Aquele abraço!

De lupa em punho, vejo o espetáculo das formigas, enfileiradas, chegando em casa.
A aranha, na porta do buraco, tão pequena, esmagaria com o dedo mindinho. Na espreita, ela escolhia uma das formigas para o abraço fatal. Alguns passos para trás, uma dentada demorada, um esperneio, e a vítima é deixada no chão.
Novamente, passos para perto da fileira de formigas, puxa outra, outro abraço, e a cena se repete, fazendo sua refeição, até se fartar.
Quem já viu formigas num laboratório sabe das pernas peludas que têm. Engolir uma inteira deve arranhar a garganta. Pode ser que a aranha saiba exatamente onde as formigas carregam o néctar sugado das flores e vai no ponto certo.
Os cadáveres de formigas espalhados pela teia, na porta do buraco, lembram um campo de batalha, depois de um confronto sangrento.
Quando a aranha me percebeu, como testemunha ocular do acontecimento, recolheu-se à toca e não saiu mais de casa. Deve estar tirando uma soneca.

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