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  • “Menas”, né, companheiras e companheiros?

    Logo depois de tomar posse, Lula derrotou a tentativa de golpe, formou o governo com razoável base de sustentação, reconstruiu todas as políticas públicas desmontadas, mesmo com um déficit no orçamento de R$ 275 bilhões de despesas não pagas. 

    Barbarizaram com o orçamento, para eleger o sujeito a qualquer custo.

    Mesmo assim, em 2023, a economia cresceu 2,9%, mais que a média do mundo, que foi 2,6%. 

    O orçamento de 2023 era o orçamento do governo anterior, aprovado em em 2022. 

    Agora, os investimentos voltaram. Em 2023, o Brasil foi o segundo país do mundo a receber investimentos esternos. Só perdeu para os Estados Unidos. E continua recebendo.

    Isso se deve à política externa altiva e ativa do governo Lula, que reposicionou o Brasil na geopolítica internacional.

    Lula tem levado a pauta da erradicação da fome, da pobreza, da transformação ecológica e da paz entre as nações aos mais importantes fóruns internacionais.

    Isso tem sido extremamente importante para restabelecer a confiança no Brasil e com isso atrair investimentos. 

    O boletim de pesquisa Focus, do Banco Central, com cera de 150 analistas de mercado financeiro, pela sexta vez seguida, elevou a projeção da taxa de crescimento da economia de 2024, para 1,85%, superando mais uma vez as expectativas. O Ministério da Fazenda estima 2,2%. Já o índice de inflação, 3,75%, abaixo da meta Estabelecida, 4,5%.

    E ainda tem gente do nosso campo  criticando o governo, dizendo que “não se fez nada”, até agora. Uma crítica na mesma linha da extrema direita. Basta ver os vídeos que circulam nas redes da oposição. Isso é, no mínimo, desinformação.

  • Saci? Já vi um

    De vez em quando ele aparece.

    Em frente à janela do meu escritório tem um arvoredo. Enquanto olhava a chuva mansa que caía lavando a dura seca de Brasília – depois da ventania, de raios e trovões – vi um vulto rodopiando num redemoinho  atrás das árvores, de uma para outra. Estiquei o olhar para ver direito. Num pé só, o danadinho girava muito rápido.

    Meio arredio, ele foi chegando… chegando… e vupt, pela janela. O susto foi grande. Era o Saci com seu gorro vermelho e cachimbo fumegante na boca. Não estava molhado. Sequinho! Um mistério!

    A única exigência que fiz foi que ele deixasse o cachimbo no canto da janela, do lado de fora. Detesto cheiro de fumo. Tenho crise de espirros.

    Minha manhã foi divertida, mas com momentos fortes de reflexão. Saci não é duende só de brincadeira. Ele veio com cada conversa que me deixou embaraçado.

    Diz coisas simples, mas profundas, que têm a simplicidade apenas como porta de entrada. Quando se adentra, é aquele universo! A gente fica pequenininho feito um grão de areia. Depois, ao retornar, toma pé. Fica grande de novo, dono da situação.

    Só nós dois no escritório, naquela manhã, acabou rolando um “papo-cabeça” de primeira.

    Todas as vezes que a gente se encontra ele me pede para ajudar na preservação de florestas, dos rios, dos lagos, dos mares, de tudo que é vivo.

    Diz ele, que sem isso morrerá, junto com nossos duendes: Mula-Sem-Cabeça, Curupira, Boitatá, Mãe Dágua, Bicho Coleira e muitos outros em extinção.

    – Extinção cultural, que é a mais cruel, porque acaba até com as raízes do registro da nossa existência, disse o Saci.

    E emendou, se não fosse Monteiro Lobato e outros escritores eu, por exemplo, não estaria aqui.  Nem eu nem outros duendes, disse o Saci.

    A colonização do Brasil é tão estúpida que os cursos de inglês trouxeram para cá a festa Halloween, dos Estados Unidos, e as escolas adotaram a festa no calendário oficial, em vez de uma festa com nossa turma. Estão nos suprimindo. Não sou xenófobo, mas a gente não ter um dia nosso, no calendário escolar, é demais.

    Que tal fazermos um intercâmbio? Levem os duendes brasileiros para as escolas dos Estados Unidos, para fazermos umas festas por lá. Quem sabe a moda pega?

    Se incluirem festas de nossos duendes nos calendários escolares das nossas escolas vou com orgulho, de gorro vermelho, claro, única roupa que tenho.

    Tem essa polêmica do nu aí, encabeçada por gente obscurantista, mas nunca usei roupa e vou assim mesmo, como fui concebido.

    Ah! Prometo deixar o cachimbo do lado de fora. Pega mal né?

    Notou que as casas brasileiras estão cada vez mais parecidas com as de Miami? Os jardins estão cheios de Sete Anões, Branca de Neve, e outros estrangeiros, como se os duendes brasileiros não existissem.

    Na conversa comprida que tivemos, senti que o Saci estava ressentido porque os brasileiros tratam os duendes nativos como se  fossem seres inferiores, por terem sido criados por povos  indígenas e africanos. Ouvi tudo isso na poltrona, sem dar um piu. Queria muito ouvi -lo. Senti que ele tinha muito a dizer.

    De repente ele virou pra mim e disse:

    – Parece que você não está gostando da conversa, não é?

    Rodopiou, pegou o cachimbo do lado de fora da janela, arrumou o gorro na cabeça e disse: chau! Vupt! E desapareceu no redemoinho. Foi tudo tão rápido e intenso que ficou parecendo um sonho.

    A conversa foi comprida. Se fosse contar tudo da minha conversa com o Saci o dia viraria noite, ia até o galo cantar.

    Só Saci Salva!

  • Comadres do sertão profundo

    As amiguinhas vinham de longe, de detrás dos morros azuis, por estradas de chão batido, cortando veredas com suas alpercatinhas de couro, vestidinhos floridos, um turbante na cabeça para não empoeirar os cabelos, brinquinhos dourados pendurados nas orelhas e uma sombrinha para se protegerem do sol escaldante.

    Vestiam como todas as comadres do sertão, cabelos enrolados em coque, presos por um pente arqueado, cravejado de pedrinhas brilhantes.

    Meus pais: Genésio e Mariquinha/Foto:Duda Bentes

    Quando chegavam, era sempre uma alegria encontrar as comadres. Tomavam um café forte, plantado, colhido e coado, comiam biscoito de polvilho, um pedaço de bolo, enquanto davam notícias dos parentes e aderentes. Já se sabia que as visitas, quase sempre, eram para conversas reservadas. Coisas de comadres.

    Logo minha mãe pedia para um dos meninos levar duas cadeiras e colocar, uma de frente para outra, debaixo do pé de manga rosa. Árvore de copa densa, imensa, parecia um salão.

    Aquele momento era de assuntos íntimos. Ninguém chegava perto. A curiosidade sobre a vida alheia era inadmissível.

    A conversa rendia horas. Sobre o casamento da filha que não ia bem, o amor ao marido não correspondido, alguém doente na família, a saudade doída de filhos que foram trabalhar em São Paulo e não davam notícia, o noivado do filho tão jovem, preocupações com a travessia da seca, colheita insuficiente, coisas assim.

    Encerrada a conversa, lá vinham as duas caminhando por entre o milharal verde, novinho em folhas, de olhos inchados de tanto chorar, mas com os semblantes serenos, às vezes até rindo delas mesmas. A comadre aliviada por ter encontrado Dona Mariquinha volta pra casa com os sentimentos arrumados e a compreensão ligada.

    Ela era assim, escutava, ajudava nos momentos mais difíceis. Guardava os segredos das amigas debaixo de sete chaves.

    (*) Meus pais: Genésio e Mariquinha. Ele, carinhosamente, a chamava de Lica.
    Os netos também: Mãe Lica. Os sobrinhos, tia Lica. O povo, Dona Mariquinha.

  • Lido com ela como quem lida com flores.

    Ela é fofinha, macia, tem braços e colo de algodão.

    Gosta de silêncio, de bocejos, de sombra e água fresca, de olhar nuvens no céu azul com olhos a meia pálpebra.

    Lido com ela como quem lida com flores, com todo cuidado para não amassar as pétalas, não lhe causar nenhum desassossego.

    Tenho muito respeito por ela, por todos os momentos de harmonia que me proporciona.

    Durante os longos anos de convivência, não tive sequer um tico de nada a reclamar.

    A única preocupação que me causa é quando ela não vem. Mas, de repente, como quem não quer nada, ela aparece, me envolve numa madorna.

    No enrosco, abraçados no conforto do nosso ninho de nuvens de algodão, com nossos bocejos, somos uma ilha de prazer em meio à gente aflita, que vive no ritmo do tempo das máquinas.

    Minha preguiça, companheira de todas as horas, é minha paz, minha felicidade. Meu casamento perfeito, sem igreja e sem cartório. Meu amor incondicional. A gente se ama e ponto.

    (*) Pensamos até em fundar o Partido dos Não Trabalhadores. Mas dá muito trabalho. Desistimos.

  • “Mais forte são os poderes do povo!”


    O rádio, o telefone, são extensões da nossa boca e dos nossos ouvidos. Com eles, falamos e ouvimos. A pessoa pode estar do outro lado do mundo.

    A câmera, extensão dos nossos olhos. Leva nosso olhar por aí, para ver imagens até os confins do planeta.

    Os telescópios e os microscópios, também extensões dos nossos olhos, nos mostram galáxias, astros e seres minúsculos, partículas, quase nada.

    O computador, extensão do nosso cérebro, faz operações antes possíveis apenas por ele. Depois dos algoritmos, veio o celular. Os algoritmos mexem até com nossos sentimentos. Nos fazem rir, chorar, até sentir amor, ódio.

    A alavanca, extensão dos nossos músculos. Depois dela, inventamos a mecânica, as máquinas para trabalhar por nós.

    São extensões das nossas pernas, para nos levar a qualquer parte do mundo, até a alguns cantos do espaço sideral: bicicleta, moto, carro, avião, navio, foguetes e naves espaciais.

    Todas as extensões foram feitas com as mãos. Mãos que transformaram os elementos da natureza em tudo que foi construído com o trabalho. Desde o tijolo da casa à nave espacial. Tudo feito pela mão e pelo trabalho.

    O problema é que a natureza, a tecnologia e o trabalho foram apropriados pelo capital e transformados no abstrato “mercado”, lugar cruel onde moram a exploração e o lucro.

    É no “mercado” que se constrói, com a injustiça, a pirâmide da desigualdade, formada pela pobreza e pela opulência extremas.

    Os grandes capitalistas estão no topo da pirâmide, com a montanha de dinheiro arrancada com a exploração de quem trabalha e com o lucro.

    São proprietários do mundo. Têm forças armadas para proteger a lei e a ordem capitalista, o “paraíso da liberdade” deles e a opressão dos despossuídos.

    No vai e vem da vida, tudo isso é considerado “normal”, definido com aquele “é assim mesmo”.

    Mas não há somente resignados, sonâmbulos. Há os acordados, os rebeldes, aqueles que chacoalham a pirâmide social com fúria.

    “Mais forte são os poderes do povo!”. Essa frase, gritada por Corisco, no filme Terra em Transe, do cineasta baiano Glauber Rocha, é um chamado para a rebelião.

    O filme expõe a injustiça, a exploração do homem pelo homem, a luta de classes, a desigualdade social e como os magnatas tratam os despossuídos.

  • Marechal Rondon é quem deveria ser o patrono das Forças Armadas brasileiras.


    “Morrer, se necessário for. Matar, nunca.”

    O Marechal Rondon disse essa frase logo após ser ferido por uma flechada de um indígena Nhambiquara. No momento do ataque, mesmo sob forte tensão, ele proibiu seus soldados que revidassem.

    A frase do Marechal Rondon, um militar humanista, pacifista, tornou-se lema no treinamento dos expedicionários que serviam nas dezenas de missões que comandou, de proteção aos indígenas das regiões de Mato-Grosso, da Amazônia e do Sul do Brasil. Proteção, para ele, vitalícia. Rondon morreu no dia 19 de janeiro de 1958, no Rio de Janeiro, deixando um legado moral, ético e histórico, pela sua obra na construção da nação brasileira.

    A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a Cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país.”

    Essas são palavras de um genocida. Ditas pelo capitão, então deputado Jair Bolsonaro, num inflamado discurso ideológico na tribuna da Câmara dos Deputados, em 1998. Frase que se tornou roteiro de morte anunciada, culminada na tragédia humanitária dos Yanomami.

    Embora ambos militares das Forças Armadas, suas posições são antagônicas na caserna. Rondon dedicou sua vida à defesa dos indígenas e da integração nacional. Enquanto que o ex-presidente se orienta pela ideia de que há um “inimigo interno” a ser combatido. Herança maldita da ditadura militar, que divide os brasileiros e bloqueia a consolidação da democracia.

    O rebaixamento moral e ético entre integrantes das Forças Armadas chegou ao ponto de ter Jair Bolsonaro como líder, um extremista de direita internacionalmente reconhecido por suas ideias perversas, destruidoras, por suas ligações com o movimento fascista e a extrema-direita internacional.

    Rondon defendeu a integridade física dos indígenas e seus territórios como dever do Estado brasileiro. Já o ex-presidente negou assistência médica, promoveu interesses contrários à vida digna e incitou o desrespeito aos ensinamentos de Rondon.

    As imagens da tragédia humanitária dos indígenas Yanomami foram estampadas nas telas do mundo. Expôs ainda mais as ideias sinistras de Jair Bolsonaro e seu governo. Desconsiderou a gravidade da pandemia, quando cerca de 800 mil pessoas morreram. Mortes que somadas às dos Yanomami expõe a ideologia do descarte dos “indesejáveis”.

    Bolsonaro fez questão de nomear o general Franklimberg Ribeiro de Freitas, no início do seu governo, para presidir a FUNAI. Depois o substituiu pelo delegado da Polícia Federal, Marcelo Augusto Xavier. Ambos despreparados para ocupar os cargos e sem nenhum compromisso com a proteção aos indígenas.

    Dos 39 coordenadores dos órgãos da FUNAI, 17 eram militares, três policiais militares e dois policiais federais. A gestão policial-militar da FUNAI foi marcada por perseguição a funcionários do órgão, das lideranças indígenas, e proteção aos interesses do agronegócio, aos madeireiros e garimpeiros. O território Yanomami foi invadido por cerca de 20 mil garimpeiros.

    Chamado de marechal pacifista, Rondon foi o primeiro diretor do Serviço de Proteção ao Índio (SPI), criado por ele, em 1910, no governo do Presidente Nilo Peçanha. O órgão pertencia ao Ministério da Agricultura. Órgão que abrigou o antropólogo Darcy Ribeiro, profundo admirador do marechal Rondon, entre os anos de 1947 e 1958, quando trabalharam juntos na criação do Parque Indígena do Xingu e do Museu Nacional do Índio.
    Darcy Ribeiro dizia que o marechal Rondon “foi o maior de todos os brasileiros”. “ Um destacado explorador dos trópicos, pacifista, ambientalista, antropólogo e indigenista”.

    A ideia de proteção, de Rondon, o fez avançar nos estudos da etnologia, da antropologia e da linguística. Foi o primeiro a gravar músicas no campo de povos indígenas com a colaboração do seu assistente Roquete Pinto. Foi também o primeiro a filmar os ritos e o cotidiano dos povos indígenas. Os filmes foram exibidos a partir de 1915, muito antes do filme Nanook, o esquimó, de Robert Flaherty, de 1922, tido como o primeiro.

    Considerado adepto da filosofia positivista, Rondon carregou por toda a vida o estigma de ser alinhado às ideias que defendiam a adaptação dos indígenas ao mundo dos brancos. Mas Darcy Ribeiro dizia o contrário, que, para Rondon, o índio tem o direito de escolher o grau de acercamento que quer ou não com a sociedade brasileira e que a decisão é soberana de cada povo indígena.

    Rondom foi contra o Brasil entrar na guerra ao lado dos nazistas e fascistas. Ele queria que o Brasil lutasse ao lado dos Aliados: França, EUA, Inglaterra e União Soviética. Ele recebeu três indicações ao Prêmio Nobel da Paz, uma delas da parte do cientista Albert Einstein

    Já o capitão ex-presidente Jair Bolsonaro tem cinco processos abertos nos tribunais internacionais por crime de genocídio. Sua conduta mereceu repúdio de chefes de Estado das mais importantes nações do mundo e de lideranças das agências internacionais de defesa de direitos humanos.


    A obrigatoriedade do Estado, de cuidar das nações indígenas, está na Constituição. Jair Bolsonaro, Damares Alves, os presidentes da FUNAI e outros responsáveis pela tragédia humanitária dos Yanomami devem ser investigados e levados aos tribunais.


    Rondon é quem deveria ser o patrono das Forças Armadas brasileiras.

  • A política tem tempo certo.

    Lula faz o movimento político certo na hora certa e avança no terreno da caserna.

    Demite o comandante do Exército, Júlio César de Arruda, e nomeia o general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, que comandava o II Exército.

    O general Tomás Paiva fez um discurso de 10 minutos numa solenidade, em São Paulo, em defesa da democracia e do resultado das eleições.

    O general ganhou a confiança do Presidente Lula, que está promovendo mudanças nas Forças Armadas, depois da tentativa de golpe no 8 de janeiro.

    O comandante demitido estava resistindo à troca de militares que serviram ao governo anterior por militares da confiança do Presidente Lula, a começar pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

    O general Júlio César de Arruda impediu a prisão de bolsonaristas no acampamento em frente ao quartel do Comando Militar do Planalto, causando constrangimento ao ministro da Justiça, Flávio Dino.

    A política tem seu tempo certo. Enquanto as operações da Polícia Federal prendem os criminosos da tentativa de golpe, o presidente Lula avança na política, de acordo com o que ele anunciou, de que todos os envolvidos no ataque terrorista de 8 de janeiro serão punidos.

  • Uma pancada no Fórum Econômico Mundial, na Suíça.

    A ONG OXFAM apresentou um relatório bombástico sobre a desigualdade no mundo, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça.

    Porém, ações como essa não constrangem os bilionários de olhos de cifrões.

    Diz o relatório que nos últimos dois anos, o 1% mais rico do mundo acumulou quase duas vezes a riqueza obtida pelo restante do planeta.

    E apresentou proposta para resolver o problema: taxar os super-ricos com um imposto permanente anual de até 5% para o 1% mais ricos.

    Geraria US$ 1,7 trilhão, suficiente para tirar 2 bilhões de pessoas da pobreza, no planeta.

    Segundo a ONG, daria para acabar com a fome em 10 anos.

    O que fazer com essa gente insensível?

  • O Brasil está virando a página de chumbo da sua história.

    A tentativa de golpe recebeu um solene “NÃO!” em plena Praça dos Três Poderes, em Brasília, bradado pelos líderes dos três poderes da República e pelos 26 governadores dos estados da Federação.

    De braços dados, desceram a rampa do Palácio do Planalto, atravessaram a praça e foram ver de perto os danos causados pelos inimigos da democracia ao palácio do Supremo Tribunal Federal, a principal trincheira de defesa da Constituição e do Estado Democrático de Direito. Com a tentativa de golpe, Lula pavimentou a estrada da democracia.

    A reação das instituições nacionais e internacionais ao que aconteceu no Oito de Janeiro, em Brasília, e o apoio incondicional de chefes de Estado das mais importantes nações do mundo ao presidente Lula deixaram claro que o Brasil está virando a página mais pesada da sua história, marcada por sucessivos golpes de militares inimigos da democracia, desde a Proclamação da República. Não há mais lugar para sublevação militar, para criminosos envolvidos na bandeira nacional. “Democracia para sempre!”, como disse o presidente Lula no seu discurso de posse.

    Nesse episódio, ficou demonstrado que a Constituição cidadã, de 1988, apesar das avarias causadas por seus inimigos ao longo do tempo, dispõe, sob sua ordem, de um aparato institucional mais firme do que se imagina. Definitivamente, a Carta Magna, conquistada em 1988, é o esteio da consolidação da democracia e do Estado democrático de direito no Brasil.

    Até a imprensa, salvo raras exceções, se posicionou contra a tentativa de golpe. Um comportamento bastante diferente do que teve nos golpes de 1964 e de 2016, quando foi parte da conspiração civil-militar que derrubou o presidente João Goulart, em 1964, e a presidenta Dilma Rousseff, em 2016, juntamente com o Judiciário e o Congresso Nacional.

    Nos atos terroristas, os três poderes da República foram atingidos gravemente nas suas estruturas físicas, gerando imagens chocantes para o país e para o mundo. Na sequência, as próximas vítimas dos ataques poderiam ser as estruturas físicas das sedes da própria imprensa apoiadora de golpes no passado, e a volta da censura, tendo em vista a violência e a audácia dos criminosos.

    A grande mídia está se afogando no mar revolto das redes sociais, que chegaram com suas praças e tribunas digitais, com o fascismo armado de câmeras e microfones dominando a cena, dividindo o mesmo espaço público de comunicação antes ocupado exclusivamente por ela, desviando o olhar do público das telas tradicionais de tvs, das páginas dos jornais e revistas, para as telas dos celulares. Nessa disputa insana, a democracia perde para as bolhas de desinformação e para o mundo paralelo criado pelas notícias falsas.

    A imprensa oligárquica viu agora, no espelho do terrorismo, o ódio plantado por ela no coração do Brasil, contra os governos Lula, Dilma, e o PT, quando se tornou porta-voz do lawfare da operação Lava-Jato, chefiada pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelo ex-procurador Deltan Dallagnol.

    A violenta campanha em apoio à Lava-jato era parte da estratégia do golpe que derrubou a presidenta Dilma e levou o presidente Lula à prisão, para que ele não disputasse a eleição de 2018, contra Bolsonaro. Porém, a tentativa da imprensa oligárquica de se redimir jamais apagará da parede da história do país a responsabilidade dela pela pregação diária do ódio à política, pela multiplicação de fascistas bárbaros, soltos no campo e nas cidades.

    Não se pode esquecer, também, que tudo isso ocorreu “com um acordão, com o Supremo, com tudo”, frase dita pelo então senador Romero Jucá, pego num grampo telefônico, no golpe de 2016. Depois de seis anos, o STF decidiu que o impeachment da presidenta Dilma foi ilegal. O STF negou habeas corpus ao presidente Lula para que não fosse preso antes da análise do processo por outras instâncias da justiça. Assim como a proibição dele disputar a eleição de 2018.

    O fato é que a estratégia dos militares de permanecerem no poder com o capitão Bolsonaro, se aproveitando da via eleitoral, deu chabu. A ocupação dos cargos do governo por mais de oito mil militares nomeados por Bolsonaro, recebendo gordas remunerações drenadas dos cofres públicos, causou grave desmoralização. O desastroso governo ficou marcado pela corrupção, incompetência, estupidez e tentativa de golpe de Estado.

    Na berlinda, militares golpistas com suas pompas de casta, avidez por “boquinhas” nos órgãos públicos, sinecuras para si e para seus familiares.

    Com o fracasso da intentona, dão meia volta, marcham para os quarteis, aguardam o resultado das investigações e as punições exemplares previstas na Constituições, nas leis e nos regulamentos internos, podendo levar os criminosos à demissão a bem do serviço público e à prisão. Historicamente, vivem o delírio de que são tutores da República, mas, na verdade, os militares golpistas sempre foram inimigos da democracia.

    Os três poderes da República estão sólidos, unidos, com apoio internacional, e determinados a realizar uma investigação rigorosa e inédita, em todas as áreas do poder público a fim de punir todas as pessoas que se associaram na organização criminosa para o golpe de Estado. Até o Ministério Público Militar e o Superior Tribunal Militar se juntaram aos demais para essa tarefa histórica.

    Assim como as instituições a população também repudia o que aconteceu em Brasília. O instituto de pesquisa Datafolha apurou que 93% da população condena os ataques terroristas à sede dos Três Poderes. Ainda em dezembro, o instituto havia registrado que 75% da população rejeitava os atos golpistas e os acampamentos na porta dos quartéis.

    É chegada a hora de afastar definitivamente os militares da política e submetê-los à ordem constitucional como qualquer cidadão. As instituições democráticas e o Congresso Nacional precisam debater as distorções da função das Forças Armadas e propor uma reorientação da sua atuação, adequá-las aos novos tempos, que vivem o país e o mundo moderno. As Forças Armadas brasileiras são uma instituição paquidérmica, burocrática, ociosa, excessivamente dispendiosa para os cofres públicos e ameaçadora do Estado democrático de direito.

    No processo de reorientação das tarefas das Forças Armadas, o governo deveria discutir um plano de retomada da Amazônia do controle do crime organizado com a participação do Ministério da Defesa no planejamento estratégico e no suporte a ações das polícias judiciárias. A Amazônia tornou-se terra sem lei.

    Para implementar a política de meio ambiente na Amazônia, o Ministério do Meio Ambiente, antes de tudo, precisa discutir um plano de enfrentamento do crime organizado na região para garantir as condições de trabalho dos agentes públicos e de organizações não governamentais.

    Não é mais nenhum segredo que milicianos do tráfico internacional de armas armam garimpeiros, madeireiros e fazendeiros, com armas pesadas, para enfrentar agentes do Estado.

    Belém do Pará é candidata a sediar a COP – 30. O Brasil e o mundo querem saber da real situação da Amazônia e qual a política ambiental do governo Lula para a região. A ministra Marina Silva deveria coordenar um conjunto de ações integradas dos ministérios do Meio Ambiente, da Defesa, Justiça, Povos Indígenas, e outros órgãos.

    A ociosidade nos quartéis é uma realidade. O Comando Militar do Planalto, por exemplo, criado em 1969, pelos generais do golpe de 1964, agrega um excesso de contingente, que deveria ser distribuído para outras regiões do país, para controlar as fronteiras. Não há necessidade de um comando militar em Brasília.

    O Brasil não tem inimigo externo. Na falta, para justificar sua existência, os militares inventaram o “inimigo interno”: o povo que luta pela democracia. Nenhuma nação prospera com ameaças e interrupções de consolidação da democracia.

    As Forças Armadas e policiais estão em maus lençóis, depois do sombrio apoio ao governo do capitão Bolsonaro e da tentativa de golpe de Estado.

  • O serviço público não pode servir de abrigo para golpistas.

    Investigações dos órgãos de inteligência, em curso, sobre os atos terroristas, em Brasília, estão passando um pente fino na Polícia Civil e Militar do Distrito Federal, sob intervenção.

    Quem prevaricou, deixou de cumprir com sua função pública, explícita na Lei e na Constituição, perdeu a confiança da sociedade e do Estado.

    Esse é o princípio que norteia os inquéritos e que tem respaldo nas leis e na Constituição.

    Servidores civis e militares que participaram de alguma forma dos atos terroristas na Praça dos Três Poderes ou que foram negligentes no exercício de suas funções públicas vão responder a processos administrativos e, consequentemente, serão exonerados.

    Além disso, vão responder a processos por atentar contra o Estado Democrático de Direito e contra a Constituição.

    Os flagrantes foram colhidos em redes sociais, em posts de antes do dia 8 de janeiro, período de preparação da tentativa de golpe, e no dia dos atos terroristas.

    Telegram, Facebook, Instagram, Twitter, Whatsapp, YouTube colocaram a disposição dos órgãos de investigação todo o acervo de posts das pessoas investigadas.

    O Ministério Público do Distrito Federal também se juntou às demais instituições que estão investigando a atuação das forças de segurança do GDF.

    Imagino que, pela primeira vez, vamos ter punições exemplares, que ficarão na história do Brasil.

    Tenho impressão que muita gente apostou na impunidade ou foi ingênua quanto as consequências de suas atitudes.

    O serviço público não pode servir de abrigo para golpistas.