Deus e o Diabo aos socos e pontapés

 

 

Lúcifer ficou bastante machucado, mas está bem. Conversou o tempo todo. Humorado, contou até piadas. Tirou boas gargalhadas dos visitantes. Tem gente que vai visitar um doente, para dar uma força,  e o doente acaba dando força ao visitante.

Mas, apesar do bom estado de espírito, ele está muito magoado. Achou uma covardia o que Deus fez com ele. Estava inconformado. Disse que a briga foi por motivo fútil, uma bobagem.

Tudo começou porque Deus veio com a velha historia de que foi ele quem criou o ser humano e tudo que existe. Como o Diabo não é de ouvir certas coisas e ficar calado, os chifres subiram-lhe à cabeça e começou a botar fumaça pelas ventas.

Chamou Deus de arrogante e mentiroso na frente de todos os anjos. Deus, muito cheio de si, disse o Diabo, revidou num bate-pronto: não só criei o universo, Lúcifer, como também criei você, Encardido! Sete Peles!

Lúcifer disse que na hora quase voou no pescoço de Deus para esganá-lo, mas se deu conta de que não tinha dedos, tinha cascos.

Aguentou firme e ironicamente perguntou: e quem lhe criou, Deus? Diga pra todos aqui! Acaba logo com essa dúvida! Até hoje ninguém sabe quem é sua mãe e muito menos quem é seu pai.

E Deus retrucou: e você que só tem pai, Diabo dos infernos? E partiu pra cima de Lúcifer. Trocaram sopapos, rolaram no chão e disse não se lembra de mais nada. Acordou numa maca, no hospital, com as ventas quebradas com um soco, um corte no lábio inferior, e dores por todo o corpo.

Todo enfaixado, Lúcifer disse que o pior não é a dor no corpo, mas a vergonha, a  ressaca moral, que derruba qualquer filho de Deus.

 

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