Sandálias havaianas se chamavam sandálias japonesas

Sandálias havaianas eram chamadas “sandálias japonesas”.
Vi um par, pela primeira vez, amarelinhas, nos pés rosadinhos e juntinhos de minha irmã, professora Ilídia, numa fila de crianças, na cerimônia de posse do primeiro prefeito de Mortugaba.

Todo mundo notou a novidade. Muitas perguntas.
Nem eu, queridinho dela, sabia da aquisição, guardada em segredo para o dia da festa.
Um sucesso.
Ela trajava um vestido de renda também cor de rosa.
As crianças, uniforme azul e branco, enfileiradas numa praça de chão batido, empoeirada, debaixo de um sol infernal, com suor escorrendo pela testa e pelo pescoço.

Terminada a festa, ao pegar a estrada para casa, ela tirou as “sandálias japonesas” e calçou uns sapatinhos de couro, de uso diário, feitos pelo meu pai.
Ele costumava dizer que Lili, apelido dela, andava na poeira, na lama e não sujava os sapatos, tão sábia ela era ao pisar no chão.
Na estrada, ela me deu as sandálias para ver. Fofinhas!
Nelas estava escrito a palavra “havaianas”. Não entendi por que se chamavam  “sandálias japonesas”.

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