunto dorme pesado sono nos arquivos do Ministério Público Federal.

    O doleiro é um velho conhecido da Polícia Federal, processado por crimes contra o sistema financeiro e fraude cambial. Ele comandava uma das maiores redes bancárias clandestinas, nos anos 1990, no Rio de Janeiro, segundo a revista.

    O país está parado há mais de dois anos enredado no golpe, agora nas mãos de um incompetente, rejeitado por cerca de 70% dos brasileiros, segundo pesquisas, prestes a ver seu arremedo de governo desabar. Um governo que só pensa em privatizar, subtrair direitos sociais e desfazer o que estava sendo feito.

    Os investidores estão sem horizonte, arredios, enquanto a economia afunda e o desemprego dispara. Por mais que se anuncie a venda do patrimônio público, ninguém aposta uma pataca sequer no governo Temer. O risco Temer é o impasse.

  • Faltou tapete vermelho para Eduardo Cunha

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    O juiz Sérgio Moro deixou Eduardo Cunha solto muito tempo. Afinal, se Cunha quiser implode o governo Temer. O negócio do Moro é prender Lula. Enquanto isso, dizem que Cunha limpou as contas bancárias. Seria um volume de R$ 221 milhões. Esquisito, não?

    Moro recomendou à Policia Federal tratamento diferenciado ao prender Cunha.

    Ao ser detido, Cunha foi tratado como um pachá, sem algemas, com policiais em roupas cotidianas, sem aqueles trajes de guerra, camuflados, usados na detenção de Lula, sem fuzis.

    Faltou tapete vermelho para Cunha entrar no avião.

    Não apareceu o japonês com sua tornozeleira eletrônica. Talvez ao lado de Cunha pegasse mal. Apareceu um agente de barba comprida e cabelos em coque, que alguns nas redes sociais disseram tratar-se de um “hipster”. Pareceu a cereja do bolo da operação.

    O sujeito só tem o visual “hipster “. Hipster é outra coisa, é gente culta, descolada.

    No Facebook circulou uma asneira atribuida a ele que viralizou, de que ele havia dito a uma jornalista que Dilma foi eleita com as urnas eletrônicas fraudadas.

    Ele poderia ser processado por isso. Se disse há de provar. Quem estaria dizendo, um agente do Estado credenciado para investigações.

    O fato é que Cunha teve tratamento vip. Não se sabe se Temer ligou para Moro para pedir isso, por tratar-se de um grande amigo que fez muita coisa junto, e por ser uma pessoa de alto teor explosivo.

    O desfecho do golpe está interessante. Temer no Palácio, em jantares com deputados que cassaram o mandato de Cunha, tilintando taças de espumantes, vinhos, talheres, e Cunha no presídio.

    Tudo indica que Temer deu um golpe em Cunha.

  • “Não sou político, sou gerente”

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    A cidade, um imenso aglomerado de concreto, aço e vidro, debaixo de um céu cinza, e pequenas naves suspensas circulando em rotas por entre os edifícios.

     

    Da mais alta torre de suntuoso arranha-céu, ricos industriais governam a grande cidade Metropolis, enquanto uma classe inferior de moradores subterrâneos, uniformizados, robotizados, trabalham ininterruptamente operando máquinas que alimentam o poder dos magnatas, seres superiores, do “escritório central”.

     

    Em 1926, o cineasta alemão, Fritz Lang, imaginou a sociedade do futuro assim, 100 anos depois (2026), e produziu o filme Metropolis, uma obra prima do Expressionismo alemão, com riqueza de detalhes dos tempos modernos.

     

    Uma sociedade politicamente estéril, regida por códigos empresariais, comandada por gerentes, tipo “ordem e progresso”.

     

    Muito parecida com o modelo idealizado pelos paulistas Michel Temer e João Doria, eleito prefeito da maior metrópole do Brasil.

     

    Aliás, também regida por códigos religiosos, tamanho o poder que as igrejas exercem, hoje em dia, sobre a sociedade.

     

    Michel Temer com suas reformas, trabalhista, da previdência, e do ensino, quer criar uma categoria de segunda classe, bem definida, adestrada para o trabalho e para o consumo.

     

    Junto com João Doria, com seu “eu não sou político, sou gerente”, formam uma dupla de seres, diria, do “escritório central”, gente muito distante da “cidade dos trabalhadores”, como em Metropolis.

     

    Parece que Temer e Doria acham que o Brasil é uma grande periferia de São Paulo. É possível que nunca tenham pisado no chão de João Pessoa, Rio Branco, Porto Velho e outras regiões do País.

     

    A vida política de Temer sempre foi nas rodas de São Paulo e da Câmara dos Deputados, em Brasília, e nada mais. Doria conhece bem os salões de São Paulo e o escritório de suas empresas, na gerência de seus negócios.

     

     

    Fritz Lang provavelmente não imaginou o poder das grandes corporações de mídia, nos tempos modernos, e o que são capazes de fazer no comando da massa vulnerável.

     

     

    Como braço direito do mercado, a mídia senhorial tanto fez que jogou a política na vala de esgoto, para que tenham nojo dela. Evidentemente com a ajuda de muitos políticos inescrupulosos.

     

    Para ” os homens do escritório central”, política não rima com mercado. Por isso esse circo de horrores.

     

    Pessoas éticas, comprometidas com os mais elevados valores de liberdade e justiça, com a construção da sociedade democrática, da igualdade de direitos, estão sendo alijadas da política. Estão vendo cada vez mais o espaço democrático se estreitar.

     

    Partidos políticos e instituições populares, que têm função pedagógica para a cidadania, tão importante quanto as escolas convencionais, estão sendo inviabilizados e em seus lugares querem semear a servidão voluntária, a passividade.

     

    As ações terroristas de demolição das instituições republicanas brasileiras e da democracia, por certas “autoridades” do palco político, judiciário e midiático, parecem ter propósitos de deixar a sociedade assim mesmo, perplexa, atônita, com essa sensação de estar vivendo sobre escombro nacional.

     

    O ódio e a descrença generalizada, muito bem plantados em corações e mentes, pela mídia senhorial, fez o povo acreditar que o Brasil é o pior país do mundo, sem lei, para que, no desespero, peçam “ordem e progresso”, as ditas “autoridades” justifiquem a violência do Estado e do “escritório central”, e aceitem a ilegalidade em nome da “salvação da Pátria”.

     

    Tonou-se bordão dizer que o Brasil está destruído. Curiosamente, isso é dito por gente das duas partes as quais o país foi dividido ao ser atingido pela onda destruidora.

     

    Essa é a guerra dos novos tempos. O domínio agora se dá pela imobilização da população, pela fadiga e pelo medo.

     

    Essa avalanche de fatos criados com fins específicos, notícias ficcionadas, que enchem as redes de comunicação a toda hora, principalmente a internet, são como água de uma enchente que se espraia por todos os cantos, invadindo casas, deixando a população ao relento, a procura de um abrigo qualquer.

     

    Fragilizada, totalmente vulnerável, descrente deste mundo, aceita o que “os salvadores da Pátria” lhe oferecem como única chance para continuar vivendo, ou será abandonada à própria sorte.

     

    Assim, nessa condição de pegar ou largar, aceita-se o que dizem todos dias “os homens do escritório central” de Metropolis, que “recursos naturais estratégicos”, “bem público”, “serviço público” é a causa de toda a corrupção, de toda a desgraça do Brasil.

     

    “Os homens do escritório central” estão dizendo que destruíram a Petrobras e que a empresa não vale mais nada no mercado internacional e que estão fatiando para facilitar a venda.

     

    O procurador Dallangnol anda dizendo em suas pregações em igrejas evangélicas que a corrupção no Brasil tem origem na colonização portuguesa, que mandou criminosos para cá.

     

    E, para perplexidade geral, comparou com os Estados Unidos, exaltando o país, por ter sido colonizado por evangélicos. O procurador disse isso, talvez, por não ter visto ainda o seriado House of Cards, que expõe as vísceras da corrupção nos governos dos Estados Unidos.

     

    Nesse país de escombros, dizem eles, a solução é reduzir o Estado ao mínimo. Ou seja, o que tiver de empresas estatais, de serviços públicos, a ordem é vender, terceirizar, de preferência para irmandade superior.

     

    E mais, são ordens dos “homens do escritório central” acabar com direitos sociais.

     

    As reformas trabalhista, da previdência, do ensino, vão afastar de vez com as pretensões da classe inferior, moradora da cidade subterrânea, de ocupar postos de comando em Metropolis.

     

    Para eles, os trabalhadores não precisam pensar, ter direitos, nem de participação em nada. Basta salário, consumo, entretenimento, “ordem e progresso”.

     

    “Os homens do escritório central” acham que pensam por todos e sabem o que todos precisam.

  • Não é golpe, é um assalto

     

     

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    A entrega dos serviços públicos para exploração empresarial privada, de bens e recursos naturais públicos, parece coisa de malandros.

     

    Essa gramática inventada por eles de que tudo que é público não presta e que o empresariado privado é eficiente em tudo, é um papo que já tá qualquer coisa. Não cola mais.

     

    O que eles querem é explorar os serviços públicos de educação, saúde, previdência social, e muitos outros setores que garantem os direitos sociais assegurados pela Constituição. Eles estão modificando a Constituição para liberar geral.

     

    Eles querem se apropriar de recursos naturais públicos, estratégicos para o desenvolvimento, como petróleo, água, florestas, minérios, terras, parques de preservação ambiental, fontes de energia, e muitos outros, para seus negócios, com esse papo privatista, colonialista.

     

    Eles querem levar muito dinheiro com tudo isso. Aqui eles têm os gerentes de interesses externos e a garantia da ordem que favorecem aos negociantes, pelas forças armadas, policiais, judiciárias e políticas no Congresso que historicamente sempre estiveram do lado deles, na manutenção do stablisment, e uma mídia senhorial que faz a narrativa que eles querem.

     

    Os gerentes de interesses externos certamente vão ficar bilionários com corretagem de ações de empresas em bolsas de valores. É um governo de negócios. O povo que se dane.

     

    A Petrobras já está sendo  vendida em pedaços. O petróleo do Pré-sal, a jóia rara de Pindorama, está sendo entregue na bandeja a grupos estrangeiros.

     

    O papo privatista é tão furado que quem adquiriu o poço de Carcará, na bacia de Campos, foi a eficientíssima empresa ESTATAL de petróleo da Noruega, Statoill. O preço do barril saiu pela bagatela de US$1,25 equivalente ao preço de um refrigerante.

     

    O golpista Michel Temer recebeu, em audiência no Palácio do Planalto, na semana passada, o CEO da Shell e todo seu staff para agradecer a abertura do Pré-sal à exploração de grupos internacionais.

     

    A Noruega é o país de mais alto padrão de vida do planeta porque o Estado controla sua produção de petróleo e investe os royalties em educação, ciência e tecnologia e outros áreas.

     

    A legislação brasileira que os governos Lula e Dilma fizeram, colocando a Petrobras como controladora da produção,  é baseada na da Noruega. O golpista Temer vai aprovar outra lei que muda a lei Lula/Dilma, logo depois das eleições, para a entrega definitiva do Pré-sal.

     

    Por que não se investe na seleção e preparação de funcionários públicos cidadãos para dar-lhes a consciência de que são servidores da sociedade para cuidarem do provimento dos serviços públicos de direito e dos bens públicos?

     

    A Noruega e tantos outros países altamente desenvolvidos fizeram isso.

     

    A Petrobras é o maior exemplo de eficiência estatal do Brasil, e de preparação de engenheiros, técnicos e gestores.

     

    Em tecnologia de petróleo, é reconhecida internacionalmente  como a melhor empresa do mundo. Mas está sendo preparada para ser vendida.

     

    Golpe para definir o que está acontecendo no Brasil é pouco. É  um assalto!

  • O livrinho desintegrou-se no suor das minhas mãos

    Uma imagem dos planetas girando em torno do sol e um texto de dois parágrafos com o título “O Universo”, que li ainda criança, foram  suficientes para eu ficar dias pelos cantos da casa, e pedaços de noites, pensando quem sou eu no infinito.

    Até então, via o sol nascer, brilhar no céu o dia inteiro, e se por atrás dos morros.

    À noite, via a lua nascer, fazer o mesmo que o sol, e as estrelas brilharem pregadas no céu. Às vezes, uma delas mudava de lugar. A gente fazia pedidos.

    Via o “Caminho de Santiago”, que tempos depois fiquei sabendo ser a Via Láctea; as ” covinhas de Adão e Eva”, que são duas galáxias-satélite chamadas de Nuvens de Magalhães; as Três Marias ou Três Irmãs; e o Cruzeiro do Sul, pelo qual se orientava quem andava à noite.

    Era tudo que eu sabia sobre o céu e a terra.

    Nunca havia me dado conta que eu era parte do imenso Universo e vivia no sistema solar, num astro iluminado por uma estrela.

    Tudo isso, partes de uma das galáxias que também fazem parte de infinito número delas, impossível até de serem contadas pela matemática.

    Li “O Universo” num livrinho de leitura que reunia desde pequenos contos de grandes autores brasileiros a textos de geografia, história e ciências físicas e biológicas.

    Era o primeiro da série de geografia que emendei com os de história.

    Com a Geografia me situei no espaço. Com a História me situei no tempo.

    Os textos de literatura foram encontros, como leitor, com quem escreveu, no plano do imaginário, do absoluto.

    Os de ciências físicas e biológicas me ensinaram que somos matéria feitos de partículas (átomos) tão pequenas que, se divididas ainda mais, chegam ao nada.

    E as células, ticos de vida.

    Sinto saudade de livros. Esse é um deles. Desintegrou-se no suor das minhas mãos.

    Deu-me o necessário para perceber que vivo exatamente no limite entre o universo externo e o universo interno. Que a vida é um mistério.

    Conheço mais o universo externo, com meus sentidos. O universo interno, sei pouco dele. Apenas que ele me move vida afora.

    Dizem que ele é infinitamente maior que o universo externo.