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Os supremacistas ganharam força, têm, agora, um líder nacional: Donald Trump
Não concordo com a avaliação da economista Mônica de Bolle, compartilhada nas redes sociais, de que a invasão do Capitólio foi por um pequeno grupo radical. Acho que ela subestimou a força do movimento supremacistas e a força eleitoral dos republicanos, que têm como um de seus pilares o conservadorismo obscurantista religioso e militar.É mais profundo, está na raiz da nação. Os Estados Unidos nasceram com a mão no coldre.Os supremacistas sempre existiram na história norte-americana e cresceram muito nas décadas de 80, 90, e nas primeiras décadas de 2000, nas eleições que elegeram, por exemplo, Bush pai, Bush filho, os senhores das guerras, as bancadas da Câmara e do Senado.Biden pisou miudinho pra derrotar Trump. Não foi fácil.Os protestos contra a violência racista reforçaram e uniram o movimento negro, fizeram diferença em disputas como na Georgia e em outros redutos eleitorais importantes, mas os supremacistas também ganharam força com a polarização.Daí a divisão do País e a radicalização do movimento. Não podemos esquecer do racismo estrutural nos Estados Unidos. O apartheid radical imposto pelos brancos conservadores, prevaleceu até os anos 60, quando foi duramente contido pela luta dos direitos civis, O movimento dos supremacistas não morreu. Está aceso como fogo de monturo e ganhou liga com o ativismo nas máquinas de produção de fake news e nas redes sociais . Como aqui.Bolsonaro, com suas milícias físicas, digitais, mais o obscurantismo das igrejas neopentecostais e uma fatia da igreja católica, tem cerca de 40% de “bom e ótimo” nas pesquisas porque essa parte da população se identifica com ele, com a pauta de costumes que ele defende, com o que ele diz e com as atitudes insanas dele. Assim como Trump nos Estados Unidos.Com toda performance absurda no governo, Trump teve uma votação extraordinária e fez uma grande bancada parlamentar, tanto na eleição passada como na de agora.Trump representa o desespero dos Estados Unidos diante da China. O país tem perdido empresas estratégicas e de alta tecnologia para a China. Isso sem entrar na polêmica do sistema 5G, que tem deixado perturbadas as áreas de segurança e militar.Na guerra comercial com a China, Trump ordenou que mais de 50 corporações multinacionais dos Estados Unidos se retirassem da China, (empresas como Apple, Google, Nintendo e Dell), por exemplo, mas não voltaram para casa, foram produzir em outros países asiáticos.A previsão de crescimento da China, para 2021, é de 8%, com bolsas em alta desde o ano passado. Enquanto que o crescimento previsto, da economia dos Estados Unidos não deve chegar a 4%, sustentado por consumo e endividamento.Trump precisa dos supremacistas e os supremacistas precisam de Trump. Eis a liga que deve ampliar a radicalização e a divisão da população dos Estados Unidos, podendo levar a conflitos armados.A avaliação da Mônica me pareceu apressada, faltou elementos concretos mais recentes da disputa que acontece na sociedade norte-americana, para ajudar na compreensão da crise política do país.Diferentemente da avaliação da Mônica, de que a ocupação do Capitólio foi por um grupo pequeno, volto a lembrar que os supremacistas ganharam força nos Estados Unidos e têm, agora ,um líder: o presidente Donald Trump, que aposta na radicalização do movimento até as próximas eleições.O que a invasão do Capitólio deixou claro, é que o sistema político dos Estados Unidos está se desfazendo e que a democracia se aproximou do abismo.Mais do que nunca, o momento é de mobilização na luta pela democracia, por reafirmação de direitos, por igualdade, liberdade e justiça, Um novo pacto das nações pela democracia é possível. -
Renuncie, saia de fininho ou debaixo de vara
A invasão do Capitólio nos Estados Unidos deve impactar a política nacional e repercutir nas eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.A pressão para que Bolsonaro renuncie abre caminho para o impeachment. Dependendo da evolução dos fatos, a situação de Bolsonaro pode chegar ao ponto dele ter que sair de fininho ou debaixo de vara, no jargão jurídico.Jânio Quadros, um presidente tão incompetente e espalhafatoso quanto Bolsonaro ficou apenas sete meses no governo. Sentiu a própria incapacidade e renunciou, alegando que “forças ocultas” não o deixaram governar.Bolsonaro finalmente admitiu que o Brasil está quebrado. Ele sabe que quem quebrou foi ele e Paulo Guedes, por despreparo, fundamentalismo ideológico, falta de plano estratégico, decisões erradas.Logo no início da pandemia, Paulo Guedes destinou R$ 1.2 trilhão aos bancos, alegando risco sistêmico, falta de liquidez e necessidade de financiamento da economia. Pois é, agora diz não ter recursos para comprar vacinas e seringa. Onde foi parar essa montanha de dinheiro?Trump na presidência dos Estados Unidos e Bolsonaro no Brasil conseguiram elevar os dois países ao topo, no mundo, em número de mortos pela pandemia. Trump perdeu as eleições e Bolsonaro está perdido, produzindo vídeos para redes sociais.Ir embora pra Miami, como fez o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, depois do papelão dele no mensalão, pode ser o destino de Bolsonaro e família da “rachadinha”, em vez de ficar aqui na fervura da política.Sérgio Moro foi ganhar sua recompensa por trabalhos prestados. Deltran Dallagnoll alegou problemas familiares e também desapareceu nas montanhas do Paraná. O próximo pode ser Bolsonaro.As patetadas como a de misturar-se com banhistas em Praia Grande, não cola mais. Servem apenas para seus encabrestados digitais que se alimentam de fake news.A absoluta falta de controle da pandemia está matando gente do topo da pirâmide e isso começou a preocupar aqueles que o apoiaram para impedir a candidatura de Lula, a eleição de Fernando Haddad, e apostaram no Paulo Guedes como superministro..A pandemia começou a fazer estragos no patrimônio empresarial. Muitos estão desesperados a procura de uma saída. Conclusão: com Bolsonaro não dá para seguir viagem.A fuga de capitais continua a todo vapor e não há plano para enfrentar a pandemia nem para a crise econômica.A evolução dos fatos, nos próximos dias, vai determinar quem será o presidente da Câmara, do Senado. A lista de crimes é grande. Foram apresentados 56 pedidos de impeachment. Resta saber quem vai acatar um dos pedidos.Até o momento o TSE, o STF e o Congresso foram coniventes com os desvios praticados por Bolsonaro. Evidentemente, para preservar-lo, mas o desgoverno ultrapassou todos os limites. -
Por que as Forças Armadas não são investigadas?
No Brasil, não há notícia de que as Forças Armadas (FFAA) tenham sido submetidas a processos de investigação. Os militares são tratados como vestais, acima de quaisquer suspeitas. Esquecem que são servidores públicos como os demais civis, com uma diferença: o porte e manuseio de armas.
As FFAA são uma grande caixa preta. São desconhecidas iniciativas dos órgãos de fiscalização e controle da República, de um pente fino na movimentação, por militares, do gigantesco volume de recursos públicos do orçamento da União. Por que não há checagem das licitações, das compras gerais e sob sigilo, e de todas as exigências determinadas pela legislação? Não se sabe se há abusos ou não de gastos com o uso dos cartões corporativos, por exemplo, por tantos militares em missão.
Como são comprados aviões, helicópteros, porta-aviões, caças, tanques, submarinos, armas convencionais de uso exclusivo, munições, uniformes, equipamentos de comunicação, peças de manutenção, enfim, todos os milhares de itens que compõem licitações ou são dispensados delas? Tudo isso, mais os salários e diárias, são gastos que consomem um dos maiores volumes de recursos do orçamento da União.
Para se ter uma ideia, no orçamento de 2021, foram destinados para o Ministério da Defesa R$ 110,7 bilhões. Um aumento de 4,83% em relação ao ano passado. Esse volume vem aumentando ano após ano, desde o governo Temer.
Apenas comparando, para o ministério da Educação estão previstos R$ 144,5 bilhões. A aplicação desses recursos são acompanhados com lupa, pelo Tribunal de Contas da União, enquanto não se sabe se o TCU tem o mesmo rigor com os gastos das FFAA.
Por exemplo, quantos contratos de manutenção de equipamentos e de prestação de serviços devem ter as FFAA com empresas privadas? São realmente necessários? Em que condições foram realizados? São cumpridos de acordo com o estabelecido? Os órgãos de fiscalização e controle acompanham a execução orçamentária conforme manda a lei?
A movimentação dos recursos públicos destinados às FFAA tem partes cobertas pelo misterioso manto do sigilo e é nesse ponto que despertam suspeitas de que pode haver desvios como em qualquer instituição pública.
A assinatura de um contrato sigiloso, pelo brigadeiro Carlos Moretti Bermudes, do Comando da Aeronáutica, com a empresa finlandesa Iceye, para compra de um satélite avaliado em R$ 175 milhões, foi firmada com dispensa de licitação sob alegação de questão de “segurança nacional”. Esse caso despertou fortes suspeitas.
Cientistas do INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – alertam que o satélite é de tecnologia inadequada para a finalidade estabelecida para a compra. Esse é um caso típico, que teria que ser submetido a rigorosa investigação dos órgãos de fiscalização e controle.
A questão do sigilo é questionável desde sua origem. A empresa fabricante obviamente tem o sigilo do equipamento. Os demais países que foram às compras do satélite de mesmo modelo possivelmente têm. Ninguém pode garantir que o sigilo de equipamentos como esse e de outros está assegurado. Pode ser vazado por algum ser humano.
Servidores públicos militares não são categoria de vestais, isolada, acima da lei. As FFAA não podem ser uma “caixa preta”. Devem, sim, prestar conta aos cidadãos do país de toda a movimentação de recursos públicos gastos em suas atividades
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Requinte de Desfaçatez
Bolsonaro assumiu que os R$ 89 mil depositados por Queiroz na conta da primeira dama, Michelle, é dele. E nada acontece com ele. As instituições parece funcionar para sustentar o governo. Nenhuma providência até agora.A corrupção está assumida publicamente, com requinte de desfaçatez.O Gabinete do Ódio continua espalhando vídeos e memes todos os dias nas redes sociais dizendo que desde a posse de Bolsonaro acabou a corrupção no Brasil.A XP/Ipespe divulgou pesquisa dizendo que, para 38% da população, Bolsonaro é Bom e Ótimo e para 35% é ruim e péssimo.O Auxílio Emergência também contribui para esse índice tão alto.Isso deixa ainda mais evidente que a rede de fake news, criada para o golpe, campanha eleitoral e sustentação de Bolsonaro, está funcionando a todo vapor.Sustentadas na pauta de costumes, as igrejas, (salvo raras excessões), se encarregam de transformar as falsas informações em verdades absolutas e manipular os fiéis nos grupos de WhatsApp, Facebook e outros aplicativos. Isso é fato comprovado.Os cultos das igrejas, na pandemia, estão sendo realizados nas redes sociais com imensa abrangência de fiéis vulneráveis. Com isso, se transformaram em linha auxiliar da rede de fake news.Está cada vez mais evidente que esse é o esteio de sustentação de Bolsonaro e seu governo. -
Maia e Barroso são responsáveis pela continuidade do delinquente no poder.
O país está muito destrambelhado e os responsáveis estão andando e assoviando.Seria preferível cassar a chapa Bolsonaro-Mourão agora, em plena pandemia, a continuar com esse governo. Há crimes de sobra para isso.Mais um escândalo na praça: a empresa de comunicação Astronauta, que recebeu R$ 1,4 milhão de dinheiro público, pago pelo governo Bolsonaro, pela produção de conteúdo publicitário dos ministérios da Saúde e da Educação, presta serviços para a empresa do filho de Bolsonaro.Com essa história de que não há condições para afastamento definitivo de Bolsonaro-Mourão, por conta da pandemia, as leis não são respeitadas, as instituições não cumprem a Constituição, suas funções, e as autoridades competentes reinam, andando e assoviando.Prosseguir com esse governo será uma tragédia muito maior do que a pandemia.Como chefe de Estado, Bolsonaro está cometendo omissão gravíssima ao protelar a vacinação da população. Ele debocha, ri de todas as brasileiras e brasileiros, com toda sua irresponsabilidadeE ainda conta com a conivência do STF, do Ministério Público, da Anvisa, do Ministério da Saúde e dos órgãos autônomos de fiscalização e controle, que deveriam ir pra cima dele e fazê-lo cumprir com suas atribuições constitucionais.O Ministério Público tem que agir, abrir processo de investigação sobre, se existe ou não, plano de vacinação e qual a estratégia do governo para distribuição das vacinas, mas faz vista grossa.As responsabilidades do Presidente da República estão escritas na Constituição. O STF tem obrigação de fazer cumpri-las.A cassação dos mandatos dele e do Mourão, por crime eleitoral, já devia ter ocorrido, mas o TSE também é conivente com os crimes do governo.Todas as provas do crime eleitoral estão nas mãos dos ministros; Roberto Barroso, presidente do TSE, investigadas pelo Ministério Público Eleitoral, pela Polícia Federal, e de Alexandre de Moraes, encarregado pelas investigações do financiamento de disparso de fake news, pelo Gabinete do Ódio, de dentro do Palácio do Planalto.O pedido de cassação está pronto para ser julgado no TSE e Barroso não pauta.Impeachment, pelo Congresso, não resolve. Assumiria Mourão, e o desgoverno continuaria. Com a disputa pela presidência da Câmara e do Senado, caso as chapas do Centrão vençam, fica inviável. Bolsonaro pode ganhar mais fôlego, partir para a pauta de costumes, do ultra-liberalismo, e liquidar com o que resta da democracia.Não cassaram até agora porque não quiseram. Maia Engavetou 56 pedidos de impeachment. Barroso guarda no fundo da gaveta as provas do crime eleitoral e o julgamento da chapa Bolsonaro-Mourão. O prazo para cassação da chapa encerra eia 31 de dezembro.STF e TSE são cúmplices dos crimes, da manutenção de um delinquente no poder e do enterro da democracia. -
Um cruzado de esquerda na extrema direita
Aqui, esfregando as mãos à espera do Documentário ‘White Riot’ de Rubikah Shah.Em meados dos anos 1970 a extrema direita, no Reino Unido, levou um cruzado de esquerda do movimento Punk que deve estar tonta até hoje.Mergulhado numa profunda crise econômica e social, o Reino Unido viu crescer uma onda racista e xenófoba contra negros e imigrantes, impulsionada pela Frente Nacional, um partido de extrema direita neonazista.Surge o movimento Punk, se ergueu, ganhou força e não deixou barato. Conclamou a rebelião de classe, sacudiu multidões contra o racismo, a segregação dos imigrantes, e espalhou pelo mundo suas ideias, comportamentos e rock porrada.Em 1982 peguei um trem no Rio e fui para São Paulo assistir ao 1º Festival Punk do Brasil, no Sesc-Pompéia. Estavam lá, novinhos: Titãs, Ratos de Porão, Inocentes e outras bandas da periferia. Até hoje guardo fanzines do pessoal. -
De repente, Barack Obama surge na tela da Globo e ataca Lula
De repente, Barack Obama surge na tela da Globo, dá uma entrevista a Pedro Bial sobre o livro que está lançando e ataca o ex-presidente Lula com acusações levianas.Escrito com as mesmas mãos sujas de sangue, que assinaram a autorização dos bombardeios assassinos de milhares de inocentes em vários países.
Evidentemente, Obama quer vender seu livro, mas será que é somente isso? Ele respira a política do seu partido. Tanto que foi um cabo eleitoral implacável de Joe Biden.
A entrevista aconteceu logo após a vitória de Biden nas eleições nos Estados Unidos e em plenas eleições municipais no Brasil, onde o DEM e os partidos que compõem o “Centrão” saíram vitoriosos. Bolsonaro, derrotado como Trump.
Uma vitória atribuída a Rodrigo Maia, que surpreendentemente se apresentou como grande articulador das forças da direita a fim de se posicionarem para a sucessão presidencial. O sonho dele é a reedição do campo político que resultou na chapa PSDB-DEM e elegeu Fernando Henrique Cardoso por duas vezes.
Aqui, as forças políticas da direita se articulam para se alinharem com o governo de Joe Binden e isolar Jair Bolsonaro e seus aloprados.
Obama fala, via Globo, num momento em que Sérgio Moro, candidato da emissora, enfrenta no Supremo Tribunal Federal um processo que pede a decretação de sua suspeição, enquanto juiz, nos processos forjados contra o ex-presidente Lula.
Depois da demissão do governo, Moro tentou fazer de Bolsonaro um guindaste para alavancar sua candidatura, mas não deu certo, estava desaparecendo do noticiário, quase sendo descartado. Até Luciano Ruck, outro empregado da Globo, foi ao encontro de Moro para conversar sobre candidaturas. Rodrigo Maia também mantém conversas com Ruck. Ou seja, a malta está se articulando.
Outro fato importante, que compõe o cenário político, é a vitória do ex-presidente Lula no STF. O tribunal obrigou a Lava-jato a entregar aos advogados de defesa do ex-presidente, os acordos feitos de forma marginal, com o FBI e outros órgãos de inteligência dos Estados Unidos. à revelia do Congresso Nacional.
Um acordo clandestino, que nunca veio a público. Não se sabe o que Sérgio Moro, procuradores e policiais, fizeram em parceria com as autoridades do império.
Por outro lado, o ministro Edson Fachin entregou o ex-presidente Lula às feras do Superior Tribunal de Justiça, para que o tribunal julgue o pedido de suspensão do caso Triplex do Guarujá. O STJ tem tomado decisões alinhadas com a desmoralizada Lava-jato. Isso não é nenhum segredo.
O Partido Democrata, com sua política sutil, tem raízes fincadas no “Estado Profundo”, que atua nas sombras da política dos Estados Unidos. Obama conhece bem a teia subterrânea formada por mais de 800 mil funcionários dos órgãos de inteligência, espalhados no país e no mundo.
A rede de espionagem que invadiu o celular da ex-presidente Dilma Roussef, o sistema de informações da Petrobras, denunciados por Edward Snowden, são fatos que desfazem a inocência de quem acredita na pureza da política dos Estados Unidos.
O simpático Barack Obama, com sua “despretensiosa” entrevista à Globo e seu livro, entra no cenário político do Brasil como personagem de roteiro bem pensado. O livro é uma peça política poderosa, de repercussão mundial.
Como dizia o político mineiro Magalhães Pinto, “Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Olha de novo, já mudou”.
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O sol de quase dezembro
Faz tremular a paisagem no horizonte. Quente como o verão, o sol de quase dezembro dá cio na terra, nos bichos, tesão banhado em água de chuva. Faz o verde novo vibrar de vigor, ” num precipício de luzes”.
“O Sol nas bancas de revista, me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia!”
O Sol, de “Alegria, Alegria”, Caetano Veloso carregava debaixo do braço para ler na praia ou em casa, e ver que o mundo se “reparte em crimes, espaçonaves, guerrilhas e em Cardinales bonitas”.
O jornal O Sol, tabloide do Rio de Janeiro, teve vida efêmera, nasceu em setembro de 1967 e morreu em janeiro de 1968. Mas, enquanto viveu, iluminou o Rio de Janeiro.
Uma das pessoas que deu a Caetano Veloso “Alegria, Alegria” e vida ao O Sol foi Dedé, sua grande paixão, na época, com quem se casou e viveu mais de 10 anos. Ela era estagiária, havia sido convidada para participar da experiência do jornal escola, que queria “caminhar contra o vento sem lenço, sem documento”.
Depois de inventar Big Boy, o irreverente DJ da Rádio Mundial, que se tornou ícone do radialismo brasileiro, o grande jornalista Reynaldo Jardim foi um dos inventores e editor de O Sol. Surgido inicialmente como um suplemento cultural do Jornal dos Sports. Dois meses depois, já taluinho, O Sol declarou independência e foi para as bancas sozinho.
Reynaldo Jardim assumiu o comando, “por entre fotos e nomes os olhos cheios de cores, o peito cheio de amores vãos”, foi… “Por que não, por que não?”.
Junto com os editores Zuenir Ventura e Ana Arruda Callado, e mais de 30 jovens formados nas faculdades de jornalismo, “O Sol nas bancas de revista”, brilhou, com uma linguagem impactante, inovadora, influenciada pelo movimento da contracultura,
Mais tarde, brotaram nas trincheiras contra a ditadura e a repressão, O Pasquim e outros filhos libertários da imprensa alternativa. O Sol resplandeceu “Em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, pernas, bandeiras, bomba e Brigitte Bardot”. .
Lavado pela chuva, o sol de quase dezembro brilha, “num precipício de luzes”.
(*) Reynaldo Jardim viveu entre nós, em Brasília, até os últimos anos da sua vida. O Sol ganhou um documentário, em 2006, dirigido por Tetê Moraes, roteiro de Martha Alencar: O Sol – Caminhando contra o Vento.
(**) Os versos entre aspas são das músicas Alegria, Alegria, e Soy loco por ti América, de Caetano Veloso.
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Saudade dos rolezinhos
Os “Rolezinhos” eram passeios nos shoppings, de jovens beneficiados pela inclusão social no governo Lula, com seus celulares recém adquiridos, fazendo fotos para postar nas redes sociais.A reação dos shoppings foi barrar os jovens, com truculência. A dita “classe média diferenciada” não admitiu a “mistura”. Juízes em São Paulo chegaram a proibir os jovens de frequentarem os shoppings.Num salão de cabeleireiro no Lago Sul, em Brasília, uma senhora se encontrou com a empregada doméstica que trabalhava com ela, arrumando os cabelos e cuidando das unhas. A senhora fez um escândalo e exigiu do dono do salão que retirasse a moça. E o dono a retirou.Num aeroporto do Rio, uma senhora viu um senhor comendo um sanduíche na fila de embarque, também fez um escândalo. Disse que os aeroportos no Brasil estavam se transformando em rodoviárias e que aquilo era inadmissível.Lula disse, na época, que havia um incômodo na “classe média diferenciada”, com a inclusão social, porque a empregada doméstica estava usando o mesmo perfume da madame.E agora? Como está o Brasil? -
A história das religiões é feita de sangue
A história das religiões mais professadas é feita de sangue, doutrinação e dominação. Todo o mundo sabe da incoerência entre o que pregam e o que praticam. Algumas evoluíram, mas não se pode negar o passado e o presente.Evidentemente nem todos os religiosos são intolerantes. Representantes de entidades islâmicas condenaram os atentados na França. Outros líderes de outras religiões também condenaram.O fanatismo, essa patologia social que se manifesta com extrema violência na política e em certas religiões, se espraia em ondas moralistas.O sofrimento cresce com a competição extrema, o egoísmo, a solidão, a indiferença, decorrentes da opressão do sistema capitalista em crise.Ao mesmo tempo cresce a busca de alívio existencial em religiões, que têm se posicionado publicamente como inimigas da arte, da liberdade, da democracia.O casamento de religião com política, forças armadas, forças policiais e judiciárias, sempre foi e é o que mais preocupa, por se consolidar, agora, um poder moral ameaçador em tempos digitais, em redes de ódio e intolerância.Isso precisa ser contido antes que seja tarde. Violência moral, não!










