Tão tonto quanto Trump

 

 

 

 

 

 

 

 

Jair Bolsonaro está só, fizeram dele um presidente decorativo, muito próximo do descarte.

 

Posto à prova, em apenas um mês ficou evidente que ele não tem condições mínimas de presidir a República. Além disso, com a família sendo investigada por envolvimento com o crime organizado.

 

Bolsonaro tenta imitar Trump, mas não consegue, torna-se figura ainda mais caricata.

 

A desastrosa participação em Davos parece ter sido a gota d’água, agravada,  agora, com a montagem do gabinete presidencial dentro do hospital onde se internou para procedimentos cirúrgicos.  Mais uma decisão tempestuosa, descabida. Nunca se viu isso. Ou seja, o conluio de poder militar e mercado sentiu que com ele, com tantos descaminhos, não dá para seguir viagem.

 

O vice, General Hamilton Mourão, muito ativo, avança sobre o território do amigo capitão, concede entrevistas à imprensa internacional em inglês fluente, para tentar amenizar o estrago na imagem do governo, em Davos, faz contrapontos em relação à reforma da Previdência, à restrição à presença do ex-presidente Lula no velório do irmão Vavá, à intromissão nas questões internas da Venezuela, ao pedido de tropas a Israel, completamente inadequadas para a tragédia da Vale, em Brumadinho, que provocou problemas internos nas forças armadas brasileiras, e outros assuntos pontiagudos do cenário político.

 

O problema não é apenas Bolsonaro, mas o ministério dele, montado à sua imagem e semelhança, que está entrando para o folclore político do país como peças de teatro bufão. Pessoas como Damares Alves e Ernesto Araújo, entre outros, também não dispõem das condições mínimas para o exercício dos respectivos cargos. Ambos, com suas performances de causar vergonha, foram ridicularizados em renomadas TVs, jornais e revistas internacionais.

 

Na mesma linha, o ministro Paulo Guedes está condenando o Brasil a uma sociedade de párias e castas, com a imposição de sua gana tudo pelo capital 

 

De costas para o país, articula um governo de negócios. Todas as pautas da sua pasta são do mercado,  para o mercado e pelo mercado. 

 

Nenhum anúncio, de um benefício sequer, para o povo. Somente subtração de direitos, reversão da distribuição da renda, feita pelos governos Lula e Dilma, e agravamento do apartheid social. 

 

A percepção do povo de que o governo é dos de cima, para os de cima, não vai demorar. As contradições são flagrantes.

 

O mais perverso da elite econômica e tecnocrática é o desprezo que ela sente pelos pobres, brotado com tanta força nos últimos anos. Lembra as articulações da Casa Grande logo após a proclamação da República pelo Marechal Deodoro da Fonseca.

 

O governo provisório chegou a se reunir com fazendeiros, comerciantes e outros proprietários de escravos, para discutir um plano de deportar todos os negros libertos pela Lei Áurea, temendo que eles se organizassem e partissem para cima de seus algozes, seus senhores, que os escravizaram durante quase quatro séculos. 

 

Isso foi retratado em peça de teatro, na época, na qual as maiores províncias, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, propunham mandar os negros para uma colônia em Mato Grosso, com o abolicionista, José do Patrocínio, como rei. Esse sentimento paira, hoje, como nuvem carregada de raios mortais sobre o Brasil.

 

O espírito sombrio do governo Bolsonaro parece muito com o espírito daquele período. No governo dele, forças militares, policiais e judiciárias foram chamadas para proteger os negócios, os bancos e seus lucros astronômicos, a classe de proprietários de imensas extensões de terras e das grandes corporações extrativistas e  industriais. E o povo que se dane.

 

A submissão dos militares governistas aos comandos do mercado tem demonstrado ser tão grande que parece que Paulo Guedes e seus auxiliares os colocaram numa salinha de aulas, antes das eleições, fizeram um up-grade na formação deles, retiraram tudo que havia de nacionalismo, patriotismo, instalaram o ódio a tudo que é público, venderam a ideia de “Estado mínimo”, como presente com laço de fita verde e amarela, os cooptaram para a tarefa de proteção dos negócios das grandes corporações nacionais e internacionais, e da entrega das riquezas do país.

 

Proprietários e rentistas, e seus prepostos, desde a colônia, não se enraizaram. Continuam com os olhos voltados para além do Atlântico e para o hemisfério norte. Recentemente, o procurador Deltan Dallangnol e o vice-presidente, Hamilton Mourão, afinadíssimos, manifestaram ideias semelhantes sobre o povo brasileiro. 

 

Mourão: “O Brasil herdou a cultura de privilégios dos ibéricos, a indolência dos indígenas, e a malandragem dos africanos.”  

 

Dallagnol: “Quem veio de Portugal para o Brasil foram os degredados, criminosos. Quem foi para os Estados Unidos foram pessoas religiosas, que buscavam  realizar seus sonhos, era um outro perfil de colono”.

 

Parece que Mourão não se reconhece negro nem considera a escravidão, a violência racista, o genocídio de jovens negros.

 

Dallagnol ignora que os ingleses (piratas) foram os maiores assaltantes do mar, os maiores traficantes de escravos do mundo, muito antes do tráfico internacional de drogas, e que os Estados Unidos nasceram com a mão no coldre, prontos para matar, assaltar, como fazem hoje no mundo com suas forças armadas, em conluio com o complexo industrial da guerra e do petróleo girando ações nas bolsas, na especulação do sistema financeiro.

 

Assaltam países,  corrompem, derrubam governos, tomam petróleo, minério e outras matérias primas, escravizam,  constroem muros de discriminação como o do México. Odeiam cucarachos!

 

Enfim, todos eles estão no mesmo barco, com as mesmas ideias sobre o Brasil, cada um com suas tarefas, dando sustentação ao homem do mercado, o banqueiro Paulo Guedes, com seu mapa da mina, mas com um grande problema: o que fazer com Bolsonaro?

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