Rio: cantos e encantos

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Numa caminhada da Lagoa a Ipanema, manhã quente, céu de azul infinito, peguei a sombreada Rua Vinícius de Moraes para um mergulho no mar, num dia de águas caribenhas.

Desde o início da Rua, percebi incríveis grafites com Tom e Vinicius estampados em fachadas de bares e tapumes, não consegui descobrir os autores. Tirei fotos ao lado das belas estampas.

Repentinamente, fui tomado por uma forte sensação de que estava pisando no chão da Bossa Nova. Mesmo tendo morado no Rio, no início da década de 1980, e frequentado o território, a sensação da força histórica me pegou.

Apesar de nascida e cultivada em Copacabana, Ipanema foi quem ficou com mais fragância da Bossa Nova.

Não só por causa da Rua Nascimento e Silva, 107, quando Tom ensinava pra Elizeth as canções do amor demais ou por causa da garota de Ipanema, aquela moça mais linda, mais cheia de graça,  desafinado o samba de uma nota só, do Corcovado, do barquinho. Chega de saudade! Mas por causa da iluminada presença de João Gilberto, Tom, Vinícius, e tantos outros músicos extraordinários, da música brasileira, que conseguiram erguer uma onda tão forte ao ponto de transbordar as fronteiras do Brasil e inundar o mundo com água de beber.

Para completar a jornada pela Rua Vinícius de Moraes, visitei a Toca do Vinicius, onde fui recebido carinhosamente pelo professor Carlos Alberto Afonso, um simpático senhor,  apaixonado e aguerrido lutador pela monumentalização da Bossa Nova. Já conhecia virtualmente a Toca, mas nunca havia visitado.

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Conversamos bastante. Ele sabe tudo do movimento, me contou muitas e boas, falou da sua luta, e me mostrou preciosidades.

Algumas delas, placas em cimento com gravações das mãos de Pixinguinha, de Maria Betânia, quando ela chegou ao Rio, para substituir Nara Leão, (Acometida por uma gripe), no espetáculo Carcará, no Teatro Opinião, e de muitos outros artistas e colaboradores.

Tem mãos gravadas de Chico Buarque, Edu Lobo, até de Lula, pela importância do governo dele por ter reconhecido a Bossa Nova como Patrimônio Histórico Imaterial.

Carlos Alberto dirige o Instituto Bossa Nova, uma entidade criada por uma associação de amigos, que visa popularizar o movimento, fazer chegar às comunidades mais distantes, um dos maiores patrimônios artísticos do Brasil e do mundo.

Viva a Bossa Nova! Viva o professor e lutador Carlos Alberto Afonso! Gente como ele cultiva e alimenta o Brasil que há em nós,  para crescermos fortes.

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