Quando você dança, a África ferve dentro de você

Haitians dance under a sacred ceibo tree called Lisa as they participate in a Voodoo ritual on the third day of the annual week-long gathering in the Souvenance community, April 1, 2013. Hundreds of Haitians participate in the ceremonies which begin the Saturday before Easter in Souvenance, where descendants of the people of Dahomey, a former kingdom in what is now present-day Benin, show their devotion to their ancestors and various lwa, or spirits, This third day of ceremonies represents their journey back to Africa. Picture taken April 1, 2013. REUTERS/Marie Arago (HAITI - Tags: SOCIETY RELIGION)

Há aproximadamente 160 mil anos, surgiu no continente africano o homo sapiens. De lá, os habitantes se espalharam e formaram os primeiros núcleos urbanos em várias partes do mundo.

No século XVII, escravos levados da África resistiram, não se deixaram destruir, e espalharam sua arte, sua cultura e tradições por todos os continentes. Nos séculos XX e XXI,  a cultura africana ganhou mais força, passou a influenciar o mundo.

A influência mais forte vem da música. Nos EUA, os africanos nos deram o blues, o rock, o jazz, o funk e muitas outras formas de expressão.

Na América Central e Caribe, uma profusão de ritmos: salsa, mambo, merengue, reggae e outros, com Cuba comandando a festa, na batida repetitiva da percussão, na cadência de tambores pulsantes.

Na América do Sul, da mesma forma, o Brasil desponta com o samba e tantos outros ritmos enraizados, derivados e espalhados pelo  vasto país.

Essa onda percorre a Colômbia, a Venezuela, as guianas, o Peru, o Uruguai, o Paraguai, vai até a Argentina reger os passos sedutores dos casais na marcação do tango.

E não para por aí. Ligados os sentidos e os movimentos, percebe-se que a estrutura  da música moderna é africana.

O mais impressionante é a preservação do ritmo  mântrico, que chacoalha o corpo sem parar, na busca da transcendência.

Tudo isso veio dos centros espirituais de crenças religiosas africanas. Observe no rock, no blues, no mambo, no samba, no tango, são ritmos repetitivos, são mantras. Basta se deixar levar pela força.

Não é a gente que dança a música. É a música que dança a gente.

 

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