Blog

  • As pulgas paranóicas da Praça dos Três Poderes

     

     

     

     

     

     

    A Praça dos Três Poderes, em Brasília, parece infestada de pulgas paranóicas, pulando de gabinete em gabinete, se alojando atrás das orelhas dos presidentes dos poderes da República, despertando sensações conspiratórias.

    Pulgas paranóicas chegaram às orelhas de Jair Bolsonaro, transformaram as noites do Palácio da Alvorada em um inferno, quando ele soube que Rodrigo Maia, David Alcolumbre e Dias Toffoli, estavam juntos, em New York, num seminário, sabe-se lá tramando derrubá-lo. O vice, Hamilton Mourão, na China, sendo recebido pelo primeiro-ministro Xi Jinping, para corrigir o estrago feito pelo governo nas relações entre os dois países.

    O vice disse, em entrevista, que o Brasil não pode ficar fora da “Nova rota da seda”, contrariando o alinhamento incondicional de Jair Bolsonaro com os Estados Unidos. Sinalizou que adotará posição pragmática em relação à disputa comercial e tecnológica entre a China e os Estados Unidos, e ao padrão 5G de internet. Pela terceira vez, o Brasil vai sediar, em novembro, a cúpula do BRICS.

    Câmara e Senado viraram as costas para o governo, organizam a própria pauta, o Supremo Tribunal Federal e o Congresso se posicionaram para ceifar decretos inconstitucionais, Medidas Provisórias, assinados com a famosa “caneta Bic”, manuseada pelo presidente como se fosse um brinquedo de poderes mágicos. O governo enviou ao Congresso 27 proposições, e só uma foi aprovada: a reforma administrativa.

    Os decretos sobre a ampliação do porte de armas, reprovado em nota técnica, pelo Ministério Público; a venda das subsidiárias da Petrobras está sendo barrada pelo STF;  a  recusa da Medida Provisória, pelo Senado, que desfigura o Código Florestal é mais uma pulga que salta na Praça dos Três Poderes.

    Ou seja, a “caneta Bic” não pode assinar documentos inconstitucionais, fora da lei e da ordem jurídica do país, a torto e a direito.

    Jair Bolsonaro sentiu o cerco se fechando. Percebeu que o afastamento dele virá, não se sabe quando nem de onde partirá. O tempo político está sendo monitorado, para o momento certo.

    Logo após desembarcar em Brasília, vindo de Dalas, uma viagem sem agenda oficial, com as pulgas paranóicas atrás da orelha, Jair Bolsonaro, impulsivamente convocou manifestações em apoio ao próprio governo e anunciou que iria se juntar aos seus leais escudeiros nas ruas. Em seguida, temendo um fiasco e o estabelecimento de um confronto aberto com os demais poderes da República, foi desaconselhado pelos assessores que cuidam dele a não participar. Mas o estrago já estava feito. A harmonia e a independência dos três poderes, como determina a Constituição, haviam sido quebradas.

    Manifestantes foram insuflados aos berros nos carros de som com todo o ódio que os fascistas têm à democracia, a pedir o fechamento do STF e do Congresso Nacional. Exibiram um boneco do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, como pessoa nefasta, e do ex-juiz Sérgio Moro, que anda em baixa, desmoralizado, como “super-homem”.

    Rodrigo Maia deve ter até hoje uma pulga paranóica atrás da orelha lhe dizendo que a prisão do seu sogro, Moreira Franco, vulgo “Gato Angorá”, incluído na lista de propinas da empreiteira Oderbretch, foi uma trama do “funcionário de Bolsonaro”, Sérgio Moro, com o juiz Marcelo Bretas.

    Esse nó, Rodrigo Maia deve carregar na garganta como o nó da própria gravata, que lhe provoca o conhecido gesto de afrouxá-la com o dedo, esticando o pescoço.

    Mas a fotografia da porção fascista que foi às ruas nos atos do dia 26 de maio, mobilizada por robôs a todo vapor, mostrou que a adesão é fraca, insuficiente para sustentar o governo, e está em queda.

    O propalado apoio à Reforma da Previdência e às medidas de licença para matar, do ex-juiz Sérgio Moro, foi manipulado nos estúdios e redações das TVs, rádios, jornais e revistas, que fazem o jogo do sistema financeiro, da manutenção da imagem da operação Lava-jato, do golpe de estado, e da prisão do ex-presidente Lula. Afinal, Sérgio Moro e João Dória podem ser as opções da direita, que restaram dos escombros do golpe de estado, caso uma condenação da chapa Bolsonaro-Mourão, pelo TSE, seja anunciada em edição extraordinária.

    Os manifestantes que, no Rio, desceram dos luxuosos apartamentos para a Avenida Atlântica, e dos bairros “nobres” de São Paulo para a  Avenida Paulista, no domingo de sol, com suas garrafas de espumantes refrescantes, têm Jair Bolsonaro como um “miliciano” ou, no máximo “um delegado de polícia”, protetor deles, de seus patrimônios, de seus negócios. Ele não gosta de pobre, já disse, é inimigo da classe trabalhadora, dos deserdados que engrossam os arredores das regiões onde vivem os abastados.

    Não estão preocupados com Reforma da Previdência, com subtração de direitos trabalhistas, destruição do meio ambiente, corte de verbas da educação, privatização da saúde pública. Eles querem Lula preso, porque ele é o maior líder popular do país e um dos maiores do mundo. Cada vez mais reconhecido internacionalmente como preso político, até pelo Papa Francisco, manifestado em recente carta a ele.

    Depois dos ataques ao STF, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, com tática militar da guerra híbrida, Jair Bolsonaro chamou os “homens de New York” (Maia, Alcolumbre e Toffoli), para uma conversa e um pacto de governabilidade, numa tentativa de busca de esteios para segurar o governo. As pulgas paranóicas pularam na Praça dos Três Poderes, rolaram de rir. Elas sabem de tudo. Afinal, vivem atrás das orelhas dos chefes dos poderes da República.

    Os tempos político e da economia correm juntos, vão convergir e se encontrar na hora certa. A recessão econômica e o desemprego, a inércia do ministro Paulo Guedes, são as pulgas de venenos letais que estão matando o governo.

    As pesquisas de opinião mostram rápida erosão do apoio popular e empresarial ao governo. A XP Investimentos, que costuma medir o grau de adesão do mercado, registrou uma queda brutal de 86% para 14%, do apoio de investidores. O recado está dado: com Jair Bolsonaro e seus patéticos ministros não dá para seguir viagem.

    A recessão econômica é uma realidade, com queda de  0,2% no trimestre, 13,2 milhões de desempregados (12,5%) e 5 milhões em desalento ( pessoas que desistiram de procuram emprego), segundo pesquisa IBGE. Drástica redução da participação da indústria no PIB, (apenas 10%), queda de 0,7% no setor de serviços, 0,5% no setor agropecuário, 6,3% no setor extrativista, e aumento de 22,3% no lucro líquido dos bancos, chegando a 20 bilhões no trimestre (Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil).

    A economia mundial deve retrair 0,2%, em 2019, segundo o FMI. A União Europeia reduziu a projeção de crescimento do PIB para 1,2%, com Alemanha liderando a baixa, com 1%. Estados Unidos, que cresceu 3,6% no ano passado, cai para 1,8%. China, reduziu para 6,3%, e a América Latina crescerá apenas 1,4%, com Argentina e Brasil puxando o índice para baixo.

    Toda essa tragédia acontecendo sem que o ministro Paulo Guedes apresente  um plano de emergência para tirar o país da recessão. Talvez por ser banqueiro, ele esteja preocupado apenas com o lucro dos bancos e a entrega da previdência ao sistema financeiro. Chantageou o Congresso, disse que se a Reforma da Previdência não for aprovada, ele “pega o boné e vai embora”. Ou seja, é um governo de negócios.

    As investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro, que avançam sobre o filho, Flávio Bolsonaro, e sobre outros membros da família, inclusive Michelle Bolsonaro, envolvidos em perigosas transações com o crime organizado, trazem à tona, a cada dia, novidades espantosas.

    Os 37 imóveis da imobiliária, descobertos pelo Ministério Público, suspeita de ser uma lavanderia de dinheiro sujo, ligada a empresa MCA Participações, com sede no Panamá, conhecido paraíso fiscal, seriam frutos das transações de Flávio Bolsonaro com três norte-americanos: o corretor Glenn Dillard e dois investidores, Charles Eldering e Paul Maitinho. É o que a imprensa apurou e publicou nos últimos dias.

    A quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico do filho do presidente e mais 85 pessoas e 9 empresas suspeitas de ligações com o crime organizado, ferroam, sem trégua, as orelhas de Jair Bolsonaro. Ele sente que desse cipoal pode surgir “o Fiat Elba” que derrubou Fernando Collor de Melo, e que pode também derrubá-lo.

    Falta apenas o “objeto concreto”, como determina o Regimento Interno e o processo legislativo da Câmara dos Deputados, para fundamentar o Requerimento de Instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito. Isso pode surgir a qualquer momento.

    O tempo econômico e o tempo político vão convergir para esse instante decisivo. Jair Bolsonaro sabe disso, e mais ainda as pulgas paranóicas da Praça dos Três Poderes.

  • Jair fora de si

    Certamente o povo brasileiro não está preparado para assistir a cenas de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e outras pessoas da família sendo presos. Isso seria inimaginável até a semana passada, mas essa hipótese, ainda turva, surge no horizonte.
    O Ministério Público e a Polícia Civil do Rio de Janeiro avançam sobre o crime organizado no Estado, penetram nos subterrâneos da família Bolsonaro e põem o presidente da República, recém-eleito e empossado, em situação dramática.
    As poses de Jair Bolsonaro e seus filhos em fotografias com “milicianos” fizeram sucesso nas redes sociais durante a campanha eleitoral. Agora devem juntar-se a outras provas da intimidade da família do presidente da República com os “milicianos”.
    Os investigadores devem apresentar à Justiça, em breve, uma das mais poderosas organizações criminosas do país e revelar a maior fraude eleitoral da história das eleições no Brasil, montada com fake news.
    A “direita compenetrada”, ao dar sinais de que tem ao alcance informações espantosas sobre Jair Bolsonaro e sua família, já deve ter tomado decisão e esquadrinhado a operação que vai apeá-lo do poder. Os editoriais dos jornais e das revistas têm demonstrado isso.
    Depois do namoro firme da “direita compenetrada” com a extrema direita caricata até recentemente, e de andar de mãos dadas pelas ruas das cidades, com suas máscaras, no golpe de Estado de 2016, para derrubar a presidente Dilma, agora solta a mão, se despede, como se não tivesse nenhuma responsabilidade com o agravamento da crise econômica  e com a tragédia social e moral do país.
    Além de desastroso, absolutamente incapaz de tomar qualquer iniciativa para reverter a crise, Jair Bolsonaro tornou-se nitroglicerina pura aos olhos do poder econômico. Um perigo iminente, com a aproximação do calor das investigações do Ministério Público e da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Os sintomas são cada vez mais evidentes.
    O fio da meada é a decretação das prisões, em flagrante, convertida em prisão preventiva, de Alexandre Motta Silva, proprietário do apartamento onde foram encontrados 117 fuzis, de uso restrito, e do ex-policial militar, Ronnie Lessa, (acusado de matar Marielle Franco). Os dois respondem a processo por tráfico de armas.
    Nas investigações do submundo do crime organizado no Rio de Janeiro, chegaram a um grande volume de dinheiro movimentado pelo filho do presidente, Flávio Bolsonaro. Por meio de uma imobiliária, os negócios renderam R$ 9 milhões, sem origem declarada, a compra de 19 imóveis e ligações com a empresa MCA Participações, com sede no Panamá, conhecido paraíso fiscal.
    Estranhamente surgiram nessa história três personagens norte-americanos nos negócios imobiliários de Flávio Bolsonaro: o corretor Glenn Dillard e dois investidores, Charles Eldering e Paul Maitinho, que também passaram a fazer parte do rol de investigados.
    Essas informações, constantes nos documentos em poder do Ministério Público, divulgados pela imprensa, despertaram fortes suspeitas de crime de lavagem de dinheiro.
    Em 2008, o deputado Marcelo Freixo, do PSol, presidiu a CPI das Milícias, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, produziu um relatório pedindo o indiciamento de 225 políticos, policiais, agentes penitenciários, bombeiros e civis.
    No fluxo do combate ao crime organizado no Rio de Janeiro, em 2011, Marcelo Freixo presidiu outra CPI na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro,  que investigou o tráfico de armas no Estado. Consta no relatório aprovado na Comissão, com voto contrário do deputado Flávio Bolsonaro, que 2.024 pessoas foram indiciadas, processadas ou presas na década passada, no Estado, envolvidas com o crime de tráfico de amas. Entre elas, 82 policiais militares, 32 bombeiros, 29 policiais civis, quatro agentes penitenciários, três policiais federais, 88 militares das forças armadas (65 do Exército, 12 da Marinha, 11 da Aeronáutica), dois guardas municipais e 250 civis, além de 1.531 pessoas sem qualificação.
    Os próximos meses devem trazer à tona muitas surpresas. Os indícios são cada vez mais evidentes de que a organização criminosa formada por “milicianos”, acusada de construir ilegalmente os três edifícios que desabaram no Rio de Janeiro, matando 24 pessoas, pode ser a mesma que comanda o tráfico de armas no estado.
    As investigações em curso podem ajudar a esclarecer se há ligação entre o tráfico internacional de armas e o decreto de Jair Bolsonaro, que amplia o porte de armas.
    A campanha contra o Estatuto do Desarmamento, liderada por Jair Bolsonaro, e o decreto se complementam, favorecendo o comércio clandestino de armas.
    Uma CPI para investigar o tráfico internacional de armas no Brasil está sendo cogitada na Câmara dos Deputados, a fim de levar para o âmbito federal as investigações. Isso poderia contribuir politicamente com as instituições públicas que estão atuando no Rio de Janeiro.
    Certamente ao perceber o que está por vir, o Congresso, arrastado pelo “Centrão”, virou as costas para o capitão e toca agenda própria. Os líderes do Governo e do PSL, partido de Jair Bolsonaro, estão sendo ignorados nas reuniões. Militares mais graduados das Forças Armadas, da ativa, e os da assessoria direta do presidente, têm demonstrado frieza nos últimos dias e discreto recuo.
    Até Olavo de Carvalho, mentor de Jair Bolsonaro, disse que não vai mais se meter no governo. Bateu em retirada, entrou na toca, depois de derrotado no embate com militares, e ridicularizado em matérias de capa das revistas Veja e Istoé.
    Para completar o isolamento, o Ministério Público deu um tiro fatal no decreto que amplia o porte de armas, a “menina dos olhos” da campanha eleitoral de Jair Bolsonaro. Foi implacável numa nota técnica enviada à Câmara e ao Senado afirmando que o decreto é inconstitucional.
    Como se estivesse em estado de surto, após ser informado sobre a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, do filho Flávio Bolsonaro, de Fabrício Queiroz, e mais 94 pessoas envolvidas, entre essas, “milicianos amigos íntimos da família”, no maior escândalo a céu aberto no Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro viajou para o Texas, sem agenda com nenhuma autoridade dos Estados Unidos, para participar de uma cerimônia insignificante, desgastada por causa dele mesmo, e bater na porta de George W. Bush, “senhor da guerra”, sem ser  convidado, para posar ao lado dele numa foto.
    Em New York, onde o prefeito Bill de Blasio rejeitou a presença dele, recentemente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o presidente do Senado, David Alcolumbre, e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, se encontraram para participar de um evento, no mesmo período.
    Uma oportunidade interessante para conversas sussurradas, num bom restaurante, entre os três chefes de poderes da República, sobre qual caminho seguir caso a evolução dos acontecimentos, nos próximos meses, leve à necessidade de afastar Jair Bolsonaro.
    O texto divulgado pelo presidente da República nas redes sociais e a convocação de uma manifestação para o dia 26 de junho lembram os ex-presidentes Jânio Quadros e Fernando Collor, candidatos inventados pela elite economica e pela mídia para barrar Brizola e Lula .
    O primeiro renunciou alegando sabotagem de “forças ocultas”, como insinua Jair Bolsonaro,  E o segundo chamou uma manifestação de apoiadores vestidos de verde e amarelo. Porém o povo foi às ruas, mas de preto e em protesto.
    No Senado será apresentada uma representação contra Flávio Bolsonaro, no Conselho de Ética e o Judiciário do Rio de Janeiro mandou ampliar as investigações sobre ele.  Tudo indica que essas duas frentes levarão à cassação do mandato e prisão dele.
    A primeira dama Michelle Bolsonaro, por sua vez, deverá ser convocada para depor sobre os cheques recebidos de Fabrício Queiroz, que curiosamente está desaparecido, despertando suspeitas até de ter sido morto.
    Paulo César Farias, homem de confiança de Fernando Collor de Melo,  estava sendo investigado, na época, no chamado “Esquema PC”,  por ser o homem forte da “ República de Alagoas”.  PC Farias foi fuzilado junto com a namorada, num hotel em Maceió.
    Ex-assessores de Jair Bolsonaro, também irão depor,  para explicar como eram aplicadas as verbas de gabinete, quando Jair Bolsonaro era deputado federal.
    Esse liame de relações perigosas com o dinheiro público e com “milicianos” suspeitos de envolvimento com o tráfico de armas fará a tempestade perfeita sobre Jair Bolsonaro nos próximos meses.
    Ele sentiu que o pior  está por vir. E já deve ter percebido que a “direita compenetrada” está tramando o descarte dele.
    Por isso Jair está fora de si.
  • Quem mais deve se beneficiar do decreto do porte de armas é o tráfico internacional de armas

     

     

     

     

     

     

     

    A onda contra Jair Bolsonaro se espalha pelo mundo e encontra aqui a rápida desintegração do governo, com o Congresso tentando assumir a condição de poder moderador, e o “centrão” aglutinando forças políticas para indicar o que fazer com Ele, o pivô da balbúrdia.

     

     

    Havendo o agravamento da crise econômica, social e política, nos próximos meses, o futuro do presidente será, de duas, uma:renúncia ou impeachment.

     

     

    Mais de 11 mil acadêmicos das maiores universidades do mundo, entre outras, Harvard, Princeton, Yale, Oxford, Cambridge assinam um manifesto contra o corte das verbas das instituições de ciências e pesquisa, contra Jair Bolsonaro, a flor do mal que brotou das urnas, nas eleições, no Brasil.

     

     

    O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, disse a Jair Bolsonaro, no twitter: “Seu ódio não é bem-vindo aqui”. Nem em Nova York nem em nenhum lugar do mundo. E conseguiu apoio de sindicatos e organizações sociais contra a homenagem da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos a Bolsonaro, na cidade. Até os patrocinadores, em protesto, retiraram apoio ao evento.

     

     

    Talvez Dallas o queira. Lá, o chão é encharcado de sangue índio e sangue negro, de muitos outros tombados, vítimas das armas arrancadas dos coldres pelas mãos dos assassinos. Talvez lá ele sinta o cheiro da pólvora dos tiros que vararam a cabeça do ex-presidente dos Estados Unidos, John Fitzgerald Kennedy.

     

    O mundo está dizendo “Não” ao herdeiro latino-americano de Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Pinochet, Brilhante Ustra, a facínoras que odeiam pobres, negros, indígenas, gays, e deve dizer “Não” a todos os que querem cadáveres e a morte da democracia.

     

     

     

    A voz de Lula ecoa mundo a fora e Moro afunda no governo Bolsonaro

     

     

    A respeitada Associação Americana de Juristas, formada por renomados magistrados dos Estados Unidos, em nota, declarou o ex-presidente Lula preso político. Enquanto o ex-juiz e ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, vê despontar no horizonte o reconhecimento internacional de que, no Brasil, foi montada uma grande farsa e que ele é um dos personagens centrais dessa história. Vê cair por terra a máscara e todas as mentiras pregadas nas palestras que deu em alguns países.

     

     

    Nas manifestações do 1º de Maio, em todo o mundo, a prisão do ex-presidente Lula foi denunciada e exigida sua libertação, tendo em vista a grandeza da liderança dele nas lutas contra a pobreza, a desigualdade, por democracia e justiça.

     

     

    A entrevista do ex-presidente Lula a Florestan Fernandes Júnior e Mônica Bergamo, respectivamente, dos jornais El País e Folha de S. Paulo, rompeu fronteiras, deixou a comunidade internacional ainda mais perplexa com o que está acontecendo no Brasil.

     

     

    Depois de mais de um ano encarcerado na Polícia Federal, em Curitiba, censurado, impedido de ser candidato à presidência da República, porque ganharia as eleições, o ex-presidente Lula bradou sua inocência, fez ecoar pelos quatro cantos do mundo a denúncia da farsa do processo ao qual foi submetido.

     

     

    Desafiou o ex-juiz e ministro do governo Bolsonaro, Sérgio Moro, o procurador Deltan Dallagnol, e seus aliados no Judiciário, a apresentarem um fiapo qualquer de prova, de algum ilícito que tenha praticado, e a julgá-lo com base nos autos do processo. Não por convicções pessoais. Em seguida um manto de silêncio cobriu a banda parcial do Judiciário, do Ministério Público e da Polícia Federal. Nenhuma contestação.

     

     

    Outra entrevista, dada pelo ex-presidente Lula ao jornalista Kennedy Alencar, impedida de ser mostrada pela Rede TV,  exibida pela BBC World News, certamente irá impactar ainda mais a opinião pública mundial.

     

     

     

    O golpe descarrilou o Brasil e as forças políticas não conseguem coloca-lo de volta nos trilhos

     

     

    Os sinais estão cada vez mais claros, de que a aposta num golpe de Estado e em um governo militar “ungido pelas urnas”, como diziam, foi um erro, que só poderá ser corrigido com o afastamento de Bolsonaro e de seus lunáticos aliados, bem como de seu ministro da Fazenda, que demonstrou ser incompetente para deter o agravamento da crise econômica. Essa parece ser a conclusão do apreensivo “mercado”, manifestada pelos seus mais atuantes agentes, em recentes artigos na imprensa, e em editoriais dos grandes jornais do país.

     

     

    Parte das Forças Armadas, envolvida no desastroso governo Bolsonaro, tenta se descolar do núcleo de pessoas mais influentes, dirigido pelo guru Olavo de Carvalho, tendo em vista o desgaste que a instituição tem sofrido.

     

     

     

    A mais recente pesquisa do IBOPE, publicada na Revista Piauí, detectou uma queda brutal, em seis meses, de 14 pontos percentuais, no apoio da população a governos militares. Tudo indica que está em curso o isolamento de Bolsonaro, como uma presa, para o ataque final. E pode ser rápido.

     

     

    O golpe descarrilou o Brasil e as forças políticas no poder não conseguem recolocá-lo novamente nos trilhos. A inflação voltou com força, fechou o primeiro trimestre em quase 5%, com expectativa de alta. O desemprego se alastra de forma assustadora, chegando a 12,4%, com 13,4 milhões de trabalhadores no olho da rua. O dólar girando a R$ 4,00, com economia em recessão e projeção de queda do PIB para menos de 1%, em 2019, depois dos últimos três anos em recessão, com taxas de 1%.

     

     

    A queda de confiança dos investidores, no Brasil, detectada em pesquisas nos últimos dias, tem causado forte temor de fuga de capitais em nível elevado e de o país mergulhar numa crise sem precedentes.1

     

     

    A vizinha Argentina, submetida à mesma política econômica de Bolsonaro e Temer, com drásticos cortes de investimentos, pelo governo neoliberal de Macri, levou o país a uma profunda crise econômica, com hiperinflação, desemprego em massa e recessão. A contaminação do Brasil é iminente. Afinal, a Argentina é a maior parceira comercial do Brasil, no Mercosul.

     

     

    Lá, o povo abandona Macri e quer Cristina Krichner novamente no governo. Ela lidera as pesquisas para as próximas eleições, com 9% dos votos à frente de Macri. Apesar da tentativa da banda parcial do Judiciário, de decretar a prisão dela e impedi-la de concorrer às eleições no dia 27 de outubro, como o ex-juiz Sérgio Moro fez aqui, com o ex-presidente Lula.

     

     

    Europa e Ásia se arrumam num mega bloco econômico e o governo só pensa em Israel e Venezuela

     

     

    No plano internacional, a União Europeia se arruma com a China, com um imenso acordo comercial e de investimentos, assinado recentemente. Ferrovias, rodovias, portos, aeroportos, serão construídos para favorecer o mercado continental eurasiano.

     

     

    Não se ouve nenhum comentário dos ministros Ernesto Araújo e Paulo Guedes sobre esse projeto, que tem tirado o sono dos Estados Unidos. Venezuela e Israel não saem do pensamento de Ernesto Araújo e de Bolsonaro. E de Paulo Guedes, a Reforma da Previdência, como panaceia para resolver o problema da crise econômica que se agrava no país. Eles estão totalmente alheios ao nevoeiro que se forma no horizonte. Os investidores parecem ter concluído que com esse governo não dá para seguir viagem.

     

     

    A tentativa de envolvimento do Brasil no conflito interno da Venezuela não deu certo. A estratégia de Jair Bolsonaro, de conquistar apoio entusiasmado do eleitorado dele com essa aventura deu efeito contrário. Foi rejeitada pelos brasileiros, segundo pesquisas de opinião, e por oficiais das forças armadas, entre esses o vice, General Hamilton Mourão, que desautorizou Bolsonaro e seu chanceler Ernesto Araújo, nas reuniões de Lima e Caracas.

     

     

     

     

    Cortes na educação, porte de armas e envolvimento da família Bolsonaro com o crime organizado

     

     

    Reforma da Previdência se arrasta na Câmara e desidrata a popularidade do governo, com a maioria da população contra. Não tem votos para aprovar a proposta.

     

     

    O levante da educação frente aos ataques de Bolsonaro e de seu desqualificado ministro, Abraham Weintraub, com os cortes de recursos das universidades públicas, deve incorporar outras categorias e forças políticas para o enfrentamento, nas ruas, da destruição institucional do país.

     

     

    Os cortes de recursos da educação são cortes nos mais profundos desejos da população, de mais investimentos na área. As primeiras manifestações indicam forte reação de professores, alunos, familiares, e da população, em geral. O Brasil não quer presídios, quer escolas.

     

     

    As investigações do envolvimento de familiares de Bolsonaro com a organização criminosa de milicianos, no Rio de Janeiro, crepitam com mais intensidade nos subterrâneos do Ministério Público e da polícia civil, agora com o pedido de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico, do senador Flávio Bolsonaro.

     

     

    Uma medida recente que deve expor a provável rede clandestina de ligação da família Bolsonaro com a organização criminosa dos milicianos, possivelmente, de alguns milicianos com o presidente da República. As fotos postadas nas redes sociais mostram claramente a intimidade da família com milicianos que já estão presos.

     

     

    Depois do desabamento de três prédios na cidade do Rio de Janeiro, construídos pela organização criminosa, matando 24 pessoas, os milicianos e os vínculos com a família Bolsonaro tornaram-se um dos maiores escândalos a céu aberto do país.

     

     

    O ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, tem obrigação de prestar toda assistência necessária aos órgãos que estão investigando, para que os criminosos e os envolvidos sejam levados aos tribunais. Entre esses crimes, a apresentação à sociedade dos responsáveis e do possível mandante, da execução da vereadora Marielle Franco, aguardada pelo Brasil e pelo mundo.

    Mas não se percebe o devido empenho de Sérgio Moro.

     

     

    Aliás, a apreensão de 117 fuzis na casa de um miliciano, vizinho do presidente da República, na Barra da Tijuca, é um indício considerável de que a organização criminosa pode ter ligações com o tráfico internacional de armas.

     

    Relatório da ONU calcula que o tráfico internacional de armas movimenta cerca de US$ 2,3 trilhões de dólares, no mundo.  A maior concentração do comércio de armas no Brasil ocorre na cidade do Rio de Janeiro.

     

     

     

    O ex-juiz Sérgio Moro tem o dever institucional de determinar à Polícia Federal, já que é sua atribuição, a instauração de um processo de investigação, à parte, do tráfico de armas.

     

     

    Enquanto isso, Jair Bolsonaro brinca com armas, assina decreto ampliando o porte e instiga a população à violência.

     

     

    O tráfico internacional de armas deve estar muito contente com essas medidas. A campanha contra o Estatuto do Desarmamento sempre despertou desconfiança de que o tráfico internacional de armas estaria por trás da pregação obsessiva de que todo brasileiro deveria ter uma arma. Depois dos Estados Unidos, o Brasil é o maior mercado das Américas.

     

     

    Fake news no STF, Caixa 2 no TSE e no “laranjal” do PSL

     

     

    Sem muito alarde, o Supremo Tribunal Federal avança na investigação das fake news plantadas contra membros da corte. O fio dessa meada pode dar no processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral, sobre o Caixa 2, financiado por um pool de empresas para impulsionar fake news, usadas à exaustão, na eleição de Bolsonaro.

     

     

    As “candidaturas laranja”, do PSL, partido que elegeu Jair Bolsonaro, usadas para subtrair o dinheiro do Fundo Partidário, também estão sendo investigadas. São fortes os indícios de conexões de financiamento de campanhas, por Caixa 2, das candidaturas de deputados, senadores, com a de presidente da República.

     

     

    A convergência dessas investigações tende a respaldar o ministro Jorge Mussi, relator do processo contra Jair Bolsonaro, no TSE, em possível decisão sobre a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, por crime eleitoral.

     

     

     

    O  Congresso assume poder moderador e pode descartar Bolsonaro

     

     

    O melhor dos mundos seria um grande acordo de todas as forças políticas democráticas, representativas de todos os setores da sociedade, para um grande debate e realização de um pacto nacional pela democracia, como foi feito na Campanha das Diretas. Convocar a população para ir às ruas e às urnas em novas eleições. Mas falta um Ulysses Guimarães, um Tancredo Neves.

     

     

     

    Rodrigo Maia e David Alcolumbre, presidentes da Câmara e do Senado, têm essa oportunidade, mas parece que falta a eles estaturas suficientes para fazer o que deve ser feito: aliar-se ao povo e assegurar a democracia. Instalar uma CPI a fim de investigar todos esses indícios de envolvimento de Jair Bolsonaro com o crime organizado e deter o desmonte institucional do país. Há muitos fios desencapados no governo.

     

     

     

    Tudo isso vai depender, evidentemente, da situação econômica e política do país nos próximos meses. O conflito entre alas nas forças armadas não deve ser desprezado. Fala-se na limpeza do governo, dos lunáticos “terraplanistas”, que recebem comandos do “desocupado e esquizofrênico” Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, filhos e ministros, como o denominou o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência da República.

     

     

    As antenas do Congresso estão ligadas. As derrotas do governo nas recentes votações são sintomas de que o Congresso pode estar chamando para si a saída política.

     

     

    Bolsonaro não conseguiu formar sua base parlamentar, a essas alturas, por um motivo simples: há percepção evidente de que o governo está dando errado, e que ele não despertou confiança, nem nele próprio nem no conjunto de despreparados que o apoia.

     

     

     

    Os parlamentares sentem que seria imprudente amarrar os mandatos no futuro incerto. O script está muito parecido com o que aconteceu com José Sarney e Fernando Collor, quando o polo de poder foi deslocado do Executivo para o Congresso. A debilidade dos governos deu espaço para isso.

     

     

    Como dizia o “Senhor das Diretas”, Doutor Ulysses Guimarães: “o deputado mais bobo da Câmara se elegeu deputado”. Ou seja, eles sabem qual o limite do apoio aos governos. Todos vão se deparar com eleitores nas ruas e nas urnas e terão que dar explicações.

     

     

    A percepção da sociedade os deixa apreensivos, ainda mais com a queda – bastante acentuada nas últimas pesquisas – da popularidade de Bolsonaro e do prestígio das Forças Armadas. Os próximos meses reservam surpresas.

     

     

     

    A mídia oligárquica costuma abandonar o barco quando a opinião pública contra o governo começa a dar sinais evidentes de insatisfação. Depois é a vez do Congresso, que é quem investiga, processa e afasta o presidente da República. Esse tem sido o roteiro dramático do Brasil.

     

     

    O país está a caminho de um impasse. Vai depender do isolamento de Bolsonaro tramado por forças políticas do Congresso, do Judiciário e da ala de oficiais das forças armadas que tem demonstrado frustração e incômodo com o uso da instituição, por Bolsonaro, como fonte de prestígio perante a população.

     

     

    Fica cada vez mais evidente que o governo não se sustenta e que o afastamento de Bolsonaro virá. Não se sabe ainda se por meio de impeachment ou renúncia.

     

     

     

     

  • Capatazes e jagunços ainda são os mesmos e as aparências não enganam não

     

     

     

     

     

     

     

     

    Eles gostam dos salões de palácios, de sinecuras, honrarias, fardões de gala, medalhas, e subserviência. Afinal, são filhos das cortes, servidores e protetores de monarcas, dos negócios de proprietários e rentistas, tutores “da lei e da ordem” ao longo da história.

     

     

    Ainda são muito atrasados, não se civilizaram. Não conseguem sequer ser republicanos, democratas, cidadãos como os das sociedades modernas, desenvolvidas. Parecem viver como sebastianistas, sonhando com a monarquia engolida pelo tempo.

     

     

    Como têm prerrogativas de uso de armas e de canetas para ameaçar os poderes democráticos constituídos, mandar pessoas para os cárceres, costumam demonstrar que os demais poderes da República são subordinados aos seus desígnios.

     

     

    Assim se formam os poderes marginais.

     

     

    Quando militares e policiais rompem com os fundamentos da hierarquia e da disciplina, inscritos na Constituição, viram bandos armados.

     

     

    Quando magistrados condenam apenas com base em convicções próprias, sem provas, à margem da Constituição e da Lei,  do devido processo legal e das garantias legais, usam politicamente as instituições públicas para favorecer grupos políticos e econômicos nacionais e internacionais, vê-se que o país está dominado por déspotas, inimigos da democracia.

     

     

    Quando deputados e senadores corruptos se juntam com ministros de tribunais para forjarem falso processo por crime de responsabilidade, a fim de cassar o mandato de uma presidente da  República honesta, democraticamente eleita, para no lugar dela colocar um vice-presidente comprovadamente corrupto, seria possível dizer que o país  foi vítima de um golpe de uma organização criminosa?

     

     

    Em 1988, em pleno funcionamento do Congresso Constituinte, o general Leônidas Pires Gonçalves, na época Ministro do Exército, atravessou a Esplanada dos Ministérios, com seu staff militar, para ir ao gabinete do presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, ameaçá-lo com a possível volta dos militares ao poder, caso não fosse inserida na Constituição a tutela militar,  sintetizada na expressão  “defesa da pátria, da lei e da ordem”. Assim o artigo 142 foi imposto e vigora como se os demais poderes da República fossem subordinados a ele.

     

     

    Salvo as devidas exceções, as forças armadas militares, policiais, judiciárias e políticas, dominantes, sempre estiveram do lado dos poderosos, na manutenção da “ordem” do Estado colonial, imperial, republicano, que manteve a escravidão e o extermínio de indígenas por bandeirantes facínoras, dos senhores do tráfico, comércio e escravização dos negros, açoitados nos pelourinhos, humilhados e ofendidos séculos a fio.

     

     

    Capatazes e jagunços seriam magistrados, policiais e militares da época. Era quem decidia sobre encarceramentos e outras barbaridades, com base em convicções próprias. Guardadas as devidas exceções, a empáfia e a ideologia dessa gente permanecem encrostadas no Estado contemporâneo como herança  perversa e bizarra, expressa no governo Bolsonaro.

     

     

    No Brasil, os defensores da “ordem” homenagearam exterminadores de nações indígenas, de quilombos, com nomes em palácios, monumentos, rodovias, como em São Paulo, o Palácio dos Bandeirantes, rodovia Raposo Tavares, Fernão Dias, até Rede Bandeirantes, ruas, praças e edifícios públicos, Palácio Anhanguera, em Goiânia, e em cidades espalhadas por todo o país.

     

     

    Em nome da “ordem colonial, imperial, republicana”, enforcaram, decapitaram, esquartejaram, salgaram, corpos de Felipe dos Santos, Tiradentes, Antônio Conselheiro, Zumbi dos Palmares, Lampião e muitos outros. Exterminaram inúmeras nações indígenas. Na ditadura militar instaurada em 1964, prenderam, torturaram e mataram muitos brasileiros, hipocritamente “em defesa da democracia”.

     

     

    A ladainha da “ordem” é a mesma do golpe civil-militar da República, dado para  reprimir os escravos libertos e proteger interesses da coroa portuguesa e inglesa, de seus descendentes,  e de outros golpes civis-militares, como o de 1964 e de 2016, também para proteger negócios de grandes banqueiros, de grandes impérios empresariais, nacionais e internacionais.

     

     

    Além disso entregar as riquezas do país como petróleo e gás, minério, terras, e agora a entrega da Amazônia.

     

     

    Guardadas as devidas exceções, o sistema estatal formado por forças armadas militares, policiais, judiciárias e políticas conservadoras, sempre protegeu os poderosos, interesses das nações centrais, principalmente dos Estados Unidos,. Sempre foi inimigo da democracia e indiferente às aviltantes desigualdades sociais, às condições de vida dos pobres e dos trabalhadores.

     

     

    As estatísticas estão aí para mostrar a realidade. Os seis brasileiros mais ricos têm o mesmo patrimônio dos 100 milhões da base da pirâmide social, a grande maioria formada por negros, escravizados durante 350 anos, e indígenas, e seus decendentes, abandonados à própria sorte nas periferias das cidades brasileiras em condições subumanas. Segundo estudos da Anistia Internacional, as forças policiais brasileiras são as que mais matam no mundo. A grande maioria dos mortos, negros.

     

     

    Os golpes civis-militares no Brasil não foram para assegurar democracia coisa nenhuma.

     

     

    Essa mentira repetida tantas vezes precisa ser abatida. Foi para garantir que, com a violência do Estado, fossem mantidos e aperfeiçoados os mecanismos de acumulação do capital e apropriação de bens e serviços públicos pela minoria rica do topo da pirâmide social, por grandes corporações e bancos nacionais e internacionais, privilégios de classe e a exploração cruel do trabalho dos de baixo.

     

     

    Com a mão de ferro dessas forças, o Brasil tornou-se o país mais desigual do mundo, segundo pesquisas publicadas no best-seller, O Capital no Século XXI, do economista e acadêmico francês Thomas Piketty.

     

     

    O lucro líquido dos quatro maiores bancos saltou, em 2018, de R$ 65 bilhões para R$ 73 bilhões. Somente o Banco Itaú, o lucro foi de R$ 24.977 bilhões, o maior da história do sistema financeiro brasileiro.

     

     

    Os bancos levaram, de perdão de dívida, do golpista Michel Temer, R$ 62 bilhões. O mesmo Michel Temer perdoou R$ 47,4 bilhões de dívidas de tributos de grandes empresas, um dos maiores volumes de recursos públicos perdoados, enquanto cortou de programas sociais destinados às camadas mais pobres, e congelou investimentos da área social por 20 anos. O golpe de estado que derrubou a ex-presidente Dilma foi para essas e outras falcatruas.

     

     

    Aqui impera um dos mais injustos sistemas tributários do mundo, onde 71.000 milionários recebem anualmente R$ 300 bilhões a título de lucros e dividendos, valor sobre o qual são isentos de imposto de renda.

     

     

    Os grandes produtores rurais estão conversando com o governo do capitão Bolsonaro, a fim de obter perdão de dívidas no valor de R$ 75 bilhões. Enquanto isso desmontam e cortam recursos das políticas sociais de inclusão e proteção social.

     

     

    Na proposta de reforma da previdência social, colocaram a questão da idade mínima e tempo de contribuição como biombo, para esconder o objetivo maior da reforma, que é retirar da Constituição a contribuição do empresariado e perdoar R$ 450 bilhões de dívidas das grandes empresas, principalmente estrangeiras, que não  têm nenhum compromisso com o país. O que lhes importam são os lucros que carreiam daqui para as nações centrais.

     

     

    No entanto, os governos que tentaram, com políticas públicas de distribuição de renda, reduzir a desigualdade e promover a soberania do Brasil foram derrubados.

     

     

    A condenação sem provas e a prisão do ex-presidente Lula, a maior liderança popular do país,  por razões puramente políticas, pelos mesmos  que se dizem “combatentes da corrupção” ,  “defensores da pátria”, da “ordem” e da “democracia”, é a mais sagrada prova de que os capatazes e jagunços ainda são os mesmos e as aparências não enganam não.

  • A Praça de guerra dos Três Poderes

     

     

    Foto: Laurez Cerqueira

     

     

     

     

     

     

     

    Entrincheirados na Praça de Guerra dos Três Poderes, o Supremo Tribunal Federal, o Congresso Nacional e o governo disparam uns contra os outros.

     

    Alvejados pela Lava Jato, com a prisão de Temer e Moreira Franco, o STF, o Congresso Nacional, e particularmente a Câmara dos Deputados, preparam contra-ataques. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se descola de Bolsonaro.

     

    Parece até que a Lava Jato cumpre instruções, depois da visita do ex-juiz Sérgio Moro e de Jair Bolsonaro à CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos).

     

    A Lava Jato coloca em xeque o STF, que é quem, em última instância, pode  mandar soltar os dois golpistas descartados pelo sistema, arcando com o desgaste da decisão na opinião pública.

     

    Coloca na berlinda Rodrigo Maia, casado com a enteada de Moreira Franco, conhecidos na lista de propinas da empreiteira Oderbretch, respectivamente como “Botafogo” e “Gato Angorá”.

     

    Maia não anda obedecendo comandos do governo, de colocar em votação as tais medidas anticrime de Moro e não está correspondendo à expectativa de aprovar a reforma da previdência do banqueiro Paulo Guedes.

     

    O ataque deixou sinais evidentes de que, depois do desabamento do governo nas pesquisas e da viagem aos Estados Unidos, Bolsonaro e Moro tendem a usar a Lava Jato como arma para constranger e tentar subordinar o Congresso, o STF, e outros tribunais superiores.

     

    Os sinais são de que a Lava Jato ensaia um semestre de prisões a torto e a direito como estratégia para encobrir o desastre do governo, negócios e negociatas de entrega do patrimônio público, a falta de projeto e de saída para a crise econômica, política e institucional do país.

     

    Agonizando no desprestígio, depois de ser desmascarada, revelada como organização política que persegue adversários e protege os seus, a Lava Jato poupou Michel Temer e outros políticos corruptos enquanto interessavam ao golpe.

     

    Procuradores afirmam que o esquema de corrupção de Temer funciona há mais de 40 anos e que foram desviados um total de mais de R$ 1,8 bilhões. Então chegou a hora do descarte dos artífices do golpe de estado, é isso? Se é isso, Romero Jucá, José Serra, Aloysio Nunes Ferreira, Aécio Neves, e outros, também serão presos?

     

    O STF foi parte do golpe. Engavetou a ação de inconstitucionalidade do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, mantém o ex-presidente Lula preso, negando a ele o recurso a que tem direito sobre a decisão da Segunda Instância.

     

    A Lava-jato foi tardiamente enquadrada pelo STF. Só depois de barrada a candidatura de Lula à presidência da República é que foram decididas a transferência dos processos sobre “caixa dois” para o TSE e o impedimento de os procuradores botarem a mão em R$ 2,5 bilhões da Petrobras para, entre outras finalidades propostas por Deltan Dallangnol, remunerar polpudas palestras deles, de magistrados e outros espertalhões.

     

    A tensão aumentou depois da determinação do presidente do STF de mandar investigar quem paga as empresas para impulsionar fake news de ataque ao tribunal e seus integrantes.

     

    Melhor seria aproveitar a oportunidade e mandar investigar as denúncias de “caixa dois” que pagou o pool de empresas impulsionadoras das fake news e as “candidaturas laranja” na eleição do presidente da República.

     

    O processo que investiga as denúncias de fraude eleitoral está nas mãos do ministro do TSE, Jorge Mussi, mas nada acontece.

     

    Nessa guerra entre cúmplices da destruição institucional do país, o STF e o Congresso têm muito mais balas nas agulhas. Podem revidar com instalação de processos de investigação sobre as violações da Constituição e das leis por integrantes da Lava Jato e de tribunais de justiça de primeira instância.

     

    Caso insista na beligerância com as demais instituições da República, Sérgio Moro, o juiz Marcelo Bretas, procuradores e policiais federais, poderão acabar nos bancos de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional, diante das câmeras, para prestarem conta das flagrantes violações da ordem jurídica do país, de certas transações com o Departamento de Estado e com os serviços de inteligência dos Estados Unidos, aos quais sequer o Congresso Nacional teve acesso.

     

    Por outro lado, parece que Moro esqueceu que, se pretende ser ministro do STF terá que beijar a mão de muitos senadores. Afinal, quem aprova ou rejeita o nome de ministros dos tribunais superiores é o Senado.

     

    Além disso, uma retirada cirúrgica do capitão Jair Bolsonaro do cenário político pode evoluir com as investigações sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. O Ministério Público do Rio de Janeiro diz ter provas mais que suficientes para condenar os dois ex-policiais militares presos acusados de serem os assassinos de Marielle. As relações dos milicianos presos com a família Bolsonaro são de muita intimidade.  Falta muito pouco para se chegar aos mandantes.

     

    O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, se quiser entrar para a história, deve sair da condição de office boy de Jair Bolsonaro na Câmara,  bancar uma CPI que investigue as ligações da família Bolsonaro com as milícias no Rio de Janeiro, o possível envolvimento com o assassinato de Marielle, as denúncias de uso de “caixa dois”  no financiamento da campanha eleitoral do presidente da República e o desvio do dinheiro do Fundo Partidário, do PSL, nas “candidaturas laranja”.  Ou a responsabilidade de integrantes da Lava-jato pela quebra de grandes empresas brasileiras de engenharia.

     

    A cirurgia pode ser rápida. Se o TSE também decide ir fundo nas investigações das fake news, do “caixa dois” das “candidaturas laranja”, a chapa Bolsonaro-Mourão pode ir para o espaço.

     

    Rodrigo Maia assumiria, por um período de 90 dias, para realizar novas eleições.

     

    Esse seria o melhor dos mundos para a democracia e para o país. O povo seria chamado a realizar um grande debate nacional e decidir o destino do país. Mas os entrincheirados da Praça dos Três Poderes não demonstram preocupação com o país. Parecem dominados por suas vaidades pessoais. Faltam lideranças de porte, gente como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Lula, Leonel Brizola.

     

    Enquanto isso, a economia afunda, o desemprego estrutural explode, a pobreza se espalha pelos campos e cidades e o país derrete institucionalmente.

     

    O Brasil poderia ter dado um salto civilizatório extraordinário, se a Lava-jato fosse realmente uma ação de combate à corrupção, instituída para esse fim, e agisse respeitando os marcos legais e a Constituição. Mas revelou-se uma organização política. Não se combate a corrupção corrompendo a Constituição, as leis e os direitos dos cidadãos, por mais errados que sejam.

     

  • Eis o governo Bolsonaro, à sua imagem e semelhança

     

     

     

     

     

     

    Sem projeto e à deriva, o governo se desintegra num turbilhão de erros e contradições inimagináveis. No Congresso, não consegue sequer articular a base de sustentação, mesmo o PSL, partido de Jair Bolsonaro, tendo a maior bancada na Câmara.

     

     

    Sob investigação do Ministério Público por denúncia de uso de “candidaturas laranja” para desviar dinheiro do fundo partidário, o PSL tornou-se uma bola de ferro amarrada no pé do governo.

     

     

    Arma-se o balcão de negócios, a velha política do “toma lá, dá cá”, mas mesmo assim não dá liga. Está instalada a incerteza com o futuro do governo, o racha na cúpula militar e o duplo comando. Além disso, nada proposto para a saída da crise econômica e social.

     

     

    No desmoralizado judiciário, as forças políticas internas alinhadas com o golpe de Estado, com o governo e seu representante, o ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro, dissolvem as bases da justiça, inscritas na Constituição de 1988, e mergulham no mar da indecência. Mantém o ex-presidente Lula preso, condenado sem provas, e, livres, corruptos de estimação de certos magistrados: Michel Temer, Aécio Neves, José Serra, Aloysio Nunes, Romero Jucá, e tantos outros que no los puedo contar. Talvez por serviços prestados ao golpe.

     

     

    No Executivo, os ministros do governo Bolsonaro têm sido lembrados predominantemente pelo despreparo, pelas trapalhadas, revezes, por estarem sendo investigados por corrupção, ou pela bizarrice. A incompetência demonstrada, inoperância e decisões atabalhoadas estão colocando o Brasil no rol de países de governos caricatos.

     

     

    O caso mais emblemático é, sem dúvida, o próprio Jair Bolsonaro, apontado como neófito, “desprovido das condições mínimas para o exercício do mandato presidencial” pelo conservador jornal O Estado de São Paulo, em editorial, logo após a desastrosa participação dele no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Percebendo o desastre, outros jornais, TVs e rádios começam a apontar os erros do governo.

     

     

    No governo, montado à imagem e semelhança de Bolsonaro, ministros como Damares Alves ganham notoriedade por tolices e aberrações, tornam-se figuras folclóricas e motivo de chacota mundo afora.

     

     

    Ernesto Araujo, com sua diplomacia servil, tenta empurrar o Brasil para o conflito com a Venezuela. Ele e o chefe, Jair Bolsonaro, foram desautorizados publicamente pelo vice, Hamilton Mourão, de forma constrangedora, nas reuniões de Bogotá e Lima. Ou seja, o desgoverno transborda pelas fronteiras do país.

     

     

    Araujo e Bolsonaro criam problemas diplomáticos e comerciais no oriente médio, manifestando apoio a Benjamin Netanyahu, indiciado pelo Ministério Público israelense por dois crimes de corrupção, e com a ideia de mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém (Exportações para 22 países da Liga Árabe, US$ 9,3 bilhões); criam problemas com a China, nosso maior parceiro comercial (US$ 53,2 bilhões); e com o Mercosul (US$ 18,8 bilhões, em 2018).

     

     

    A China anunciou que vai comprar produtos agropecuários dos Estados Unidos, os mesmos produtos comprados do Brasil. Caso Araújo insista na sua desastrada diplomacia servil, países do oriente médio podem optar também por comércio com outros países.

     

     

    Tereza Cristina, ministra da Agricultura, conhecida como “musa do veneno”, cria barreiras sanitárias para as exportações do país. O lobby dos laboratórios colocou em sua mesa 131 pedidos de liberação de novos agrotóxicos. Somente na segunda semana de janeiro foram liberadas 28 substâncias químicas, consideradas perigosas e muito perigosas para o uso agrícola. Substâncias, na grande maioria banidas dos países desenvolvidos.

     

     

    O ministro Ricardo Salles, inimigo do meio ambiente, condenado na justiça por improbidade administrativa, demitiu 21 superintendentes do IBAMA, para, evidentemente, nomear indicados pelos setores do agronegócio, da mineração, e facilitar licenças ambientais. Com isso, demonstra que, na área de meio ambiente, atropelará tratados assinados pelo Brasil e trombará com organismos internacionais como um lobista de grandes negócios.

     

     

    O controvertido ministro Sérgio Moro, fincado como estaca moral do governo, vê sua imagem se desfazer como a de um boneco de areia ao vento. Em recente episódio, indecente, nomeou e demitiu Ilona Szabó, do Conselho Nacional de Política Criminal, a maior especialista em segurança pública do país, depois de pressões de militantes bolsonaristas nas redes sociais.

     

     

    No tal “pacote antecrime”, Moro voltou atrás na criminalização do Caixa 2, classificado por ele, no auge da Lava Jato, como “pior que corrupção”. Agora, depois das “candidaturas laranja” do PSL, partido do presidente, Moro diz que Caixa 2 não é crime tão grave. Dias antes, o ministro Onyx Lorenzoni, réu confesso dessa atividade ilícita e investigado a pedido da Procuradoria-Geral da República, foi defendido por Moro com uma frase lapidar: “Ele já admitiu e pediu desculpas”. Ou seja, está perdoado?

     

     

    O colombiano Ricardo Vélez Rodrigues, ministro da educação, na esteira da patética militarização do ensino, assinou a infame carta às escolas induzindo filmagens, sem autorização, de alunos e professores cantando o hino nacional. Inerte na própria incompetência, ele e seu capitão querem transformar a educação num ringue. Anunciaram ataques a universidades e escolas, com uma tal “Lava Jato na Educação”, na tentativa clara de impor ideologia fascista no ensino.

     

     

    Paulo Guedes, ministro da Fazenda, com sua pauta do mercado, para o mercado e pelo mercado, vende a ideia da reforma da previdência e as privatizações como panaceia para o problema da economia. Enquanto a crise se agrava sem nenhuma iniciativa concreta do governo. Resumiu-se num governo de negócios.

     

     

    Outros ministros desapareceram na burocracia. Por exemplo, o que anda fazendo o astronauta Marcos Pontes, ministro da Ciência e Tecnologia? Em viajem a Israel atrás da tecnologia de dessalinização? Cientistas brasileiros tornaram o Brasil referência internacional nessa tecnologia.

     

     

    Empresários de alguns setores já admitem erro por apoiar o golpe de Estado e a eleição de Bolsonaro, com subordinação colonial aos Estados Unidos. Ainda mais com a perspectiva de prolongada recessão econômica naquele país, já em 2019.

     

     

    Jorge Paulo Lemann, apoiador de primeira hora do golpe, financiador da eleição de Bolsonaro, acaba de contabilizar um prejuízo de US$ 10,2 bilhões e uma depreciação de US$ 15,4 bilhões nos ativos da Kraft Heinz.  Perdeu o posto de homem mais rico do Brasil.

     

     

    Os recentes dados da economia brasileira são desanimadores: pífio crescimento do PIB, de 1,1%, dois anos seguidos (2017 e 2018), com projeção de 2,2%, em 2019, segundo o Banco Mundial, desemprego estrutural chegando a 13 milhões de pessoas e aumento em dobro do déficit das transações correntes, que atingiu US$ 14,511 bilhões, em janeiro.

     

     

    A nomeação de dezenas de militares de pijama para ocupar importantes cargos no governo parece ser outro problema que começa dar sinais de travamento. Militares sem patentes, salve raras exceções, costumam ser burocratas paquidérmicos, pouco criativos, sem iniciativa, amarrados na hierarquia e na disciplina. A coisa não anda.

     

     

    Logo após a eleição de Jair Bolsonaro, o Centro Cultural Banco do Brasil  (CCBB), em Brasília,  onde se instalou o gabinete de transição de governo, parecia um formigueiro, tão grande o número de parentes e aderentes de militares, pastoras e pastores de igrejas evangélicas, de políticos, apoiadores do presidente eleito, e até de amantes, em busca de uma boquinha, de uma nomeação para o novo governo.

     

     

    Provavelmente, os requisitos mais valorizados para as nomeações não foram currículos com a devida qualificação para os cargos, mas ter vestido uma camiseta amarela, ido às manifestações a favor do golpe de Estado, postado fotos e impulsionado fake newsnas redes sociais. Ser seguidor do astrólogo Olavo de Carvalho, acreditar que a terra é plana, ser inimigo da democracia, do que é público e dos direitos civilizatórios.

     

     

    O fato é que a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e os órgãos federais espalhados por todo o país, hoje parecem ter sido transformados num imenso cabide de empregos, com pessoas nomeadas sem as condições mínimas para o exercício de importantes funções publicas. A começar pelos cargos do primeiro e segundo escalões até os de assistentes e auxiliares.

     

     

    Informações escapadas das paredes dos ministérios e dos demais órgãos que compõem o governo são assustadoras. O governo está paralisado, não funciona, devido a absoluta incompetência e preconceito ideológico. Pessoas nomeadas cumprem horários de expediente sem produzir absolutamente nada, por não saberem fazer as tarefas elementares para as quais foram nomeadas. Outras, completamente despreparadas, sequer sabem se comportar numa reunião, debater e encaminhar decisões por não dominarem os assuntos da área.

     

    Eis o governo Bolsonaro, montado à sua imagem e semelhança.

  • Lança-chamas sobre o Palácio do Planalto

    Foto: Valter Campanato Agência Brasil

     

     

    Depois dos lança-chamas de Gustavo Bebianno sobre o Palácio do Planalto, o jogo saiu da fase “presidente trapalhão” e saltou para a de “o que fazer com Jair Bolsonaro”.

     

    A palavra impeachment voltou a ecoar entre as paredes dos gabinetes da Praça dos Três Poderes, em Brasília.

     

    O episódio dos áudios de diálogo entre o ministro Gustavo Bebianno e o presidente, expôs ainda mais, com riqueza de detalhes, o comentado desequilíbrio, as fraquezas, e o absoluto despreparo de Jair Bolsonaro para exercer a Presidência da República. Não há mais dúvidas. 

     

    Isso  já é reconhecido pelos grandes grupos de imprensa em editoriais contundentes.

     

    Além disso, o presidente tem sua família investigada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal. Até mesmo sua esposa, Michelle Bolsonaro, devido a movimentação de vultosas quantias de misterioso dinheiro. Todos  envolvidos num liame com milícias do crime organizado. Uma completa desmoralização.

     

    Humilhado publicamente, Bebianno apresentou, como revide, provas cabais de que o presidente mentiu e que é uma pessoa mau-caráter. Trata-se de amostra dos bastidores da eleição e do governo de Bolsonaro, que escandalizaram o país.

     

    Bebianno riscou o chão para o enfrentamento. Os sinais são de que a escalada das revelações vai acontecer na medida do avanço das investigações sob responsabilidade e proteção de Sérgio Moro, ministro da Justiça e comandante da Polícia Federal. 

     

    Resta saber se nas mãos de Moro as investigações serão tratadas com o devido rigor e imparcialidade, como manda a lei, ou se o Ministério da Justiça e a Polícia Federal serão transformados em “Fornos Privilegiados” a fim de preparar convenientes pizzas para os banquetes do Palácio do Planalto.

     

    A ida de Bolsonaro ao Congresso para levar pessoalmente o projeto de reforma da Previdência, parece ser mais uma decisão intempestiva, em hora inconveniente, que certamente causará mais desgastes. 

     

    A entrega ostensiva de medida tão impopular, que subtrai direitos da população, alimenta ainda mais as chamas do incêndio. 

     

    Isso se faz quando o governante está politicamente em alta, em lua de mel com a população. Não é o caso.

     

    O escândalo das candidaturas “laranja” do PSL e os vídeos “lança-chamas” crepitam no monturo da base de sustentação do governo, no Congresso Nacional, com estragos difíceis de serem reparados. Uma base que sequer se consolidou.

     

    As denúncias têm potencial altamente explosivo. As  investigações, se feitas com o devido rigor e imparcialidade, podem revelar as conexões entre o Caixa 2 das “candidaturas laranjas” do PSL com o Caixa 2 que pagou as empresas impulsionadoras das fake news nas eleições. 

     

    Ou seja,  o futuro da chapa Jair Bolsonaro – Hamilton Mourão está no TSE. O processo sobre as fake news está no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas mãos do ministro Jorge Mussi, conhecido  como ministro durão, por não fazer concessões.

     

    Os últimos fatos envolvendo o governo bem que poderia encorajar o tribunal para tomar  uma decisão de acordo com a gravidade das denúncias.  

     

    A possibilidade de impeachment de Jair Bolsonaro ronda o Palácio do Planalto como uma nuvem carregada de raios mortais. O vice, General Hamilton Mourão, esfrega as mãos a espera da oportunidade de assumir o lugar do capitão.

     

    Vai depender do fechamento da fábrica de crises, de até onde vai o desgoverno, a decadência da economia e  os níveis de desemprego

     

    Outra possibilidade seria o titular aceitar a condição de “presidente decorativo”, com uma sala decorada com fantasias de poder, mas apenas com a tarefa de carimbar e assinar atos do governo.

     

    O ideal seria a realização de novas eleições. Proporcionar à população, num amplo debate nacional, a oportunidade de desfazer a fraude eleitoral e resgatar a democracia, mas o Congresso e os Tribunais são muito pequenos para decisões grandiosas.

  • O Brasil está sendo submetido à cultura da morte

     

     

     

     

     

     

     

    O Brasil vive a rebelião dos estúpidos e com ela a cultura mórbida da morte. Aliás, a  campanha eleitoral do atual presidente foi feita com louvação à morte, como a mais importante proposta de governo. Os gestos de matar, se utilizando até de crianças, os gritos de guerra, a pregação de que todo brasileiro deve ter uma arma em casa, estabeleceram no país a cultura da morte.

    Não bastassem os 62 mil assassinatos por armas de fogo no Brasil a cada ano, a grande maioria jovens negros, nunca se falou tanto em  armas e em matar. O próprio candidato Jair Bolsonaro foi vítima de uma tentativa de assassinato. 

    Por mais bizarro que pareça, o chefe da nação está hospitalizado e sua imagem associada a armas, à morte. Parece sintomático.

    Depois da posse, órgãos de fiscalização e controle descobriram ligações da família Bolsonaro com milícias, com o “escritório da morte”, formado por grupo de matadores de aluguel, no Rio de Janeiro. 

    Em seguida, o presidente dá o primeiro passo para armar a população, assinando decreto que dá direito aos cidadãos  de  terem até quatro armas de fogo em casa. 

    Na mesma semana, acontece a tragédia da Vale do Rio Doce,  depois das terríveis críticas de Bolsonaro, na campanha eleitoral, às leis ambientais e à ação dos órgãos de proteção da vida, que atrapalhariam os negócios das mineradoras e das empresas do agronegócio.

    As forças armadas e policiais trouxeram a morte para a vida dos brasileiros. Por serem instituições que, em vez de preparar os funcionários públicos que têm prerrogativa de uso de armas, para proteger, culturalmente preparam para matar. 

    Os ensinamentos, preponderantemente, giram em torno da arma e da construção do “inimigo”. Não há militarização sem a construção do inimigo, sem a presença da morte. 

    No Brasil, foi criada a figura do “inimigo interno”, desde tempos imperiais, ou seja, aqueles cidadãos que se organizam para defender seus direitos são considerados “inimigos internos”. No entendimento da Doutrina de Segurança Nacional, criada no período da ditadura militar, seriam, no Império, inimigos da coroa, e depois, das classes proprietárias e rentistas, protegidas por forças armadas, policiais e judiciárias.

    Como mais uma ação da cultura da morte, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, lançou o pacote de mudanças de leis  denominado por renomados juristas, “licença para matar”. 

    O conjunto de  medidas são avaliadas por eles como uma estupidez, que rompe com o  princípio do direito à vida. O Auto de Resistência,  relatório no qual, alegada legítima defesa, lavrado pelos próprios policiais, foi reforçado. A cultura da morte ganhou mais status.

    Não por acaso, há poucos dias, quatorze jovens, rendidos, de mãos na cabeça, segundo testemunham moradores, foram chacinados na favela do  Fallet, no Rio de Janeiro. Mais uma entre tantas outras chacinas. 

    Numa busca rápida no Google, é possível constatar que também em outras cidades estão ocorrendo matanças de jovens diariamente.

    O Ministério da Saúde fala na volta do choque elétrico como tratamento de doenças mentais. Uma prática abolida nos hospitais de países mais avançados do mundo.

    A ministra da Agricultura quer a liberação de agrotóxicos banidos na Europa para uso na produção agrícola e o ministro do Meio Ambiente, mudar a legislação para restringir a fiscalização e o controle de órgãos ambientais.

    Talvez faça parte dessa energia mórbida , que amalgamou  sobre  o Brasil, a morte de dez jovens atletas do flamengo, decorrente de negligências do clube, assim como a morte do jornalista Ricardo Boechart, num acidente com helicóptero, também apontado como possível negligência nos cuidados da aeronave. 

    Estão levando agora a cultura da morte, da doutrinação militar, para as escolas e com o componente da desonestidade: as escolas que foram preparadas anteriormente, que têm potencial de notas para o PISA (Programme for International Student Assessment), estão sendo escolhidas para serem militarizadas, a fim de atribuir à militarização  a melhora das notas dos alunos.

    Em Brasília, um cartaz do Prêmio Nobel da Paz, Nelson Mandela, foi retirado de uma escola. Vão colocar no lugar um cartaz do torturador Brilhante Ustra, o ídolo da morte?

    Em que parte do mundo o sistema educacional é militarizado? Por que não olham para a Finlândia, Noruega, Dinamarca, Suécia, Suíça, Holanda, França, e outros países, referências em educação, para a vida no mundo?

    Esses países estão fechando presídios,  transformando-os em centros culturais, hospitais, bibliotecas e outros destinos, que fazem parte da cultura da vida.

     

  • Tão tonto quanto Trump

     

     

     

     

     

     

     

     

    Jair Bolsonaro está só, fizeram dele um presidente decorativo, muito próximo do descarte.

     

    Posto à prova, em apenas um mês ficou evidente que ele não tem condições mínimas de presidir a República. Além disso, com a família sendo investigada por envolvimento com o crime organizado.

     

    Bolsonaro tenta imitar Trump, mas não consegue, torna-se figura ainda mais caricata.

     

    A desastrosa participação em Davos parece ter sido a gota d’água, agravada,  agora, com a montagem do gabinete presidencial dentro do hospital onde se internou para procedimentos cirúrgicos.  Mais uma decisão tempestuosa, descabida. Nunca se viu isso. Ou seja, o conluio de poder militar e mercado sentiu que com ele, com tantos descaminhos, não dá para seguir viagem.

     

    O vice, General Hamilton Mourão, muito ativo, avança sobre o território do amigo capitão, concede entrevistas à imprensa internacional em inglês fluente, para tentar amenizar o estrago na imagem do governo, em Davos, faz contrapontos em relação à reforma da Previdência, à restrição à presença do ex-presidente Lula no velório do irmão Vavá, à intromissão nas questões internas da Venezuela, ao pedido de tropas a Israel, completamente inadequadas para a tragédia da Vale, em Brumadinho, que provocou problemas internos nas forças armadas brasileiras, e outros assuntos pontiagudos do cenário político.

     

    O problema não é apenas Bolsonaro, mas o ministério dele, montado à sua imagem e semelhança, que está entrando para o folclore político do país como peças de teatro bufão. Pessoas como Damares Alves e Ernesto Araújo, entre outros, também não dispõem das condições mínimas para o exercício dos respectivos cargos. Ambos, com suas performances de causar vergonha, foram ridicularizados em renomadas TVs, jornais e revistas internacionais.

     

    Na mesma linha, o ministro Paulo Guedes está condenando o Brasil a uma sociedade de párias e castas, com a imposição de sua gana tudo pelo capital 

     

    De costas para o país, articula um governo de negócios. Todas as pautas da sua pasta são do mercado,  para o mercado e pelo mercado. 

     

    Nenhum anúncio de um benefício sequer, para o povo. Somente subtração de direitos, reversão da distribuição da renda, feita pelos governos Lula e Dilma, e agravamento do apartheid social. 

     

    A percepção do povo de que o governo é dos de cima, para os de cima, não vai demorar. As contradições são flagrantes.

     

    O mais perverso da elite econômica e tecnocrática é o desprezo que ela sente pelos pobres, brotado com tanta força nos últimos anos. Lembra as articulações da Casa Grande logo após a proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

     

    O governo provisório chegou a se reunir com fazendeiros, comerciantes e outros proprietários de escravos, para discutir um plano de deportar todos os negros libertos pela Lei Áurea, temendo que eles se organizassem e partissem para cima de seus algozes, seus senhores, que os escravizaram durante quase quatro séculos. 

     

    Isso foi retratado em peça de teatro, na época, na qual as maiores províncias, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, propunham mandar os negros para uma colônia em Mato Grosso, com o abolicionista, José do Patrocínio, como rei. Esse sentimento paira, hoje, como nuvem carregada de raios mortais sobre o Brasil.

     

    O espírito sombrio do governo Bolsonaro parece muito com o espírito daquele período. No governo dele, forças militares, policiais e judiciárias foram chamadas para proteger os negócios, os bancos e seus lucros astronômicos, a classe de proprietários de imensas extensões de terras e das grandes corporações extrativistas e  industriais. E o povo que se dane.

     

    A submissão dos militares governistas aos comandos do mercado tem demonstrado ser tão grande que parece que Paulo Guedes e seus auxiliares os colocaram numa salinha de aulas, antes das eleições, fizeram um up-grade na formação deles, retiraram tudo que havia de nacionalismo, patriotismo, instalaram o ódio a tudo que é público, venderam a ideia de “Estado mínimo”, como presente com laço de fita verde e amarela, os cooptaram para a tarefa de proteção dos negócios das grandes corporações nacionais e internacionais, e da entrega das riquezas do país.

     

    Proprietários e rentistas, e seus prepostos, desde a colônia, não se enraizaram. Continuam com os olhos voltados para além do Atlântico e para o hemisfério norte. Recentemente, o procurador Deltan Dallangnol e o vice-presidente, Hamilton Mourão, afinadíssimos, manifestaram ideias semelhantes sobre o povo brasileiro. 

     

    Mourão: “O Brasil herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas, e a malandragem dos africanos.”  

     

    Dallagnol: “Quem veio de Portugal para o Brasil foram os degredados, criminosos. Quem foi para os Estados Unidos foram pessoas religiosas, que buscavam  realizar seus sonhos, era um outro perfil de colono”.

     

    Parece que Mourão não se reconhece negro nem considera a escravidão, a violência racista, o genocídio de jovens negros.

     

    Dallagnol ignora que os ingleses (piratas) foram os maiores assaltantes do mar, os maiores traficantes de escravos do mundo, muito antes do tráfico internacional de drogas, e que os Estados Unidos nasceram com a mão no coldre, prontos para matar, assaltar, como fazem hoje no mundo com suas forças armadas, em conluio com o complexo industrial da guerra e do petróleo girando ações nas bolsas, na especulação do sistema financeiro.

     

    Assaltam países,  corrompem, derrubam governos, tomam petróleo, minério e outras matérias primas, escravizam,  constroem muros de discriminação como o do México. Odeiam cucarachos!

     

    Enfim, todos eles estão no mesmo barco, com as mesmas ideias sobre o Brasil, cada um com suas tarefas, dando sustentação ao homem do mercado, o banqueiro Paulo Guedes, com seu mapa da mina, mas com um grande problema: o que fazer com Bolsonaro?

  • Lula receberá o Premio Nobel da Paz, em Oslo* ou em Curitiba?

     

     

     

     

    Caso o ex-presidente Lula seja agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, a cela da Polícia Federal, em Curitiba, seria aberta, para ele ir a Oslo*, na Noruega?

     Se tudo acontecer como previsto, Lula deverá ser recebido no palácio iluminado, com toda magnificência, na cerimônia de honra, para a homenagem da família real, com microfones e câmeras dos quatro cantos do mundo voltados para aquele fato inédito.

    Negada a liberdade, pelo judiciário brasileiro, a comissão organizadora do Nobel viria ao Brasil, a Curitiba? A juíza Carolina Lebos permitiria a entrega do Prêmio pessoalmente, na cela onde ele se encontra preso, condenado pelo então juiz Sérgio Moro, com base numa farsa judicial, em acusações sem provas?

    Ocorra o que ocorrer, o Brasil corre o sério risco de ser submetido a uma situação de constrangimento mundial. O judiciário mais ainda.

    O problema é que falta a muitos magistrados senso de responsabilidade moral e consciência. Muitos deles com manifestações graves de alheamento social. Pessoas assim não sentem constrangimento.

    Isso tem sido demonstrado na permanente negação dos direitos líquidos e certos ao ex-presidente Lula, no tratamento cruel e desumano dado a ele, como no caso do sepultamento do irmão Vavá, e da recusa dos recursos impetrados ao judiciário.

    Os apoios de chefes de estado, da comunidade jurídica internacional, de acadêmicos, intelectuais, artistas, personalidades altamente respeitadas em todo o mundo, chegando a quase meio milhão de pessoas, agora com o despertar de parte da imprensa, como o jornal francês L’Humanité, fazem da iniciativa do Prêmio Nobel, Peres Esquivel, um movimento mundial, que está colocando em xeque  o judiciário brasileiro.

    No Fórum Mundial, em Davos, acompanhado de Sérgio Moro, seu ministro da justiça, Jair Bolsonaro teve uma participação desastrosa. A imprensa internacional teve oportunidade de ver de perto o presidente do Brasil e tirar suas conclusões.

    Não há mais dúvida, Lula é um preso político, refém de um regime fascista.

    (*) O Prêmio Nobel da Paz é o único que é entregue em Oslo.