Rio em brasa

Minhas férias me deixaram de um jeito que  meu pé nem reconhece mais sapato e, como dizia o publicitário Carlito Maia, “Gravata, só de lembrar, me dá um nó na garganta.” Rio em brasa, painéis registram 38 graus. No Leblon, águas caribenhas. No horizonte, mar e céu se fundem no eterno azul, cortado por aviãozinhos coloridos, puxando faixas de propaganda de um produto qualquer. Na areia quente, debaixo das barracas, o murmúrio de todos os assuntos, entrecortados pelos anúncios dos vendedores ambulantes: “alô mate!”, “biscoitos globo!”, “é o árabe, alô esfirra! “,  “ei psiu! gostosa! empada gostosa!” Um bando de mergulões migram batendo asas como pontinhos se movendo em fileiras indecisas sob o sol ardente descendo a tarde. O horizonte fica exatamente na linha onde se misturam o verde e o azul do céu e do mar, suspenso, flutuando na transparência da água. Assim está o mar do Rio,  para onde levei minha preguiça de colo e braços de algodão. Minha companheira de todas as horas. Estamos enroscados, quietos, mirando o horizonte com meia pálpebra,  enquanto a outra dorme, cerrada.

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